Para reduzir enchentes e impedir que resíduos cheguem aos rios de Belém, a prefeitura instalou a primeira ecobarreira da cidade no canal da Tamandaré. O equipamento retém o lixo que boia no canal, que é recolhido duas vezes ao dia e encaminhado para uma cooperativa, onde é transformado em tijolos ecológicos, uma iniciativa que alia inovação, inclusão social e sustentabilidade.
REPORTAGEM: ANDRÉIA SANTANA IMAGENS: CRISTINO MARTINS E MARCOS SOUZA EDIÇÃO: KARLA PINHEIRO (SUPERVISÃO TARSO SARRAF)
00:30As ecobarreiras são um sistema montado para conter os resíduos que são jogados dentro do canais.
00:38Vale ressaltar que esses resíduos são jogados de forma irregular e as ecobarreiras são uma ação posterior a essa ação irregular de descarte dos resíduos.
00:47A gente tem uma ação diária da retirada desses resíduos da ecobarreira.
00:52Nós temos uma equipe que fica integralmente dentro do canal do Tamandaré, onde fazem a retirada pela parte da manhã e pela parte da tarde desses resíduos através de ecobags que são destinadas para uma caçamba e vão para cooperativas e se transformam, o que antes era listo, se transforma em blocos de concreto hoje.
01:12Diariamente são retiradas de 3 a 4 toneladas dia e desde o início da instalação da ecobarreira em julho já foram retiradas mais de 140 toneladas de resíduos de dentro do canal.
01:24É uma determinação do nosso prefeito Guilherme Normando e do nosso secretário Cleitor Chaves que nós tenhamos a ação de contratar, de prospectar novas ecobarreiras para vários outros canais da cidade.
01:36Isso impede que esses resíduos vão para dentro dos nossos rios, para dentro da nossa Bahia e façam com que a poluição se torne uma coisa irreversível.
01:47As ecobarreiras fazem a detenção desse entulho nos canais e impede.
01:52Tem um estudo que diz que todo esse resíduo, quando ele vai para dentro dos rios, eles ficam presos dentro de um quilômetro quadrado.
02:00Então eles ficam presos em palafitas, em mangues, isso faz com que a poluição só aumente.
02:06A gente está fazendo um estudo para a implementação de mais 15 ecobarreiras e a priori o primeiro canal que vai ser contemplado agora é o do Tucunduba.
02:15A secretaria foi feita, foi criada na gestão do Igor para dialogar e fomentar o trabalho das cooperativas que a gente tem em Belém.
02:21Hoje são 16 cooperativas, a gente tem cerca de 300 catadores que atuam em Belém, que tem em diversas áreas.
02:27O trabalho que a gente faz em parceria com a Superintendência de Micro e Macro Lineage de Canais é o beneficiamento desse resíduo que é tirado dos canais.
02:35Geralmente esses resíduos eles vêm infectados, são resíduos que não são bons para consumo.
02:40E aí em conversa com o prefeito, ele falou, vamos atrás de iniciativas que trabalhem o beneficiamento desse resíduo que os catadores de região podem comercializar.
02:47E aí depois da retirada, ele chega até a cooperativa com o CAVIS, que já faz esse trabalho de beneficiamento e é transformado num seixo plástico.
02:53É previsto para a gente trabalhar 7 toneladas, o tamanho da máquina que a gente tem na CONCAVIS é pequena, 7 toneladas mês.
03:01E aí a ideia da prefeitura é, a partir desse resíduo, desse tijolo que é feito, ou estampa de bueira ou lixeira,
03:06a gente começa a trabalhar mobiliário urbano em praças, em beiras de canais, enfim.
03:11Onde tem áreas que a população pode conviver, que ela pode, enfim, andar com a sua família.
03:15A ideia do prefeito é trabalhar essa parte de revitalização urbana, a partir desse material que é retirado de canais, debaixo de palafitas.
03:24A gente fez uma ação num domingo, lá na Vila da Barca, onde a gente tirou uma tonelada desse resíduo que também pode ser utilizado para beneficiamento.
03:32A CONCAVIS não é a única cooperativa que trabalha, a gente também tem a ARAO, com a marcenaria do plástico.
03:37A gente também quer implantar aqui na CONCAVIS, que hoje é a cooperativa.
03:40Quando a gente fala aqui na área central de Belém, a cooperativa que tem a maior estrutura,
03:44então a ARAO tem a marcenaria do plástico, a COCAÚT, lá em Oteiro também, vai começar a fazer um trabalho com o projeto Zírio do Sebrae também,
03:52que é para o maquinário do beneficiamento do plástico, que é para fazer mobiliário de praça.
03:57E aí são projetos que todos que casam com o projeto Praça Viva, que é um projeto que o prefeito também anunciou recentemente,
04:03que é uma empresa ou uma instituição adota uma praça e faz uma revitalização desse espaço.
04:08Então a partir desse beneficiamento desse resíduo, é fazer esse mobiliário urbano para a população poder frequentar.
04:16E aí a gente chama de economia circular, não só fazer mobiliário urbano, mas também porque a cooperativa possa fazer venda e outras iniciativas.
04:24Geralmente o material mais utilizado é o plástico e o vidro.
04:27A gente tem hoje uma cooperativa, quer dizer, duas, né?
04:30A CONCAVIS também vai trabalhar o beneficiamento do vidro.
04:32A comercialização do vidro é bem complicada aqui em Belém, no nosso estado também do Pará.
04:37Então geralmente é utilizado o plástico e o vidro.
04:40Para a marcenania do plástico é utilizada a tampinha de garrafa e outros plásticos coloridos que a gente também utiliza como produto doméstico, em casa, enfim.
04:48Com a criação da nossa secretaria executiva, a prefeitura inovou, fazendo uma secretaria que dialoga direto.
04:54Então a gente pensa em ações que façam aumento de renda desses catadores que hoje tem em Belém.
04:58Então a gente sabe que o trabalho deles acaba sendo limitado, a gente tem muito problema com os grandes geradores da cidade.
05:04Eles não entendem que é responsabilidade deles destinar esse resíduo até uma cooperativa.
05:09Então hoje o trabalho que eles fazem, além do porta-a-porta, é na busca desses grandes geradores.
05:13As cooperativas elas acabam tendo a sua autonomia, mas também precisam muito do apoio do poder público.
05:18Então a gente trazendo essas outras iniciativas é para aumento de renda dos catadores que a gente tem hoje em Belém.
05:23Na verdade a nossa ideia é, a gente tem dialogado com a SEAB, que é a Secretaria de Habitação,
05:27para a gente fazer alguns protótipos de Minha Casa Minha Vida, de habitações, com esse tijolo.
05:31Tem sido discutido muito a habitação das áreas de beirinhas, uma madeira que é uma madeira sustentável.
05:37E a ideia também é a gente agregar esse tijolo para essas construções.
05:40Mas a ideia principal é esses parceiros que hoje estão adotando uma praça,
05:44usarem obrigatoriamente esse tijolo que é feito a partir dessas cooperativas.
05:47O projeto ele iniciou lá no PCT Guamá, eles fazem uma parceria, são dois meses,
05:53dois empresários, eles fazem uma parceria com a UFPA, então eles estão hoje no PCT Guamá.
05:57Tem um protótipo já de uma casa que está lá dentro, é uma casa com termo acústico,
06:01teleterma acústica, que também tem um espaço todo que a ventilação fica melhor.
06:06Então já tem estudos voltados para isso também de não contaminação,
06:09e aí a gente pode também deixar disponível para vocês depois.
06:12É uma equipe conjunta, o pessoal que vem, que trabalha de maquinário,
06:16nós trabalhamos aqui, então o material que vem, nós preparamos ele para lavar tudinho
06:21e colocar para triturar. Depois de tritura, eles preparam o cimento,
06:27que vai misturar juntamente com o plástico, ou um pouco de vidro,
06:30já para ir eliminando esse vidro para não estar jogado no meio ambiente.
06:33Toda a parceira com a Prefeitura é sempre melhor para a cooperativa,
06:37e é claro que vai ser sempre melhor para o cidadão.
06:39Esse trabalho não impacta só na vida dos catadores, impacta na vida de cada cidadão.
06:43A importância dele é do morador ver, o cidadão ver,
06:47que isso é um ganho real para ele e para o meio ambiente.
06:50Esse material é para estar dentro, como vocês viram lá, do rio, impactando,
06:55quando a gente quase não tem chuva em Belém, um dia assim, outro também.
06:59Então isso causa alagamentos, causa degradação do meio ambiente,
07:04contamina o lençol freático.
07:06Esse material saindo desse contexto, ele vem para cá e é preparado,
07:09e faz uma coisa interessante, que é um bloco de tijolo.
07:12Esse bloco de tijolo serve para fazer inúmeras coisas, inclusive em casas.
07:15Tantas pessoas que estão aí morando debaixo de ponte, morando ao redor da cidade.
07:20Então isso é uma coisa importantíssima.
07:22Isso é importante para o cidadão entender a importância dele fazer coleta seletiva na casa dele.
07:29Não é deixar de misturar, é não misturar, não deixar misturar.
07:33Então se ele fizer isso, o ganho é imenso, porque você não está constanando o meio ambiente,
07:38você está gerando emprego e renda dentro da cooperativa,
07:40e está gerando oportunidade para cidadãos que não têm um lar, não têm uma casa, não têm onde morar.
07:45Então isso é que é uma sustentabilidade de verdade conjunto.
07:49O prefeito, a cooperativa e o cidadão contribuindo dessa forma.
07:52Com certeza o prefeito deve levar essa inovação, que é uma inovação e sustentabilidade,
07:58para todos os municípios do estado do Pará, ou da Amazônia.
08:01Nós agora em outubro vamos ter um encontro da Amazônia Legal,
08:05de todas as cooperativas da Amazônia Legal em Belém.
08:08Então isso é um grande momento de apresentar isso para a Amazônia Legal,
08:11porque nós temos que preservar a floresta em pé,
08:15não quer dizer que não só o portável, mas sim preservar,
08:17não deixando de que esse material vá chegar na floresta e degneir o meio ambiente,
08:22contaminar o solo.
08:24Então isso é prejudicado para todo mundo, e todo mundo tem que contribuir com isso.
08:27Vocês viram como é difícil pegar esse material no rio,
08:30botar uma rede, um trabalho tremendo, que ali só está degneindo.
08:34Então se ele fizer coleta seletiva na casa dele,
08:36ele está contribuindo com o meio ambiente, com a geração de emprego e renda,
08:40e principalmente com a sustentabilidade da cidade que ele mora.
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