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O professor de economia do Ibmec Brasília João Gabriel de Araújo analisa a alta da inflação registrada em setembro e o possível impacto na trajetória da taxa de juros. Segundo o especialista, o principal fator que empurrou o índice para cima foi a questão energética.

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Transcrição
00:00Alta da inflação em setembro, pressionada pelos custos com a energia elétrica,
00:04podem levar o Banco Central a manter a taxa de juros no patamar de 15%.
00:09Para a gente falar sobre o cenário da economia brasileira, o que esperar neste último trimestre do ano,
00:15o Jornal da Manhã recebe agora o professor de Economia do IBMEC de Brasília, João Gabriel de Araújo.
00:20Professor, muito bem-vindo, bom dia.
00:25Bom dia, o prazer é meu, muito obrigado.
00:27O prazer é todo nosso, professor.
00:29Bom, taxa de juros elevada na casa dos 15%,
00:33até quando o Brasil vai continuar sentindo os impactos dessa taxa de juros tão alta?
00:40Bom, a questão da taxa de juros, dessa elevação da taxa de juros,
00:45ela vem para o controle dessas medidas inflacionárias e também do ajuste de emprego no país.
00:53A questão aqui é que já há algum tempo,
00:57e se você olhar alguns relatórios que foram publicados no ano passado,
01:01o Brasil pode se encontrar dentro do que a gente chama de armadilha da renda média.
01:08Então, a taxa de juros pode se concentrar alta ainda por um bom tempo,
01:14ou pelo menos se estabilizar alta e não tender a cair.
01:18Mas, claro, né, que vários contextos aí estão sendo postos à mesa.
01:25A gente falou aqui há pouco no Jornal da Manhã sobre os Estados Unidos impando sanções tarifas de 100% à China.
01:32Isso pode gerar reflexos também aqui no Brasil?
01:34A comercialização do Brasil com o país chinês, com a Ásia, é muito alta.
01:45Então, isso pode gerar reflexo com relação ao Brasil,
01:51mas, por outro lado, isso pode gerar algum tipo de favorecimento,
01:54a depender do que virá a ser comercializado entre o Brasil e a China, né?
02:02Porque uma tarifa de 100% vai inviabilizar algum tipo de comércio entre os dois países,
02:07e isso pode ser direcionado não só para o Brasil,
02:10mas para outros países com relação à comercialização com a China, né?
02:15Então, há algum efeito, muito provavelmente, nós vamos ter,
02:18porque são as nossas economias mais impulsionadoras do mundo
02:23e também as economias com que o Brasil tem a maior relação comercial internacional.
02:28Professor, os nossos comentaristas também participam da entrevista.
02:31Cássio Miranda e também Gesualdo Almeida com a gente nessa edição do Jornal da Manhã.
02:36Quero dar bem-vindos. Bom dia para vocês dois.
02:38Primeiro, a Cássio.
02:41Bom dia, Paula. Bom dia, David. Bom dia, professor.
02:44Professor, uma das expectativas que nós temos,
02:48obviamente, é relacionada à manutenção ou aumento da taxa de juros.
02:54Mas nós também temos acompanhado um aumento da inflação
02:58e a diminuição dos números do desemprego.
03:03Eu queria que, obviamente, de forma objetiva,
03:06o senhor falasse sobre esta relação.
03:09Por que a inflação aumenta e o desemprego diminui,
03:13o que, para a maioria das pessoas, acaba não tendo muita lógica?
03:18Bom, na questão da nossa inflação, nós tivemos um aumento impulsionado pela questão da energia,
03:26porque a gente está tendo um problema de crise hídrica e algumas outras questões
03:29que levam a consequências energéticas.
03:32Mas nós tivemos uma queda inflacionária com relação aos alimentos.
03:38Então, os alimentos que são vendidos no Brasil, eles acabaram ficando mais baratos no último mês.
03:44Com algumas...
03:46Alguns deles com bastante impacto, como o tomate, cebola, o alho, tiveram quedas bastante expressivas.
03:54Na verdade, os alimentos, nós tivemos uma deflação de 0,41%.
03:58Então, para o efeito da população, nós tivemos uma melhora,
04:04porque você tem a condição de que o alimento ficou mais barato.
04:08O que empurrou mesmo foi mais essa questão energética,
04:14que segue muito aos problemas ambientais que a gente está vivendo.
04:19Agora, com relação ao emprego, de fato, com ele estando caindo,
04:27a melhor manutenção que a gente tem que fazer com relação à taxa básica de juros da economia
04:32é manter ela pelo menos estável durante um certo período,
04:37porque não adianta você começar a reduzir a taxa de juros à força.
04:42O impacto pode ser extremamente negativo se você reduzir,
04:48uma vez que ele pode acelerar essa inflação e, nesse caso, ele pode causar desemprego.
04:54Então, a manutenção da taxa de juros, de fato,
04:58ela ocorre para evitar esse tipo de problema.
05:04O que a gente tem que lembrar é que existe um corpo técnico no Banco Central,
05:08altamente qualificado e esse corpo técnico que realiza os estudos para manutenção ou não.
05:16Então, a minha visão é essa.
05:21Não adianta reduzir a força.
05:23A inflação é bom que ela continue caindo nos alimentos.
05:28Infelizmente, nós vamos ter os efeitos com relação a outros bens e serviços,
05:32mas essa taxa de juros deve continuar controlada.
05:39Bom, vamos agora com a pergunta também do Gesualdo Almeida, que participa da nossa conversa.
05:44Bom dia, David, Paula, querido Acácio.
05:47Professor, realmente essa taxa de juros em 15% é necessária?
05:52Pergunto pelo seguinte, quando a gente faz uma análise das 20 maiores economias,
05:57todas elas têm uma inflação razoavelmente parecida com a sua própria taxa de juros.
06:01Por exemplo, o México tem uma inflação de algo em torno de 5%,
06:05mas a taxa de juros é de 7%.
06:07A Rússia também tem taxas de juros oscilantes,
06:10mas muito próximas da sua média inflacionária, o Canadá.
06:14E o Brasil é a terceira maior taxa de juros do mundo,
06:17só perdendo para a Turquia, que tem uma inflação de 30%,
06:19e perdendo para a Argentina.
06:21A taxa de juros nossa não é tão elevada,
06:23se compararmos que, geralmente,
06:25essa taxa de juros gira em torno dos próprios percentuais de inflação?
06:29Uma boa pergunta.
06:34A questão da taxa de juros oscilar na órbita da sua inflação,
06:41na órbita inflacionária,
06:42ela tem a justificativa, por exemplo, com relação à curva de Philips,
06:45que é o que faz esse tipo de manutenção,
06:47então é o que a gente se espera.
06:50A questão brasileira é um pouco mais delicada
06:54do que com relação ao Canadá ou ao México.
06:59Primeiro pelo fato de que,
07:01quando nós tratamos de países já desenvolvidos,
07:04existe um controle de longo prazo
07:06realizado muito mais efetivo.
07:10Então, nós temos ali medidas de que,
07:13nos últimos 10 anos,
07:14esses países não tiveram variações tão altas
07:16quanto o Brasil teve de variações.
07:21E mesmo no caso do México,
07:23o controle deles com relação à base da taxa de juros,
07:31é porque eles utilizam como sistema
07:33para poder realizar transações com os Estados Unidos,
07:37para reduzir o custo de transação,
07:40não tendo a sua moeda com um poder tão forte
07:45quanto a moeda brasileira é.
07:47Então, a moeda brasileira é considerada estável
07:52e ela tem, dentro dessa estabilidade,
07:56o quesito da política do plano real.
08:02E esse quesito nos leva a crer,
08:05nos leva a garantir que essa taxa de juros mantida
08:10num patamar mais elevado
08:12não causa tanta influência na nossa moeda,
08:15o que mantém a nossa moeda forte
08:16mediante a outros países mais pobres,
08:21outros países em desenvolvimento.
08:24Por isso que a gente não consegue muito bem
08:26ficar comparando países desenvolvidos
08:29com a realidade brasileira,
08:32porque a moeda deles é muito mais forte do que a nossa
08:34e já, por natureza, eles conseguem controlar
08:36essa inflação, a taxa de juros e o nível de desemprego
08:39de forma muito mais efetiva.
08:42Agora, se é necessária,
08:45bom, a taxa de juros brasileira
08:49ficou baixa durante um período de tempo,
08:52principalmente no início da pandemia,
08:58e ela teve de ser elevada para fazer
08:59medida de controle inflacionário,
09:01porque a nossa inflação explodiu.
09:03A nossa inflação ficou muito alta
09:05durante aquele período,
09:08chegando a patamares ali
09:09que eram realmente preocupantes,
09:12em especial no IGPM,
09:14que media a questão imobiliária.
09:18Então, a partir desse momento,
09:20começou-se a elevar a taxa de juros
09:22para poder controlar essa inflação
09:24a níveis mais baixos.
09:26E isso foi efetivo,
09:28tanto é que a nossa inflação
09:29tem estado em queda já há um bom tempo,
09:31e agora, como eu acabei de falar,
09:35a questão dos alimentos,
09:36nós tivemos uma queda significativa.
09:38E o efeito que se gera em cima dessa queda
09:41é justamente por a gente estar controlando
09:43e dando manutenção a essa taxa de juros
09:45a um período mais extenso.
09:47Então, se nós continuarmos a dar essa manutenção,
09:53é claro que, já tendo o arrefecimento da inflação,
09:58já tendo o controle da estabilidade de emprego,
10:01a tendência é que ela comece a baixar automaticamente.
10:06Só que ela deve abaixar em passos curtos,
10:09ela não deve abaixar em passos longos.
10:11Porque se ela baixar em passos longos,
10:13o que pode causar é o efeito rebote,
10:15o efeito reverso e a gente começar a ter inflação de novo
10:18e ter problema com desemprego.
10:20Então, com certeza,
10:22no próximo ano,
10:24nós vamos verificar uma queda dessa taxa de juros,
10:27mas ela vai ser a passos cada vez mais,
10:30ela vai ser a passos bem lentos.
10:33Vamos aguardar, então.
10:34Nós conversamos com o professor de Economia do IBMEC de Brasília,
10:37João Gabriel de Araújo.
10:38Professor, esperamos sempre boas notícias suas
10:41em relação à economia aqui no Brasil.
10:42Seja sempre muito bem-vindo, até a próxima.
10:46Eu que agradeço.
10:47Muito obrigado.
10:48Até.
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