Carolina
A Carolina nasceu num mundo demasiado pequeno para ela. Nasceu da fome e da vontade de viver, nasceu do caos e dum amor tardio, mas foi sempre chegada adiantada e certeira na vida de todos os que tiveram o privilégio de se sentar com ela em mesas de café e noites de bingo no bar da cidade. A Carolina foi o bebé mais desejado do mundo, foi oração certa que antecedeu todos os adormeceres na última casa da rua. A Carolina foi imaginada pormenor a pormenor, detalhe a detalhe. Cada piscar de olhos foi sonhado antes de acontecer. Cada riso era provocado propositadamente para que o mundo pudesse ter o privilégio de adormecer embalado pelo som da sua felicidade. Cara do pai e alma tal qual a da mãe. Amor de todos os que lhe põem a vista em cima. Página com canto dobrado em todos os capítulos de histórias das pessoas que se vão cruzando com ela. A Carolina é filha de um amor de cinema e talvez por isso se tenha sempre forçado a procurar vinhetas em todos os afetos de que foi anfitriã, talvez po...


