A próxima semana deve ser agitada no Congresso devido às negociações em torno do Orçamento, na tentativa de encontrar uma solução para o rombo fiscal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) deve se reunir com lideranças partidárias e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) para encontrar uma saída. Para analisar o cenário, a Jovem Pan News entrevista o economista Jason Vieira.
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00:00As contas públicas, o governo aposta no aumento da arrecadação, na renegociação de dívidas e medidas pontuais para conter o rombo orçamentário.
00:09E por esse motivo a gente vai conversar com o economista Jason Vieira.
00:14Jason, bom dia pra você.
00:16Bom, a gente tem o orçamento aí de 2026, um tema polêmico.
00:20O governo tem sido sempre criticado pelo aumento de gastos públicos.
00:23Tá difícil fechar essa conta pro ano que vem?
00:25Continua difícil e deve continuar difícil pelos próximos anos, porque o governo, sempre que ele busca alguma solução, ele busca via arrecadação e nunca via redução dos gastos.
00:37Esse é um grande problema, o governo tem se demonstrado muito resistente a fazer qualquer coisa no sentido de se buscar uma equidade melhor do tamanho do Estado.
00:48Ou seja, tem aumentado o Estado cada vez mais, tem aumentado programas em que as pessoas dependem do Estado e com isso, obviamente, você cria uma série de problemas e entre eles o Banco Central já deixou isso muito claro.
01:02Tem uma enorme dificuldade em fazer um corte de juros, porque tem a parte fiscal, a parte fiscal é muito significativa e com isso, efetivamente, há uma dificuldade de se promover um ciclo consistente de corte de juros.
01:16Jason, bom dia, e a gente sabe que agora, praticamente é um ano das eleições, economizar é muito difícil mesmo imaginar que vai haver uma reversão de 360 graus por tanto.
01:30Então, nós temos aí benefícios como vale-luz, vale-gás, se falou agora nessa semana até ônibus de graça em todo o Brasil, também outras iniciativas aí, a questão de acabar com a escala 6 por 1, sem que o governo ofereça nada para o empresário.
01:47O empresário vai bancar a nova escala, portanto.
01:50Então, e a tentativa, claro, do populismo a cada momento sendo colocado, faltando um ano para a eleição, ou seja, não dá para imaginar que a gente vai ter um cenário aí azul no curto prazo mesmo, né?
02:04Não, a expectativa sempre é de piora, porque se nós observarmos, o governo recentemente só conseguiu fechar as contas, porque desde o começo deste mandato,
02:14eles já tiraram do que seria considerado a conta fiscal mais de 90 bilhões de reais.
02:19Aí fica fácil fazer, em tese, economia com isso, mas o gasto continua.
02:26Aí daqui a pouco vem os militares dizendo que também não, não os militares, foram membros do partido do governo dizendo que querem tirar os gastos militares do cálculo fiscal.
02:37Daí são mais 30 bilhões.
02:39Ou seja, numa história dessa, vai indo, vai indo, vai indo, você tira a maioria das coisas dos gastos, só que, na verdade, é a grande pegada.
02:50O gasto continua, ele continua a existir.
02:53Você tirá-lo da conta, você só está melhorando na sua imagem o que seria o seu superávit ou déficit em relação à questão fiscal.
03:01E no ano de eleição, o governo demonstrou, nós estamos aí já há um ano, literalmente, da eleição.
03:07Então, o governo demonstrando que não tem nenhuma intenção em reduzir esses programas,
03:15obviamente, a expectativa de que a questão fiscal só piore para o próximo ano.
03:20Jason, participam conosco também Cristiano Vilela e o Felipe Monteiro.
03:23Felipe, sua pergunta.
03:26Jason, bom dia, prazer estar com você aqui no Jornal da Manhã.
03:30Jason, minha pergunta vai no seguinte sentido, né?
03:32Há um pouco de, na minha opinião, de hipocrisia, em grande parte dos economistas em geral,
03:37e das pessoas que criticam o gasto público,
03:40em olhar para o gasto público ali, em geral, e não entender que 90% do gasto é vinculado.
03:47Ou seja, quando a gente fala que o governo, de certa forma, tem que reduzir o tamanho do Estado,
03:52tem que gastar menos,
03:53a gente esquece que grande parte do valor do orçamento, o governo não pode mexer, né?
03:59Quando eu falo grande parte, mais de 90%, né?
04:01Mais de 50%, o Brasil, em geral, gasta por folha de salário do servidor público,
04:06que está posto, 25% saúde, 15% educação,
04:11ou seja, sobra menos de 10% para o Estado diminuir, né?
04:17Segundo esses economistas e os críticos gerais do orçamento,
04:20para poder chegar no déficit fiscal.
04:23Então, você vê a alternativa de tentar chegar no equilíbrio fiscal,
04:29você mudar essa lógica de verbas vinculantes?
04:34A questão não é nem a questão de hipocrisia do mercado,
04:37a questão é um pouco mais severa e séria do que isso.
04:40Também não podemos nos levar a um pensamento mais raso.
04:44A questão é que os gastos públicos careçam de métrica.
04:49Nós temos entes federais, estatais, que o gasto com folha,
04:54o gasto com o tamanho do que se gasta com esses entes,
04:58é absurdamente elevado, com baixíssima métrica de mensuração de eficiência.
05:04É considerado muito pouco eficiente o Estado brasileiro em diversos aspectos,
05:09exatamente por esse tamanho, considerado o pacidérmico.
05:11Nós temos uma série de entes, como, por exemplo, só um exemplo,
05:16o próprio judiciário, que é o mais caro do mundo,
05:19e nós temos outros exemplos do que são mais caros do mundo
05:23e que não trazem a eficiência necessária que nós gostaríamos.
05:27Obviamente, todos gostaríamos que o Estado fosse inchado de professores,
05:31de médicos, de policiais, de forças de segurança,
05:35de tudo que pudesse trazer um retorno à sociedade,
05:38mas nós sabemos que uma parcela mais do que significativa
05:42é feita para sustentar uma máquina administrativa
05:46que tem um peso enorme para o brasileiro.
05:49Ou seja, o brasileiro paga, entre os mais caros do mundo,
05:53diversos entes estatais para sustentar isso
05:57e não há nenhuma métrica de melhora de eficiência.
06:00E toda vez que se fala de métricas, mensurações de eficiência disso tudo,
06:05existe uma crítica enorme e todo mundo não quer por motivos óbvios.
06:08Se você tem 10 pessoas para fazer o trabalho de uma pessoa,
06:12isso é baixíssima produtividade,
06:14e com essa baixíssima produtividade ninguém quer que mexa naquilo,
06:17porque afinal todo mundo está ali com o seu quinhão muito bem remunerado
06:21e não quer que seja mexido.
06:23Jason Vieira, agora a pergunta do Cristiano Vilela.
06:27Jason, bom dia, satisfação ter você aqui novamente na Jovem Pan.
06:31Jason, a gente pode perceber ao longo desses menos de três anos
06:36do atual governo do presidente Lula,
06:39que Fernando Haddad, enquanto ministro da Fazenda,
06:42num primeiro momento, ele até se posicionou como sendo uma pessoa
06:47que dialogava melhor com o mercado,
06:50acabava sendo ali talvez o algodão entre os cristais,
06:54no sentido de fazer com que um posicionamento ou outro
06:58mais arraigado por parte do presidente Lula,
07:03vamos assim dizer,
07:04um posicionamento mais...
07:06esses discursos bélicos do presidente
07:08acabassem sendo...
07:10não caindo de uma forma tão ácida
07:13em relação ao mercado de uma forma geral.
07:16Eu percebo que, especialmente ao longo desse ano,
07:19o ministro Haddad, ele deixou um pouco de ter essa postura.
07:22Talvez ele tenha deixado de fazer esse elo,
07:25esse papel que é próprio do ministro da Fazenda,
07:28que é o de dialogar com os atores do mercado.
07:32Qual que é a percepção que o mercado tem nesse sentido?
07:35O ministro Haddad, de fato, abandonou ou deixou de lado
07:38essa função que vinha conduzindo relativamente bem
07:42ao longo do início desse mandato?
07:43Bom, vamos colocar de maneira mais simples.
07:48Não tem plano econômico o Brasil.
07:51Ou seja, o que se imagina agora
07:53é que, simplesmente, o ministro Haddad,
07:54ele é o interlocutor do governo na busca de recursos
07:57para fazer os programas que o governo quer,
07:59que são todos programas de curto prazo.
08:01Nós não temos mais programas de longo prazo,
08:04macroeconômicos,
08:06que deem um objetivo para a economia brasileira,
08:09que tragam perspectivas para a economia brasileira.
08:11é só programas de curto prazo
08:14que muitas vezes têm impacto e expectativas eleitorais
08:18e que esses programas de curto prazo demandam
08:21maior arrecadação de impostos
08:22e não, efetivamente, redução de gastos,
08:25uma reforma administrativa
08:27ou algo que traga um movimento positivo ao governo.
08:31Bom, a gente conversou com a economista Jason Vieira.
08:37Obrigada pela sua participação
08:38e pelos seus esclarecimentos aqui ao Jornal da Manhã.
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