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  • há 4 meses
Marcando o último adeus ao símbolo cultural do Marajó, o velório do Mestre Damasceno foi realizado na tarde de terça-feira (26), no Museu do Estado do Pará, localizado na Praça D. Pedro II, na Cidade Velha. O corpo do artista marajoara, que morreu aos 71 anos, chegou ao local por volta das 16h. Admiradores e fãs estiveram no local para se despedir do ícone do carimbó paraense. Além disso, artistas e personalidades do Pará também prestaram sua última homenagem a ele.

REPORTAGEM: GABRIEL PIRES
IMAGENS: CRISTINO MARTINS

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Transcrição
00:00Eu conheci Damasceno no colo do meu pai, que me colocava no ombro e me levava pelos quintais de Salvaterra
00:07para ver a toada, o teatro popular que o Mestre Damasceno fazia.
00:12E aí a gente vai crescendo, vai escolhendo o nosso caminho, vai trilhando o nosso caminho.
00:16E o meu caminho foi pelas artes.
00:19E aí eu reencontro o Mestre Damasceno por volta de 2005.
00:23E a gente começa a fazer um trabalho,
00:25onde a gente consegue um primeiro prêmio, um primeiro reconhecimento
00:30pela Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura na época.
00:37E aí foi o primeiro passo para ele reconhecer e ver o trabalho que ele fazia, como eu falava para ele.
00:47Mestre, o seu saber é a sua ferramenta, é o seu trabalho.
00:51A cultura é um trabalho que merece ser reconhecido e valorizado.
00:56E assim o foi.
00:58Ele é uma das poucas pessoas que conseguiu, em vida, estar presente de todas as honrarias, prêmios.
01:06Ele conseguiu participar de tudo.
01:11E isso é um feito histórico,
01:13porque, infelizmente, o reconhecimento dos nossos mestres e mestras da cultura popular
01:19geralmente é tardio.
01:22E ele pôde ter esse reconhecimento em vida e pôde também gozar disso em vida.
01:27Apesar dele não ver, ele não via com a vista, mas ele via com o coração.
01:33Ele sabia tudo.
01:35Não sei como era, ele não estava vendo, mas ele estava sabendo o sexto sentido dele.
01:39Ele estava quietinho, amanhã ele vai para casa dele, vão deixar ele no lugar.
01:46E lá na eternidade, que ele fica olhando pela gente, pela cultura do Pará, pelos artistas do Pará,
01:53pelo folclore paraense, que não pare por aí, lá no Marajó, né?
01:58Tantos e tantas de nós têm, nessa memória do mestre Damasceno, a memória de um amigo,
02:03que é um... é, porque é no presente, porque será sempre o guardião das tradições da cultura popular,
02:10um homem que fez com muito amor tudo o que fez, pela música, pela poesia cantada,
02:19pela manutenção de tradições dessa cultura popular, que é ali no terreiro, no chão, na rua,
02:23dessa educação para as crianças.
02:26O mestre Damasceno sempre reafirmou que nós precisávamos trazer as crianças e os jovens
02:31para esse lugar do amor, para a cultura popular.
02:34O mestre Damasceno vai deixar esse imenso vazio, mas ao mesmo tempo preenchido pela musicalidade,
02:41preenchido pelas cores, por esse imenso abraço que ele sempre deu em todas e todos nós,
02:47e por esse sorriso que era puro sol, iluminando os caminhos da nossa cultura popular.
02:51E aí
02:55E aí
02:57E aí
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