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O programa EM Minas recebeu Maria Elvira de Sales Ferreira, ex-deputada estadual e federal, empresária e ex-secretária de Turismo de Minas, para uma conversa exclusiva com Ricardo Carlini.

A entrevista resgatou memórias políticas do período de Tancredo Neves e Juscelino Kubitschek, além de reflexões sobre os rumos do país.

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#MariaElvira #RicardoCarlini #EMMinas #TVAlterosa #PortalUai #EstadoDeMinas #Política

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Transcrição
00:00Olá, tudo bem? Estamos aqui na TV Alterosa com mais uma edição do Em Minas, este programa que
00:22você acompanha conosco aqui na tela da TV e daqui a pouco, ao final da nossa exibição,
00:28daremos sequência ao bate-papo com a nossa convidada no canal do Portal Uai lá no YouTube.
00:34Então, terminou a TV, você corre para lá, damos sequência à nossa entrevista.
00:37Lembrando que amanhã a íntegra desta entrevista é publicada nas páginas do Jornal Estado de Minas.
00:45Recebemos hoje, com muita honra, uma das mulheres mais influentes da história de Minas Gerais.
00:51Empresária, jornalista, relações públicas e política, deputada de vários mandatos, Maria Ouvira de Salles Ferreira.
01:01Tudo bem, Maria?
01:02Tudo ótimo, um prazer estar aqui com você, Carlinhos.
01:05Grande prazer.
01:07Que prazer. A mulher que retrata a história de uma época em que vivíamos o entendimento na troca de ideias na política, né?
01:15Não só mineira, como nacional.
01:17Verdade. Época do doutor Tancredo, né? Tancredo de Almeida Neves.
01:22Época em que a gente respirava as lembranças de Juscelino Kubitschek.
01:28Eu conheci Juscelino pessoalmente porque era amigo do meu pai, Nilton de Paia Ferreira.
01:33Então, realmente, Minas e o Brasil eram outros, bem diferentes.
01:39Maria Ouvira foi pioneira, deputada estadual, deputada federal, secretária de Estado, uma das mulheres mais buscadas nas conversas políticas por décadas, apesar de ser novinha.
01:51A Maria Ouvira deixou a política?
01:53Olha, eu deixei os mandatos, mas quem ama política, como eu, nunca deixa política.
01:59Eu continuo lendo muito, eu continuo conversando muito, porque eu acho que o diálogo, o diálogo político, ele é maravilhoso.
02:07Porque é através da política que a gente transforma a sociedade, que a gente constrói um mundo melhor.
02:14E nunca vou dizer, nunca vou aceitar que alguém diga que a política não é importante, que a política não é visceral.
02:22Ela, e nós, o ser humano, ele é político por natureza.
02:28Quem não entende isso, quem não percebe isso, é meio burro, né?
02:32Agora, mas não é essa política que a gente vê hoje, de um xingando o outro, né?
02:37Não, isso tem um tanto de politicagem, né?
02:40É a política mesquinha, é a política baixa, é a política ralé, é a política de olhar para o próprio umbigo só.
02:48A política, a polis, né? A política, num sentido laticenso, é você cuidar do bem comum.
02:56É você se preocupar com o progresso e o desenvolvimento de uma comunidade.
03:01Fazer com que as pessoas sejam mais felizes, que as pessoas tenham o que elas precisam para viverem bem.
03:09Crianças, adultos, idosos, portadores de deficiência, enfim, que as coisas sejam melhores distribuídas,
03:17para que todos tenham, enfim, uma sociedade justa, uma sociedade mais igualitária.
03:25E isso não é tão difícil assim, porque nós temos muitos países no mundo que vivem bem, né?
03:30É possível ainda a gente voltar àquele tempo?
03:33Eu me lembro bem você, no Congresso, você liderava a frente das mulheres, das deputadas,
03:40você reunia mulheres de todos os matizes, de toda, da esquerda, do centro, da direita, de lá, de cá,
03:47de tudo quanto é lá, de todas que respeitavam e vocês conversavam.
03:51Conversávamos muito.
03:52Não dá mais para voltar a esse tempo? Não existe mais essa política?
03:56Eu sei, eu não sei. Eu sei que, por exemplo, a gente construiu uma amizade dentro do Congresso Nacional
04:00pelo Jandira Feghali, uma mulher comunista.
04:04Agora mesmo estou lendo um livro dela, que chama-se Cultura é Poder.
04:12A cultura realmente é uma coisa fascinante, que as pessoas não entendem muito.
04:16Jandira, a gente tinha um diálogo maravilhoso.
04:19Marta Suplicy.
04:20Saudável.
04:20Saudável.
04:21Marta Suplicy, que muitas vezes não era bem entendida, achavam que ela era uma elite,
04:27que ela era uma sociedade, uma mulher, uma sexóloga, que começou na TV Globo,
04:32com aqueles programas que ninguém, nunca ninguém tinha falado daquela forma que ela falava.
04:38Então, didaticamente, sobre sexo, sobre orgasmo.
04:43Mas, Marta, eu aprendi muito com ela.
04:45E a gente avançou muito quando ela fez o projeto de lei dela sobre união civil entre pessoas do mesmo sexo.
04:52Nós avançamos muito.
04:54Há quanto tempo?
04:54Há quantos anos?
04:55Há quase 30 anos atrás.
04:57E era debatido com tranquilidade.
04:59Com muita tranquilidade.
05:00A gente conseguiu, juntas, somando esforços, colocar os 30% da cota de candidatas dentro dos partidos políticos.
05:10Por quê?
05:11Porque nós nos unimos, todos os partidos, todas as mulheres de diferentes frentes.
05:16Então, realmente, é o diálogo, Carline.
05:20É o conversar com paciência, ouvindo outro, que faz com que a gente avance.
05:25Não tem outra forma.
05:27E conversar você gosta, né?
05:28Muito.
05:29Porque a Maria Elvira é empresária.
05:31Ela criou o grupo das caminhantes da Estrada Real.
05:35É uma intelectual, uma estudiosa, que já viajou o mundo inteiro.
05:39Hoje você se dedica mais às viagens, a escrever, a estudar.
05:44Como é que está a sua vida?
05:44Pouco de cada coisa.
05:45Quantos países você visitou?
05:46Eu visitei 103 países.
05:48103 países.
05:49Mas isso foi um planejamento que eu fiz, né?
05:52Mas não parou ainda, né?
05:53Não, não parei, não.
05:54Agora, em outubro, eu estou indo aos Açores.
05:56Estou indo conhecer a Polônia, que eu ainda não conheço.
05:59Mas, enfim, eu continuo fazendo muita coisa.
06:02Agora, estou começando a minha autobiografia.
06:05Fui muito desafiada, fui muito estimulada por amigas e amigos a fazer isso.
06:11Relutei, mas agora capturei.
06:13Vou fazer, né?
06:14Tem história, hein?
06:15Tem coisa para contar, sim.
06:18Mas estou em várias frentes.
06:20Eu gosto muito de colaborar.
06:21Estou lá no Conselho da Santa Casa.
06:26Continuo como uma diretora emérita da Associação Comercial e Empresarial de Minas,
06:30onde eu estou desde 1983.
06:34Fui a primeira diretora mulher, onde também até hoje eu aprendo, ouço.
06:39Daqui a pouco vamos receber o Michel Temer,
06:42num seminário sobre a reforma do Estado.
06:45E, enfim, participo ainda das Amigas da Estrada Real,
06:49porque nós não temos mais fôlego para caminhar, né?
06:53O que foi muito legal quando você...
06:55Isso já tem uns 20 anos, né?
06:5620, 25 anos.
06:572003 nós começamos.
06:58Vocês lançaram as caminhantes da Estrada Real, né?
07:00Nós caminhamos de 2003 a 2020.
07:03Foram 17 anos.
07:04Fizemos a pé os 1.700 quilômetros da Estrada Real.
07:08Foi uma aventura fascinante.
07:10Agora, eu quero fazer uma correção.
07:11Quem fundou as caminhantes foi a Bete Pimenta, da Água e de Cheiro.
07:15A Bete, querida Bete Pimenta, irmã de Ricardo.
07:18Foi a Bete com a Bete e com a Dalva Tomás, estudando direito na PUC.
07:23Elas tiveram essa ideia.
07:24A Bete tinha voltado de Santiago de Compostela.
07:27Tinha feito o caminho.
07:28Então, tinha feito o caminho todo.
07:29E, então, elas tiveram essa ideia e convidaram um grupo de mulheres.
07:33Tinha uma desembargadora também, muito atuante, presente.
07:35A Diva Dorotissaf, maravilhosa, que, inclusive, escreveu dois belos livros sobre essas caminhadas.
07:43Então, nós começamos com 23 e acabamos com quase 80 em 2020.
07:49A Bete foi a primeira presidente e eu fui a segunda presidente.
07:52E hoje é um grupo de estudo?
07:54Um grupo de viagens.
07:56É um grupo de convívio.
07:58A gente joga buraco aos domingos, a gente viaja, faz programações culturais, de cinema,
08:04de grupos de leitura de livros.
08:07É muito interessante.
08:08Gente, na cultura, não dá para lembrar.
08:11Ela foi secretária de turismo do Estado, na época do governador Aécio Neves.
08:15Aécio Neves, isso mesmo.
08:16É uma colecionadora de arte.
08:18É uma colecionadora de papais noéis.
08:20Diz que é a maior do mundo, a maior colecionadora de papais noéis do mundo.
08:23Que ela exibia na casa dela e que agora, acho que o ano passado, você exibiu no Palácio da Liberdade.
08:29No Palácio da Liberdade.
08:30São quantos papais noéis você tem?
08:31Ah, é muita coisa.
08:32Eu não tenho isso ainda.
08:33Quantos você contou eram quantos?
08:34Quando nós contamos, eram quase uns dois mil.
08:37Dois mil papais que você traz do mundo inteiro.
08:40Sim, de viagens e presentes.
08:44Não é só Papai Noel, tem árvores, tem todo o ambiente que é montado.
08:49As luzes, as flores, os bicos de papagaio.
08:52Quando você monta, o ambiente fica muito bonito.
08:56E hoje você faz isso no Palácio.
08:58Nós fizemos o ano passado do Palácio da Liberdade.
09:00Parece que esse ano deve se repetir.
09:03Mas eu tive aí um período, infelizmente, em que eles ficaram guardados.
09:07Eles tiveram uma...
09:08Nós tivemos uma...
09:09Estragaram, né?
09:10Muitos ficaram estragados.
09:12E nós vamos recuperá-los, se Deus quiser.
09:15E vamos voltar a...
09:17Talvez criar um ambiente em que eles tenham um repouso definitivo.
09:21Em que eles fiquem...
09:22A gente não se estirar, guardar, desmontar.
09:23Porque a tradição era a sua casa, né?
09:25Que você montava na sua casa.
09:27Mas não tem jeito mais.
09:27Isso já passou.
09:29Isso já foi montado em vários lugares depois disso, né?
09:32No próprio...
09:33Para você ter uma ideia, nós já montamos no Carrefour.
09:38Já montamos na Casa do Conde.
09:41Já montamos na Newton de Paiva, uma certa época.
09:45No Servas.
09:46Servas, não.
09:47No Palácio da Liberdade, não.
09:49Aquela Secretaria de Estado, sabe?
09:52Os prédios todos ali.
09:53Prédios.
09:54E já rodou muito.
09:55Já teve em vários lugares.
09:58Em Vespasiano, em...
10:01Eu diria que a Casa do Conde foi o ano mais bonito, do meu gosto.
10:05Lá é lindo, né?
10:06A Casa do Conde é linda.
10:08E tirando Minas Gerais, que você é apaixonada dos 103 países que você foi,
10:12qual é aquele assim que você se encantou?
10:15E que gostaria de trazer um pedaço ou gostaria de voltar?
10:17Bom, primeiro eu adoro o Brasil.
10:19Eu conheço todos os estados do Brasil e eu diria que eu conheço os principais pontos turísticos do Brasil.
10:26E se me perguntarem, forem falar sobre o Brasil, eu começo pelo Jalapão, a Chapada Diamantina.
10:33Quer dizer, é tanta coisa maravilhosa.
10:35Então, vou te perguntar.
10:36Falando do Jalapão agora, nós temos um patrimônio mundial natural aqui em Minas, o Peruassu.
10:40E nós vamos agora, não, nós vamos agora, mês que vem.
10:44Esse nosso grupo vai conhecer o Vale do Peruassu, que agora é patrimônio mundial.
10:52Vamos levar a lanterninha, vamos com um grupo.
10:55Não sei se vamos conseguir descer tudo, né?
10:57Porque tem lugares que são um pouco até arriscados.
11:00Diz que é bem seguro.
11:01Diz que são trilhas seguras.
11:03Nós temos um grupo, a Totó e o Henrique, que organizam para nós essas viagens.
11:08E nós viajamos com eles, não é?
11:10Como vamos no mês que vem conhecer a Metista do Sul, lá em Santa Catarina.
11:14Que também é um lugar interessantíssimo.
11:16São cavernas onde estiraram as ametistas.
11:21Então, ficam as grotas, né?
11:23Mas que tem brilho, são muito bonitas.
11:26Então, a gente tem essas curiosidades de conhecer lugares no Brasil que são pouco conhecidos.
11:31E do mundo, qual mais te...
11:33Para a gente encerrar o programa da TV que está terminando.
11:35Do mundo, qual mais te encantou?
11:37Bom, para mim, o país mais bonito depois do Brasil é a Itália.
11:41Agora, entre os exóticos, eu coloco o Vietnã do Sul e coloco o Butão.
11:48E acho como curiosidade também a Mongólia.
11:50Muito interessante.
11:51Então, nós vamos falar isso agora com exclusividade para o pessoal que vai seguir com a gente lá no canal do YouTube do Portal Uai.
11:59Muito obrigado pela sua presença aqui na TV, Mariel Vila.
12:02Obrigada.
12:02Para mim foi uma alegria, né?
12:04Conhecer a TV Alterosa, estar aqui na TV Alterosa.
12:06Lembrando que o meu falecido pai, Newton de Paia Ferreira, foi o fundador, na época em que ele era diretor dos diários e emissores associados em Minas, da TV Itacolomi.
12:16Canal 4, que foi o primeiro canal de televisão de Minas Gerais.
12:21E eu assisti, quando acenderam as luzes da TV Itacolomi, eu tinha cinco anos de idade, em 1955.
12:29Foi uma coisa muito emocionante.
12:30Muito obrigado.
12:31Estava lá a Maria Ouvira assistindo e estava aqui trabalhando o Miltinho.
12:35Gente, muito obrigado pelo carinho de todos vocês.
12:38Nós encerramos nosso bate-papo aqui na TV.
12:41Amanhã nas páginas do Estado de Minas e continue com a gente no canal do Portal Uai.
12:45Tchau.
12:45Estamos de volta com o Em Minas, agora apenas aqui no Portal Uai, no canal do YouTube, com a Maria Ouvira de Salles Ferreira.
13:01Eterna política, líder política, empresário, jornalista, relações, tudo, né, Maria Ouvira?
13:06É.
13:06Na TV, a gente estava falando há pouco das viagens marcantes, fora o Brasil, que você é apaixonada.
13:12Qual o país que mais te encanta?
13:14Você falou a Itália.
13:15Por quê?
13:16Qual o lugar da Itália?
13:17Por que a Itália?
13:18A Itália é um conjunto, né?
13:21Junto às belezas naturais, que são fascinantes, né?
13:25Com os lagos, as grutas, realmente a costa, o recorte das costas da Itália são maravilhosos,
13:38passando pela história e com a história os monumentos, as cidades, as montanhas.
13:46Eu diria que não vejo nada que se compare à Itália, não, em termos de conjunto.
13:51É de uma riqueza cultural do povo, da tradição.
13:54Porque a civilização romana, ela foi extremamente desenvolvida.
13:59Então, eles avançaram, inclusive, pelo mundo, né?
14:02O mundo.
14:03Chegaram ao Egito, chegaram à África.
14:07Com marcas dos romanos até hoje.
14:08A marca dos romanos está em toda parte.
14:10Eles desenvolveram uma capacidade de fazer infraestrutura, né?
14:15Inclusive, estradas pavimentavam coisas que nós, até hoje, nos surpreendemos com a capacidade deles de coção.
14:23Então, eles fizeram coisas maravilhosas, né?
14:28Então, Roma, Roma antiga, mas não só Roma.
14:32Para todo lado, você encontra a coisa dos romanos que te impressiona.
14:37Eu acho que a Grécia também, é claro, a gente tem o maior respeito pela cultura grega,
14:43mas, na minha opinião, os romanos o suplantaram.
14:45É, porque eu acho que foi uma cultura muito presente.
14:48E hoje, na Itália, eu penso que ainda...
14:51Claro que aqui no Brasil, nós temos, cada um tem a sua identidade.
14:54Ah, o sulista, o nordestino, o nortista.
14:57Mas eu penso que, na Itália, ainda sobrevive aquela questão das regiões emancipadas, né?
15:06Que você tinha o senhor, o siciliano, aquele do Tirol, o outro de Veneza,
15:12que foram, depois, convidados a se unir e formar a República Italiana,
15:16mas eles preservam muito sua cultura original.
15:20Muito, muito.
15:20Às vezes, com acento, com dialeto, que você não entende, não compreende.
15:24E aí, vem as outras coisas, né?
15:26A música é muito bonita, a comida é maravilhosa, as festas deles, procissões, a paz religiosa.
15:37E outra coisa também, a estética e a moda, por exemplo.
15:41Não há moda.
15:42Milão, dita para o mundo.
15:44Até a própria França, que tem uma moda maravilhosa.
15:47Por exemplo, você vê um desfile, como eu vi há poucos dias, num vídeo,
15:51um desfile de Dolce Cabana, dentro de um dos palácios da Roma Antiga.
15:58É uma coisa estratosférica.
16:01Como que alguém pode criar aquela beleza?
16:04É de arrepiar.
16:06Então, realmente, é difícil competir com a criatividade dos italianos
16:11e com o que eles conseguem construir em termos de beleza.
16:14A mulher que viajou o mundo inteiro falou no final da TV
16:17que é depois da Itália, que você apaixonou pelo Vietnã do Sul.
16:23O Vietnã do Sul, eu gostei muito de um lugar que eu vi.
16:27O que chamou a atenção?
16:28Ha Long Bay.
16:30Para mim, em termos de beleza.
16:31Ha Long Bay, aquele filme da Caterine Deneuve, Indochina,
16:36você vê muito lindo.
16:38É uma...
16:38Como paisagem, para mim, foi a coisa mais bonita.
16:41Porque a água é absolutamente cristalina
16:43e de dentro da Bahia saem aqueles limestones,
16:48aquelas pedras, assim, pontiagudas, esverdeadas, claras.
16:54E aí, no meio daquilo tudo, você vê aqueles barcos de junco, sabe?
16:59É uma paisagem louca.
17:02É lindo, lindo, lindo, lindo.
17:03Agora, tem muita coisa bonita, né?
17:05Você vai...
17:06Eu acho que a China também é um país muito bonito.
17:08O Japão é um país muito bonito.
17:10Quer dizer, você vai ver coisas bonitas no mundo inteiro.
17:14A Tailândia é muito bonita.
17:16O que você escolhe um país?
17:18Quando você fala assim, vou para tal lugar, quero ver tal coisa,
17:20o que te leva a conhecer um país?
17:23Olha, eu tenho muita humildade.
17:26Eu gosto de procurar quem entende do ramo.
17:29No meu caso, eu tenho uma ligação muito grande com o Flávio Gell.
17:33Flávio Gell.
17:33Porque o Flávio é um expert.
17:36Ele tem anos e anos e anos nisso.
17:38Então, quando eu viajo com ele, eu sei que eu estou em excelente mãos.
17:43Não estou fazendo aqui nenhuma publicidade, não, viu, gente?
17:45Mas é porque ele sabe tudo.
17:48E eu ainda sou muito curiosa.
17:50Eu ainda compro guia antes, os guias.
17:53Mas não era gostoso viajar com o guia?
17:57É.
17:57Porque não tinha internet.
17:58A gente comprava o guia.
18:00Muito bom.
18:00E viajava.
18:01E a gente lê, lê.
18:02E a gente lê, lê.
18:02Depois teve um outro aqui do Brasil.
18:04Aí você chega no país, você já sabe quais são os produtos.
18:07Você sabe um pouco da cultura.
18:09Você sabe um pouco da religião.
18:10Agora é tudo aqui, né?
18:10Agora é tudo aqui, né?
18:11Você fica no celular acompanhando?
18:12Não, não, não.
18:12Como você fazia no guia?
18:13Eu sou muito analógica.
18:15Eu gosto de papel.
18:15E quando a gente viajava com o mapa, dirigindo com o mapa, pegar a estrada tal...
18:19Nossa, é uma delícia.
18:20É uma delícia, é uma delícia.
18:21Eu gostava muito também.
18:22Eu gostava muito.
18:23Gosto muito ainda.
18:24Facilitou muito, claro.
18:25Eu me lembro que quando eu fui a Israel pela primeira vez, eu li toda a história de Israel.
18:32Quer dizer, então quando eu fui para Israel, eu sabia o que eles enfrentaram, entendeu?
18:37Todas as questões, sabe?
18:41É fascinante.
18:42Quando eu fui a Índia, eu adoro a Índia.
18:45É?
18:45Apesar da miséria que todo mundo apregoa, realmente há muita miséria.
18:50Mas é um país fascinante, né?
18:52É um país que a religião, por exemplo, a religião, o hinduísmo, segura aquele país, né?
18:59Porque as pessoas, no fundo, elas sempre já imaginam que tudo que elas estão passando ali,
19:05elas vão ser compensadas no depois, né?
19:09É triste isso, né?
19:10É triste, mas por outro lado, dá um aconchego muito grande.
19:15Para aquele que está necessitado, desamparado.
19:18É o caso, como é que você explica as castas?
19:20Como é que vai explicar a casta?
19:22Eu não consigo entender que um párea aceita ser párea com tanta tranquilidade, não é?
19:29Então não me cabe aqui fazer esse julgamento.
19:32Mas eles, no modus deles, eles vivem, vivem lá.
19:38Eu me lembro que a primeira vez que eu cheguei na Índia, eu cheguei, não, a primeira não,
19:43a segunda vez, eu fui à Índia três vezes.
19:45A segunda vez, eu desci no aeroporto de Mumbai, né?
19:50E eu estava sozinha.
19:52Então eu peguei um táxi.
19:54Então eu cheguei assim, cheguei quatro horas da manhã, clareando o dia.
19:58E eu, arrumada, né?
20:00Sem conhecer ninguém.
20:02Eu ia para o hotel só.
20:04Eu fui para um congresso mundial de relações públicas.
20:07Eu ia encontrar com uma amiga lá no hotel, né?
20:10E eu cheguei na porta do hotel, aquelas pessoas, todos com aqueles turbantes, né?
20:16Os siques, né?
20:17E eu com a minha mala.
20:20Mas é uma impressão horrível, né?
20:22Porque é um cara, alguns com um pouco de cinza no rosto, né?
20:29Porque é uma cultura milenar.
20:32E aí você entra dentro do carro, do táxi, e eles saem buzinando pela rua.
20:37E aí você olha do lado de lá, aquele povo que mora na rua.
20:41Eles nunca tiveram uma casa?
20:44Nunca.
20:45Eles moram em tendas e escovando os dentes com o dedo, assim, na rua.
20:51E tomando aquele chá deles em pé, numa esburrada.
20:55É uma coisa terrível, sabe?
20:57Quer dizer, eu estou te contando uma experiência.
20:59É bem diferente, né?
21:00É muito diferente.
21:01E o banho é diferente também, né?
21:03Também.
21:04E aí vem aquela experiência...
21:05O povo acha que é banho de chuveiro, não é.
21:07Não existe.
21:08Então é realmente uma cultura...
21:11Bom, eu estou contando aí...
21:12Porque a cultura é uma cultura.
21:14É.
21:14Você deve ter ido para alguns extremos árabes aí, completamente diferente.
21:20Também, também.
21:20Onde a mulher tem que ter um comportamento...
21:23Também, também.
21:24Foi.
21:24Nossa senhora.
21:24Você deve ter passado por alguma experiência.
21:26Nossa, demais, demais, demais.
21:28Demais.
21:29O Qatar, por exemplo, eu sei...
21:32Eu fui num hotel em que estavam lá os homens com as suas bermudas tomando sol na praia
21:38e as mulheres com aquelas roupas pretas...
21:40Todas de burcas.
21:41Do lado deles.
21:42É.
21:42É um negócio revoltante.
21:44Eu tenho pavor dessa coisa.
21:46Mas é a cultura deles.
21:47Mas é a cultura deles.
21:48Quer dizer, eu tenho que respeitar, quer dizer, respeitar, mas me revolta.
21:52Me revolta profundamente.
21:54Entendeu?
21:54Que elas aceitem isso e que o Corão...
22:00Que, aliás, dizem que isso não é exatamente assim.
22:02Eu nunca li o Corão, mas dizem que isso é uma interpretação que eles fazem do Corão.
22:08Que é o pé da letra, não é assim.
22:10Entendeu?
22:11Porque também, você sabe que a lei, ela é interpretada da forma que, às vezes, interessa.
22:16Às vezes, de forma completamente diferente do que está na letra.
22:22Então, eu, como feminista de carteirinha, desde que eu nasci quase,
22:25Eu, para mim, essa cultura islâmica me revolta muito.
22:31Principalmente a maneira como é tratada a mulher.
22:33E, mas eu, eu, eu, tanto que eu não me sinto muito à vontade nos países islâmicos, não.
22:40Eu passei 12 dias no Irã.
22:43Num país, assim, que tem uma beleza, a parte artística é muito bonita, né?
22:48Mas passei 12 dias com aquele paninho na cabeça.
22:52Entendeu?
22:53A Bete, agora foi há pouco tempo, a Bete Pimenta foi depois de mim, né?
22:57Mas com aquele paninho na cabeça, o que eu fazia?
23:00O que eu fazia?
23:01Eu inventei uma solução inteligente.
23:03Eu levei uns chapéus muito bonitinhos, de palha.
23:05Então, eu colocava na cabeça como se eu fosse uma apanhadora de café.
23:09São Paulo.
23:10Então, eu botava aquele paninho, uns lenços bonitos, né?
23:12De seda.
23:13Com chapéus de cima.
23:15Então, eu não me sentia como elas, não.
23:17Eu sentia diferente.
23:18Mas tinha que ser assim.
23:19Um dia, no café da manhã, meu lenço escorregou.
23:22O garçom veio, sabe?
23:24Me cutucou, que eu tinha que amarrar depressa.
23:27Não pode.
23:28E, inclusive, eu andei, um dia eu estava de calça jeans, uma calça bonita.
23:34Eu percebi que não estava agradando, porque não pode mostrar o corpo, as formas do corpo.
23:39Não pode.
23:39A gente tem que comprar umas túnicas linhas para vestir por cima.
23:43Então, é bastante incômodo para a gente.
23:47Com base nesse relato e nessa vivência, você pode afirmar que a mulher brasileira está entre,
23:56como eu posso dizer, das que têm mais espaço para o respeito, para o trabalho, para as atividades que desejaram?
24:03Eu acredito que sim.
24:04Eu acredito que sim.
24:05Eu acredito que nós realmente evoluímos muito.
24:09Mas ainda temos a questão de preconceito.
24:12Tem sim.
24:13O machismo, ele é uma questão cultural.
24:16Ele está em toda parte.
24:18Está na cabeça das pessoas.
24:19Nas próprias mulheres, que muitas vezes discriminam as outras mulheres,
24:22criticam demais as mulheres nas próprias empresas, onde elas trabalham,
24:27ou no serviço público, ou na rua.
24:30Quer dizer, pré-julgam, pré-julgam.
24:33E eu diria que nós ainda temos muito para avançar.
24:37Mas em termos de legislação, melhorou muito.
24:39Por exemplo, quando eu entrei na Assembleia Legislativa, como legisladora,
24:44a gente ia para a tribuna.
24:47Eu, por exemplo, me elegi sempre em cima da bandeira da mulher.
24:50Tanto que o meu slogan era a hora e a vez da mulher.
24:53Foi em 86.
24:54É a hora e a vez da mulher, a mulher certa no lugar certo.
24:58Quer dizer, eu sempre fui coerente e foquei.
25:02Quer dizer, claro, eu sempre defendi a educação,
25:04sempre me preocupei com o meio ambiente,
25:06mas a minha bandeira era as questões das mulheres.
25:09E aí eu vou te fazer uma pergunta.
25:11Uma vez eu ouvi você falando isso em uma palestra.
25:13É verdade que no seu primeiro mandato,
25:15quando você chegou à Assembleia Legislativa,
25:17não tinha banheiro feminino para deputada?
25:21Não, não tinha.
25:22Só tinha banheiro para deputado?
25:23Só para deputado, entendeu?
25:25Eles tiveram que...
25:27Tinha vários banheiros, tiveram que adaptar,
25:30botar placa, botar chuveirinho, entendeu?
25:33Arrumar tudo para nós.
25:34Gente, isso foi outro dia.
25:35É, foi outro dia.
25:37Olha o avanço.
25:38E mesmo quando nós chegamos na Câmara Federal,
25:40que eu era a única mulher da bancada feminina,
25:42da bancada mineira, eram só homens,
25:45eu me lembro que eu fiz uma carta para a diretoria geral,
25:50porque, por exemplo, a gente ficava lá o dia inteirinho.
25:53Não tinha bidê, claro, mas não tinha chuveirinho também, não.
25:57Entendeu?
25:57A gente precisa disso.
25:59Então, eles fizeram a adaptação no nosso banheiro feminino,
26:03que tinha banheiro feminino,
26:04para colocar chuveirinho.
26:05Quer dizer, a gente está sempre reivindicando alguma coisa,
26:08porque está sempre para trás, sempre atrasado.
26:10Então, acho que estão chegando agora, estão pegando o caminho,
26:13já bastante adiantado, que vocês abriram as trincheiras.
26:16Agora já tem uma mulher, já tem mulheres na mesa.
26:19Agora, lá na Assembleia, a vice-presidente é a Leninha.
26:22É uma mulher.
26:23É.
26:23Mas na nossa época, nós sentamos de todo jeito, não conseguimos.
26:27Entendeu?
26:27Então, é sempre assim, a gente planta para outras colherem.
26:32Isso é importante.
26:33Quer dizer, a pioneira, as pioneiras, elas plantam para as outras colherem.
26:38E é muito importante que se faça isso e que se saiba disso.
26:43Não é?
26:44Então, por exemplo, eu tenho uma lei que me orgulha muito,
26:47que foi uma luta danada, quando eu era deputada federal,
26:52que obrigou o SUS a reconstruir a mama da mulher
26:56que tivesse sido mastectomizada pelo câncer de mama.
27:00Você pensa bem, a mulher tirava a mama,
27:02se ela não tinha dinheiro, ela ficava com um buraco aqui.
27:05Pensa bem.
27:05A mama para a mulher é igual o pênis para o homem.
27:09É um órgão da feminilidade para ela.
27:12Entendeu?
27:13Se ela não tem a mama, ela se sente castrada.
27:15Entendeu?
27:16Então, eu me lembro que eu perdi uma irmã com 29 anos,
27:20Maria Antonieta, em 1969.
27:24Ela retirou a mama toda, radicalmente.
27:27Na época, o que tinha, sabe o que que era?
27:31O saco de alpiste.
27:32O enchimento.
27:33Botava dentro do sutiã.
27:37Depois vieram os enchimentos, os bojos.
27:39Não é?
27:40Eu me lembro que uma vez eu fui aos Estados Unidos
27:42e eu trouxe uma encomenda, não para minha irmã,
27:46para uma outra pessoa,
27:47que colocava uma coisa assim,
27:49para apertar, por causa dos linfonodos, né?
27:52Então, quer dizer, não tinha quase nada.
27:54Não tinha nada.
27:55Hoje não.
27:56Hoje, 100 mil coisas.
27:58Mas hoje, inclusive,
28:00quando eu fiz esse projeto de lei,
28:02foi no governo Fernando Henrique Cardoso
28:04e tive o apoio do Zé Serra,
28:06porque deputado não pode fazer lei
28:08que cria despesa para o governo, né?
28:10Sabe que isso é constitucional.
28:13Então, eu tive o apoio do Zé Serra,
28:15tive o apoio do Fernando Henrique,
28:17dois anos tramitando, brigando,
28:19conversando com líderes, com bancadas,
28:21com partidos,
28:23até ser aprovado no dia 8 de março.
28:25Entendeu?
28:26Com o apoio da bancada feminina.
28:28Então, por exemplo,
28:30para mim, meu mandato valeu
28:32só de ter aprovado essa lei.
28:34Porque no ano passado,
28:3528 mil mulheres foram operadas
28:37graças a essa lei,
28:39que depois se estendeu para os planos de saúde.
28:41Porque, na primeira vez,
28:42nós não colocamos planos de saúde,
28:43senão eles iam criar casos.
28:45Deixou para depois.
28:46É, deixamos para depois.
28:47Na segunda etapa,
28:48Jandira estendeu,
28:50já tinha saído,
28:51estendeu para os planos de saúde.
28:53E agora, já uma deputada lá do Norte,
28:56a pessoa já pode,
28:59tirou,
29:00já pode fazer a cirurgia
29:01imediatamente,
29:02se ela quiser.
29:03Entendeu?
29:04Mas, Elvira,
29:05só tenho que te agradecer
29:06a sua trajetória,
29:08o seu conhecimento
29:09e a sua dedicação, né,
29:11que você teve na sua vida pública.
29:13Mas isso é o que dá alegria para a gente na vida.
29:14E muito obrigado pelo seu carinho
29:15de ter aceitado o nosso convite,
29:17de ter estado aqui hoje conosco.
29:18Muito obrigado, viu?
29:20Que bom,
29:21que bom.
29:21Muito obrigado.
29:22Eu que agradeço,
29:22Carline,
29:23prazer estar aqui.
29:26Ainda mais porque me emociona muito estar na TV Alterosa,
29:30que faz parte do grupo Associados,
29:32com o qual meu pai serviu tantos anos, né,
29:34o Newton de Pai Ferreira.
29:35E ele era um apaixonado
29:37pelos diários de Missões Associados.
29:39Tanto que a foto dele
29:40está aqui nesse prédio, né,
29:42lá no andar da diretoria.
29:44Terceiro.
29:44No terceiro andar,
29:45está lá a foto do velho
29:47Newton de Pai Ferreira,
29:48meu pai,
29:49que realmente foi um homem exemplar,
29:53que eu sempre tentei seguir
29:54os passos dele,
29:56porque ele era um homem
29:57que gostava muito de ler,
29:59estudar,
30:00político, gostava muito de política.
30:02Puxou ele.
30:02Não é?
30:03Muito obrigado.
30:03Que bom.
30:04Obrigada.
30:04Com Deus, a casa é a sua,
30:06volte sempre.
30:07Obrigada.
30:07Esta é a Maria Elvira de Sales Ferreira,
30:10uma querida amiga,
30:12incentivadora da cultura,
30:13das artes,
30:14do turismo,
30:15mulher pública,
30:16que dedica-se ainda
30:18ao estudo da boa política,
30:20da política sadia.
30:23Muito obrigado, gente.
30:24E viva as mulheres, né?
30:25É.
30:25E aí
30:34E aí
30:38E aí
30:40E aí
30:41E aí
30:43Obrigado.
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