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    <title>Nexo Jornal</title>
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      <title>Nexo Jornal</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br</link>
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    <description>Informação clara e bem explicada você encontra aqui. Nexo, leitura obrigatória para quem quer entender o contexto das principais notícias do Brasil e do mundo.</description>
    <language>pt-br</language>
    <item>
      <title>A rede de cientistas dedicada ao estudo de besouros</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/04/23/cientistas-besouros-insetos-instituto-nacional-de-coleoptera</link>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 17:43:49 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Coordenador do Instituto Nacional de Coleoptera fala sobre a importância de pesquisar a fundo o grupo de insetos&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/Hypsideroides_junodi_15152305.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Hypsideroides junodi, da família Cerambycidae
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Wynand Uys / Wikimedia Commons
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Apesar da falta de percepção do público, os insetos representam cerca de 60% da composição de toda a biodiversidade conhecida do planeta. De acordo com o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil, o grupo compreende 73% (mais de 91 mil espécies) da diversidade de animais (125 mil espécies) registradas no Brasil. São conhecidos 31 grandes grupos (ordens) de insetos no mundo, mas um grupo em especial se destaca. Popularmente conhecidos como besouros, uma em cada quatro espécies de animais conhecidas no planeta pertence ao grupo (ordem Coleoptera).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os besouros formam um grupo incrivelmente diverso e numeroso. Entre os mais conhecidos estão os vagalumes, joaninhas, serra-paus, rola-bostas e besouros-joias. Mas há muitos outros. Quase meio milhão de espécies já foram descritas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Toda essa diversidade está refletida em uma enorme variedade de formas, cores, hábitos alimentares e papéis ecológicos. A formação do solo, a decomposição da matéria orgânica vegetal e animal, a ciclagem de nutrientes e até a polinização das plantas e a dispersão de sementes estão entre os “serviços ecossistêmicos” indispensáveis fornecidos pelos besouros, contribuindo para o equilíbrio e a saúde dos ecossistemas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No Brasil são conhecidas atualmente mais de 36 mil espécies de besouros, pertencentes a 116 famílias. Mas engana-se quem pensa que o grupo é bem conhecido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há estimativas de que a diversidade de besouros no Brasil seria de 130 mil espécies. Mas mesmo considerando apenas a diversidade conhecida no país, somente 141 espécies de coleópteros tiveram seu status de conservação avaliado até o momento pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o que significa que menos de 0,4% das espécies de besouros possuem informações básicas sobre seu risco de extinção.&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/Golden_Tortoise_Beetle_-_Flickr_-_treegrow_1.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Ischnocodia annulus, da família Chrymelidae
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Katja Schulz / Wikimedia Commons
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;“Não conseguimos conservar o que a gente não conhece”, diz o professor Fernando Vaz-de-Mello, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O pesquisador coordena uma rede de mais de 80 cientistas nacionais e estrangeiros, o Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) – um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dedicado ao estudo dos coleópteros criado no segundo semestre de 2025, com o apoio do CNPq e sediado na UFMT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vários estudos mostram que a distribuição de recursos para pesquisas científicas entre grupos de animais apresenta um forte viés para grupos de vertebrados em detrimento de grupos de invertebrados como insetos, aracnídeos e moluscos, que compõem mais de 95% de toda a diversidade das espécies de animais conhecidas no planeta. Esse viés também é observado no financiamento de projetos de conservação de espécies. Um estudo recente publicado em 2025 revelou que 83% dos recursos investidos para a conservação de espécies são destinados a grupos de vertebrados, em sua maior parte para aves e mamíferos, e apenas 6,6% dos recursos são destinados a grupos de invertebrados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse cenário, Institutos de pesquisa voltados para o estudo de insetos possuem importância crítica no cenário brasileiro e mundial, considerando a necessidade urgente de investimentos para a avaliação de risco e a conservação de espécies pertencentes a grupos tradicionalmente negligenciados, e frente às taxas alarmantes de extinção de espécies nas regiões tropicais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Populações de insetos estão sofrendo forte declínio em todo o mundo, inclusive no Brasil, em decorrência de uma combinação de vetores como desmatamento, fragmentação do hábitat, uso de pesticidas e mudanças climáticas. Um estudo publicado recentemente na Nature estima que o aquecimento global poderá causar a morte de cerca de metade da comunidade de insetos que vivem na Amazônia devido à capacidade limitada de tolerar o aumento de temperatura que o bioma deve atingir até 2100.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para Vaz-de-Mello, o INCol permitirá diferenciar as espécies umas das outras e caracterizá-las adequadamente. Além disso, espera que o Instituto contribua para fornecer “avaliações de biodiversidade, para novas ferramentas de manejo e uso de espécies de interesse econômico”, o aprimoramento de “métodos de avaliação de risco de extinção de espécies”, e para propor soluções para a conservação de espécies e seus habitats.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vaz-de-Mello também coordena o estudo da biodiversidade dos coleópteros em dois megaprojetos de pesquisa em andamento na Amazônia Central: o BioInsecta (Biomonitoramento de Insetos em Florestas Tropicais), projeto apoiado pela Fapesp com sede na USP de Ribeirão Preto (SP), e o BioDossel (Insetos na Copa das Árvores), um INCT do CNPq com sede no INPA, em Manaus (AM).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veja a entrevista para ((o))eco e o Blog BioInsecta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que há de fascinante em relação aos coleópteros? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ordem Coleoptera, que inclui os besouros, é a maior ordem conhecida de seres vivos.  Trata-se de um grupo com cerca de meio milhão de espécies descritas, pertencentes a aproximadamente 180 famílias. Os coleópteros correspondem a cerca  de 40% das espécies de insetos conhecidas, o que representa aproximadamente um quarto de todas as espécies animais do planeta. Um grupo muito diverso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As espécies desse grupo estão associadas a praticamente todos os tipos de ambientes terrestres, incluindo áreas de clima bastante frio, como parte do continente Antártico. Muitos grupos de coleópteros estão associados a ambientes de água doce, e há até algumas espécies associadas à água salgada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os besouros são insetos que se caracterizam por apresentar uma metamorfose completa, o que significa que suas larvas são extremamente diferentes dos adultos, não apenas na forma geral (do corpo), mas também no modo de vida. Os adultos geralmente se caracterizam por ter o primeiro par de asas modificadas chamadas de élitros que cobrem a maior parte do corpo, fornecendo proteção e ao mesmo tempo ajudando na sustentação do voo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há espécies que se alimentam de matéria vegetal, tanto em decomposição como plantas vivas ou suas partes (folhas, madeira, sementes); espécies que comem animais mortos; que se alimentam de animais vivos (predadoras); espécies parasitóides (parasitas de outros insetos); e existem até besouros hematófagos (que se alimentam de sangue), apesar de serem poucas espécies.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa diversidade de hábitos alimentares resulta em papéis ecológicos bastante variados. Desse modo, muitos besouros podem ser considerados como “engenheiros ambientais”, contribuindo para a formação e estrutura do solo – cavando, aumentando a permeabilidade e diminuindo a compactação do solo, fazendo a decomposição de matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes e a dispersão de sementes. Há também espécies polinizadoras. Um grande número de serviços ecossistêmicos são fornecidos pelos coleópteros!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qual a importância da criação de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dedicado à pesquisa dos coleópteros e qual será o seu foco?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) é um instituto virtual que vai reunir a maior parte dos estudiosos de coleópteros do Brasil e muitos de fora do país. Foi criado com o apoio do CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já contamos com a participação de mais de 80 pesquisadores, que são curadores de 40 coleções científicas de besouros e estão associados a 50 instituições, em 17 estados brasileiros. Há pesquisadores de pelo menos mais 10 países.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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                        &lt;p&gt;Gratuita, com os fatos mais importantes do dia para você&lt;/p&gt;
                    
                
                
                    
                        
                            
                            
                                
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&lt;p&gt;Sua atuação será baseada em três eixos principais: taxonomia, ecologia/conservação, e importância econômica. Desses, o eixo de taxonomia é o mais transversal, porque não conseguimos fazer nada sem taxonomia. E, graças à taxonomia de coleópteros bem feita, conseguiremos desenvolver as demais áreas de estudo de coleópteros no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quais os principais resultados esperados do INCol para a conservação da biodiversidade e para a sociedade? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O INCol estuda um grupo animal muito grande, como já mencionado. O principal desafio que temos para o conhecimento do grupo é o gargalo taxonômico. Existem muitas espécies já descritas para as quais ainda não temos ferramentas capazes de diferenciar umas das outras, e existem também muitas espécies novas ainda não descritas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quanto a questões de conservação da biodiversidade e uso sustentável, não conseguimos conservar o que a gente não conhece. E só conseguimos usar o potencial de organismos benéficos e manejar espécies que possam causar problemas, de maneira eficiente, se pudermos diferenciar essas espécies umas das outras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No eixo de atuação em ecologia e conservação do INCol, esperamos desenvolver métodos melhores de avaliação de risco de extinção de espécies e o uso de grupos alternativos de espécies como indicadores de biodiversidade para estudos de conservação e biodiversidade no Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Temos muitos estudos utilizando precisamente o grupo de besouros de minha especialidade, que são os rola-bostas. Esses besouros têm uma reprodução extremamente complexa, que envolve a construção de um ninho bastante trabalhoso, a produção de ovos enormes e muita interação social entre macho e fêmea para que a prole sobreviva. Frequentemente, estão associados a excrementos, mas alguns besouros estão associados a outros tipos de matéria orgânica em decomposição, como frutas e carcaças de animais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas está na hora de usarmos outros grupos de besouros para estudos de ecologia e conservação, desenvolvendo novas metodologias para eles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quanto ao eixo de interesse econômico, se quisermos falar de sustentabilidade, tanto ecológica quanto econômica, não poderemos manejar as espécies se não conseguirmos diferenciá-las umas das outras. Uma vez que possamos diferenciar as espécies e caracterizá-las adequadamente, conseguiremos conhecer suas histórias de vida (biologia) e, somente com esse conhecimento, poderemos considerar seriamente realizar o manejo e o uso dessas espécies.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esperamos que o INCol contribua, desde o início de suas atividades, com avaliações de biodiversidade e para o desenvolvimento de novas ferramentas de manejo e uso de espécies de interesse econômico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como coordenador do estudo de taxonomia e diversidade dos coleópteros dos projetos BioInsecta e BioDossel, quais as principais contribuições que você considera que estes projetos devem trazer para o estudo da biodiversidade dos insetos da Amazônia? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Temos perto de 200 anos de estudos sobre a diversidade de insetos da Amazônia, mais ou menos contínuos. Mas, por questões metodológicas, sempre foi muito difícil realizar estudos dos insetos associados às partes mais altas da Floresta Amazônica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A grande contribuição do BioInseta e do BioDossel é permitir que a gente estabeleça (identifique) quais são as espécies de insetos que estão no dossel (copa das árvores). Estou mais interessado nos besouros que estão associados a diferentes alturas dentro da floresta, desde o nível do solo até acima do dossel. Vamos conseguir obter um tipo de informação que só foi possível há muito pouco tempo. Esses dois projetos permitiram solucionar uma antiga limitação metodológica para o estudo dos insetos que vivem acima do nível do solo (até 2 metros) em ecossistemas florestais através de um sistema inovador de armadilhas em cascata, dispostas verticalmente, permitindo a amostragem massiva de insetos desde o solo até o dossel, a cerca de 30 metros de altura na Floresta Amazônica.&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/Pelidnota_sumptuosa_from_projects.biodiversity.be_ID-3605.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Coleóptero predador Pelidnota sumptuosa, da família Scarabaeidae
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Noël Mal  / Wikimedia Commons
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Pela primeira vez, vamos conseguir obter informações de maneira bem padronizada, de modo que poderemos saber quais espécies estão associadas a quais alturas dentro da estrutura vertical das florestas na Amazônia brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qual a sua expectativa do impacto do BioInsecta e BioDossel em relação ao conhecimento que deverá ser revelado da biodiversidade dos besouros da Amazônia e do Brasil? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mais interessante do BioInsecta e BioDossel, do ponto de vista de um taxonomista (especialista no estudo das espécies), é a metodologia que estamos usando nesses projetos, que chamamos de integrative taxonomy with inverted sorting – taxonomia integrativa com triagem reversa, em português. Ela consiste em análises muito rápidas de DNA barcode (considerado um código de barras para a identificação das espécies com base no gene citocromo oxidase I), e no agrupamento dos exemplares com base na similaridade desse trecho de DNA, em espécies. Os clusters, que são os conjuntos de exemplares considerados como uma mesma espécie, são então enviados para os taxonomistas, que confirmam ou não a identificação dessas espécies com o uso de características morfológicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse é um estudo muito interessante porque, pela primeira vez, graças ao DNA barcode dos espécimes, por exemplo, poderemos reconhecer machos e fêmeas de uma mesma espécie que sejam muito diferentes entre si, o que não seria possível com base apenas na morfologia. Devido à metodologia usada, poderemos associar espécimes muito diferentes uns dos outros, como extremos de tamanho e diferenças de cor, que, de outra forma, não seria possível ter certeza que se tratam da mesma espécie ou não. Mas os besouros não estavam colaborando muito com essa metodologia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No começo do estudo, uma quantidade grande dos coleópteros nos dois projetos não estava sendo sequenciada como os demais grupos (ordens) de insetos. Isso aconteceu devido a maior rigidez (esclerotização) do corpo desses animais, o que dificulta a extração do DNA. Por isso, implementamos novos métodos para a extração de DNA dos coleópteros, como a maceração de pernas dos exemplares, e espero que, com isso, possamos aumentar consideravelmente a proporção dos besouros sequenciados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre espécies novas, é claro que vão aparecer espécies novas, e vão ser muitas. Tenho certeza que aparecerão espécies novas associadas ao dossel que não sabíamos que existiam e que ainda não existem em nenhuma coleção (científica). Quando trabalhamos com um grupo diverso como os besouros, esperamos o aparecimento de espécies novas sempre que usamos uma metodologia diferente ou coletamos em um lugar diferente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De que modo o INCol poderá colaborar com os projetos BioInsecta e BioDossel, e vice-versa? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Espero uma simbiose extremamente forte. No BioInsecta e BioDossel, tudo se baseia em taxonomia, em conseguir identificar adequadamente as espécies de insetos encontradas em diferentes estratos de altura na Floresta Amazônica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para o INCol, tudo também depende de taxonomia. Conseguiremos desenvolver tudo o que o INCol propôs com base no aumento da capacidade nacional de identificação de coleópteros e gerando ferramentas baseadas em identificações taxonômicas precisas, tanto para usos econômicos quanto para a ecologia e conservação das espécies. Para isso, investiremos na formação de novos taxonomistas. O INCol tem uma quantidade grande de bolsas formativas e de bolsas de continuidade de trabalho para jovens pesquisadores (doutores).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A grande interação e simbiose entre INCol, BioInsecta e BioDossel é que estamos tratando da mesma rede de pesquisadores taxonomistas. Serão os taxonomistas do INCol que identificarão os besouros coletados nos projetos BioDossel e BioInsecta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O BioDossel e o BioInsecta fornecerão espécimes que serão essenciais para a pesquisa taxonômica sobre os besouros brasileiros, novos espécimes (exemplares) com dados de coleta e de novas espécies, que, por sua vez, serão estudadas pela rede de taxonomistas do INCol. Essa rede de pesquisadores será compartilhada entre os três projetos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diversos estudos têm mostrado que as populações de insetos estão sofrendo forte declínio em todo o mundo, inclusive no Brasil, principalmente devido a vetores como desmatamento, uso descontrolado de pesticidas, fertilizantes e devido às mudanças climáticas. Há informações disponíveis do impacto desses vetores sobre as populações de besouros?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Existem fortes evidências de declínios populacionais de besouros no mundo inteiro. Posso falar um pouco melhor sobre o que está acontecendo com os besouros rola-bostas. Temos um grupo de pesquisadores especialistas em besouros rola-bostas (Dung Beetle Specialist Group) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que têm trabalhado nessa temática.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir do grupo de trabalho dos especialistas da IUCN, uma série de estudos já foram publicados, inclusive para o Brasil, mais recentemente. Os estudos evidenciam um declínio das populações de besouros rola-bostas, que estão desaparecendo das pastagens, provavelmente devido ao uso indiscriminado de vermífugos (para o gado), à ausência de manejo adequado do solo e à falta de cuidados em relação à fauna do solo das pastagens.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez não sejam apenas os vermífugos, e outros tipos de substâncias químicas também devem estar presentes. Para o futuro, o cenário também é preocupante. Já temos estudos que mostram alterações da distribuição geográfica de besouros rola-bostas de pastagens devido às mudanças climáticas que estão acontecendo. Para muitas espécies, há reduções importantes na distribuição geográfica estimada para o futuro. Será que o declínio populacional que estamos observando nos besouros rola-bostas vai continuar?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esperamos observar que o declínio populacional de outros grupos de coleópteros esteja associado a outros vetores. E veja que não falei do desmatamento. É claro que, quando ocorre desmatamento, teremos declínio das populações das espécies que estão estreitamente associadas às áreas que foram desmatadas. Ao mesmo tempo, teremos o aumento das populações das espécies associadas às áreas antrópicas (ambientes modificados pelo homem).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como os três projetos poderão contribuir para reduzir essas lacunas de conhecimento?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos observando grandes mudanças nas populações de insetos, mas ainda não temos um bom entendimento dessas alterações e de quais são suas causas, a não ser em grupos específicos, como é o caso dos besouros rola-bostas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir dos dados de qualidade que vamos dispor para o INCol, assim como para o BioInsecta e BioDosssel, somados à precisão que será fornecida para a identificação das espécies, poderemos fazer comparações com dados existentes em coleções e prever alterações significativas na distribuição geográfica das espécies e em seus hábitats, não apenas para os besouros rola-bostas, mas para todos os grupos de besouros. Será possível dar continuidade aos estudos relacionados à perda de diversidade, principalmente nos trópicos.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Externo</category>
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    </item>
    <item>
      <title>A taxa de desaprovação do governo Trump</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/grafico/2026/04/23/desaprovacao-donald-trump-governo-eua-rejeicao-guerra-do-ira-ice</link>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 15:00:06 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Rejeição ao republicano no segundo mandato atinge recorde após guerra no Irã. Avaliação dos americanos em áreas como imigração, comércio e inflação também é desfavorável&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;






	
	

		
		
			&lt;p&gt;A desaprovação ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos tem se consolidado ao longo de seu segundo mandato. Segundo o agregador de pesquisas do Silver Bulletin, do estatístico Nate Silver, 57,6% dos americanos desaprovam a atual gestão, enquanto apenas 38,8% aprovam.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Nas pesquisas, Trump iniciou seu segundo mandato com uma taxa de aprovação de 51,6%, o que representava um saldo positivo de 11 pontos percentuais. &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;No entanto, desde março de 2025, a avaliação do governo passou a ser negativa, em meio a tensões na política externa e a “guerra das tarifas”, que elevou custos de importação e pressionou ainda mais os preços no mercado interno. &lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Avaliação popular do segundo &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;mandato de Donald Trump&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 21/01/2025 a 22/04/2026, com intervalo de confiança&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;65% dos americanos&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;60%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;57,6%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Desaprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;55%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;51,6%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;50%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;45%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;38,8%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40,0%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;35%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jul&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;out&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;A área sombreada mostra onde o valor de cada taxa &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;está, considerando a margem de erro da estimativa&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Um ano depois, a tendência permanece negativa. Em meio a  sequência de tensões internas e externas, que vão desde a violência na política de imigração, até a repercussão do caso Epstein, paralisação e demissões em massa e ameaças a outros países, a imagem do governo Trump tem sido associada a instabilidade, controvérsias e autoritarismo. &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Ainda em março, a aprovação de Trump caiu ainda mais com a escalada de tensões no Oriente Médio e os desdobramentos da guerra no Irã. &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Desde então, a aprovação líquida passou de 13,4 pontos percentuais negativos, em 28 de fevereiro, para 18,8 pontos percentuais negativos em 22 de abril, o pior resultado para o atual mandato.&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprovação líquida no segundo &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;mandato de Donald Trump&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 21/01/2025 a 22/04/2026, &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;em pontos percentuais&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Início da guerra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;contra o irã&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;28/02&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+15,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+11,7&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+10,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+5,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;10/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−0,2&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;07/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−5,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Morte de&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Renee Good&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;pelo ICE&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;02/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−10,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Anúncio&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do tarifaço&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−13,4&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;07/07&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−15,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Caso Epstein&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;encerrado&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Paralisação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do Governo&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−18,8&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−20,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−30,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jul&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;out&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;A aprovação líquida de Donald Trump está &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;em -18,8 pontos percentuais, indicando &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;que há mais americanos que desaprovam&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do que aprovam seu governo&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;A desaprovação também aparece na opinião dos americanos sobre o conflito: atualmente 54,2% se dizem contrários à guerra envolvendo o Irã. No início da análise do Silver Bulletin, em 1º de março, 47,3% eram contra. &lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Avaliação dos americanos à participação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;dos EUA na guerra contra o Irã&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 01/03/2026 a 22/04/2026, com intervalo de confiança&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;65% dos americanos&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;60%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;03/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;55,9%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;55%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;54,2%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Desaprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;50%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;47,3%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;45%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;15/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40,5%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;39,0%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;35%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;35,1%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;30%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;15/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;15/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Mesmo com a desaceleração do confronto com o Irã,&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;ainda que sob uma trégua frágil, a rejeição à atuação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;dos EUA na guerra segue acima de 50%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Um dos pontos centrais da guerra é a instabilidade no Estreito de Ormuz, território iraniano que é rota estratégica para o transporte global de petróleo. Interrupções no fluxo da commodity, com bloqueios na região, elevaram a volatilidade dos preços internacionais, especialmente o custo dos combustíveis nos EUA.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Desde os ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o preço da gasolina no país subiu cerca de 38%.&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Preço da gasolina regular nos EUA&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Todas as formulações, com valores corrigidos&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;pela inflação para março de 2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Guerra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do Irã&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Guerra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;da Ucrânia&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;28/02/2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;24/02/2022&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;7 dólares&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Bolha dos&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;ponto com&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Crise&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;de 2008&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Recessão&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Pandemia&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 6&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 5&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;20/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 4&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 4,10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 3&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 2&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;1996&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2001&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2006&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2011&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2016&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2021&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Desde o início da guerra contra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;o Irã, o preço da gasolina nos EUA &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;acumula alta de cerca de 38%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Com o bloqueio naval das forças americanas no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo instável e com os impasses nas negociações para um acordo de paz, o apoio dos americanos ao governo pode reduzir. A continuidade da guerra contraria as promessas de campanha de Trump em 2024 sobre reduzir conflitos externos e o custo de vida no país.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Os impactos recaem diretamente sobre um dos principais pontos de desgaste da atual gestão. Entre os temas monitorados pelo Silver Bulletin, a inflação já concentra as piores avaliações. Já a imigração apresenta a menor rejeição em comparação aos outros assuntos, embora ainda registre mais desaprovação do que apoio.&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprovação líquida do segundo&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;mandato de Donald Trump por tema&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 21/01/2025 a 22/04/2026, em pontos percentuais&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+ 15 pontos percentuais&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+ 10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+ 5&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt; 0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−5&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Imigração&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−9,8&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−15&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−20&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Comércio&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−20,9&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−25&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Economia&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−25,7&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−30&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−35&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Inflação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−40,6&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−40&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−45&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jul&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;out&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Observações: Os dados de avaliação do governo combinam pesquisas &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;conduzidas com todos os adultos e somente com eleitores.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Fonte: Silver Bulletin para os dados sobre a avaliação do governo de Donald &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Trump e para os dados da opinião sobre a participação dos EUA na guerra no &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Irã. U.S. Energy Information Administration, via Federal Reserve Economic &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Data (FRED) para o preço da gasolina nos EUA.&lt;/p&gt;
		
	

	
	

		
		
			&lt;p&gt;A desaprovação ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos tem se consolidado ao longo de seu segundo mandato. Segundo o agregador de pesquisas do Silver Bulletin, do estatístico Nate Silver, 57,6% dos americanos desaprovam a atual gestão, enquanto apenas 38,8% aprovam.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Nas pesquisas, Trump iniciou seu segundo mandato com uma taxa de aprovação de 51,6%, o que representava um saldo positivo de 11 pontos percentuais. &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;No entanto, desde março de 2025, a avaliação do governo passou a ser negativa, em meio a tensões na política externa e a “guerra das tarifas”, que elevou custos de importação e pressionou ainda mais os preços no mercado interno. &lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Avaliação popular do segundo &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;mandato de Donald Trump&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 21/01/2025 a 22/04/2026, &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;com intervalo de confiança&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;65% dos americanos&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;60%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;57,6%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Desaprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;55%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;51,6%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;50%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;45%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40,0%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;38,8%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;35%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jul&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;out&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;A área sombreada mostra onde o valor de cada taxa está, considerando a margem de erro da estimativa&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Um ano depois, a tendência permanece negativa. Em meio a  sequência de tensões internas e externas, que vão desde a violência na política de imigração, até a repercussão do caso Epstein, paralisação e demissões em massa e ameaças a outros países, a imagem do governo Trump tem sido associada a instabilidade, controvérsias e autoritarismo. &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Ainda em março, a aprovação de Trump caiu ainda mais com a escalada de tensões no Oriente Médio e os desdobramentos da guerra no Irã. &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Desde então, a aprovação líquida passou de 13,4 pontos percentuais negativos, em 28 de fevereiro, para 18,8 pontos percentuais negativos em 22 de abril, o pior resultado para o atual mandato.&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprovação líquida no segundo mandato de Donald Trump&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 21/01/2025 a 22/04/2026, em pontos percentuais&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Início da guerra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;contra o irã&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;28/02&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+15,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+11,7&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+10,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+5,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;10/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−0,2&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;07/01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−5,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Morte de&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Renee Good&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;pelo ICE&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;02/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−10,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Anúncio&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do tarifaço&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−13,4&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;07/07&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−15,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Caso Epstein&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;encerrado&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Paralisação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do Governo&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−20,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−18,8&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−30,0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jul&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;out&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;A aprovação líquida de Donald Trump está em −18,8 pontos percentuais, indicando que há mais americanos que desaprovam do que aprovam seu governo&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;A desaprovação também aparece na opinião dos americanos sobre o conflito: atualmente 54,2% se dizem contrários à guerra envolvendo o Irã. No início da análise do Silver Bulletin, em 1º de março, 47,3% eram contra. &lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Avaliação dos americanos&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;à participação dos EUA&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;na guerra contra o Irã&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 01/03/2026 a 22/04/2026, &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;com intervalo de confiança&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;65% dos americanos&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;60%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;03/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;54,2%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;55,9%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Desaprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;55%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;47,3%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;50%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;45%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;15/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40,5%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;40%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;22/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;39,0%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;35%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprova&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;35,1%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;30%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;15/03&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;15/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Mesmo com a desaceleração do confronto com o Irã, ainda que sob uma trégua frágil, a rejeição à atuação dos EUA na guerra segue acima de 50%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Um dos pontos centrais da guerra é a instabilidade no Estreito de Ormuz, território iraniano que é rota estratégica para o transporte global de petróleo. Interrupções no fluxo da commodity, com bloqueios na região, elevaram a volatilidade dos preços internacionais, especialmente o custo dos combustíveis nos EUA.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Desde os ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o preço da gasolina no país subiu cerca de 38%.&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Preço da gasolina regular nos EUA&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Todas as formulações, com valores &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;corrigidos pela inflação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;para março de 2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Guerra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;do Irã&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Guerra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;da Ucrânia&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;28/02/2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;24/02/2022&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;7 dólares&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Recessão&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Pandemia&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Bolha dos&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;ponto com&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Crise&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;de 2008&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 6&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 5&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;20/04&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 4&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 4,10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 3&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;$ 2&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;1996&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;01&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;06&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;11&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;16&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;21&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Desde o início da guerra contra&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;o Irã, o preço da gasolina nos EUA &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;acumula alta de cerca de 38%&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Com o bloqueio naval das forças americanas no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo instável e com os impasses nas negociações para um acordo de paz, o apoio dos americanos ao governo pode reduzir. A continuidade da guerra contraria as promessas de campanha de Trump em 2024 sobre reduzir conflitos externos e o custo de vida no país.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Os impactos recaem diretamente sobre um dos principais pontos de desgaste da atual gestão. Entre os temas monitorados pelo Silver Bulletin, a inflação já concentra as piores avaliações. Já a imigração apresenta a menor rejeição em comparação aos outros assuntos, embora ainda registre mais desaprovação do que apoio.&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Aprovação líquida do segundo &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;mandato de Donald Trump&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;por tema&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;De 21/01/2025 a 22/04/2026,&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;em pontos percentuais&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+ 15 pontos percentuais&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+ 10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;+ 5&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt; 0&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−5&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Imigração&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−9,8&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−10&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−15&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−20&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Comércio&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−20,9&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−25&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Economia&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−25,7&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−30&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−35&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Inflação&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;−40,6&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−40&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;−45&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jul&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;out&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2025&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;jan&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;abr&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;2026&lt;/p&gt;
		
		
			&lt;p&gt;Observações: Os dados de avaliação do governo combinam &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;pesquisas conduzidas com todos os adultos e somente com &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;eleitores.&lt;/p&gt;
			&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Fonte: Silver Bulletin para os dados sobre a avaliação do &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;governo de Donald Trump e para os dados da opinião sobre &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;a participação dos EUA na guerra no Irã. U.S. Energy &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Information Administration, via Federal Reserve Economic &lt;/p&gt;
			&lt;p&gt;Data (FRED) para o preço da gasolina nos EUA.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Gráfico</category>
      <dc:creator>Giovanna Hemerly</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>Como o ECA Digital pode proteger crianças do trabalho online</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/04/23/eca-digital-protege-do-trabalho-infantil-adultizacao-lei-n-15-211-25</link>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 14:39:25 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Legislação que entrou em vigor com decreto publicado no fim de março atualiza combate a formas sutis de exploração do trabalho infantil e tem multas que podem chegar a R$ 50 milhões&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Crianças sendo filmadas
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Ivan S / Pexels
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Os tempos de cegueira deliberada sobre o trabalho infantil na internet brasileira podem estar chegando ao fim. Com a entrada em vigor da Lei 15.211/2025 – o chamado ECA Digital – e do Decreto 12.880/2026, atividades que antes ocupavam áreas cinzentas, como o desenvolvimento de jogos no Roblox ou a monetização de perfis de crianças no TikTok, passam a ser coibidas e fiscalizadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O novo regramento atualiza o combate a formas explícitas ou sutis de exploração, impondo às plataformas a obrigação de proteger os usuários com menos de 18 anos e prevendo multas pesadas que podem chegar a R$ 50 milhões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A entrada em vigor do ECA Digital não é propriamente uma novidade, mas um “upgrade” às regras existentes. Thais Dantas, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-SP, destaca que a nova lei “operacionaliza mecanismos para proteger de crianças e adolescentes no ambiente online”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para Leonardo Braga Moura, advogado especialista em direito digital do escritório Silveiro Advogados, a legislação reforça a prevenção, com as plataformas devendo cuidar para que as situações de exploração não ocorram. Hoje, elas só são obrigadas a se mexer depois que o estrago está feito, e sob ordem judicial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fernanda Brito Pereira, procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) e coordenadora do Coordinfância, diz que um ganho importante é a proibição de diversas atividades com crianças e adolescentes que nem sempre eram entendidas como trabalho – embora sejam.&lt;/p&gt;
As “armas”: verificação de idade, supervisão parental e remoção de conteúdos
&lt;p&gt;O regramento que protege crianças e adolescentes no Brasil da exploração via trabalho infantil é bastante claro – e não é de hoje. Nos anos 1980, o movimento pela chamada “emenda da criança”, que se tornaria o artigo 227 da Constituição, inaugura o entendimento de que crianças e adolescentes possuem direitos e garantias como os adultos, e que devem ter “absoluta prioridade” no pleno acesso à saúde, educação e proteção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já a Lei 8.069/90, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), traz pontos específicos sobre trabalho: é proibido para pessoas com menos de 16 anos, exceto na condição de aprendiz. Há uma brecha que vamos discutir mais adiante, mas a regra básica é: criança e adolescente não trabalham.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veio a digitalização das últimas décadas e, com ela, uma espécie de amnésia coletiva, como se as normas anteriores tivessem sido revogadas ou não fossem aplicáveis à internet. As leis seguem valendo, mas, como mostra a cobertura da Repórter Brasil sobre o trabalho infantil na indústria tech, criou-se à margem da legislação um amplo cardápio de exploração de crianças e adolescentes no mundo online, em atividades que vão do desenvolvimento de games ao trabalho em aplicativos, da atuação como influencers mirins ao treinamento de IA.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ECA Digital busca mudar essa lógica com um tripé de mecanismos. O primeiro é o controle de idade. Se hoje basta um clique para “confirmar” que alguém é maior de 18 anos, a Lei agora passa a exigir “mecanismos confiáveis de verificação de idade a cada acesso” – a comprovação via documentos, reconhecimento facial ou, na solução que melhor preserva a privacidade dos usuários, pela emissão de um token de aferição de maioridade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O segundo é a supervisão parental. O estatuto obriga as empresas a oferecerem ferramentas de controle para os responsáveis, permitindo visualizar o tempo de uso e restringir a comunicação com usuários não autorizados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E o terceiro é a retirada célere de conteúdo nocivo sem necessidade de ordem judicial. Com a lei em vigor, basta que a plataforma seja comunicada pela vítima ou por seus responsáveis, pelo Ministério Público ou por entidade de defesa de crianças e adolescentes.&lt;/p&gt;
Influenciadores mirins com alvará – e só se o trabalho for artístico
&lt;p&gt;No capítulo trabalho infantil, a polêmica mais evidente diz respeito aos influenciadores mirins.O Brasil é signatário da Convenção 138 da Organização Internacional do Trabalho, que estabelece a idade mínima de 16 anos para admissão num emprego. O texto, porém, abre a brecha que mencionamos no início do texto para o ingresso precoce: as “finalidades artísticas”, como a participação de crianças e adolescentes em obras de valor estético ou cultural, como novelas, peças de teatro e musicais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Nesses casos, um juiz pode expedir um alvará que autorize a atividade e indique como ela deve ser monitorada”, afirma Thaís, da OAB-SP. E aí não importa se o trabalho ocorre num palco, na TV ou na internet: todo mundo precisa de autorização, o que inclui influencers infantis – que hoje já estão fora da regra.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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                        &lt;p&gt;Gratuita, com os fatos mais importantes do dia para você&lt;/p&gt;
                    
                
                
                    
                        
                            
                            
                                
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&lt;p&gt;A regulamentação do ECA Digital diz que perfis que monetizam a imagem de crianças e adolescentes têm 90 dias a partir da publicação do decreto para apresentar alvará. O prazo expira, portanto, em 17 de junho. Caso contrário, “o fornecedor deverá retirar imediatamente o conteúdo”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas a autorização via alvará não é automática. “Trabalho de influenciador não é sinônimo de trabalho artístico”, diz Fernanda, da Coordinfância. Ela argumenta que a maioria dessas crianças não está criando obras de valor estético ou cultural, mas sim exercendo atividades comerciais de influência, recomendando produtos ou fazendo propaganda disfarçada, como os vídeos de unboxing (em tradução literal, “tirar da caixa”, um tipo de vídeo em que uma pessoa desembala um produto novo e compartilha suas primeiras impressões).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O juiz tem que verificar: é trabalho artístico? Porque essa é a única exceção legal e, mesmo assim, há regras. Ele vai determinar em quais condições esse trabalho vai acontecer, qual a jornada permitida, se requer acompanhamento médico ou psicológico e como garantir que a escolarização não seja impactada, por exemplo”.&lt;/p&gt;
O limite da “diversão” na indústria de games
&lt;p&gt;Outros tipos de trabalho digital são menos evidentes. A programação de jogos, muitas vezes vista como diversão, é redefinida pela ótica econômica em plataformas como a Roblox. Em 2024, a gigante dos games online virou alvo de inquérito por trabalho infantil com a denúncia de que crianças e adolescentes passam horas desenvolvendo jogos que revertem lucro para a empresa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para Leonardo, da Silveiro Advogados, quando há geração de valor, há trabalho. “Nesse caso, há exploração econômica e da criatividade infantil”, sustenta. Fernanda, da Coordinfância, menciona as notícias de jornadas extenuantes de “adolescentes que ficam horas e horas criando jogos”. “Alguns [deles] dizem: ‘Deixa assim, é divertido’. Não é porque é divertido que deixa de ser trabalho, alguém está tendo lucro com a produção de um menor de idade e isso é proibido”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No caso do Roblox, a implementação de controles de idade mais efetivos aparece como a principal medida para combater o trabalho infantil. O aprimoramento da verificação etária ainda é visto como fundamental para evitar fraudes em aplicativos de delivery. Mesmo que não sejam direcionadas para adolescentes, essas plataformas também vão precisar agir para evitar a exploração. A lei, diz Thais, da OAB-SP, se aplica a qualquer serviço com “suficiente probabilidade de uso ou de atratividade” para crianças. “Esses aplicativos devem coibir o risco ativamente”, afirma.&lt;/p&gt;
Não parece, mas é trabalho
&lt;p&gt;O ECA Digital também atinge modalidades de exploração opacas, como o treinamento de inteligência artificial por meio de microtarefas repetitivas (como a legendagem de fotos ou a resolução de captchas) e o ad-gate (o ato de assistir anúncios para ganhar micropagamentos ou recompensas em jogos).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A sutileza de não ser uma ação degrante ou perigosa, como geralmente se associa ao trabalho infantil, faz pensar que não se trata de ilegalidade. Mas Fernanda, da Coordinfância, é enfática: “Se para o meu negócio acontecer eu preciso de alguém que fique ali assistindo, é um trabalho, independentemente de haver ou não remuneração. E, se envolve crianças e adolescentes, é trabalho infantil.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Leonardo, da Silveiro Advogados, adiciona que o Estatuto proíbe o perfilamento de crianças para publicidade personalizada, o que em tese inibiria o modelo de negócio que sustenta essas formas disfarçadas de trabalho. “Transformar a atenção da criança em moeda é um modelo que a regulação começa a questionar”, afirma.&lt;/p&gt;
Fiscalização depende de autoridade com poder
&lt;p&gt;A partir de agora, o desafio é a implementação. As multas por infrações ao ECA Digital podem chegar a R$ 50 milhões. O Decreto 12.880 estabelece prazos para a adaptação das plataformas, mas algumas datas ainda dependem de determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), principal responsável pela fiscalização da Lei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para que o órgão tenha poder real, Thais, da OAB-SP, menciona a necessidade de diretrizes adicionais sobre como operacionalizar o ECA Digital, além da estruturação de carreiras dentro da ANPD. Isso não significa que é preciso esperar: a Lei já está em vigor e os mecanismos de proteção podem ser acionados. Fernanda, do Coordinfância, reforça que qualquer pessoa que identifique exploração infantil deve denunciar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os canais disponíveis incluem o Disque 100, o Site do Ministério Público do Trabalho (MPT), os conselhos tutelares e a própria rede escolar.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Externo</category>
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    </item>
    <item>
      <title>Mudanças na qualidade dos alimentos em cantinas escolares</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/academico/2026/04/23/escola-alimentacao-alimento-ultraprocessado-cantina</link>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 13:16:36 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;O Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) é um dispositivo governamental que estabelece diretrizes para garantir a qualidade da alimentação oferecida pelo Estado para estudantes em escolas públicas. O programa defende a alimentação equilibrada e o uso de alimentos naturais. Por outro lado, em escolas particulares, crianças e adolescentes estão mais suscetíveis a produtos ultraprocessados sem barreiras regulatórias nacionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta pesquisa avaliou quão saudáveis são os alimentos oferecidos em cantinas de escolas de três cidades brasileiras e como esses níveis se relacionam com a presença ou falta de regulamentações estaduais e municipais sobre o assunto. &lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Acadêmico</category>
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      <title>Por que a Polícia Federal tem delegados em outros países</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/22/delegado-pf-expulso-eua-caso-ramagem-policia-fora-do-brasil</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2026 22:19:12 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Corporação usa princípio da reciprocidade após ICE dizer que brasileiro ligado à prisão de Alexandre Ramagem ‘manipulou’ sistema imigratório americano. Órgão tem parcerias nos cinco continentes&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/mcm_2245.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Policiais federais durante ação em Brasília
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Marcelo Camargo  / Agência Brasil 22.12.2025
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou na quarta-feira (22) que retirou as credenciais de trabalho de um agente de imigração dos Estados Unidos que atua na sede do órgão, em Brasília. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A ação foi tomada dois dias depois de o governo Donald Trump pedir que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao ICE, a agência americana de Imigração e Controle de Alfândega, voltasse ao Brasil, com a justificativa de que ele teria “manipulado” o sistema imigratório americano. O agente atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido desde 2025, após a condenação pela trama golpista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo apresenta o caso, explica como ele gera um impasse diplomático entre Brasil e EUA e mostra como funciona a atuação de membros da Polícia Federal dentro do sistema legal de outros países. &lt;/p&gt;
O caso do delegado brasileiro 
&lt;p&gt;Marcelo Ivo de Carvalho ingressou na Polícia Federal em 2003, ocupando cargos como de superintendente na Paraíba e delegado regional de investigação e combate ao crime organizado em São Paulo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2023, a corporação o designou para uma missão internacional nos EUA, fruto de um acordo de cooperação entre os dois países para a investigação de crimes transnacionais no continente americano. A duração dessa missão, em geral, é de dois anos, o que significa que a de Carvalho terminaria em 2025. Em março daquele ano, no entanto, uma portaria prorrogou a permanência do delegado na função até agosto de 2026. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Carvalho era o único brasileiro que trabalhava nas dependências do ICE. Uma de suas atribuições era identificar foragidos da Justiça brasileira nos EUA e informar à polícia, que realiza as prisões. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ICE é um órgão central na política migratória autoritária de Trump, marcada por perseguições e deportações em massa de estrangeiros. Em 2026, agentes do órgão em Minneapolis mataram dois cidadãos americanos que filmavam suas ações. Os casos geraram uma onda de protestos contra o governo federal dos EUA. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em entrevista ao canal GloboNews na quarta-feira (22), Andrei Rodrigues explicou a atuação de Carvalho na prisão de Alexandre Ramagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo ele, o ex-deputado cometeu uma infração de trânsito em Orlando, na Flórida, e foi parado por um agente de trânsito local no dia 13 de abril. Ao verificar a documentação, o servidor notou que o ICE havia cancelado o visto de turista do brasileiro. Ramagem então foi detido e enviado a um centro de detenção no Condado de Orange. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rodrigues afirmou que a informação que permitiu a prisão, enviada ao agente de trânsito e ao ICE, partiu da Polícia Federal, e só ocorreu por causa da cooperação internacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ramagem foi solto dois dias depois de ser detido. O ex-deputado divulgou um vídeo nas redes sociais agradecendo ao governo Trump. O ICE informou à Polícia Federal que ele pode ficar em liberdade até a conclusão do pedido de asilo que fez aos EUA, sob a alegação de perseguição política. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Após a soltura de Ramagem, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos EUA disse na segunda-feira (20), em publicação no X, que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem citar nominalmente Marcelo Ivo de Carvalho, o texto acrescenta: “hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe nosso país por tentar fazer isso”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em entrevista à GloboNews, Rodrigues disse que a ação de Carvalho foi alicerçada na cooperação internacional dos EUA com o Brasil e está dentro da legalidade. O diretor-geral da Polícia Federal afirmou ainda que Carvalho é um servidor “exemplar”, responsável por localizar 49 foragidos da Justiça brasileira e contribuir para 56 deportações ao longo da missão no território americano. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda segundo ele, Carvalho não foi expulso dos EUA. “Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio, para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE, seja onde for”, disse à GloboNews.&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    José Cruz / Agência Brasil 30.09.2025
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Carvalho ficaria no cargo até agosto, quando seria substituído pela delegada Tatiana Alves Torres. A policial, que já havia sido superintendente da PF em Minas Gerais, está realizando os trâmites para mudar de país. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na terça-feira (21), o Itamaraty se reuniu com a encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, para tratar do caso, dizendo que poderia expulsar agentes americanos do Brasil. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na quarta (22), Rodrigues disse que retirou “com pesar” as credenciais de um servidor dos EUA que trabalha na sede da Polícia Federal em Brasília – o que significa que o policial não pode mais acessar a unidade em que trabalha nem a base de dados usada na colaboração entre os dois países –, como ocorreu com Carvalho. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O diretor-geral da PF utilizou o princípio da reciprocidade, que é quando um país adota uma medida semelhante em relação a outro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia mencionado a medida em entrevista a jornalistas durante um encontro em Hannover, na Alemanha. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter com relação ao Brasil”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Luiz Inácio Lula da Silva&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;presidente da República, ao comentar o caso em entrevista a jornalistas brasileiros na terça-feira (21), durante encontro em Hannover &lt;/p&gt;
Como a Polícia Federal atua no exterior 
&lt;p&gt;A Polícia Federal utiliza acordos de cooperação internacional com instituições estrangeiras para combater a criminalidade organizada transnacional e preservar a segurança interna. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A colaboração é feita com mais de 30 países, nos cinco continentes, balizada por acordos bilaterais de cooperação policial e tratados internacionais de assistência jurídica, segundo a corporação. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O órgão faz parte de organismos como Meripol (Comunidade de Polícias das Américas), Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação Policial) e Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A presença de oficiais de ligação (que atuam como elo entre duas ou mais organizações) nesses órgãos, como delegados e policiais federais, é estratégica para reduzir a latência na cooperação policial, segundo o ex-policial federal Roberto Uchôa, membro do conselho Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador na Universidade de Coimbra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Eles atuam como pontos focais que viabilizam o intercâmbio imediato de inteligência, superando a morosidade dos canais diplomáticos tradicionais em situações que exigem resposta célere, como o tráfico de drogas, de pessoas e lavagem de dinheiro”, disse ao Nexo. &lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Agentes da Polícia Federal
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Divulgação / Polícia Federal
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Ainda segundo ele, a cooperação policial internacional se fundamenta na construção de redes de confiança, o que torna as missões de delegados e agentes da Polícia Federal indispensáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uchôa explicou que os representantes da corporação no exterior não têm poder de polícia judiciária, ou seja, não realizam prisões e buscas de forma autônoma. “Eles atuam na facilitação técnica, articulando investigações, acompanhando pedidos de extradição e servindo como ‘tradutores’ dos procedimentos legais entre o Brasil e o país anfitrião”, afirmou. &lt;/p&gt;
O acordo Brasil-EUA 
&lt;p&gt;A cooperação bilateral no enfrentamento ao crime organizado transnacional entre o Brasil e os EUA ocorre pelo menos desde a década de 1990, quando a Polícia Federal já colaborava com agências americanas, como a DEA (Administração de Repressão às Drogas), em apurações específicas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2003, quando, após os atentados de 11 de Setembro, os americanos fundaram o Departamento de Investigações de Segurança Interna, o governo firmou uma cooperação com a PF para aprofundar investigações sobre crime transnacional. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais recentemente, foram firmados outros acordos que formalizam a colaboração Brasil-EUA, como: &lt;/p&gt;

com o FBI (Agência Federal de Investigações), em 2019, para o compartilhamento de informações sobre grupos criminosos ou terroristas
com o ICE, em 2025, para o compartilhamento de informações de inteligência investigativa criminal, e colaboração integrada em investigações de grande impacto 
com o CBP (Agência Federal de Segurança dos Estados Unidos), em 2026, para interceptar remessas ilícitas de armamentos e drogas, numa iniciativa que também envolve ainda a Receita Federal

&lt;p&gt;As regras de atuação dos agentes estão previstas nos acordos e num decreto de 2024 que dispõe sobre as adidâncias (missões) da Polícia Federal junto às representações diplomáticas brasileiras no exterior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A base dos acordos é o interesse mútuo e a reciprocidade – motivo pelo qual o Brasil retirou as credenciais do agente de imigração dos EUA que trabalhava na PF em Brasília. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo Uchôa, tanto o Brasil como os EUA têm a prerrogativa de retirar as credenciais dos policiais, mesmo sem conversa prévia entre Polícia Federal, ICE ou Ministério das Relações Exteriores. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“A permanência de qualquer oficial estrangeiro em outro país é condicionada à anuência do Estado anfitrião. A revogação de visto ou credenciamento é um ato administrativo soberano, que não exige consulta prévia, consentimento ou motivação jurídica perante o país de origem. É o exercício pleno da autotutela do Estado anfitrião sobre o seu território e suas relações diplomáticas”, disse. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em nota publicada na quarta-feira (22), no entanto, o Itamaraty afirmou que os EUA descumpriram um trecho do acordo de cooperação entre os dois países ao retirar as credenciais de Carvalho. Segundo a pasta, o governo adotou a medida contra o delegado brasileiro sem ter pedido esclarecimento sobre sua atuação nem ter tentado um diálogo com o governo.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Expresso</category>
      <dc:creator>Isadora Rupp</dc:creator>
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    <item>
      <title>O que a cinebiografia de Michael Jackson não mostra</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/22/filme-do-michael-jackson-michael-critica-cinebiografia</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2026 18:33:23 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Críticos reprovam filme por não mencionar acusações de pedofilia contra Rei do Pop. Acordo de 1994 obrigou produção a reescrever partes do roteiro&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Jaafar Jackson como Michael Jackson na cinebiografia ‘Michael’ (2026)
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Divulgação / Universal Pictures Brasil
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;A cinebiografia “Michael” estreia nos cinemas nesta quinta-feira (23). Críticos que já assistiram ao filme do diretor Antoine Fuqua (“Dia de treinamento”) o desaprovaram por não se aprofundar em temas controversos da vida e carreira de Michael Jackson. A trama se encerra no fim da década de 1980, antes das acusações de pedofilia contra o Rei do Pop.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O filme teve a participação da família do cantor. Jafar Jackson, sobrinho de Michael, foi escalado para interpretar o papel principal. Um acordo legal de 1994, anterior à idealização do filme, também fez com que partes controversas da história do artista fossem reescritas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo mostra como “Michael” retrata a trajetória de Michael Jackson e explica como as acusações de pedofilia impactaram a produção.  &lt;/p&gt;
A relação com o pai
&lt;p&gt;“Michael” coloca Joe Jackson como o principal antagonista da vida do artista desde a era do grupo Jackson 5, na década de 1960. Interpretado por Colman Domingo (“Euphoria”), o pai e empresário usava violência física e moral contra o futuro Rei do Pop e seus irmãos para coagi-los a se apresentar e fazer sucesso. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Jackson 5 foi formado em 1964 por cinco dos 10 filhos de Joe e Katherine Jackson: Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael. O talento precoce do futuro Rei do Pop o colocou como vocalista principal do grupo antes dos 10 anos. Em 1968, eles assinaram com a gravadora Motown, lançando hits como “I Want You Back” (1969) e “ABC” (1970). &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Relatos dos filhos afirmavam que Joe era rigoroso, com uma rotina de ensaios diária e exaustiva. O patriarca também era violento nos ataques físicos e falas sobre a aparência das crianças. As sucessivas cirurgias plásticas de Michael teriam vindo após comentários do pai sobre o tamanho de seu nariz. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey em 2010, Joe afirmou nunca ter agredido seus filhos durante a infância, embora tenha admitido atingi-los com cinta para educá-los. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim como a maior parte dos artistas da família, Michael se desvencilhou do pai como empresário quando ficou adulto. A demissão ocorreu em 1983, um ano após o lançamento do álbum “Thriller”, o mais vendido da história. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com o tempo, houve tentativas de reaproximação entre pai e filho. Joe esteve no tribunal ao lado de Michael durante um julgamento de acusações de abuso sexual infantil contra o artista em 2005. Quatro anos antes, em discurso na Universidade de Oxford, na Inglaterra, o Rei do Pop afirmou que entendia os motivos que haviam levado seu pai a agir com truculência. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Até mesmo a dureza do meu pai era uma forma de amor, um amor imperfeito, sem dúvida, mas amor mesmo assim. Ele me pressionou porque me amava, porque não queria que nenhum homem jamais desprezasse seus filhos, e agora, com o tempo, em vez de amargura, sinto uma bênção”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Michael Jackson&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;artista, em discurso na Universidade de Oxford em 2001&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo com a aproximação, Michael revelou que tinha medo de seu pai. “Já ​​vomitei na presença dele porque, quando ele entra na sala, essa aura me envolve e meu estômago começa a doer, e sei que estou em apuros”, afirmou ao rabino Shmuley Boteach no início dos anos 2000. O autor publicou o trecho em “The Michael Jackson Tapes: A Tragic Icon Reveals His Soul in Intimate Conversation” (“As gravações de Michael Jackson: Um ícone trágico revela sua alma em conversas íntimas”, em tradução livre) em 2009, ano da morte do Rei do Pop. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em seu testamento, Michael deixou sua herança apenas para os três filhos (Prince, Paris e Bigi) e para sua mãe, que se tornou a guardiã legal das crianças. Joe entrou com um processo para invalidar o documento, mas não teve sucesso. O pai do artista morreu em 2018, aos 89 anos, devido a um câncer de pâncreas. &lt;/p&gt;
A família Jackson no filme
&lt;p&gt;Alguns dos integrantes da família Jackson não foram retratados em “Michael”, assim como não estão nos eventos de estreia do filme. A ausência que mais chamou a atenção foi a de Janet Jackson, que tem a carreira solo mais consolidada entre os irmãos do Rei do Pop. Randy e Rebbie também não foram ao tapete vermelho. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Eu gostaria que todos estivessem no filme. Ela [Janet] foi convidada e gentilmente recusou, então temos que respeitar a vontade dela”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;LaToya Jackson &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;artista, em entrevista à revista Variety na terça-feira (21)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Janet também não está entre os personagens da cinebiografia. Numa exibição privada do filme para a família, ela teria sido bastante crítica ao resultado final de “Michael”.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os irmãos de Michael estão em lados opostos na disputa pelo espólio do Rei do Pop. Sua exclusão do testamento do artista gerou acusações contra os advogados John Branca e John McClain. A ação foi movida por Jermaine, Rebbie, Randy, Tito e Janet. Já LaToya, Marlon e Jackie Jackson não questionaram o documento, embora sigam explorando a imagem do irmão. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Paris Jackson foi outra familiar que criticou a cinebiografia. Em setembro, a filha de Michael desmentiu rumores de que ela estava envolvida na produção: “Li um dos primeiros rascunhos do roteiro e dei minhas observações sobre o que era desonesto/não me parecia certo, e, como não abordaram o assunto, segui em frente com a minha vida”, afirmou no Instagram. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O advogado John Branca é um dos produtores da cinebiografia e é importante para a trama de “Michael”. Ele teria sido responsável por escalar Miles Teller (“Whiplash: Em busca da perfeição”) para interpretá-lo. Paris criticou a escolha de um ator tão famoso para um papel menor, considerando os gastos e o quanto isso retornaria de arrecadação de bilheteria. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Uma grande parte do filme agrada a uma parcela muito específica dos fãs do meu pai que ainda vivem nesse universo de fantasia, e eles ficarão felizes com isso”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Paris Jackson &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;artista, em publicação no Instagram em setembro&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Michael” não aborda o nascimento dos filhos do Rei do Pop e o casamento com Debbie Rowe. A trama se encerra no fim da década de 1980, enquanto a relação entre o Rei do Pop e a assistente de dermatologia – mãe de Prince e Paris – começou em 1996. &lt;/p&gt;
A carreira de Michael Jackson 
&lt;p&gt;Para o crítico de cinema Walter Dalenogare, “Michael” é uma das cinebiografias “mais rasas” que já viu, comparando-a com “Bohemian Rhapsody” (2018), sobre a trajetória de Freddie Mercury à frente do Queen. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Não existe, por exemplo, nenhum tipo de problematização à figura de Michael Jackson. Temos apenas essa grande celebração”, afirmou em vídeo publicado em seu canal no YouTube na terça-feira (21). Segundo o crítico, o Rei do Pop é comparado a uma entidade divina, isento de qualquer tipo de falha. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;37% &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;é a porcentagem de avaliações positivas de “Michael” no Rotten Tomatoes, site agregador de críticas de cinema e TV&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo David Rooney, crítico da revista Hollywood Reporter, Jaafar Jackson consegue retratar a performance do tio nos palcos. Apesar disso, o roteiro falha em mostrar pouco Quincy Jones, um dos grandes parceiros musicais do artista entre as décadas de 1970 e 1980. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O ator principal realiza uma recriação impressionante das habilidades de dança de Michael – não apenas movimentos característicos como o Moonwalk, o Robot, o Spin ou o Toe Stand, mas a combinação única de fluidez e precisão angular que o ajudaram a se tornar um dos maiores artistas de palco de todos os tempos”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;David Rooney, &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;repórter da Hollywood Reporter, em artigo publicado na terça-feira (21)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Peter Bradshaw, do jornal britânico The Guardian, afirmou que o longa parece uma grande montagem de trailers com os principais clichês de produções musicais: “O espanto dos produtores no estúdio de gravação, o ônibus da turnê, a ascensão nas paradas da Billboard, o encontro com os executivos corporativos sem graça em seus escritórios”. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fazendo trocadilhos com o refrão de “Bad” (1987) – que pode ser traduzido como “mau” ou “ruim” –, Nicolas Barber, da rede britânica BBC, afirmou que a cinebiografia é “açucarada” e com pouca carga dramática. “Claramente, o filme foi concebido como uma homenagem a ele [Michael] como pessoa, mas é um insulto grave a ele como artista”, disse o repórter. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar das críticas negativas, o estúdio Lionsgate espera arrecadar mais de US$ 65 milhões no fim de semana de abertura de “Michael” na América do Norte. Isso colocaria o filme como a maior bilheteria de estreia entre cinebiografias. &lt;/p&gt;
As acusações de pedofilia
&lt;p&gt;A estreia de “Michael” foi adiada duas vezes. Originalmente prevista para abril de 2025, ela passou para outubro por atrasos ocasionados pela greve dos roteiristas de Hollywood em 2023. Mas uma terceira data surgiu após a necessidade de refilmagem do terço final do longa em junho de 2025. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As primeiras versões do roteiro avançavam até 1993, quando Michael Jackson foi acusado de abuso sexual pela primeira vez. Os pais de Jordan Chandler, de 13 anos à época, acusaram o cantor de lesão corporal de caráter sexual, incluindo sexo oral e masturbação durante visitas do adolescente ao rancho Neverland, nome da supermansão onde o artista morava, em Los Olivos, na Califórnia. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O caso foi resolvido com um acordo extrajudicial entre os pais do menino e Michael, que desembolsou cerca de US$ 23 milhões de indenização. No documento, selado em 1994, havia uma cláusula que proibia a representação ou menção ao nome de Chandler em qualquer nova filmagem sobre o Rei do Pop. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os advogados do espólio do artista relembraram a restrição após as gravações de “Michael”. De acordo com a Variety, a mudança no roteiro resultou num aumento entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões no orçamento do longa, originalmente de US$ 155 milhões. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2003, houve uma nova acusação de abuso contra Michael, que teria molestado um menino de 13 anos, Gavin Arvizo, sobrevivente de um câncer. A pena para o artista poderia chegar a 20 anos de prisão nesse caso. Depois de um processo de 14 meses, o astro foi absolvido em 2005. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2019, o documentário “Deixando Neverland”, do diretor britânico Dan Reed, divulgou novas acusações de abuso sexual infantil contra o cantor. A trama acompanha James Safechuck e Wade Robson, que dizem ter sido vítimas do artista na década de 1980. Fãs e representantes de Michael acusaram a produção de sensacionalismo. &lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Expresso</category>
      <dc:creator>Lucas Zacari</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>Como começar a ouvir Elza Soares</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/podcast/2026/04/22/elza-soares-historia-samba-letras-musicas-albuns</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2026 17:29:46 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Neste episódio, o ‘Nexo’ relembra a trajetória da cantora, que morreu em 2022. Reinvenções e investidas em outros estilos musicais marcaram a carreira da artista&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Elza Soares morreu em 20 de janeiro de 2022, dois dias depois de ter gravado uma apresentação em São Paulo que virou o disco póstumo “Elza ao vivo no Municipal”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partida da cantora foi definida por amigos, de forma quase paradoxal, como mais um dos vários renascimentos que marcaram sua trajetória. De lavadeira nos anos 1950 ao título de voz do milênio pela BBC Londres em 2000, Elza enfrentou o preconceito e a opinião pública, fugindo de rótulos e cantando um Brasil sem floreios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas últimas décadas de sua vida, firmou-se entre as novas gerações e cravou seu perfil apoteótico como “a mulher do fim do mundo”. Entre discos, álbuns ao vivo, compactos e singles, foram 132 lançamentos — fora as participações em outros trabalhos e projetos especiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para dar um panorama sobre a carreira de Elza e sugerir caminhos a quem quer se aprofundar na sua obra, o Nexo conversou com:&lt;/p&gt;

Pedro Loureiro, diretor artístico e empresário de Elza Soares
Maitê Freitas, jornalista, organizadora da coleção Sambas Escritos e doutora em mudança social e participação política pela USP (Universidade de São Paulo)
Barbara Lima, publicitária e pesquisadora, que tratou da obra de Elza em seu mestrado em comunicação social na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)

&lt;p&gt;Músicas do programa&lt;/p&gt;

Lata d’água – Elza Soares
Dura na queda – Elza Soares
Lama – Elza Soares
Se acaso você chegasse – Elza Soares
Neném – Elza Soares
Malandro – Elza Soares (composição de Jorge Aragão)
Doce acalanto – Elza Soares
Plenitude – Elza Soares
Língua – Elza Soares e Caetano Veloso
A carne – Elza Soares
Maria da Vila Matilde – Elza Soares
No tempo da intolerância – Elza Soares
Mulher do fim do mundo – Elza Soares

&lt;p&gt;Edição de texto: Marcelo Roubicek&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Edição de som: Brunno Bimbati&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Produção de arte: Yasmin Menezes&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Podcast</category>
      <dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>Esquerda, direita e extrema direita nas eleições da Colômbia</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/04/22/eleicoes-colombia-2026-presidente-politica-candidatos</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2026 16:32:38 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Candidato de Petro lidera pesquisas, enquanto opositores tentam obter os votos de eleitores de centro e indecisos para ir ao segundo turno&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No próximo dia 31 de maio, a Colômbia irá às urnas para o primeiro turno das eleições presidenciais. O presidente em exercício, Gustavo Petro, e seu partido, o Pacto Histórico, apostam na possibilidade de dar continuidade ao seu projeto de esquerda. A direita tenta concretizar uma alternativa unificada, dividida entre seguir o uribismo, a opção institucional que tem sido sua força aglutinadora, ou um outsider de extrema direita. Diante do primeiro turno, nenhuma candidatura pode se radicalizar nem conta com maiorias claras: os eleitores do elusivo centro são o terreno a ser conquistado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste momento, o candidato da esquerda está na liderança. A esquerda entra na campanha de 2026 em uma situação nova para a Colômbia, onde até poucos anos atrás era fraca: possui um partido único consolidado – o Pacto Histórico – e a vantagem de estar no governo. Seu candidato, o veterano senador e defensor dos direitos humanos Iván Cepeda, lidera as pesquisas com 37% de intenção de voto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O presidente Petro encerra seu mandato em meio a indicadores de segurança que se agravam e sem ter conseguido concretizar toda a sua ambiciosa agenda de reformas, mas tendo transformado completamente o debate político. A chegada de Petro ao poder em 2022 foi a culminação de um longo processo de transformação da política colombiana que resultou no nascimento do Pacto Histórico, o enfraquecimento do uribismo (a identidade política dominante até o momento) e a irrupção da preocupação pela desigualdade e pelas reformas sociais na agenda política. O fato de o primeiro presidente de esquerda ter colocado as questões sociais em destaque não é pouca coisa, em um país cujos debates se limitaram, por muitos anos, ao conflito armado. Cepeda começa bem a campanha presidencial, mas está longe de ter a vitória garantida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais cedo ou mais tarde, a esquerda também terá de olhar para os eleitores do centro se quiser vencer a eleição&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No polo oposto, a fragmentação da direita é um bom retrato da crise de identidade em que ela está mergulhada há alguns anos. Atrás de Cepeda nas pesquisas estão Paloma Valencia, candidata da coalizão de direita, juntamente com Abelardo de la Espriella, outsider de extrema direita que se autodenomina “o tigre”. Valencia vem das entranhas do partido Centro Democrático, com décadas de experiência como congressista e uma carreira construída com paciência à sombra e em aliança com o ex-presidente Álvaro Uribe, patriarca da direita colombiana. Ela já foi pré-candidata pelo seu partido anteriormente e acabou vencendo a disputa após o assassinato de seu colega Miguel Uribe Turbay em 2025.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De la Espriella é um advogado muito midiático, até recentemente residente em Miami, autoproclamado fã de Milei e Trump, abertamente alinhado com a extrema direita latino-americana. Se Valencia é neta de um ex-presidente, fiel uribista exemplar e produto da estrutura hierárquica e do poder organizacional do Partido Centro Democrático, De la Espriella é o oposto. O candidato de extrema direita carece de estrutura partidária e experiência política, rejeita a política tradicional (exceto quando se trata de elogiar Uribe), é muito forte nas redes sociais e ganhou popularidade alimentando um único fogo: o antipetrismo. O combustível da campanha do “tigre” é sua rejeição furiosa ao atual presidente e um discurso que enfatiza a segurança e defende a eliminação, inclusive física, de todo partidário de esquerda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As pesquisas mais recentes colocam Valencia e De la Espriella em um empate técnico virtual, com cerca de 20 pontos percentuais cada um. Valencia está em ascensão, enquanto a tendência recente de De la Espriella é de queda; ou seja, o crescimento de Valencia tem ocorrido às custas do “tigre”. A direita colombiana encontra-se hoje indecisa entre essas duas opções, que oferecem visões muito diferentes de seu futuro. Valencia é a opção institucional, mas não a tradicional: é a primeira mulher candidata pelo Centro Democrático e, se vencer, será a primeira mulher presidente, com um vice-presidente abertamente homossexual. De la Espriella é um outsider de extrema direita, populista, o showman sem experiência política nem pública e com poucos vínculos com o sistema político tradicional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No curto prazo, a definição de qual das duas candidaturas de direita avança para o segundo turno está nas mãos dos eleitores indecisos e de centro. As decisões sobre as chapas vice-presidenciais dão algumas pistas sobre as estratégias. De la Espriella optou por um vice-presidente com credenciais acadêmicas e experiência anterior como ministro, José Manuel Restrepo. Com isso, ele tenta enviar uma mensagem de tranquilidade e seriedade, mas sem moderar sua postura de extrema direita.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Valencia apostou em algo diferente, em uma piscadela direta aos eleitores de centro e de centro-direita. Ela escolheu como sua chapa o economista e ex-vereador de Bogotá Juan Daniel Oviedo, que ficou em segundo lugar na consulta da direita com 1,2 milhão de votos. Oviedo, que entrou na política com o apoio de figuras-chave da direita, construiu uma marca pessoal como técnico e independente. A escolha de Oviedo gerou atrito dentro do Centro Democrático, onde muitos militantes questionam a decisão por não ser suficientemente de direita e ir contra as posições culturalmente conservadoras do partido. Oviedo e Valencia estão tentando construir, à medida que avançam, uma mensagem coerente que dê substância à ideia de que podem construir a partir de suas diferenças e causar impacto na esquerda. Se conseguirão unificar sua mensagem e se ela terá repercussão, ainda está para ser visto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por enquanto, a aposta de Cepeda é mobilizar setores que normalmente se abstêm da política eleitoral, levando às urnas mais indígenas, populações marginalizadas e eleitores mais pobres, dando continuidade a uma estratégia que funcionou muito bem para Petro em 2022. Sua chapa para a vice-presidência, a senadora indígena Nasa Aida Quilcué, reforça essa mensagem de priorizar sua base. Até que a direita defina quem a representará, Cepeda pode se dar ao luxo de se concentrar em fortalecer sua base interna. Mais cedo ou mais tarde, no entanto, a esquerda também terá de olhar para os eleitores do centro se quiser vencer a eleição.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;Sandra Botero é professora da Universidad del Rosario, em Bogotá, Colômbia, e integrante da Rede de Politólogas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este artigo foi originalmente publicado no site do Latinoamérica21.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Ensaio</category>
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    </item>
    <item>
      <title>O café brasileiro ante o boom da demanda e o clima extremo</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/04/22/cafe-cafezais-exportacao-brasil-minas-gerais-clima-extremo</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2026 14:07:29 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;No sul de Minas Gerais, pequenos produtores adaptam cafezais de olho na valorização das exportações&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Produção de café
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Lucas Ninno / Dialogue Earth
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Edson Paes, de 53 anos, cultiva sozinho 12 mil pés de café arábica orgânico, voltado à exportação, em três hectares de terra em Poço Fundo, no sul de Minas Gerais, uma das principais regiões cafeeiras do Brasil. Quase toda sua produção é destinada à Europa, ao Japão e aos Estados Unidos por meio da Coopfam, cooperativa que reúne quase 500 agricultores familiares e busca habilitação para exportar também à China.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos últimos anos, porém, seu trabalho tem se tornado cada vez mais difícil devido às mudanças climáticas. Ele diz que “o café sofreu muito” com a estiagem em 2025, incluindo um hiato de “45 dias sem cair uma gota d’água”. O calor intenso também causa estragos. Em seu terreno, folhas de cafeeiros com manchas amarronzadas denunciam a escaldadura, problema provocado por temperaturas altas demais para o cultivo. “Aguentar o dia todo embaixo desse sol está ficando difícil”, disse ao Dialogue Earth em uma tarde quente de janeiro no cafezal que plantou aos 14 anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Produtores brasileiros já vêm tentando fazer ajustes após cinco colheitas consecutivas de café arábica afetadas por eventos climáticos, como ondas de calor, secas e geadas. Um estudo publicado em 2024 indica que, com o avanço do aquecimento e do estresse hídrico, entre 35% e 75% das áreas atualmente cultivadas com café arábica no Brasil podem se tornar economicamente inviáveis até o fim do século, exigindo investimentos crescentes em adaptação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Maior produtor e exportador de café do mundo, o Brasil tem visto valorização do grão no exterior diante de uma oferta global mais restrita. Eventos climáticos extremos em grandes produtores, como secas no Brasil e inundações no Vietnã, reduziram a produção e os estoques, elevando os preços, enquanto o consumo continua a crescer na China.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo com um volume cerca de 20% menor embarcado entre 2024 e 2025, o Brasil registrou receita de US$ 15,5 bilhões em exportações no último ano, recorde da série histórica iniciada em 1990. Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas eleva os custos de produção, com maiores gastos em irrigação e controle de pragas.&lt;/p&gt;
Região movida pelo café
&lt;p&gt;Poço Fundo, com 16 mil habitantes, tem na agricultura familiar o motor da economia. Ali, o café “faz tudo acontecer”, segundo o prefeito Rosiel de Lima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também cafeicultor e membro da Coopfam, Lima perdeu três quartos da lavoura em uma chuva de granizo em 2021. No ano passado, uma estiagem em plena estação chuvosa reduziu a qualidade dos grãos, o que contribuiu para uma queda de 40% em sua renda com o café.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Todo ano tem uma intempérie climática: granizo, geada, vento frio, seca, chuva na florada, fora do momento certo”, diz o prefeito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitos substituem variedades antigas por cultivares mais produtivas e resistentes ao estresse hídrico e a doenças. Outros, como Paes, adaptam as técnicas de manejo ou optam por mudanças mais radicais, como a adoção de agroflorestas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Paes plantou cedro e mogno-africano para sombrear os cafeeiros e usa técnicas para reter mais umidade no solo. Confiante com as iniciativas empregadas na safra deste ano, ele segura um pé carregado de grãos. Mas, na sequência, pondera: “Você vê uma quadrinha boa de café, mas logo na frente outra que não tem. Não é tão uniforme como era”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Está assim em praticamente todas as lavouras da área”, afirma Alexander Ferreira, engenheiro agrônomo e técnico da Coopfam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos últimos quatro anos, produtores aplicaram mais de R$ 40 milhões em crédito federal na recuperação de lavouras de café, quase todo o valor em Minas Gerais, onde as mudanças no clima já alteram o calendário e o rendimento da produção. Autora do estudo de 2024, Cássia Gabriele Dias, meteorologista e pesquisadora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), explica que as secas se prolongaram, o calor se intensificou e as chuvas se tornaram mais irregulares, afetando fases decisivas como a florada e a formação dos grãos de café no estado.&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/20260114_PT_Douglas-Lago_grass-keep-moisture-coffee-plantation_Santa-Rita-de-Caldas_MG_Brazil_Lucas-Ninno_Dialogue-Earth-1400x935-1.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Solo do cultivo de café de Douglas Lago, em Santa Rita de Caldas, retém mais umidade devido à cobertura de gramíneas, que reduz a evaporação nas ondas de calor
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Lucas Ninno / Dialogue Earth
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;A maior parte dos cafezais do estado se concentra em altitudes mais elevadas, o que, por enquanto, atenua os efeitos do aquecimento global. “Regiões mais ao sul, como o sul de Minas, tendem a manter maior aptidão, mas não estão livres de riscos”, afirmou Dias ao Dialogue Earth.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lima diz que a valorização do café, puxada pela alta internacional e queda na oferta, trouxe alguma compensação aos produtores afetados pelo clima. Segundo Ferreira, da Coopfam, a saca do café convencional chegou a R$ 2,3 mil em 2025, mais que o dobro do valor em 2023.&lt;/p&gt;
Produção orgânica
&lt;p&gt;Os custos para manter a produtividade diante das mudanças climáticas vêm aumentando, reduzindo os ganhos reais. Rosângela Paiva e o marido, Luis Carlos, avaliam instalar irrigação para enfrentar os períodos cada vez mais frequentes de calor e estiagem, sobretudo entre julho e outubro, quando ocorre a florada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Produzir hoje está muito caro”, queixa-se Paiva, de 50 anos. Em Poço Fundo, ela cultiva 5,5 hectares para a linha orgânica de café da Coopfam, cuja produção pode custar até 30% mais que a do sistema convencional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, a demanda aquecida tem levado produtores a priorizar ganhos rápidos de produtividade, migrando do cultivo orgânico para o convencional. Na Coopfam, por exemplo, o número de cooperados orgânicos caiu quase 60% em dois anos, para 75 cafeicultores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O produtor vive da terra aqui na região, então tem a questão da sustentabilidade econômica”, diz Ferreira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele acredita que o café orgânico voltará a ser financeiramente mais vantajoso quando a oferta de grãos se estabilizar no mercado, o que pode ocorrer já nesta safra. Condições climáticas mais estáveis neste ano levaram a Conab, responsável pelas estatísticas e políticas de abastecimento agrícola do governo, a projetar para 2026 uma safra recorde na série histórica iniciada em 2001: 66 milhões de sacas de café, quase metade produzida em Minas Gerais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rosana Mendes e Avair de Oliveira migraram em 2025 do sistema orgânico para o convencional, mas dizem aplicar defensivos apenas em gramíneas e capins, não nos cafeeiros. Por enquanto, a certificação europeia Fairtrade da Coopfam ajuda a controlar a expansão do agrotóxico na região, já que proíbe ou restringe a aplicação de fórmulas mais potentes como o glifosato.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;O casal também renovou a lavoura com variedades de arábica mais produtivas e resistentes — estratégia que tem se difundido entre produtores do sul de Minas. Com essas adaptações, projetam aumentar a produção em 260% até 2027.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O futuro na cafeicultura é um mistério”, diz Mendes. “A gente está estudando e aprendendo a cada dia com o clima, com a natureza, com a própria planta, para se adaptar a tudo que for necessário”.&lt;/p&gt;
O poder das árvores
&lt;p&gt;Para contornar os impactos adversos dos extremos climáticos, os cafezais arborizados vêm ganhando espaço entre pequenos produtores do sul de Minas. João Ademir Pereira, de 58 anos, plantou ipês, pereiras, cambucás e jabuticabas-amarelas em um terço dos três hectares que cultiva. “As árvores ajudam a equilibrar o clima e a suavizar o sol”, diz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;À sombra, os cafeeiros produzem todos os anos; sem proteção, tendem a alternar uma safra alta com outra baixa, comportamento típico do arábica. Para este ciclo, Pereira espera colher mais de 30 sacas por hectare, em linha com a média nacional, quase todas destinadas à exportação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em parceria com a torrefadora alemã Tchibo, compradora do café da cooperativa, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas pesquisa formas de conter pragas como o bicho-mineiro, larva que se instala nas folhas e prejudica os grãos. Chuvas irregulares e temperaturas acima da média favorecem sua disseminação, mas estudos indicam que frutos e flores de árvores plantadas entre os cafeeiros atraem vespas predadoras que ajudam a conter a infestação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Precisamos incentivar os pequenos produtores, porque são os mais vulneráveis às mudanças climáticas”, diz Lêda Gonçalves, engenheira agrônoma e professora do instituto.&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/20260113_PT_aerial-coffee-plantations-in-altitude_Poco-Fundo_MG_Brazil_Lucas-Ninno_Dialogue-Earth-1400x934-1.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    A maioria dos cafezais de Minas Gerais se concentra em altitudes mais elevadas, o que, por enquanto, atenua os efeitos do aquecimento global
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Lucas Ninno / Dialogue Earth
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;A mais de mil metros de altitude, a neblina e o orvalho da manhã refrescam os cafeeiros de Douglas Lago, em Santa Rita de Caldas, cidade vizinha a Poço Fundo. Com planos de iniciar exportações, sua família converteu três hectares de uma pastagem degradada em cafezal para a nova safra, que se somam aos seis hectares já cultivados com arábica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, além do calor e da seca, o frio em excesso também ameaça a produção de café. Em 2021, uma geada severa matou 60% dos dez mil pés da família. Após o replantio, outra geada eliminou mais 2.500 pés.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O clima é o nosso maior desafio”, diz Lago, acrescentando que o trabalho exige persistência e não permite desânimo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para mitigar esses impactos sem comprometer produtividade e qualidade, a família plantou árvores para fazer sombra e amortecer o granizo, adensou os cafeeiros para reduzir o estresse hídrico e mantém abelhas nativas no quintal para reforçar a polinização e a nutrição dos grãos. “Se faltar chuva, falta água no grão; se falta água no grão, ele não dá o açúcar que o café precisa”, explica Lago.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os resultados são visíveis. Nos últimos dois ciclos, a família alcançou produtividade equivalente ao dobro da média nacional. No ano passado, venceu o concurso de cafés especiais das cooperativas de Minas Gerais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outra alternativa ainda pouco explorada na região é a agrofloresta, que busca reproduzir o ambiente natural do café arábica, nativo das terras altas tropicais da Etiópia. Diferentemente das lavouras apenas arborizadas — onde árvores reduzem sobretudo o calor e o vento —, os sistemas agroflorestais são modelos mais complexos, que criam um ambiente mais estável para o café ao regular a umidade do solo e os fluxos de água, carbono e nutrientes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“A agrofloresta é mais autônoma”, explica Rafael Furtado, mestre em agroecologia e desenvolvimento rural. “Ela produz mais recursos do que o sistema demanda e depende menos de insumos externos”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um estudo publicado na revista Agriculture, Ecosystems &amp; Environment indica que sistemas agroflorestais podem mitigar os efeitos do clima extremo e manter até 75% das áreas de cultivo do café no Brasil até 2050.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensando nisso, Furtado passou a produzir café em dois hectares de agrofloresta. Ao se mudar para o sítio em Poço Fundo há quatro anos, encontrou um cafezal convencional, onde o proprietário anterior usava agrotóxicos e adubos químicos. De início, precisou investir tempo e recursos na transição para o cultivo orgânico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Minha produtividade não foi satisfatória até agora, mas já temos uma qualidade bem legal”, comemora o agricultor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Furtado agora se organiza para tornar sua agrofloresta economicamente viável: acessa crédito da agricultura familiar, busca certificação orgânica visando à exportação, testa novas variedades e avalia quais culturas associadas com o café podem contribuir para a geração de renda, como banana, abacate e mogno-africano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fundo Pronaf Agroecologia, do Banco Nacional de Desenvolvimento, oferece até R$ 250 mil por agricultor para financiar práticas orgânicas ou agroecológicas. Porém, nos últimos 12 meses, o financiamento total somou apenas R$ 10 milhões em todos os setores da agricultura familiar. O financiamento internacional para as atividades agroecológicas também segue em uma fase muito embrionária: a chinesa COFCO International, por exemplo, está conduzindo um projeto-piloto para reduzir a pegada de carbono na produção de café brasileiro; já em parceria com uma fundação europeia, a gigante do agronegócio ajudou a lançar uma linha de crédito de R$ 1,6 milhão para projetos de resiliência hídrica em Minas Gerais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Furtado afirma que os sistemas agroflorestais de café ainda têm “baixíssima adesão” no Brasil pela falta de conhecimento técnico, manejo mais complexo e retorno maior em qualidade do que em produtividade. Ainda assim, vê nesse modelo a melhor saída diante dos desafios crescentes do clima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“No momento em que tiver mais pesquisa, apoio institucional, mais experiência, vai valer muito mais a pena adotar esse sistema mais diversificado e complexo do que permanecer na monocultura em um cenário de extremos climáticos”, diz Furtado.&lt;/p&gt;</_cdata>
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      <category>Externo</category>
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    <item>
      <title>Por que as eleições do Peru podem ficar mais de 1 mês sem resultado</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/22/eleicoes-peru-resultado-atraso-fujimori</link>
      <pubDate>Wed, 22 Apr 2026 13:46:59 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Chefe do órgão eleitoral peruano renuncia ao cargo. Justiça investiga irregularidades que provocaram atrasos na votação e na contagem de votos&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/55202908374_1a9b4b677e_o_batcheditor_fotor-1.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Eleitora peruana votando em Cusco
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Divulgação / ONPE/ 12.04.2026
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Piero Corvetto renunciou na terça-feira (21) ao cargo de diretor do ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais), a comissão eleitoral peruana. O episódio acontece em meio ao imbróglio sobre o primeiro turno das eleições. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A votação aconteceu em 12 de abril, mas o pleito ainda está sem resultado – a expectativa é que ele saia até 15 de maio. A apuração parcial da disputa presidencial sinaliza um segundo turno, previsto para 7 de junho, para o qual apenas a candidata de extrema direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, está garantida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo fala sobre os resultados parciais e explica os motivos do caos eleitoral.&lt;/p&gt;
Resultados parciais
&lt;p&gt;Dez dias depois do pleito, 94,3% dos votos presidenciais foram contabilizados. A candidata Keiko Fujimori, do partido de extrema direita Força Popular, está na frente, com 17% dos votos válidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ela é seguida por Roberto Sánchez, da legenda de esquerda Juntos pelo Peru, com 12%, e Rafael López-Aliaga, da sigla de extrema direita Renovação Popular, com 11,9%. A diferença entre Sánchez e Aliaga é hoje de cerca de 17 mil votos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jorge Nieto, do partido de centro-esquerda Partido do Bom Governo, aparece em quarto, com 11,1%, e Ricardo Belmont, do movimento cívico independente Obras, com 10,2%, é o quinto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;35&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;candidatos disputaram a eleição presidencial peruana de 2026&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa eleição tem sido considerada a mais complexa da história do país porque, além de presidente, os peruanos votaram dois vice-presidentes, 190 cadeiras no Congresso — 130 na Câmara e 60 no Senado — e outras cinco vagas para o Parlamento Andino, órgão de controle da Comunidade Andina, formada atualmente por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A votação é em papel, com cédulas que mediam aproximadamente 42 cm por 44 cm. Nelas, continham até 12 opções de escolha para as cinco eleições distintas, a depender da região do país. &lt;/p&gt;
Problemas logísticos
&lt;p&gt;Os problemas começaram em 12 de abril, dia da votação, quando 15 seções eleitorais na região metropolitana de Lima, capital peruana, não puderam ser instaladas porque o material eleitoral — computadores, cédulas e urnas — não havia chegado a tempo. Por isso, cerca de 50 mil pessoas não puderam votar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As autoridades disseram que a empresa de transporte contratada não realizou o trabalho corretamente e não cumpriu os prazos. Algumas seções abriram com cinco horas de atraso. Caixas com cerca de 1.200 cédulas de votação foram extraviadas e, em 16 de abril, encontradas num contêiner de lixo em Lima.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;Diante disso, a JNE (Junta Nacional Eleitoral), tribunal eleitoral, ordenou que as seções afetadas abrissem suas portas na segunda-feira (13) para que os cidadãos pudessem exercer seu direito de voto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Samamé, diretor administrativo da ONPE, assumiu a responsabilidade pelos atrasos. Ele se demitiu na segunda-feira (13) e foi detido pela polícia em meio a uma investigação sobre as falhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, dificuldades de conexão retardaram o trabalho dos mesários que, em vez de preencher a plataforma digital na qual os submeteriam o resultado das atas, precisaram fazer o trabalho à mão.&lt;/p&gt;
Atas contestadas
&lt;p&gt;Os partidos contestaram atas de diversas zonas eleitorais, que precisam ser examinadas caso a caso pela Justiça. O problema representa quase 1 milhão de votos distribuídos em 5.143 atas, segundo a autoridade eleitoral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As atas podem ser contestadas por inconsistências nos números ou dados incompletos ou ilegíveis. Essa é uma prática comum dos partidos para tentar reverter o resultado, sobretudo em disputas acirradas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O processo de revisão de cada ata leva cerca de três dias, mas como os eleitores votaram simultaneamente para cinco cargos diferentes, o processo pode levar mais tempo.&lt;/p&gt;
Renúncia e acusações de fraude
&lt;p&gt;O Ministério Público peruano apresentou denúncia contra Corvetto por causa das irregularidades. Ele apresentou a renúncia antes de comparecer ao órgão para prestar depoimento.&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/55138172952_727c80d5da_k_batcheditor_fotor.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Piero Corvetto, então chefe da ONPE, em entrevista a jornalistas antes da votação
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Divulgação / ONPE 10.04.2026
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;“Considero necessário e urgente renunciar à responsabilidade que me foi confiada, no interesse da organização e condução do segundo turno das eleições presidenciais em um contexto de maior confiança pública no ONPE”, escreveu Corvetto numa carta que publicou no X. Ele descreveu a situação como “problemas técnicos e operacionais”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Corvetto estava no cargo desde 31 de agosto de 2020. Ele foi reconduzido em 2024.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diante desses problemas, López-Aliaga, que já se autointitulou “Bolsonaro peruano” em 2020, tem encorpado o discurso de uma fraude eleitoral. Ele pede a anulação das eleições e incita seus apoiadores a protestarem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em seu relatório preliminar, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia destacou “problemas grandes”, que provocaram atrasos, mas não identificaram fraude eleitoral.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Não encontrámos elementos objetivos que permitam afirmar que a narrativa de fraude possa ter elementos concretos para ser levada até este ponto”, afirmou a eurodeputada italiana Annalisa Corrado, chefe da missão, a jornalistas numa declaração preliminar.&lt;/p&gt;
Um histórico complicado
&lt;p&gt;As cédulas encontradas no lixo, registros eleitorais contestados e acusações de fraude tem alimentado a desconfiança em instituições já fragilizadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Peru teve oito presidentes em 10 anos. Desde 2016, o país lida com uma sucessão de crises políticas e institucionais com impeachments, renúncias e prisões, além de uma quebra de braço entre Executivo e Legislativo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os parlamentares com frequência saem vitoriosos por causa da cláusula de “incapacidade moral permanente”, um mecanismo que existe desde 1839 no país. &lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Expresso</category>
      <dc:creator>Marcelo Montanini</dc:creator>
      <enclosure url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/55202908374_1a9b4b677e_o_batcheditor_fotor-1-768x479.webp" type="image/jpeg"/>
    </item>
    <item>
      <title>A Mata Atlântica é prioridade para adaptação climática</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/04/21/mata-atlantica-bioma-brasileiro-conservacao-clima-vegetacao</link>
      <pubDate>Tue, 21 Apr 2026 18:25:08 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Trata-se do bioma mais devastado da nossa história e o que preserva a menor proporção de vegetação nativa &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Juiz de Fora, Caxias do Sul, Porto Alegre, Petrópolis, Barra do Sahy, Salvador e Belo Horizonte têm ao menos duas coisas em comum: além de terem sido vítimas de eventos climáticos extremos, com mortes irreparáveis e enormes prejuízos econômicos, são cidades que fazem parte da Mata Atlântica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a Amazônia é central para as mudanças climáticas pela emissão de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento, é na Mata Atlântica que as suas consequências se manifestam de maneira mais intensa e dramática. Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), 80% dos alertas e ocorrências de desastres naturais ocorrem no bioma. Não é por acaso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Distribuída pelo litoral e pelo interior de 17 estados brasileiros, a Mata Atlântica ocupa 15% do território nacional e carrega, por natureza, uma combinação de elementos que a tornam vulnerável: chuvas intensas em determinadas épocas do ano, relevos acidentados e encostas com alta declividade. Esse risco é inerente à sua geografia, mas o que explica a escalada das tragédias é a soma das transformações impostas ao território com as mudanças no clima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parte da Mata Atlântica está numa região onde os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) preveem um aumento das precipitações e das chuvas extremas. São tempestades mais intensas, frequentes, fora do padrão e, por vezes, imprevisíveis – que já estão acontecendo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não é por acaso que 80% dos desastres e alertas naturais acontecem na Mata Atlântica&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As transformações no território foram reveladas pelo MapBiomas, em estudo que resume o uso da terra e suas mudanças entre 1985 e 2024. A Mata Atlântica é o bioma mais devastado da nossa história e o que preserva a menor proporção de vegetação nativa. Restam somente 24% de florestas, que protegem o solo e minimizam impactos de chuvas extremas, aumentando a resiliência aos eventos extremos. Mesmo assim, o bioma perdeu 2,4 milhões de hectares de florestas nos últimos 40 anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É também a região que concentra 51% da área urbanizada do país e onde vive 70% da população. Entre 1985 e 2024, as cidades cresceram 1,3 milhão de hectares (133%) – um ritmo médio de pouco mais de 30 mil hectares ao ano. É como se, a cada ano, surgisse uma cidade do tamanho de Curitiba. Áreas urbanizadas em favelas, por sua vez, saltaram de 30 mil para 70 mil hectares no período (144% de expansão). Num ritmo ainda maior, aumentou a urbanização em encostas com declividades acima de 30%, onde a ocupação não é recomendada: de 13 mil para 40 mil hectares (209%). &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em resumo, o risco climático aumentou e as condições de nossas cidades não contribuem para reduzi-lo – ao contrário, tendem a ampliá-lo. As áreas de risco de deslizamentos de terra e enchentes são majoritariamente ocupadas por populações pobres e negras. A tragédia tem endereço, raça e classe social.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esses dados, no entanto, não devem nos levar ao desespero. Pelo contrário: apontam caminhos. Os eventos extremos são uma realidade que não poderemos mudar tão cedo, mas hoje sabemos onde estão as áreas expostas ao risco, quem nelas vive e que medidas podem evitar novas tragédias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca tivemos tantos dados para prever e prevenir. Na realidade da mudança climática, isso tem nome: adaptação. Devemos nos adaptar ao mundo com o clima em mudança e com os extremos virando parte da rotina. Se a Amazônia é a prioridade para a mitigação, a Mata Atlântica é a prioridade para a adaptação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vale ressaltar que os eventos climáticos extremos também afetam a produção agropecuária e a oferta (e o preço) de alimentos. Os dados do censo agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que metade da produção brasileira ocorre na Mata Atlântica. Precisamos, portanto, de adaptação tanto na cidade quanto no campo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qual a saída? A ciência nos mostra que há caminhos – que dependem de decisões nos governos federal, estaduais e municipais, além do setor privado. No plano internacional, o Acordo de Paris já prevê mecanismos de adaptação, compensação por perdas e danos e financiamento de soluções climáticas, especialmente as baseadas na natureza. No Brasil, também não faltam instrumentos que precisam ser articulados entre o rural e o urbano, da Lei da Mata Atlântica ao Código Florestal, passando por políticas de gestão de riscos, planejamento urbano e restauração florestal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas a adaptação também depende de ações concretas no território e da participação da sociedade civil. Iniciativas como a restauração de matas ciliares e a implantação de miniflorestas de Mata Atlântica em escolas, por exemplo, ajudam a reequilibrar a relação entre natureza e cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Num bioma altamente urbanizado, essas soluções têm espaço privilegiado para serem testadas, aprimoradas e difundidas. Se não podemos lutar contra o clima, podemos e devemos nos adaptar às suas mudanças, garantindo segurança, prevenindo e evitando tragédias. Acabar com o desmatamento e restaurar a Mata Atlântica no campo e nas cidades é um primeiro passo.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;Luís Fernando Guedes Pinto é diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mayumi Cursino de Moura Hirye é pesquisadora do LabQuapá/FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo) e do Institute of the Environment and Sustainability/UCLA (Universidade da Califórnia).&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Ensaio</category>
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    </item>
    <item>
      <title>Projeto resgata a influência de sanitaristas de São Paulo na construção do SUS</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/04/21/politicas-publicas-de-saude-sus-sistema-unico-de-saude-sao-paulo-construcao-historia</link>
      <pubDate>Tue, 21 Apr 2026 18:01:33 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Site é fonte de dados sobre concepção de políticas públicas na área da saúde&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/Design-sem-nome-_36_-600x374.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Assinatura do convênio Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS)
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Acervo Instituto Butantan / Museu de Saúde Pública Emílio Ribas
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Externo</category>
      <enclosure url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/Design-sem-nome-_36_.webp" type="image/jpeg"/>
    </item>
    <item>
      <title>Por que integrar as políticas públicas para a primeira infância</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/21/politicas-publicas-para-primeira-infancia-integracao</link>
      <pubDate>Tue, 21 Apr 2026 17:43:17 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Planalto fará levantamento de estados e municípios comprometidos com ações focadas em crianças até 6 anos. Medida é considerada central para garantir direitos e pleno desenvolvimento infantil&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estados e municípios de todo o país têm até 30 de abril para responder ao Ministério da Educação se já têm planos de primeira infância e se os documentos existentes estão alinhados com a política nacional sobre o tema, publicada via decreto em agosto de 2025.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A integração entre esferas de governo e diferentes setores (como saúde, educação e segurança) é vista como essencial por pesquisadores e entidades para garantir o pleno desenvolvimento de crianças de até 6 anos. No entanto, dificuldades no mapeamento e monitoramento de ações dificultam o andamento da medida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo explica quais iniciativas já foram adotadas no Brasil para integrar políticas de proteção à primeira infância, por que a medida é importante e quais desafios o tema envolve.&lt;/p&gt;
A integração como ponto de partida
&lt;p&gt;O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) estipula pelo menos cinco áreas de atenção para que crianças possam alcançar seu potencial de desenvolvimento na primeira infância — fase que vai até os 6 anos de idade. Elas são:&lt;/p&gt;

saúde, incluindo o acompanhamento físico e emocional de crianças pequenas
nutrição adequada, com alimentação balanceada desde a gestação, garantia de aleitamento materno exclusivo até pelo menos 6 meses de idade e segurança alimentar da família
cuidados responsivos, abarcando a orientação de familiares e responsáveis pela criação da criança, para que possam criar vínculos
segurança e proteção, não só ante violências e maus-tratos, mas contra a pobreza
educação infantil, com acesso a serviços e atividades adequados ao desenvolvimento de crianças pequenas

&lt;p&gt;Esses componentes devem ser vistos como inter-relacionados e indivisíveis, e servir de guia para que os governos estipulem políticas públicas voltadas à primeira infância, segundo a organização. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seguindo essa lógica, pesquisadores consideram central a integração entre União, estados e municípios. Também se recomenda a articulação de áreas-chave — como saúde, educação e assistência social — para ampliar o acesso a serviços e frear negligências no desenvolvimento infantil.&lt;/p&gt;
As ações já adotadas no Brasil
&lt;p&gt;Em março de 2016, o governo federal instituiu o Marco Legal da Primeira Infância, com diretrizes para garantir o pleno desenvolvimento de crianças até os 6 anos de idade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;18,1 milhões&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;é a quantidade de crianças na primeira infância no Brasil&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O texto distribuiu a responsabilidade pela primeira infância entre diferentes áreas e propôs que sua implementação ocorresse de forma intersetorial, envolvendo estados e municípios em torno de múltiplas políticas, como:&lt;/p&gt;

a ampliação das licenças-paternidade (de cinco para 15 dias) e maternidade (de 120 para 180 dias) aos trabalhadores de empresas que aderiram ao programa Empresa Cidadã
o reforço à parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégia para prevenção à violência contra crianças
a prioridade da primeira infância em Orçamentos
o incentivo à regulamentação da prisão domiciliar a detentas grávidas, puérperas ou mães de crianças de até 12 anos

&lt;p&gt;Para isso, o documento deu à União a responsabilidade de buscar a adesão desses entes e oferecer assistência na elaboração de planos locais para a primeira infância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além do marco, a Política Nacional Integrada da Primeira Infância, oficializada via decreto em agosto de 2025, definiu o Ministério da Educação como coordenador dessa articulação de políticas públicas, considerando os diferentes contextos nos territórios e levando em conta os planos elaborados com o apoio da União.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também em 2025, o Planalto divulgou um plano estratégico para efetivar a política. Um dos pontos centrais do documento é a integração de dados entre os setores envolvidos para embasar decisões.&lt;/p&gt;
O que dificulta a integração
&lt;p&gt;Apesar do histórico de políticas em torno da primeira infância e da consolidação do marco legal sobre o tema, a pobreza e a desigualdade ainda dificultam o acesso de boa parte das crianças pequenas a serviços essenciais importantes para garantir seu desenvolvimento pleno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;55,4% &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;das crianças até 6 anos estão em famílias de baixa renda, segundo levantamento de 2024 da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;4,1 milhões&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;das crianças de 0 a 4 anos vivem em contextos de insegurança alimentar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;60,2%&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;das crianças de 0 a 3 anos não frequentavam a creche em 2023, ano da última coleta de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o tema&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dentre as principais razões para a falta de acesso, está justamente a dificuldade de integrar setores — o que passa, por exemplo, pelos desafios em integrar diferentes bases de dados de serviços públicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“[Isso] prejudica o acompanhamento integral da criança e, também, a realização de diagnósticos mais precisos que possam direcionar e aprimorar as políticas de atendimento à primeira infância”, concluiu um relatório de 2024 assinado por entidades com recomendações ao governo federal para a construção da política nacional integrada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com a política nacional integrada, as informações de diferentes ministérios e secretarias deve ser sistematizada num sistema digital chamado “Govinho”. Em setembro de 2025, o governo oficializou a intenção de criar a plataforma em uma lei, mas sem bater o martelo sobre quando será lançada.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;A estrutura de governança delimitada pelo marco legal de 2016 seria outro entrave para a integração de políticas, segundo o relatório de 2024. “Na ausência de tais definições, surge a pulverização de algumas iniciativas – que acabam não alcançando a escala necessária em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde há profundas diferenças de atuação entre os estados”, diz o texto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma dessas ações, por exemplo, é o programa Criança Feliz, que monitora o desenvolvimento físico, psicológico e escolar de crianças em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. A ação buscou envolver municípios e órgãos públicos de forma ativa no acompanhamento da primeira infância, mas enfrentou demora de alguns estados para sua implementação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os planos da primeira infância, sob responsabilidade de estados e municípios, também não avançaram. Segundo o levantamento mais recente do IBGE, realizado em 2023, três em cada quatro cidades ainda não têm o documento. Para reverter a baixa, o governo federal quer um panorama da situação com uma nova chamada de entes para construção de novos planos ainda em 2026.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O desconhecimento de famílias sobre a importância do acesso a serviços na primeira infância seria outro obstáculo para a integração de políticas. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal feita em parceria com o Datafolha em 2025 mostrou que 84% dos brasileiros não sabem que o maior desenvolvimento físico, emocional e de aprendizagem das pessoas ocorre até os 6 anos de idade. &lt;/p&gt;



    
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                &lt;p&gt;Este conteúdo é parte da cobertura especial “Primeira infância primeiro”, feita com o apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização que atua pela promoção do desenvolvimento pleno de todas as crianças brasileiras e no combate às desigualdades sociais desde o começo da vida.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Expresso</category>
      <dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>Por que a Ásia foi tão atingida pela crise energética</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/20/crise-energetica-na-asia-energia-preco-petroleo-impacto-brasil</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 20:33:13 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Estados Unidos anunciam prorrogação de cessar-fogo com Irã. Efeitos da guerra impactam países asiáticos com mais força que os de outras regiões&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Fila de TukTuk para abastecer em Colombo, no Sri Lanka
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Reprodução / Youtube/France 24 English
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Donald Trump anunciou na terça-feira (21) a prorrogação por tempo indeterminado do cessar-fogo com o Irã. A declaração foi dada pelo presidente americano nas redes sociais, horas antes do fim da trégua de duas semanas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O conflito entre os países, iniciado após ataques de EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, expôs a fragilidade das cadeias globais de combustíveis fósseis, com impacto em todo o mundo. Os efeitos têm sido mais fortes, no entanto, em partes da Ásia. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo fala sobre o cessar-fogo e explica por que a crise energética causada pela guerra no Irã tem impactado mais os países asiáticos. &lt;/p&gt;
Um cessar-fogo frágil
&lt;p&gt;O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã estava previsto para expirar na quarta-feira (22). &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Anunciada em 7 de abril, a trégua ocorreu em troca da abertura do Estreito de Ormuz, corredor marítimo essencial para o transporte global de produtos energéticos e agrícolas, localizado entre Omã e o Irã. A passagem tem 33 km de largura no ponto mais estreito, com uma faixa de navegação de 3 km. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Após os ataques de EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, a Guarda Revolucionária do país bloqueou quase totalmente a via, ameaçando instalar minas marítimas e bombardear navios que passassem pelo local. Em resposta, empresas suspenderam o tráfego na região. Outras companhias optaram por fazer rotas mais longas para evitar a área.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;20%&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;do consumo mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, segundo a EIA, a Agência de Informação Energética dos EUA&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;20%&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;da produção de GNL (gás natural liquefeito) consumido no mundo também passa pela via&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar do anúncio de trégua, a situação do estreito permanece instável, com anúncios reiterados de abertura e fechamento tanto pelos EUA quanto pelo Irã. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No sábado (18), por exemplo, um comboio com oito navios tentou trafegar pelo local após as partes dizerem que o corredor estava aberto. Duas embarcações, porém, relataram terem sido alvos de ataques. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já no domingo (19), os EUA interceptaram um navio cargueiro de bandeira iraniana que havia tentado burlar o bloqueio americano aos portos do Irã. Após a interceptação, o Irã acusou os EUA de violar o cessar-fogo entre os dois países. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A situação é incerta. A primeira rodada de negociações, realizada em 11 de abril, terminou sem avanços. Uma proposta de 10 pontos do Irã tem servido como base para a continuidade das conversas em Islamabad. &lt;/p&gt;
O preço do petróleo
&lt;p&gt;O preço do petróleo era US$ 72,48 em 27 de fevereiro, um dia antes do ataque israelo-americano ao Irã. A commodity fechou em US$ 118,35 em 31 de março. Hoje, o barril está cotado em US$ 94,77, 30% acima do valor negociado antes da guerra. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Impacto do conflito&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A alta dos preços se deve principalmente ao fechamento do Estreito de Ormuz, que reduziu a oferta de óleo e seus derivados. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, como resposta aos ataques de 28 de fevereiro, o Irã bombardeou países do Golfo Pérsico aliados dos EUA, atingindo infraestruturas energéticas no Qatar e na Arábia Saudita. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os preços do petróleo registraram seu maior aumento mensal da história em março, em decorrência do choque de oferta, considerado o mais severo da história. As informações são de um relatório da IEA (Agência Internacional de Energia) publicado em abril. &lt;/p&gt;
A crise energética da Ásia
&lt;p&gt;A guerra no Oriente Médio provocou impacto em todo o mundo, mas o efeito tem sido mais drástico na Ásia, região que consome a maior parte do petróleo e do GNL (gás natural liquefeito) que passa pelo Estreito de Ormuz. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;84%&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;do petróleo cru transportado pelo Estreito de Ormuz segue para o mercado asiático, sobretudo para China, Índia, Japão e Coreia do Sul&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;83%&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;do GNL que passa pelo corredor vai para a mesma região&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As indústrias asiáticas têm sofrido os efeitos do conflito tanto por conta de sua dependência de importações de energia do Oriente Médio quanto pela integração da economia da região Ásia-Pacífico. As cadeias de suprimentos locais cruzam fronteiras de maneiras que dependem fortemente de combustíveis fósseis. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os fabricantes de preservativos na Índia, por exemplo, estão enfrentando graves interrupções na cadeia de suprimentos e um aumento acentuado no custo das matérias-primas desde o início da guerra. O aumento nos preços do produto pode afetar o planejamento familiar e o controle de natalidade no país mais populoso do mundo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1,47 bilhão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;é a estimativa atual da população da Índia&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Índia também lida com a escassez de GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha. A situação tem impactado a população e forçado restaurantes a reduzir cardápios, diminuir o horário de funcionamento e, em alguns casos, fechar as portas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além da Índia, polos de confecção de Bangladesh estão interrompendo a produção por falta de poliéster e náilon, ambos derivados do petróleo. Já no Paquistão, mercados e shoppings estão fechando mais cedo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas Filipinas — onde a alta dos preços do petróleo tem elevado os custos de colheita, mão de obra e transporte —, agricultores estão deixando vegetais apodrecer, em vez de vendê-los com prejuízo. No Vietnã, a falta de fertilizantes ameaça as plantações de arroz. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Indonésia, a maior produtora mundial de níquel, processadoras diminuíram a produção em pelo menos 10%. A fabricação do metal depende de gás natural e enxofre, produto derivado dos combustíveis fósseis.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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                        &lt;p&gt;Gratuita, com os fatos mais importantes do dia para você&lt;/p&gt;
                    
                
                
                    
                        
                            
                            
                                
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&lt;p&gt;Em Taiwan, a redução na produção do hélio, gás derivado do GNL, pode impactar a fabricação de semicondutores se a guerra perdurar. No Qatar, que normalmente gera quase um terço do suprimento mundial, empresas interromperam a produção. Os preços dispararam, e algumas fabricantes de chips asiáticas estão reduzindo as atividades e reconsiderando suas fontes de suprimento. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Embora seja uma grande importadora de energia de países do Golfo, a China tem amplas reservas energéticas, o que a deixa mais segura contra os efeitos da guerra. O cenário, no entanto, pode mudar se o conflito demorar para terminar. &lt;/p&gt;
Efeitos em cascata
&lt;p&gt;Um relatório da ONU divulgado em 14 de abril estimou que 8,8 milhões de pessoas na Ásia e no Pacífico correm o risco de cair na pobreza por causa da guerra, dependendo de sua duração. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os principais problemas identificados na região são o aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos e a redução do emprego. A situação é agravada pelos altos índices de informalidade. Grande parte da população não conta com rede de proteção social. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“A pressão que essa guerra exerce sobre a região Ásia-Pacífico já é visível. Ela está atingindo as famílias mais rapidamente do que as políticas conseguem se ajustar”, afirmou em nota Kanni Wignaraja, subsecretária-geral da ONU e diretora regional do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para a Ásia e o Pacífico, no dia 14 de abril. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar do recente cessar-fogo, a volatilidade prolongada nos mercados globais impõe escolhas cada vez mais difíceis entre estabilizar os preços, apoiar famílias vulneráveis e manter serviços públicos essenciais, segundo Wignaraja. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em entrevista ao think tank americano Atlantic Council, Fatih Birol, diretor-executivo da IEA, afirmou em 13 de abril que o mundo pode levar até dois anos para restaurar a produção energética aos níveis anteriores à guerra.&lt;/p&gt;
Os impactos no Brasil
&lt;p&gt;O impactos da guerra não ocorrem apenas na Ásia. Embora o Brasil não importe petróleo pelo Estreito de Ormuz, o preço da commodity é formado nos mercados globais. Isso significa que, quando o valor do barril sobe, os efeitos chegam aos postos de combustíveis, ao custo do frete e, consequentemente, à inflação brasileira. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não em refino, o que gera a necessidade de importar parte do que consome. Por conta disso, o governo brasileiro anunciou uma série de medidas para conter o impacto da guerra no Irã sobre o preço dos combustíveis em ano eleitoral. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O aumento dos preços dos combustíveis nos postos já tem pressionado a inflação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,88% em março, com alta acumulada de 4,14% em 12 meses, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 10 de abril. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;4,5%&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;é o teto da meta da inflação brasileira; alta acumulada em 12 meses em março se aproxima do valor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A instabilidade do cenário internacional fez o Banco Central promover em março um corte de 0,25% na Selic, a taxa básica de juros. O valor foi menor do que o esperado pelo mercado financeiro. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A taxa está em 14,75% ao ano, patamar considerado elevado. Os juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam investimentos e consumo. Isso tende a esfriar a economia e tirar a pressão dos preços. &lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Expresso</category>
      <dc:creator>Marcelo Montanini</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>Por que o desenvolvimento não impede a guerra</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/04/20/guerra-prevencao-desenvolvimento-combate-a-pobreza-paz</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 16:57:57 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Os conflitos violentos atingiram níveis nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial, mesmo com a pobreza extrema tendo caído para mínimos históricos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 1949, o presidente dos EUA, Harry S. Truman, apresentou uma visão ousada que viria a moldar a política global durante várias gerações. A pobreza, argumentou ele, não era só uma preocupação humanitária, mas uma ameaça à própria paz, e o desenvolvimento era o remédio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A lógica era convincente em sua simplicidade: elevando-se os padrões de vida, o risco de conflito diminuiria. Ao longo dos anos, o modelo linear que apresentava o desenvolvimento como o caminho para a estabilidade se tornou a base intelectual da ajuda internacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje, contudo, o mundo parece muito diferente. Os conflitos violentos atingiram níveis nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial, mesmo com a pobreza extrema tendo caído para mínimos históricos. Juntas, essas tendências sugerem que é hora de reavaliar o modelo de desenvolvimento linear e sua lógica subjacente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Embora o desenvolvimento possa ajudar a sustentar a paz, ele é muito menos eficaz em termos de criá-la&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A sabedoria convencional, tal como articulada na Agenda 2030 das Nações Unidas, defende que o conflito prejudica o desenvolvimento, enquanto a pobreza e a desigualdade alimentam o conflito. Esse enquadramento implica que o progresso numa frente reforça o progresso na outra, permitindo aos tomadores de decisões apresentar a ajuda ao desenvolvimento tanto como um imperativo moral como um investimento estratégico que promove um ciclo virtuoso de prosperidade e paz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas essa visão sempre se baseou mais em suposições do que em evidências. Embora um conjunto crescente de investigações empíricas tenha documentado os efeitos devastadores dos conflitos na produção econômica, no capital humano e na capacidade institucional, a ligação entre desenvolvimento e paz se mostrou muito mais difícil de estabelecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quão forte é a relação causal entre desenvolvimento e estabilidade geopolítica? Minha pesquisa recente oferece uma resposta objetiva e revela uma assimetria marcante. Quando um conflito irrompe, seus efeitos sobre o desenvolvimento são profundos e duradouros. O tempo médio que leva para que os danos diminuam pela metade — o que os economistas chamam de “meia-vida” — é de quase oito anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em contrapartida, os efeitos pacificadores do desenvolvimento são efêmeros. Em múltiplas dimensões, o impacto de melhores resultados de desenvolvimento sobre o conflito tem meia-vida de cerca de 13 meses. No prazo de dois anos, na prática qualquer redução mensurável na intensidade do conflito desaparece.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa assimetria reflete a escala dos danos causados pelos conflitos armados. A guerra não só perturba meios de subsistência e serviços públicos; ela destrói bens que levaram gerações para serem construídos: infraestruturas físicas, capital humano, instituições funcionais e a confiança social básica que torna possível a ação coletiva. As intervenções de desenvolvimento funcionam de forma diferente. Transferências de dinheiro, clínicas e sistemas de irrigação podem melhorar vidas e aliviar queixas, mas raramente transformam as condições políticas subjacentes que sustentam a violência, muito menos na escala global.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As implicações políticas são de longo alcance. Se o desenvolvimento produz só reduções de curta duração na violência, então o argumento a favor da ajuda ao desenvolvimento como ferramenta de prevenção de conflitos é mais fraco do que se supõe. Essa é uma conclusão incômoda para instituições que há tempos justificam os orçamentos de ajuda com base em razões de segurança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O argumento de que investir no desenvolvimento hoje ajuda a evitar os custos muito mais elevados da guerra amanhã não está de todo errado. Há evidências de que a ajuda a áreas afetadas por conflitos pode reduzir a violência, embora os efeitos sejam frequentemente modestos e nem sempre estatisticamente robustos. Porém, embora os gastos com o desenvolvimento sejam justificados por motivos humanitários e éticos, independentemente das implicações estratégicas, as evidências não sustentam a alegação de que o investimento sustentado possa prevenir ou resolver conflitos armados de forma fiável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que as evidências mostram é o inverso: o desenvolvimento sustentável depende da paz em muito maior medida do que o paradigma da era Truman reconhecia. A prevenção de conflitos gera enormes ganhos de desenvolvimento, pois cada ano sem guerra preserva anos de progresso que, de outra forma, seriam perdidos. Os investimentos na prevenção de conflitos – incluindo acordos políticos, acordos de partilha de poder e processos de paz sensatos – não são substitutos dos gastos com desenvolvimento, mas sim pré-condições para eles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consequentemente, temos de repensar a teoria da mudança que sustenta hoje a economia do desenvolvimento. Nos países em desenvolvimento assolados pela desconfiança, serviços deficientes e violência recorrente, a estabilidade política e a legitimidade do Estado devem vir em primeiro lugar. Só depois de essa base estar estabelecida é que a reforma institucional e os gastos sustentados com o desenvolvimento podem produzir resultados tangíveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nada disso pretende sugerir que Truman estivesse errado ao argumentar que a pobreza representa uma ameaça à paz global. Mas o caminho causal é mais complexo, assimétrico e contingente do que o modelo linear predominante pressupõe. Embora o desenvolvimento possa ajudar a sustentar a paz, ele é muito menos eficaz em termos de criá-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reconhecer essa distinção não significa, obviamente, abandonar a busca pelo desenvolvimento. Pelo contrário, exige uma avaliação honesta das limitações do modelo atual e o estabelecimento das bases para uma abordagem mais realista e eficaz da política de desenvolvimento.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;Rabah Arezki é ex-vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e pesquisador-sênior na Harvard Kennedy School.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este artigo foi originalmente publicado no site do Project Syndicate.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Ensaio</category>
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    </item>
    <item>
      <title>O acervo gratuito de mais de 10 mil shows gravados por um fã</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/20/shows-de-musica-aadam-jacobs-fa-acervo-gravacao-digitalizacao</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 16:06:25 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;‘Aadam Jacobs Collection’ disponibiliza registros de bandas como The Cure, Nirvana e Sonic Youth feitos entre os anos 1980 e 2000&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/jon-tyson-UJN_XAg0ECI-unsplash-600x449.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Pilha de fitas
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Jon Tyson / Unsplash
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;O americano Aadam Jacobs tinha 17 anos quando começou um hobby que duraria mais de duas décadas: gravar shows de bandas que passavam por Chicago, onde morava.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As apresentações de nomes como Nirvana, The Cure, Fugazi e Sonic Youth geraram mais de 10 mil fitas. Em 2024, elas começaram a ser digitalizadas por um grupo de voluntários que, aos poucos, está tornando público o acervo de Jacobs.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo conta a trajetória de Jacobs como arquivista musical de Chicago e explica o projeto para preservar e divulgar suas gravações.&lt;/p&gt;
As gravações de Jacobs
&lt;p&gt;O primeiro show gravado pelo americano foi o do grupo britânico de free jazz AMM, numa apresentação que ocorreu em maio de 1984, no Arts Club de Chicago.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jacobs tinha o costume de gravar as músicas que eram tocadas nas rádios para que pudesse ouvir depois. Um colega sugeriu que Jacobs fizesse o mesmo em shows. Então, em 1984, o adolescente levou o gravador de voz da avó para captar a apresentação do AMM.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele continuou a gravar shows ao longo dos anos, mudando os instrumentos que utilizava conforme a tecnologia evoluía – indo das fitas até os gravadores digitais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As apresentações gravadas capturaram as transformações pelas quais Chicago passou entre as décadas de 1980 e 1990. Na época, a cidade começava a se tornar um destino importante de bandas indie.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jacobs passou décadas indo a mais de 15 shows por mês. Eventualmente, tornou-se uma figura conhecida na cena musical local, sendo apelidado de “Chicago’s taping guy” (“o cara das gravações de Chicago”, em tradução do inglês).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Minha paixão é realmente documentar algo que, de outra forma, não estaria sendo documentado”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aadam Jacobs&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;americano, em entrevista ao jornal Chicago Reader&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os shows eram gravados sem a autorização dos artistas. Algumas das cópias das gravações – feitas pelo próprio Jacobs, que as compartilhava com amigos e com as próprias bandas – foram vendidas ilegalmente. Isso fez com que, por um tempo, o americano fosse impedido de entrar em apresentações.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Depois que isso aconteceu, decidi manter minhas gravações entre um círculo pequeno de pessoas – a não ser que seja uma banda que queira que as gravações sejam públicas, como os Mekons”, disse em entrevista ao jornal Chicago Reader em 2004. Além dos Mekons, outras bandas registradas pelo americano, como o Sonic Youth e o Yo La Tengo, usaram gravações feitas por ele em seus álbuns oficiais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Após problemas de saúde, Jacobs, hoje com 59 anos, parou de gravar shows no início dos anos 2000. Sua trajetória virou documentário em 2023, com “Melomaniac”, dirigido por Katlin Schneider, que explora o impacto que o jovem teve como arquivista da cena musical de Chicago. O filme também traz relatos de artistas da época e de donos de casas de shows onde o americano fez suas gravações.&lt;/p&gt;
A digitalização das fitas
&lt;p&gt;Em 2019, um grupo de cerca de 10 arquivistas de shows ligado ao Internet Archive – site que reúne livros, filmes, músicas e bilhões de páginas da web arquivadas – entrou em contato com Jacobs para preservar e divulgar as gravações feitas por ele. Em 2024, um dos voluntários do projeto visitou a casa do americano e saiu de lá com as primeiras 120 fitas, dando origem ao projeto “Aadam Jacobs Collection”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As mais de 10 mil gravações estão guardadas em caixas na casa de Jacobs. Algumas delas apresentam dois ou três sets diferentes de shows.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;200&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;é a quantidade de fitas que precisam ser processadas por semana para que os integrantes finalizem o projeto em cerca de dois ou três anos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os voluntários se dividem para converter as fitas em áudio digital, identificar as informações dos shows (como quais músicas foram tocadas e a data das apresentações) e melhorar a qualidade do som. É possível acompanhar as atualizações nas redes sociais Facebook e Bluesky.&lt;/p&gt;
O acervo musical
&lt;p&gt;Cerca de 2.500 gravações foram disponibilizadas no Internet Archive até a publicação deste texto. A expectativa, segundo os voluntários, é que 8.000 shows sejam disponibilizados até o fim de 2026 e o site alcance 1 milhão de visitantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O acervo varia entre gêneros como indie, punk rock, jazz e hip-hop. É possível encontrar apresentações de artistas que ainda não eram consagrados quando Jacobs foi a seus shows, como Nirvana, cuja apresentação foi gravada dois anos antes do lançamento do disco de sucesso “Nevermind” (1991).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em entrevista à agência AP News em abril de 2026, Jacobs afirmou que a maioria dos artistas gosta de ter seus acervos preservados, mas ele pode retirar as gravações a pedido das bandas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;David Nimmer, advogado especializado em copyright e professor na Universidade da Califórnia, afirmou à mesma agência que os artistas tecnicamente detêm as composições originais e gravações ao vivo, mas, como nem o acervo nem Jacobs estão lucrando com as fitas, é improvável que surjam processos.&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Expresso</category>
      <dc:creator>Giovanna Castro</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>Quais os benefícios das artes cênicas para crianças</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/04/20/artes-cenicas-teatro-danca-circo-na-infancia-beneficios-para-as-criancas</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 15:53:37 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Pesquisadores associam teatro a ganhos de desenvolvimento na infância. País tem quadro de acesso limitado a aulas e espetáculos&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Grupo de crianças durante apresentação no teatro
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Daria Trofimova / Unsplash
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Enzo Nunes da Silva tinha seis anos quando pisou num set de filmagem pela primeira vez. Não sabia o texto, não tinha experiência, não vinha de uma família ligada ao meio artístico. O que aconteceu a seguir surpreendeu a equipe inteira: ele improvisou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fez cenas fortes, arrancou risos nos bastidores, se comunicou com adultos como se aquele espaço já fosse dele. Pouco depois, foi escalado para o filme O Agente Secreto, ao lado de Wagner Moura, numa produção que chegou ao Oscar. “Ele realmente se identificou com a atuação. Onde ele chega, ele se solta, se comunica bem e consegue se expressar com muita facilidade”, conta Kelly Grace Nunes dos Santos, mãe do garoto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A história de Enzo é extraordinária — mas o que ela revela sobre o impacto da arte na vida das crianças não é. Pesquisadores que estudam a relação entre infância e artes cênicas no Brasil são enfáticos: as sensações e os ganhos de desenvolvimento que o menino viveu no cinema, milhões de crianças brasileiras poderiam experimentar no teatro, na escola, no centro comunitário do bairro. Se tivessem acesso.&lt;/p&gt;
Um país de palcos vazios
&lt;p&gt;Segundo o IBGE, teatros estão presentes em apenas 23,3% dos municípios brasileiros. Cinemas, em 9%. Isso significa que cerca de 42,5% da população vive em cidades onde não existe uma única sala de exibição. Na Região Norte, o cenário é ainda mais severo: em 80,4% dos municípios, os moradores precisariam se deslocar por pelo menos uma hora para chegar ao cinema mais próximo. No Sul, esse índice cai para 14,9%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já a pesquisa do Sistema de Informações e Indicadores Culturais, revela que 72% dos brasileiros declararam jamais ter assistido a um espetáculo de artes cênicas. Entre crianças e adolescentes até 14 anos, a situação é proporcionalmente pior: 34,3% vivem em municípios sem museus, e a ausência de equipamentos culturais nas periferias e em regiões rurais faz com que o encontro com a arte seja, para muitas famílias, uma impossibilidade geográfica e financeira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto isso, entre 2010 e 2020, o orçamento federal dedicado à cultura foi reduzido quase pela metade. No estado de São Paulo, a carga horária de artes no ensino médio caiu de quatro para duas aulas semanais.&lt;/p&gt;
O que muda quando a arte chega?
&lt;p&gt;É nesse vazio que o trabalho de educadores e coletivos de teatro ganha um significado que ultrapassa o artístico. Adriano Rodrigues é professor e coordena o Projeto Gari, que leva oficinas de teatro a comunidades ribeirinhas no Amazonas. Para ele, a arte nesses territórios tem um papel ainda mais amplo. “O que está em jogo é a possibilidade de cada integrante ser reconhecido como sujeito de imaginação, dignidade, pertencimento e futuro”, afirma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Rodrigues descreve transformações que observa de perto: crianças que tinham dificuldade de falar em público passam a se comunicar melhor; outras, antes retraídas, começam a sustentar a própria opinião e a conviver com mais respeito dentro do grupo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“A arte amplia o repertório interno e faz com que o integrante passe a olhar para a própria realidade não apenas como limite, mas também como matéria de criação. Aprende a simbolizar o que vive, a transformar medo em expressão, timidez em presença, silêncio em palavra e memória em cena”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Adriano Rodrigues&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;professor de teatro&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Artur Ítalo da Silva, pai de Enzo, reconhece esse tipo de transformação na própria casa. “Ele ganhou muito conhecimento e se divertindo! Ele consegue se comunicar melhor com outras crianças, inclusive acima da idade dele, de uma forma muito mais natural”, diz. “Meu filho também consegue falar de emoções e colocar o que sente de maneira clara para quem está ao redor. Toda essa desenvoltura ele foi adquirindo por meio da arte.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Especialistas ressaltam que o teatro não desenvolve apenas aptidões artísticas. Ele trabalha a linguagem, a escuta, a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro — habilidades que reverberam na escola, na convivência familiar e na vida social da criança.&lt;/p&gt;
A criança como sujeito, não como espectadora
&lt;p&gt;Suzana Schmidt Viganó, professora do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo e integrante do Núcleo Quanta, de ação artística para a primeira infância, propõe uma mudança de perspectiva que vai além do acesso ao equipamento cultural. Para ela, a questão central é como enxergamos a criança no processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O modo de existência das crianças, especialmente na primeira infância, é primordialmente lúdico e estético. O processo de desenvolvimento, inclusive neurolinguístico, passa necessariamente pelo corpo, pelo que é percebido e vivenciado pelo corpo”, explica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Viganó defende que, quando os adultos se aproximam desses modos de ser, abrem-se também para um convívio mais afetuoso e criativo. “Nesse sentido, as crianças são as mestras que nos aproximam da fruição estética.”&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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                        &lt;p&gt;Gratuita, com os fatos mais importantes do dia para você&lt;/p&gt;
                    
                
                
                    
                        
                            
                            
                                
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&lt;p&gt;A pesquisadora também é direta ao criticar uma lógica que, segundo ela, limita o potencial das artes na educação: a de justificar o teatro apenas pelos seus efeitos colaterais — melhora da autoestima, da fala e da disciplina. “Ao submetermos a arte sempre a serviço de uma finalidade outra, perdemos justamente aquilo que ela tem de melhor a oferecer, que é o desenvolvimento de experiências corporais, imaginativas, de criação de linguagem e de discurso, de abertura para outros olhares e invenções sobre si e sobre o mundo.”&lt;/p&gt;
Cultura como direito
&lt;p&gt;Luvel Garcia Leyva, professor do Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, vai além e propõe um questionamento mais incômodo: de que tipo de infância estamos falando quando discutimos acesso à cultura?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para o pesquisador, cubano radicado no Brasil, a ausência do teatro na vida de crianças em situação de vulnerabilidade é parte de uma estrutura. “A ausência quase permanente de propostas artísticas na vida de muitas crianças que vivem nessas condições faz parte exatamente do que nos impede de imaginar outros mundos possíveis”, afirma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele destaca a demolição de espaços emblemáticos, como o Teatro Ventoforte — um dos marcos do teatro para crianças no Brasil e na América Latina — e o Teatro de Contêiner Munguzá, em São Paulo, como sintomas de um país que não trata cultura infantil como prioridade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Garcia Leyva recusa a ideia de que o acesso ao teatro deva ser associado à noção de “oportunidade”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Essa é uma visão trágica do que o capitalismo tem feito com a noção de cultura e com as populações empobrecidas dos nossos países. Quando reduzimos a cultura a um privilégio eventual, reforçamos uma lógica assistencialista que naturaliza desigualdades históricas e transforma o direito em exceção.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na avaliação do professor, são os coletivos teatrais — muitos deles com sedes em regiões periféricas, desenvolvendo trabalhos em parceria com escolas e centros comunitários — e os professores de arte nas escolas que possibilitam às crianças os primeiros contatos com o teatro.&lt;/p&gt;
O que falta para mudar?
&lt;p&gt;O Plano Municipal para a Primeira Infância, promulgado pela Prefeitura de São Paulo em 2019, traz um dado que deveria orientar o debate público: a perda de rendimento na idade adulta para quem não teve condição de alcançar pleno desenvolvimento na infância é de aproximadamente 24%. A arte, como mostram pesquisadores e educadores ouvidos nesta reportagem, é parte fundamental desse desenvolvimento — e não um complemento decorativo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Kelly, mãe do Enzo, é direta quando fala sobre o que falta. “Muitas famílias não têm condições de pagar por atividades como teatro, dança ou outras expressões artísticas. E isso faz muita falta. São essas ferramentas tiram um pouco dessa rotina tão focada em tecnologia — celular, videogame — que hoje é muito presente.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Artur, pai do menino, também recorre à memória. “Na minha infância, quando eu estudava em escola pública, havia grupos de teatro e de música. A gente tocava flauta, participava de atividades artísticas, tinha aulas voltadas para desenho e pintura. Hoje, é muito mais difícil ver esse tipo de investimento.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Suzana Viganó relembra um provérbio africano para sintetizar o desafio: “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança.” E arrisca uma projeção: se o direito das crianças à cultura fosse levado a sério, veríamos diferentes sentidos de comunidade se criando, uma maior sensibilidade e respeito ao outro e, talvez, uma ousadia potencializada na reivindicação de mudanças.&lt;/p&gt;
Uma cena que ainda precisa de palco
&lt;p&gt;Enquanto o Brasil ostenta o recorde de 3.510 salas de cinema — a maioria dentro de shoppings, com ingressos que ultrapassam os 30 reais —, comunidades ribeirinhas do Amazonas esperam a próxima oficina de teatro do Projeto Garia. Na periferia de São Paulo, coletivos como o Pombas Urbanas mantêm viva uma tradição de teatro comunitário que o poder público raramente ampara com a mesma disposição com que derruba seus espaços.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas escolas, professores de artes equilibram programas cada vez mais enxutos com a convicção de que o que ensinam importa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para as crianças que conseguem cruzar esse caminho — seja no set de um filme, numa oficina à beira do rio ou numa sala de aula com um professor que insiste na brincadeira —, a experiência costuma deixar marcas que não cabem em boletim. “O teatro torna-se uma espécie de delírio que desestrutura o mundo cartesiano em que a criança vive”, resume o professor Luvel Garcia Leyva. “Ele permite que a criança veja o invisível, ouça o inaudível, diga o indizível, pense o impensável e faça o impossível.”&lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Externo</category>
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    </item>
    <item>
      <title>Palavras Cruzadas do ‘Nexo’: Tiradentes e Inconfidência Mineira</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/interativo/2026/04/20/palavras-cruzadas-nexo-tiradentes-e-inconfidencia-mineira</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 15:49:30 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Movimento iniciado em Minas Gerais almejou Independência da Coroa portuguesa. Teste seus conhecimentos sobre a história do Brasil&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;






    
    
    Palavras-Cruzadas do Nexo Jornal


    



  
  
    
      Interativo
    

    
      
        
      
      Palavras Cruzadas do ‘Nexo’:
    

    
      &lt;p&gt;Da Redação&lt;/p&gt;
      
    

    &lt;p&gt;Teste seus conhecimentos&lt;/p&gt;
  

  
  
    
      
    
    &lt;p&gt;&lt;/p&gt;
    &lt;br/&gt;
    &lt;p&gt;Como jogar: Preencha as células em branco com letras, sem acentuação. Cedilhas são aceitos, mas você pode utilizar a letra C no lugar. O jogo detecta automaticamente quando você completar tudo corretamente. Você também pode clicar em verificar para corrigir as palavras. Nem todas as palavras se relacionam com o tema principal.&lt;/p&gt;
    &lt;br/&gt;
  
  



   
  
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&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</_cdata>
      </description>
      <category>Interativo</category>
      <dc:creator>Gabriel Zanlorenssi</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>O que são parques alagáveis. E como eles funcionam</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/04/20/arquiteto-chines-kongjian-yu-cidade-esponja-parque-alagavel</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 15:42:42 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Estratégia para lidar com o excesso de chuvas é ligada ao conceito de cidades-esponja, criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu&lt;/p&gt;
&lt;media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/04/alaga-1-600x400.webp" type="image/webp" medium="image"&gt;
  &lt;media:title&gt;
    Parque alagável entre Areias e Ipsep foi o primeiro da cidade
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Arnaldo Sete / Marco Zero
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;As chuvas já começaram a dar as caras no inverno do litoral e da Região Metropolitana do Recife. E, com as mudanças climáticas, seguem fortes e difíceis de prever. Nos últimos anos, o Recife tem adotado algumas estratégias do conceito de “cidade esponja”, desenvolvido pelo arquiteto chinês Kongjian Yu – falecido no ano passado em um acidente de avião no Pantanal. Uma das estratégias defendidas por Yu eram os parques alagáveis, que ficam em locais sujeitos a inundações ou alagamentos e que retardam a distribuição da água de volta para o rio ou para ruas vizinhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Recife ocupa a 16ª posição mundial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no ranking das cidades mais vulneráveis à mudança do clima. Ou seja, a população recifense precisa de toda ajuda possível para conviver com suas águas. Os parques alagáveis não são a solução para os alagamentos, mas fazem parte de um pensamento no urbanismo que tenta lidar com soluções desenvolvidas localmente e minimizar os impactos para os moradores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o arquiteto e urbanista Fabiano Diniz, explica que os parques alagáveis dialogam diretamente com uma crítica que Kongjian Yu fazia às soluções de drenagem convencionais. “Vemos os rios, as águas, sobretudo a chuva, a inundação, o alagamento, como coisas negativas, que vêm para nos maltratar. Tem pessoas que ficam com raiva da chuva, com raiva do rio, mas, na verdade, a gente ocupou o espaço do rio”, reflete Diniz, que também integra o grupo de pesquisa Recife Cidade Parque.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para Yu, encanar e canalizar rios era uma solução pensada para países de clima temperado, com regimes de chuva moderados – e não para cidades tropicais como Recife, submetidas a precipitações torrenciais e concentradas. A ideia da “cidade esponja” era justamente o oposto: trabalhar com as condições naturais que existiam antes da urbanização, criando espaços que retenham, filtrem e devolvam a água lentamente ao solo e aos rios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“A sacada do Kongjian Yu é pegar isso e dizer que as cidades têm que se estruturar a partir disso. Organizar as cidades a partir dessa capacidade de vários lugares cumprirem esse papel de reter as águas. Não somente de reter as águas, mas trazer o homem para perto da natureza, entrar em contato com a água, sem o medo de quem ouve a chuva cair e não consegue dormir à noite”, diz Diniz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Recife tem hoje dois parques alagáveis inaugurados: o primeiro, com aproximadamente 3,9 mil m², foi entregue em novembro de 2024 às margens do rio Tejipió, entre os bairros de Areias e Ipsep, com investimento de R$ 2,5 milhões da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). O segundo, o Parque Alagável Campo do Barro, foi inaugurado em janeiro de 2026 no bairro do Barro, com mais de 23 mil m² e R$ 3,4 milhões do programa ProMorar, com capacidade para armazenar temporariamente cerca de 1.510 m³ de água. Um terceiro, o Parque Alagável Umuarama, também no Barro, já teve sua licitação publicada, com investimento previsto de R$ 3,8 milhões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tecnicamente, os parques alagáveis funcionam como o que os urbanistas chamam de bacias de retenção. Diferentemente das lagoas com lâmina d’água permanente – as chamadas bacias de detenção –, os parques alagáveis ficam secos na maior parte do ano e acumulam água apenas nos períodos de chuva intensa. A água retida é depois absorvida gradualmente, infiltrando no lençol freático ou sendo encaminhada por tubulações para os rios ou reservatórios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A água retida também tem potencial de reuso. “Os reservatórios subterrâneos podem servir para irrigação do próprio parque em períodos de estiagem”, afirma o professor da UFPE. O Recife já possui reservatórios enterrados sob vias públicas – uma ideia que, segundo Diniz, não é nova. Ele cita que nos anos 1990 foram instaladas comportas e pequenos reservatórios ao longo do canal da avenida Agamenon Magalhães e que há reservatórios para água também na rua Cardeal Arcoverde, nas Graças.&lt;/p&gt;
A opinião de quem mora perto dos parques
&lt;p&gt;A pedido da Marco Zero, a co-fundadora do Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte) Géssica Dias preparou um texto sobre a opinião das pessoas que vivem perto dos dois parques alagáveis inaugurados pela prefeitura do Recife. O Forte é um coletivo que reúne mais de 10 lideranças de comunidades da bacia do Tejipió e que já realizou atividades com mais de 200 pessoas da região.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre o Parque Alagável do Ipsep: Por se tratar do primeiro parque alagável sinalizado para a bacia do rio Tejipió, gerou grande expectativa entre os moradores da localidade. No entanto, a falta de informação e de participação da comunidade durante o processo foi um ponto bastante problematizado pelo fórum e pelos próprios moradores à época.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em grande medida, não se sabia como as obras seriam conduzidas nem quais seriam os resultados concretos esperados, sendo que as poucas informações disponíveis eram acessadas principalmente por meio de notícias na internet. Segundo relatos de moradores, o local onde o parque foi implantado é uma área que praticamente não alaga, enquanto as ruas do entorno continuam sofrendo com recorrentes inundações. Há também percepções de que não houve uma redução significativa dos alagamentos, mas sim uma diferença no tempo de escoamento das águas, que passou a ocorrer de forma mais rápida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre o Parque Campo do Barro: Moradores relatam que, embora o equipamento exerça a função de represar a água em dias de chuva, seus efeitos têm beneficiado principalmente as áreas mais próximas, especialmente a comunidade do Umuarama, no Barro. Outros moradores avaliam que ainda é cedo para um parecer mais consistente, mas há percepções de que, diante das últimas chuvas, o parque não tem capacidade para suportar grandes volumes de acúmulo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No que diz respeito ao processo de mobilização, moradores apontam fragilidades que comprometeram a participação nas oficinas de discussão. Muitas pessoas foram informadas em cima da hora – quando foram – o que dificultou a presença e limitou o debate sobre o projeto. Para parte da população, os equipamentos do parque só se tornaram conhecidos no momento da inauguração.&lt;/p&gt;
Solo, plantas e equipamentos específicos
&lt;p&gt;Para que um parque alagável funcione bem, o planejamento começa pelo solo. É preciso estudar a permeabilidade do terreno, a topografia, o regime de chuvas e a dinâmica hídrica do entorno. A arquiteta e urbanista Raquel Menezes, do Inovação e Pesquisa para as Cidades (Inciti), afirma que as plantas desses parques precisam ser de espécies adaptadas a ciclos alternados de encharcamento e seca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Normalmente em parques que são projetados para ser inundáveis, bacia de detenção, você tem que ter um tratamento de solo adequado para ampliar a permeabilidade da água no solo e o tipo de vegetação que você usa também tem que ser adequada para isso. Tem vegetação que dificulta mais a infiltração da água no solo e tem outras que potencializam isso. Também tem vegetação que não aguenta ficar muito tempo em solo molhado”, explica Raquel. “Tem que ser um parque projetado para ser alagável. Não é algo como ‘aqui tem uma área livre, vai ser uma área alagável agora’. Não é assim que funciona”, diz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também não é todo tipo de solo onde é adequado construir um parque alagável. “Se você tem um solo que seja argiloso, a argila dificulta muito a infiltração da água. Ela faz tipo um bloco. Tem tipo de solo que não é adequado para a infiltração. Tem solo mais arenoso, que aí é mais fácil da água infiltrar. Então, isso também precisa ser pensado”, explica a urbanista.&lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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                        &lt;p&gt;Gratuita, com os fatos mais importantes do dia para você&lt;/p&gt;
                    
                
                
                    
                        
                            
                            
                                
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&lt;p&gt;Os equipamentos de lazer devem ser instalados em espaços mais elevados, com passarelas que permitam o uso do parque mesmo quando parte da área está alagada. E a participação da comunidade, dizem os especialistas, é fundamental: os moradores precisam entender o que é o parque, para que serve e como se apropriar dele. “Precisamos acompanhar com muito cuidado, não a partir dos olhos do acadêmico, dos técnicos, mas a partir dos moradores que vivenciam o espaço – que o usam para lazer e que vivenciam, durante a cheia, se houve realmente redução dos danos, dos impactos”, afirma Diniz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diniz destaca a importância de que esses parques sejam construídos justamente nas áreas mais vulneráveis da cidade. “Aquela região ali, em Tejipió, em Areias, é uma área, do ponto de vista social e ambiental, muito vulnerável, com condições muito difíceis, com terrenos baixos. É uma população que está muito suscetível a esse processo de inundação, onde se concentra a população pobre”, diz. “O parque alagável, além de qualificar o espaço, funciona para o lazer a maior parte do tempo. E estamos discutindo isso dentro de um contexto que, hoje, é de privatização dos parques. Em que medida essa privatização pode ou não pode restringir o acesso a uma população de mais baixa renda, que precisa, do mesmo jeito que os demais moradores, ter acesso a esse tipo de lazer? Então, é muito importante que esses parques cumpram também a função durante o tempo seco”, afirma o pesquisador.&lt;/p&gt;
Tamarineira: alagado, não alagável
&lt;p&gt;Quando as chuvas de abril alagaram parte do Parque da Tamarineira, choveram denúncias sobre a falta de drenagem nas redes sociais. Não ironicamente, a vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) publicou um vídeo do parque embaixo d’água em que a legenda dizia que “o Parque da Tamarineira funciona como área alagável contra enchentes”. Para Fabiano Diniz, a questão precisa ser dita com clareza: o parque alagou, mas não foi projetado para ser alagável. “Ele é um parque que alaga – isso a chuva provou. Mas não vou dizer que ele tem um grande potencial para isso. Aquilo ali não parece ter sido pensado”, afirma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A arquiteta e urbanista Raquel Menezes concorda. Para ela, o que aconteceu tem ligação com o córrego do Jacaré, curso d’água que passava pela área e foi canalizado – ou seja, enfiado em uma tubulação subterrânea. “O córrego provavelmente já era a drenagem daquela área do terreno. A água devia estar acumulando naquela parte e continuou acumulando por causa disso. Não é nada estranho. Mas a gente precisa entender que a natureza e o solo têm uma dinâmica própria, e não é um problema assumir isso”, diz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A crítica ressoa diretamente com o que Kongjian Yu defendia: canalizar córregos é uma solução de infraestrutura “cinza”, mais adequada a países de clima temperado, que vai contra a dinâmica natural da água em cidades tropicais. “Se a gente vai contra a dinâmica dos elementos da natureza, a gente se enterra. Se fosse o riacho voltando à tona, se houvesse um tratamento mais natural, com vegetação adequada para a área molhada, o parque teria um potencial muito maior”, afirma Fabiano Diniz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nenhum dos dois urbanistas chegou a ver o projeto do Parque da Tamarineira. Raquel Menezes chegou a procurar o documento, mas não achou. “Essa informação deveria estar facilmente acessível, qualquer pessoa deveria conseguir consultar”, afirma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Procurada pela reportagem, a Prefeitura do Recife, em nota, afirmou que o Parque da Tamarineira “é considerado um equipamento naturalizado e auxilia na drenagem do trecho inicial da bacia do Canal do Jacaré”. Segundo a nota, “o parque incorporou áreas de detenção natural, capazes de armazenar temporariamente os volumes de água durante eventos de chuva mais intensos”, e as passarelas elevadas na chamada área da Matinha “foram executadas para garantir acessibilidade aos principais equipamentos e reduzir as superfícies pavimentadas”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A explicação contrasta com o que havia sido divulgado pela própria prefeitura na comunicação da inauguração da segunda etapa do parque, em 26 de março de 2026. No texto oficial, a ênfase recaía sobre a drenagem convencional: a prefeitura informava que “foram construídos dois reservatórios com dispositivos de coleta para o encaminhamento adequado das águas pluviais, garantindo a destinação correta da água superficial e evitando sobrecarga na infraestrutura do entorno.” O então prefeito João Campos (PSB) chegou a declarar que “fizemos uma obra de drenagem e um grande reservatório de água para assegurar um espaço confortável, mesmo em dias de chuvas.” Na época da inauguração, não havia menção à possibilidade de alagamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes mesmo da inauguração, quando a prefeitura lançou a licitação para a segunda etapa, o projeto já previa, além do reservatório principal sob o passeio central, três bacias de infiltração no interior da Matinha, “estrategicamente localizadas nos pontos de maior risco de alagamento, para promover a absorção da água pluvial no próprio solo“, com o objetivo de “garantir que os pontos baixos naturais do parque, que são mais suscetíveis ao acúmulo de água, não sejam inundados.” Ou seja, a própria prefeitura reconhecia que aquela era uma área propensa ao acúmulo de água – mas não comunicou isso com clareza ao público.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O parque acabou de ser inaugurado. É muito natural que em uma obra você tenha um momento de ajustes. Toda obra é isso: quando você começa a usar, quando vêm os primeiros usos, os primeiros eventos, você começa a perceber o que não funciona e vai ajustando. Não é problema nenhum no parque alagar nas primeiras chuvas”, diz Raquel Menezes. “O grande problema que houve nessa questão é tentar defender tudo como se fosse maravilhoso e perfeito. A gente costuma dizer sempre que arquitetura e que urbanismo não são matemática. A gente lida com muitas dinâmicas diferentes e não tem como ter uma previsão definitiva do que vai acontecer”, acrescenta.&lt;/p&gt;
Nota completa da Prefeitura do Recife
&lt;p&gt;O primeiro parque alagável do Recife, com aproximadamente 3,9 mil m², foi entregue em novembro de 2024, com investimento de R$ 2,5 milhões executados pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), e está situado entre os bairros de Areias e Ipsep, às margens do Rio Tejipió. O segundo da cidade, o Parque Alagável Campo do Barro, foi entregue no começo deste ano, no bairro de mesmo nome, e abrange mais de 23 mil m², com R$ 3,4 milhões investidos pelo ProMorar Recife. O espaço tem capacidade de armazenar temporariamente cerca de 1.510 m³ de água, o equivalente a mais de 1,5 mil caixas d’água de 1 mil litros. Na última semana, a gestão publicou, no Diário Oficial, a licitação para a construção do Parque Alagável Umuarama, também no Barro. Com investimento de R$ 3,8 milhões por meio do programa ProMorar, o novo equipamento será o terceiro do tipo na cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em relação ao Parque da Tamarineira, ele é considerado um equipamento naturalizado e auxilia na drenagem do trecho inicial da bacia do Canal do Jacaré, que integra a macrobacia do Vasco da Gama (Canal do Arruda), área estratégica para o controle de alagamentos na cidade do Recife. Nesse contexto, áreas verdes urbanas desempenham um papel essencial, funcionando como espaços naturais de retenção e amortecimento das águas. Assim, o Parque Tamarineira incorporou áreas de detenção natural, capazes de armazenar temporariamente os volumes de água durante eventos de chuva mais intensos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa estratégia permite reduzir a sobrecarga no sistema de drenagem urbana e diminuir o risco de alagamentos nas vias do entorno. As passarelas elevadas, dentro da área popularmente chamada de “Matinha”, foram executadas para garantir acessibilidade aos principais equipamentos da Matinha e reduzir as superfícies pavimentadas. Esta solução aumenta a permeabilidade do solo e, em consequência, facilita a absorção das águas da chuva.&lt;/p&gt;</_cdata>
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      <category>Externo</category>
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      <title>Como a agricultura pode produzir mais emitindo menos</title>
      <link>https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/04/20/agricultura-agronegocio-reducao-de-emissao-de-carbono</link>
      <pubDate>Mon, 20 Apr 2026 15:31:57 GMT</pubDate>
      <description>
        <_cdata>&lt;p&gt;Setor brasileiro combina altas emissões com potencial de captura de carbono. Aposta em tecnologias tropicais e sistemas integrados esbarra na adoção prática no campo&lt;/p&gt;
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  &lt;media:title&gt;
    Cafezal na cidade de Barreiras, na Bahia
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  &lt;media:credit&gt;
    Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil / Flickr
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;A principal fonte brasileira de emissões de gases de efeito estufa está ligada à forma como o solo é usado e transformado. Mudanças no uso da terra, especialmente o desmatamento, respondem por 42% das emissões de CO2 (dióxido de carbono) do país. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na sequência, aparece o setor agropecuário, com 29% das emissões. Desse total, cerca de 20% têm origem na agricultura, sobretudo no uso de fertilizantes nitrogenados e na aplicação de calcário no solo. Os dados são do relatório de 2025 do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, o Nexo analisa como um dos pilares da economia brasileira pode expandir sua produção para atender à crescente demanda global por alimentos sem abrir mão do caminho rumo à neutralidade de emissões, necessária no contexto da mudança climática. &lt;/p&gt;
As práticas da agricultura convencional
&lt;p&gt;A agricultura reúne, ao mesmo tempo, o problema e parte da solução climática. É um dos poucos setores em que há tanto lançamento quanto redução de gases de efeito estufa. Isso ocorre porque, além de emitir, o setor pode remover carbono da atmosfera. No crescimento das plantas, por meio da fotossíntese, por exemplo, o CO2 é capturado e incorporado à biomassa vegetal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A principal prática que responde pelas emissões do setor é o uso de fertilizantes nitrogenados, essenciais para elevar a produtividade agrícola. Parte desse nitrogênio é convertida no solo em N2O (óxido nitroso), um gás de efeito estufa de alto impacto climático. Outra fonte importante é a chamada calagem, a aplicação de calcário para corrigir a acidez do solo, que libera CO2 durante sua reação no ambiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de não ser possível eliminar essas práticas, é possível utilizar fertilizantes e calcário de forma mais eficiente, em sistemas agrícolas mais equilibrados, segundo Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, professor da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo) e diretor do CCarbon (Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical). “Hoje existem fertilizantes mais modernos, tecnologias mais avançadas. Aplicamos nitrogênio porque a planta precisa, mas com menor emissão de gás para a atmosfera”, disse. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tecnologias que podem tornar o uso de fertilizantes mais eficiente incluem a liberação controlada dos nutrientes, por meio do encapsulamento (coating), que permite sua incorporação gradual ao solo, e o uso de inibidores que retardam as reações químicas responsáveis por parte das emissões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A chamada agricultura de precisão também pode tornar os sistemas agrícolas mais equilibrados. “Em vez de aplicar a mesma quantidade de insumo em toda a área, você faz um mapeamento e trabalha com taxas variáveis. O calcário, por exemplo, não é eliminado, mas pode ser reduzido quando o sistema está balanceado”, afirmou Cerri.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para a agricultura brasileira, deve-se ainda pensar em soluções específicas. Embora os princípios agrícolas sejam universais, sua prática nos trópicos impõe dinâmicas próprias. Nesses sistemas, a produção tende a ser mais intensa — com possibilidade de múltiplas safras ao longo do ano — e é marcada por desafios específicos relacionados ao clima e às características dos diferentes solos. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Na agricultura temperada, pratica-se uma cultura principal e, dependendo da latitude, há neve cobrindo o solo ou simplesmente não há condições de cultivo durante parte do ano. A terra descansa. No Brasil, é diferente. Fazemos duas, até três safras por ano, usando mais intensivamente a terra, que é um recurso finito”, segundo Marilia Folegatti Matsuura, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).&lt;/p&gt;
As técnicas para produzir com menos emissão
&lt;p&gt;Quando bem manejadas, as múltiplas safras nas regiões tropicais não apenas aumentam a produtividade, mas tornam o sistema agrícola mais eficiente do ponto de vista biológico. Segundo a pesquisadora da Embrapa, ao permitir diferentes cultivos ao longo do ano, o solo permanece coberto, o que reduz a perda de carbono, água e nutrientes para a atmosfera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, a associação entre diferentes culturas cria relações de complementaridade. “O exemplo clássico é a combinação entre uma leguminosa e uma gramínea”, disse Matsuura. Enquanto as leguminosas, como a soja e o feijão, capturam nitrogênio da atmosfera e o incorporam ao solo — reduzindo a necessidade de fertilizantes —, as gramíneas crescem rapidamente, produzem grande volume de biomassa e formam uma camada de palhada que protege a terra. Ao se decompor, parte dessa matéria orgânica libera gases de efeito estufa, mas outra parte é incorporada ao solo, promovendo a ciclagem de nutrientes e o acúmulo de carbono.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outra estratégia para uma agricultura de baixa emissão é o plantio direto, já consolidado no Brasil, segundo os especialistas consultados para esta reportagem. Na agricultura convencional, o preparo do solo envolve aração e gradagem. Essas operações revolvem a terra, fragmentam sua estrutura e expõem o carbono armazenado, favorecendo sua liberação na forma de CO2. No plantio direto, ao contrário, a movimentação do solo é mínima. A nova cultura é implantada sobre a palhada da anterior, sem revolvimento intenso.&lt;/p&gt;
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    Fazenda Santa Brígida, na cidade de Ipameri, em Goiás, que usa o modelo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
  &lt;/media:title&gt;
  &lt;media:credit&gt;
    Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil / Flickr
  &lt;/media:credit&gt;
&lt;/media:content&gt;
&lt;p&gt;Outra frente importante apontada pelos pesquisadores são os sistemas integrados, como a ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta) e, em menor complexidade, a ILP (integração lavoura-pecuária). Dados da Rede ILPF indicam que mais de 17 milhões de hectares no Brasil já adotam essas práticas, que combinam diferentes atividades produtivas na mesma área ao longo do tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em vez de manter uma única cultura, a área passa por rotações que combinam lavouras, pastagens e árvores. Sempre há uma cultura principal, mas ela é alternada com outras atividades, como o cultivo de capim para a pecuária ou o plantio de espécies florestais. As árvores, por exemplo, oferecem sombra e melhoram o bem-estar animal, enquanto também capturam carbono e geram madeira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Esses arranjos sequestram carbono, emitem menos gases para a atmosfera e ainda reduzem a necessidade de fertilizantes. Hoje, o Brasil tem dezenas de milhões de hectares cultivados com grãos e cerca de 37 milhões sob plantio direto, mas ainda há espaço para avançar. Em modelos como a ILPF, é possível triplicar ou até quadruplicar a área adotada no país”, segundo Cerri.&lt;/p&gt;
As inovações emergentes
&lt;p&gt;Os pesquisadores também destacam tecnologias ainda em desenvolvimento que podem ampliar a redução das emissões no campo. Nessa linha, a Embrapa aposta, por exemplo, nos inoculantes, que são microrganismos aplicados no tratamento de sementes para estimular a fixação biológica de nitrogênio, com o objetivo de minimizar o uso de fertilizantes nitrogenados. Segundo Matsuura, essa estratégia já é amplamente utilizada em leguminosas e começa a ser estudada também em outras culturas, como o milho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entre as inovações, o professor Cerri destaca ainda os bioinsumos, produtos de origem biológica que estimulam a atividade de microrganismos e aumentam a eficiência do sistema agrícola. Outra aposta é o biocarvão, ou biochar, produzido por pirólise (um processo que aquece matéria orgânica na ausência de oxigênio), que melhora a saúde do solo e contribui para a retenção de carbono.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais do que desenvolver novas soluções, o desafio está em levar essas tecnologias ao campo e adaptá-las às diferentes realidades do país. É nesse contexto que atua o CCarbon, coordenado por Cerri. “A lacuna que buscamos preencher é justamente adaptar e escalar essas tecnologias para um país de dimensões continentais como o Brasil, que tem uma enorme diversidade de climas, solos, biomas, culturas e níveis tecnológicos. À medida que essas práticas se ampliam, entendemos melhor as dificuldades no campo e o que precisa ser ajustado para que façam sentido para mais produtores. A estratégia não é inventar algo novo a todo momento, mas ampliar o uso do que já funciona”, explicou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De acordo com Matsuura, o desafio envolve também mudanças culturais no campo. Mesmo quando há condições para adotar novas práticas, muitos produtores mantêm métodos tradicionais por hábito ou resistência à mudança. “Instituições como a Embrapa têm parte do seu quadro dedicada à transferência de tecnologia. Existe um esforço para que essas inovações cheguem ao produtor, mas muitos ainda não têm acesso. Há também a questão financeira, quando a adoção depende de insumos. Mas, mesmo quando têm condições, muitos produtores continuam fazendo como sempre fizeram”, afirmou.    &lt;/p&gt;
Os custos, ganhos e oportunidades
&lt;p&gt;Apesar dos desafios, o Brasil tem condições de transformar a sustentabilidade agrícola em vantagem competitiva e, ao mesmo tempo, ampliar sua produção. Para a pesquisadora Camila Genaro Estevam, do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (Fundação Getulio Vargas), isso depende de construir uma narrativa mais consistente e baseada em dados sobre a agricultura brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O país ainda não tem um sistema unificado para medir as emissões do setor, o que significa que os números podem estar distorcidos e inflados, segundo a pesquisadora. Muitas métricas usadas hoje foram desenvolvidas para sistemas do Hemisfério Norte. Elas não refletem bem a realidade tropical e podem deixar de considerar características como as múltiplas safras ao longo do ano e outras práticas sustentáveis já adotadas no país.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Quando ajustamos essa análise para o contexto tropical, a margem de mudança não é tão grande, mas ainda é possível evidenciar um potencial de redução. Por isso, é fundamental entender o que está sendo considerado em cada cálculo”, disse. &lt;/p&gt;




    
    
    


    
        
            
                
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&lt;p&gt;Para ela, o principal problema surge quando certificações globais impõem metodologias padronizadas, com pouca flexibilidade para incorporar as especificidades locais. Nesse cenário, empresas brasileiras podem acabar reportando emissões superestimadas e, com isso, serem penalizadas em cadeias produtivas internacionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Há cerca de três anos, fizemos um estudo para uma empresa internacional de sementes com operação no Brasil. Eles tinham estabelecido metas de descarbonização. Quando eles chegaram aos números, perceberam que estavam muito inflados. Nós revisamos esses dados e mostramos que havia uma superestimativa da ordem de 80%. Isso impacta diretamente a operação no Brasil, especialmente no caso de multinacionais”, afirmou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esses fatores têm impacto direto na viabilidade da transição para uma agricultura de baixa emissão de carbono, que envolve custos, adoção de novas técnicas, aquisição de maquinário e exposição a riscos. Nesse contexto, mecanismos de incentivo tornam-se centrais, como o acesso a crédito e a valorização de produtores que adotam essas práticas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um exemplo de incentivo adotado no Brasil é o crédito diferenciado, incorporado no início do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), programa do governo federal que associou práticas sustentáveis a condições de financiamento mais favoráveis. Outro instrumento são os selos de baixo carbono, que vêm sendo desenvolvidos para produtos como soja, milho, sorgo, algodão e trigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar dessas iniciativas, a pesquisadora da FGV aponta um desalinhamento entre o tempo da transição e o prazo das políticas. “No Plano ABC, muitas vezes estamos falando de um crédito de curto prazo. Mas a transição não acontece do dia para a noite. O produtor precisa testar, começar [as novas práticas] com uma parte da propriedade, avançar gradualmente. Nem sempre isso conversa com as linhas de crédito disponíveis, que exigem retorno rápido”, disse. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Nem todos os produtores estão no mesmo ponto. Alguns estão próximos de uma produção mais sustentável, outros ainda têm um caminho maior. Tratar todos da mesma forma cria distorções e dificulta a adoção”, acrescentou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Emanuel Galdino é bolsista Fapesp na modalidade Mídia Ciência&lt;/p&gt;</_cdata>
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