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tem aquelas histórias da austrália, que um dia levaram pra lá um inseto sem querer – acho que era um grilo – e o bicho virou uma praga. não tinha um predador que o comesse, então se multiplicou loucamente e acabou com as lavouras. pra combate-lo, levaram um sapo, e comeu os grilos. e entao se multiplicou, e virou uma praga tambem. aí levaram uma cobra que come o sapo. e assim ad infinitum.
um dia me responderam assim: mas também, o ecossistema da austrália é uma piada.
sendo uma ilha, todas as espécies vivem relativamente confinadas, o ecossistema é pequeno. por isso tem uns bichos tão peculiares como o canguru e o ornitorrinco.
depois fui descobrindo que, durante o brasil colônia trouxeram muitas coisas pra cá. entre elas, o gado – até onde eu sei não haviam bois nem vacas – e os cavalos, além de plantas, como o café. tudo isso pegou muito bem aqui, girou a economia colonial, e não virou praga. a meu ver, por que temos um espaço muito maior que a austrália e uma biodiversidade muito mais rica, tem um ecossistema mais complexo.
conclusão ecológica: um ecossistema mais forte aguenta essas “inserções”.
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o mesmo brasil colônia, por sua vez, sempre se baseou um monoculturas. teve o ciclo da cana, que rendeu e acabou. teve umas tentativas de ciclo do algodão. teve ciclo do café, que rendeu bem, e depois estagnou. e, acho que o mais emblemático pra conversa aqui é o ciclo da borracha, na amazonia.
descobriram a borracha, começaram a montar uma estrutura para extrair esse treco da floresta. criaram cidades inteiras só pra isso. manaus é uma delas e, no extremo, a fordlandia. aí levaram a seringueira pra outros lugares, e quebrou a produção borracheira amazonica.
me ensinaram uma vez que nunca se põe todos os ovos numa mesma cesta. a monocultura é tão fragil que pode ser facilmente desestruturada.
conclusão economica: a economia brasileira é uma piada.