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  • há 2 dias

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Transcrição
00:00Em um caso que corre em segredo de justiça, ele passou a extrapolar os autos e atingir os profissionais do sistema judiciário.
00:08Uma advogada, a promotora responsável e até uma juíza se tornaram alvo de ataques pessoais.
00:17E não é fora daqui não, é bem pertinho da gente aqui em Cascavel. Vamos às informações.
00:22Era para ser um processo comum, mas o caso tomou uma proporção que ninguém esperava.
00:28Além das partes envolvidas, os desdobramentos passaram a atingir profissionais do sistema de justiça.
00:36A advogada, promotora responsável pelo acompanhamento do caso e até uma juíza passaram a ser alvo de ataques.
00:44Um detalhe, todas mulheres.
00:48A Rafaela é advogada, foi contratada pela prima para atuar no processo de divórcio com a discussão de guarda.
00:55O processo, inclusive, corre em segredo de justiça.
01:00Após o início da ação, o ex-marido da cliente passou a promover uma série de ataques pessoais contra a profissional.
01:07O homem criou várias páginas na internet e passou a stalkear a advogada.
01:13As ameaças, elas são reiteradas na perspectiva de gênero, na calúnia, na denunciação caluniosa, na difamação, na perseguição, na exposição.
01:25E, entre outros que eu posso estar aqui citando o stalke, infelizmente está num limite, num liame gigantesco, subjetivo, que está fora do controle.
01:39A Ordem dos Advogados de Cascavel tem prestado todo o apoio à advogada.
01:45A partir do momento que essa situação chegou, tivemos conhecimento, a doutora Silvia já encaminhou diretamente para o nosso diretor de prerrogativas,
01:51que é o doutor Leandro Moratelli.
01:53E ele, a partir desse momento, passou a dar a devida assistência para a doutora Rafaela.
01:59Acompanhou a delegacia, se habilitou junto aos autos.
02:02Então, desde o momento que essa situação chegou para nós na UAB, a UAB passou a dar a devida assistência à doutora Rafaela.
02:09Uma coisa importante de a gente falar também é que, indiferente de cargo, ela está sendo assistida pela UAB,
02:16pelo fato de ela ser advogada, devidamente inscrita, estar sofrendo esses ataques no exercício da profissão.
02:25Os ataques não se limitaram somente a ela.
02:29A promotora, Simone Lúcia Lorenz, também passou a ser alvo.
02:33As agressões incluem tentativas de intimidação e desqualificações pessoais.
02:39Diante da gravidade da situação, a Associação Paranaense do Ministério Público divulgou uma nota de repúdio às condutas,
02:47classificando os ataques como violência de gênero.
02:50No documento, a entidade afirma que as agressões extrapolam qualquer crítica legítima
02:56e atentam contra a independência funcional do Ministério Público,
03:00além de representarem uma tentativa de intimidação e deslegitimação do trabalho institucional.
03:07A associação destaca ainda que atacar uma promotora de justiça no exercício de suas atribuições
03:13é também atacar instituições democráticas, que têm como missão a defesa da ordem jurídica,
03:20dos direitos fundamentais e da sociedade.
03:23A entidade informou que adotará todas as medidas institucionais e jurídicas cabíveis
03:29para garantir a segurança, a integridade e o pleno exercício das funções da promotora.
03:35Já em nota pessoal, a promotora de justiça Simone Lúcia Lorenz afirmou que há cerca de 40 dias
03:43vem sendo alvo de perseguição sistemática, ataques reiterados, violência psicológica e violência de gênero.
03:52Segundo a promotora, as condutas ultrapassam qualquer limite da crítica legítima
03:57ou da liberdade de expressão e configuram uma situação grave e continuada de violência contra a mulher.
04:05Ela disse que desde o dia 15 de dezembro tramita um procedimento judicial
04:10que pede a aplicação de medidas cautelares para impedir novas publicações e manifestações ofensivas,
04:17mas que até o momento não houve decisão judicial.
04:20A promotora alertou que a ausência de uma resposta jurisdicional tempestiva
04:25contribui para a continuidade das agressões e para o prolongamento do sofrimento da vítima.
04:31Na nota, Simone Lúcia Lorenz agradeceu o apoio e as manifestações de solidariedade de instituições,
04:38entidades de classe e cidadãos, destacando que o apoio também fortalece outras mulheres
04:43que enfrentam situações semelhantes.
04:46Por fim, reafirmou confiança no sistema de justiça,
04:50mas ressaltou a urgência de medidas efetivas para cessar a violência,
04:54proteger as vítimas e reforçar que nenhuma forma de intimidação ou violência de gênero
05:01pode ser tolerada em um Estado democrático de direito.
05:06O Conselho da Mulher de Cascavel também se manifesta contra a violência sofrida pela promotora.
05:12Enquanto o Conselho da Mulher de Cascavel, que refugiamos qualquer tipo de ato de violência contra as mulheres,
05:19nesse caso também não poderíamos nos calar.
05:21Estamos nos colocando à disposição da doutora Simone, nos posicionando a seu favor,
05:26porque entendemos que em nenhum momento ela deixou de agir com a sua competência para este processo.
05:33E em uma situação como essa, a gente identifica que esse cidadão só está tomando essa atitude por ela ser uma mulher,
05:39seja usando dessa condição de mulher para fazer o seu trabalho e ele usando disso para agredi-la, para atacá-la, inclusive ameaçando.
05:50A Associação dos Magistrados do Paraná divulgou uma nota de repúdio aos ataques pessoais
05:55direcionados à juíza Fernanda Batista Dornelis e manifestou solidariedade à magistrada.
06:02Segundo a entidade, as manifestações extrapolam os limites da crítica legítima,
06:06as decisões judiciais envolvem exposição indevida e distorção de fatos relacionados a um processo que tramita sob sigilo
06:15na comarca de Cascavel, envolvendo interesses de uma criança.
06:20A Amapar ressaltou que o inconformismo com decisões judiciais é legítimo em um Estado democrático de direito,
06:27mas deve ser manifestado por meio dos recursos legais,
06:30e não por ataques pessoais ou campanhas de constrangimento em redes sociais.
06:36Por fim, a entidade alertou que a exposição pública de fatos ligados à intimidade de uma criança
06:41agrava ainda mais a situação, por violar o dever legal de proteção integral do menor.
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