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O deputado federal Guilherme Boulos será o novo Ministro da Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Márcio Macêdo. Essa já é a décima terceira troca de ministros no atual mandato do presidente Lula. Lideranças do Congresso avaliam que a escolha afasta Lula do Centrão. As repórteres Victoria Abel e Beatriz Manfredini detalham o assunto. Acompanhe a análise de Priscila Silveira e Diego Tavares em Tempo Real.

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00:00Com o assunto de ontem à noite, o deputado federal Guilherme Boulos será então o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Márcio Macedo.
00:11Essa é mais uma mudança no alto escalão do governo comandado pelo presidente Lula.
00:18Lideranças do Congresso estão avaliando que a escolha afasta Lula de vez do centrão.
00:24Então, Vitória Bel é quem está acompanhando essa indicação, a nomeação de Guilherme Boulos e também essa repercussão imediata.
00:33Vitória, as suas informações.
00:37Boa tarde, Bruno, Márcia, para todos que nos acompanham.
00:41É um afastamento, pelo menos por enquanto, porque a gente sabe que o presidente Lula pode dar uma guinada na articulação com o centrão a qualquer momento.
00:50Mas, por enquanto, a sinalização dos líderes do Congresso Nacional, dos parlamentares de centro, a avaliação deles,
00:58é de que essa nomeação de Guilherme Boulos significa, sim, um distanciamento ainda maior entre o governo e o Congresso Nacional.
01:07Isso porque, vamos lembrar que Guilherme Boulos foi um dos responsáveis por organizarem as últimas manifestações
01:14contra a PEC da blindagem, contra o avanço do projeto que previa a anistia, presos e condenados por tentativa de golpe.
01:22Manifestações essas que geraram todo um ambiente popular na sociedade contra o Congresso Nacional.
01:29O que deixou os líderes de centro, principalmente, muito irritados com o governo,
01:34por entenderem que o Palácio do Planalto teria feito parte também da articulação dessas manifestações.
01:40Pois bem, a nomeação de Boulos foi interpretada por eles justamente como uma sinalização de que o governo
01:46pretende, sim, continuar levando o enfrentamento entre o governo e o Congresso para as ruas,
01:54levando as pautas para a sociedade avaliar, como forma de pressionar as lideranças de centro
02:01a tocarem as pautas de interesse do governo aqui no Congresso Nacional.
02:05Então, o que os líderes disseram aqui para a gente, por exemplo, é que o governo tem feito justamente
02:12uma espécie de morde-a-sopra, um jogo duplo. Por quê? Vamos lembrar que também o Planalto tem procurado
02:18o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, para tentar fazer uma articulação com deputados de centro
02:25que ainda possam fazer parte da base governista, que ainda possam demonstrar fidelidade à base governista.
02:31Então, o que acontece? O Planalto está investindo, ao mesmo tempo, num confronto com o Congresso Nacional
02:38por meio da incitação da sociedade nas ruas, representando isso por meio da nomeação também de Guilherme Boulos
02:46e, ao mesmo tempo, o Planalto também pede ajuda do presidente da Câmara para negociar.
02:52Então, é como se, de acordo com esses líderes, é como se o governo estivesse se programando
02:56para continuar batendo e depois negociar para conseguir uma margem de lucro maior nessa negociação.
03:03Então, o famoso morde-a-sopra foram que contaram os líderes que conversaram com a gente mais cedo.
03:09Claro que também a nomeação de Guilherme Boulos ajuda o governo Lula a se aproximar mais ainda
03:15de movimentos sociais, movimentos sociais esses que já são liderados por pessoas mais jovens,
03:21de outra época, que não é a época em que o presidente Lula foi sindicalista.
03:26Vamos lembrar que Boulos foi líder do MTST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, em São Paulo.
03:33Então, Boulos tem essa conexão com a esquerda paulistana, importante dizer, da cidade de São Paulo.
03:39No interior, a história já é diferente.
03:41Mas Boulos pode trazer também esse bônus eleitoral para Lula de conseguir articular melhor a militância,
03:47tanto petista quanto do PSOL e de movimentos sociais para as eleições de dois mil e vinte e seis.
03:52Então, além dessa interpretação de ajuda nas eleições de dois mil e vinte e seis,
03:57também tem essa interpretação do Congresso Nacional de que Boulos faz parte de uma estratégia do governo
04:03de um jogo duplo e de um morde-a-sopra para conseguir avançar com as pautas aqui no Congresso Nacional.
04:09Bruno e Márcia.
04:09Obrigada, Vitória Bel, pelas suas informações.
04:17E a gente vai seguir falando sobre a ida de Guilherme Boulos para a Secretaria-Geral da Presidência.
04:23Quem vai comentar os bastidores aqui do que ficou de repercussão na capital e no governo do Estado
04:31é a Beatriz Manfredini, que chega ao vivo agora em tempo real com a gente.
04:36Bia, as articulações aqui da base aliada ao governo em São Paulo viram com uma certa preocupação essa nomeação.
04:44Como é que vai ficar para dois mil e vinte e seis os nomes que vão concorrer também à Câmara?
04:51É uma preocupação do PSOL, viu, Márcia, aqui em São Paulo, porque Guilherme Boulos é, claro,
04:57um deputado que teve votação expressiva nas eleições de dois mil e vinte e dois.
05:01E a preocupação é justamente para quem vai esses votos, para onde vão migrar, né?
05:06Boa tarde para você, para o Bruno, para todo mundo que nos acompanha aqui em tempo real.
05:11Então, o que acontece, eu conversei com algumas pessoas ligadas ao PSOL aqui no Estado de São Paulo,
05:18é justamente, então, esse medo de que o partido perca eleitores e perca tamanho, né?
05:24Principalmente na Câmara dos Deputados.
05:26Porque esse acordo, então, que foi costurado para Guilherme Boulos chegar ao governo federal,
05:32ele diz que Boulos não deve disputar a reeleição ou qualquer outra eleição no ano que vem.
05:39A expectativa, pelo menos, é de que Boulos fique até o fim de dois mil e vinte e seis
05:43ao lado do presidente Lula, justamente para ajudá-lo ali na reeleição,
05:47como a gente ouvia a Vitória dizendo há pouco.
05:50Só que é o seguinte, na eleição de dois mil e vinte e dois, Boulos teve mais de um milhão de votos
05:55para deputado federal. Ele foi o segundo deputado mais votado do Brasil
05:59e o primeiro mais votado do Estado de São Paulo.
06:02Então, a dúvida é para quem vão migrar esses votos.
06:05O PSOL pode acabar perdendo, por exemplo, votos para o próprio PT,
06:09que, apesar de um partido aliado, não é o mesmo partido e faz com que o PSOL perca
06:14representatividade na Câmara dos Deputados.
06:17A aposta do PSOL, pelo que eu ouvi, é que esses votos, grande parte deles,
06:22pelo menos, migrem para a Erika Hilton, também deputada federal da Legenda,
06:27mas não todos, mesmo assim, então ainda há essa preocupação.
06:30E eles dizem que farão novas apostas em deputados federais ou candidatos
06:34que já estão na cena atual e também em novos que atuam hoje como deputados estaduais
06:40aqui em São Paulo. O exemplo de Marina Eloua.
06:43Ela é da rede, mas a rede é federada com o PSOL,
06:46então a representatividade ali continua de alguma maneira.
06:49Também há uma preocupação com o Senado.
06:52Inclusive, tem uma nota que saiu hoje da presidente nacional do PSOL
06:56dizendo que eles ainda veem Guilherme Boulos como um principal player do partido
07:01para disputar o Senado no ano que vem.
07:03Ele vem pontuando muito bem nas pesquisas, inclusive, nesse sentido,
07:07apareceu nas últimas, logo atrás de Eduardo Bolsonaro, do PL,
07:12que é uma pessoa que tem uma situação delicada e que provavelmente não vai disputar,
07:16pelo menos é isso que acreditam aí os pares, os aliados dele.
07:19Mas então Guilherme Boulos pontua bem também no Senado.
07:22Então, ele não concorrer a nenhuma eleição e permanecer até o fim ao lado do presidente Lula
07:27é uma preocupação nesse momento no PSOL.
07:30O nome de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, é muito falado pela centro-esquerda aqui em São Paulo
07:36e apesar dela ser da rede, que é federada com o PSOL,
07:39a expectativa é que ela mude de partido, mude para o partido de Geraldo Alckmin, o PSB.
07:44Então, o PSOL continuaria perdendo representatividade aí
07:47se Guilherme Boulos também não concorrer ao Senado.
07:50Então, esse é o embrólio atual que preocupa o PSOL neste momento aqui em São Paulo,
07:56dessa representatividade no tamanho do partido na Câmara ou no Senado.
08:02Lembrando que se Guilherme Boulos sair para disputar algum desses cargos,
08:06ele tem que deixar o cargo até abril no governo federal.
08:10Então, permaneceria apenas seis meses no governo do presidente Lula.
08:14Não foi isso que foi acertado, mas claro que a gente vai ter que acompanhar.
08:17Lembrando que apesar dessa força de Boulos, ele acumulou duas derrotas
08:22à Prefeitura de São Paulo em 2020 e 2024.
08:25Acabou perdendo o segundo turno para Bruno Covas e para Ricardo Nunes,
08:29mas ficou com cerca de 40% dos votos,
08:32o que é considerado pela esquerda aqui na capital paulista
08:34uma votação bastante expressiva.
08:36Márcia e Bruno.
08:37Obrigada, Beatriz Manfredini, pelas informações.
08:40Lembrando que a Bia tem uma coluna no nosso site,
08:43jovempan.com.br.
08:44Todas as atualizações do governo de São Paulo,
08:47os bastidores da política aqui do Estado,
08:49você confere na coluna da Beatriz Manfredini.
08:53Agora, vamos abrir os nossos comentaristas do dia,
08:56começando pela Priscila Silveira, mas está aqui com a gente também,
09:00o Diego Tavares.
09:01Os dois vão ajudar você, a nossa audiência e também
09:06todo mundo que está assistindo e ouvindo a Jovem Pan em todo o país
09:09a entender melhor essa política que não é fácil, né, Priscila?
09:13Professora, boa tarde, bem-vinda mais uma vez.
09:16Quando a gente vê essa mudança estratégica no governo, né?
09:21Décimo terceiro ministro do presidente Lula que foi mudado, né?
09:25Ele fez 13 trocas ao longo desse mandato.
09:29Isso significa realmente que houve um desgaste também com o anterior,
09:34com o Márcio Macedo, né?
09:37Várias situações ali que Lula chegou, inclusive, a criticar
09:40de forma aberta e pública o ex-ministro.
09:44E agora ele faz essa mudança estratégica antes do ano eleitoral.
09:49Como é que você enxerga tudo isso, Priscila?
09:51Boa tarde.
09:52Boa tarde, Márcia, Bruno, Diego, a toda a nossa qualificada audiência.
09:56Nós percebemos, sim, um desgaste político, mas faz parte do jogo, né, Márcia?
10:00A gente observa que, anteriormente, o Centrão vem se descolando também do governo.
10:07Isso já até falado num outro momento.
10:09O presidente Lula disse que não precisava do apoio do Centrão e que a extrema-direita
10:16não voltaria ao cenário político.
10:18Então, fora a questão do voto do IOF.
10:22Então, vários embates foram acontecendo, mas trocar ministros faz parte do jogo,
10:28principalmente no cenário que se aproxima com relação ao Senado, né, Márcia?
10:33A gente observa que, muito embora Guilherme Boulos tenha tido um milhão de votos,
10:38ele é um cenário importante na pauta da esquerda.
10:41E, internamente, o PSOL ainda tem uma esperança, ainda que mínima, né?
10:46Isso é um burburinho que se fala com relação ao PSOL e a possível candidatura do Guilherme Boulos.
10:55Muito embora a Bia Manfredini nos tenha trazido aqui informações relevantes
10:59com relação ao que ele ficou de acertar.
11:02Ou seja, que ele acertou com o presidente Lula, que é o quê?
11:05Não sair como senador, né?
11:08Então, até porque a gente tem uma janela e ele precisaria sair do governo
11:12até, no máximo, ali, abril, salvo melhor juiz, março até abril.
11:15Então, isso faz com que ele ficasse pouco no governo.
11:18Agora, é importante a gente também trazer aqui a baila o quê?
11:21Esse ministério que ele está, realmente, está atrelado à questão de movimentos sociais.
11:27Então, a gente não só observa que ele se descola um pouco do centrão,
11:30mas que ele aproxima e ratifica cada vez mais o interesse nessas pautas sociais,
11:35que é realmente o que a ala da esquerda e o próprio governo, o atual governo,
11:40é prega para poder ter ali os seus votos.
11:43Márcia.
11:44Ainda, Diego, quero ouvi-lo também sobre essa indicação do novo ministro agora,
11:50ex-deputado federal, então, já nesta terça-feira, Guilherme Boulos.
11:53A gente, olhando a última campanha eleitoral, o Lula fez vários acemos para a ala evangélica,
12:00enviou um documento, leitura de uma carta, inclusive, fez uma aliança com o centrão,
12:06uma frente ampla para conseguir aquela vitória sobre o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
12:13Recentemente, também, houve esse novo discurso de tentar reaproximar ou se aproximar dos evangélicos,
12:20mas, indicando o nome de Guilherme Boulos, fica claro esse gesto, esse aceno a uma esquerda,
12:26totalmente ligada a movimentos sociais, como nós vimos esse histórico.
12:32O que fazer, então, no ano que vem, numa eventual candidatura?
12:36Será, de fato, ligado à esquerda raiz ou haverá aceno para ambos os lados?
12:43Vamos lá, Bruno Pinheira, essa questão é muito complexa.
12:46Uma boa tarde a você, meus parabéns pelos seus 25 aninhos, que Deus te abençoe sempre.
12:51Boa tarde, Márcia, boa tarde, Priscilia, todos que nos acompanham nesta tarde em tempo real.
12:55Bruno, a questão é o seguinte, o movimento de Lula foi aquela história,
12:59vou arrumar o quintal de casa para depois trabalhar os problemas da rua.
13:05Lula não tinha expectativa de fazer qualquer acordo com o centrão
13:08enquanto ele não sedimentasse bem a sua base junto à esquerda brasileira.
13:14E, convenhamos, Guilherme Boulos, com os resultados que ele vem apresentando nas urnas
13:18nos últimos cinco, seis anos, dois segundos turnos para a Prefeitura de São Paulo,
13:23essa expressiva votação para deputado federal,
13:25o faz cada vez mais um projeto, inclusive, de sucessão do próprio presidente Lula.
13:30E, considerando os movimentos da centro-direita e da direita,
13:34Lula não pode se dar ao luxo do risco de ter um adversário dentro da própria esquerda
13:39nas urnas no ano que vem.
13:40Isso seria, inclusive, interessante, pessoal,
13:42considerando o tamanho que Boulos tem aqui no estado de São Paulo.
13:46Uma grande forma do pessoal ter mais deputados federais eleitos
13:50seria justamente o lançamento de uma candidatura majoritária.
13:53Então, o Lula concretou o PSOL no seu palanque em 2026.
13:58E agora, tendo novamente a hegemonia no campo da esquerda,
14:01ele pode começar a trabalhar as alianças ali com o centrão,
14:05com alguns partidos da centro-esquerda, inclusive até da centro-direita.
14:09Na minha avaliação, é muito difícil que ele consiga,
14:11diante, inclusive, das declarações de caciques do centrão, caciques da direita,
14:15que nós já repercutimos aqui nas últimas semanas.
14:18A tendência é que se forme, de fato, uma ala de centro-direita
14:21que vai disputar contra o presidente Lula.
14:24Mas o fato é que trazer Boulos para dentro do governo
14:27é uma forma do presidente amarrar o PSOL
14:30e não correr risco de ter um problema, como eu disse,
14:33dentro da própria casa.
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