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00:00Em um oceano sul, no oceano Índia.
00:04Quando o voo 370 desaparece em 8 de março de 2014, ele se torna um mistério internacional.
00:19Não é aceitável que um avião cheio de passageiros desapareça. O mundo não pode tolerar isso.
00:24Como uma aeronave de última geração com 239 tripulantes e passageiros pode desaparecer?
00:30O voo 370 pode virar um navio mero celeste do século XXI.
00:34Nada está ordenado sobre as perdas misteriosas de um avião malaysiano.
00:39O caso põe em dúvida tudo o que sabemos sobre a tecnologia de aviação moderna.
00:43E expõe lacunas perturbadoras de comunicação e segurança.
00:47Nós vamos ter que pensar de uma forma inovadora para lidar com esse tipo de situação.
00:56Nós reunimos alguns dos maiores especialistas em viagens aéreas do mundo
01:00para investigar 10 problemas básicos que podem explicar o desaparecimento do voo 370.
01:06Nós temos muita tecnologia inteligente, telefones celulares, GPS, nós podemos encontrar qualquer coisa em qualquer lugar.
01:15E realmente perdemos um avião?
01:18Este terrível incidente pode mudar para sempre a forma como viajamos pelos céus?
01:24O aeroporto internacional de Kuala Lumpur é um dos maiores e mais movimentados da Ásia.
01:38Como em outros centros da aviação mundial, centenas de voos decolam daqui diariamente.
01:46Em 7 de março de 2014, poucas horas antes do horário de partida,
01:51227 passageiros fazem o check-in para o voo 370.
01:58Após um voo noturno, eles devem chegar a Pequim às 6 da manhã.
02:03Primeiro, os passageiros passam pela segurança do aeroporto.
02:08Enquanto seus documentos são conferidos e sua bagagem escaneada,
02:12o Boeing 777 é preparado para a decolagem.
02:16Os 12 tripulantes do voo 370 se apresentam para o trabalho e se dirigem ao avião.
02:25Eles também passam pela segurança.
02:32O que o voo 370 deixou claro é que precisamos fazer mais
02:39em termos de investigar os próprios membros da tripulação.
02:44Nestas imagens de circuito interno, o capitão Zahari Ahmed Shah e seu copiloto Farik Abdul Hamid
02:51são vistos passando por um detector de metais antes de embarcar.
02:55O jeito mais fácil de burlar a segurança e prejudicar um voo é usando a tripulação.
03:01Ninguém checa a tripulação.
03:02Em muitos países, os pilotos são investigados apenas ao serem contratados pelas companhias aéreas.
03:09Na hora do embarque, eles passam direto pelo detector.
03:12A imagem mostra o capitão passando pelo detector.
03:16Depois, o oficial de segurança dá um passo à frente, dá um tapinha no peito dele e o deixa passar.
03:24Então, temos uma lacuna aí.
03:27Se houver alguém mal intencionado entre os pilotos,
03:30nós corremos o risco de que ele use essas lacunas para desaparecer dos céus.
03:36Enquanto a tripulação se dirige à aeronave, os passageiros passam pelo controle de passaporte.
03:49Dois dos passageiros prestes a embarcar no voo 370 estão viajando com passaportes roubados e não são detidos.
03:57O fato de as pessoas que embarcaram nesse avião não terem sido devidamente investigadas é um problema sério para mim.
04:10Depois, eles foram identificados como iranianos em busca de asilo.
04:14Mas como eles conseguiram passar pelo controle de passaporte sem serem detectados?
04:18A Interpol tem uma base de dados com detalhes de mais de 40 milhões de passaportes roubados ou perdidos.
04:27Todos os países que contribuem com a Interpol, e eles são cerca de 160, têm acesso à base de dados.
04:33Mas, infelizmente, os países não são obrigados a consultar essa base de dados.
04:39Na verdade, a maioria dos países, incluindo a Malásia, não a usam regularmente para vetar os passageiros.
04:46Esta lacuna alarmante pode aumentar a pressão pela mudança de protocolos internacionais.
04:51Eu acredito que a base de dados da Interpol vai começar a ser usada com mais frequência.
04:58Mas o custo e o acesso precisam ser melhores.
05:01Com os passaportes verificados, os passageiros do voo 370, como é praxe no mundo todo, partem para a checagem de segurança.
05:09É quando as autoridades procuram explosivos, armas e materiais perigosos.
05:14Eles checam as nossas malas, nós passamos por detectores, mas isso indica que existe uma falha em algum lugar.
05:23Desde o 11 de setembro, o escaneamento corporal e de bagagem se tornou obrigatório em aeroportos do mundo todo.
05:37Mas o processo não é tão meticuloso quanto pensamos.
05:41A nossa bagagem de mão nem sempre recebe a atenção adequada.
05:44Depois de uma hora na fila, nós achamos que a segurança é alta.
05:50Mas cada escaneamento individual deve levar aproximadamente de 12 a 15 segundos.
05:56Uma pessoa fica sentada na máquina de checagem das malas e ela vê uma imagem a cada 8 segundos.
06:02Eu não conheço ninguém capaz de realmente checar o que tem em uma mala em 8 segundos.
06:09Existem fraquezas por causa de problemas fundamentais.
06:13Por exemplo, nós não temos equipamentos capazes de encontrar explosivos na bagagem de mão.
06:19Pode até haver um explosivo, mas ele vai parecer um salame ou um pedaço de queijo.
06:24Mais de uma década após o 11 de setembro, os protocolos de segurança parecem rígidos,
06:29mas ainda existem fraquezas fundamentais no mundo da aviação.
06:33Especialmente no que diz respeito à tecnologia e ao seu uso.
06:36Nós gostaríamos que a tecnologia da segurança aeronáutica chegasse ao ponto em que o erro humano fosse removido da equação.
06:44Ao ponto em que não dependêssemos das decisões de uma única pessoa que faz a revista e escaneia a bagagem despachada ou de mão.
06:54Identificar ameaças antes do embarque é a forma mais eficiente de garantir a segurança.
07:01Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas para identificar quem está viajando,
07:06o que há na bagagem e o estado de espírito dos passageiros e tripulantes.
07:10Métodos inovadores de detecção estão sendo usados em aeroportos do mundo inteiro.
07:16Muitos deles baseados na ciência biométrica e no reconhecimento facial 3D.
07:21E há novos sistemas criados para impedir que substâncias perigosas ou explosivas entrem no avião.
07:29Nós podemos melhorar a tecnologia de escaneamento da bagagem despachada ou da bagagem de mão
07:34com sofisticados algoritmos da máquina de raio-x capazes de detectar a presença de um dispositivo explosivo
07:42e nos alertar imediatamente.
07:43Embora nenhuma evidência ligue os tripulantes ao desaparecimento do voo 370,
07:49o caso levanta questões sobre a necessidade de avaliá-los regularmente.
07:53Novas tecnologias e inovações se baseiam em indicadores fisiológicos e psicológicos.
07:59O sistema que verifica a sua identidade pelo movimento dos seus olhos também pode dizer
08:06se você está bêbado, se tem um problema ou se você está ansioso.
08:11Nós temos que saber se no mínimo o piloto, o copiloto e o comissário de bordo não estão
08:16sendo coagidos ao entrar na cabine de comando.
08:20Com a avaliação comportamental, o nervosismo, o suor e outros sinais podem indicar se uma
08:25pessoa tem más intenções.
08:26Boa parte dessa tecnologia ainda está no futuro.
08:30E para muitas autoridades aéreas ao redor do mundo, é simplesmente uma questão de custo-benefício.
08:36O que acaba atrasando o aprimoramento das tecnologias modernas nos países em desenvolvimento é o custo.
08:43Quase todos os equipamentos são caros demais, tanto em termos de aquisição quanto de manutenção,
08:49assim como o treinamento do pessoal que vai lidar com eles.
08:52É preciso mais cooperação internacional.
08:55É necessário compartilhar essa tecnologia.
08:58Nós temos que levar esses avanços tecnológicos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento.
09:07Com as checagens de segurança completas, o voo é liberado para decolagem à meia-noite e quarenta.
09:15O Boeing 777 deixa a pista do aeroporto de Kuala Lumpur pela última vez.
09:21Primeiro, o avião é liberado para decolagem e quem faz isso é o controlador na torre.
09:31Então, a aeronave inicia o voo e assim que o controlador garante que ela não está na rota de outros aviões,
09:39ele entrega a aeronave para o controle de área.
09:42Esse processo é uma rotina que se repete o tempo inteiro, todos os dias.
09:48O controlador de voo vai identificar o avião, vai colocá-lo em altitude de cruzeiro, em sua rota correta, o mais rápido possível.
09:58Por isso, há uma série de transmissões entre o controlador e o piloto.
10:03A caminho de Bequim, o voo 370 cruzará o espaço aéreo do Vietnã.
10:08Existem protocolos para a transferência de um voo do controle de tráfego aéreo de um país para o de outro.
10:15Ao sair de uma zona, o piloto recebe informações sobre a frequência de rádio da próxima zona.
10:20Ele faz contato e avisa a zona seguinte onde ele está e que está prestes a entrar nela.
10:26O controle de tráfego aéreo malaio dá instruções ao voo 370 para a próxima zona de voo sobre o Vietnã.
10:35O procedimento normal seria dar boa noite ao controle de tráfego aéreo malaio
10:42e, literalmente, no momento seguinte, dar bom dia ao Vietnã.
10:48A instrução foi dada e foi confirmada.
10:52Boa noite, Malaysia 370.
10:55E depois, silêncio.
10:58A transferência de controle de tráfego aéreo incompleta é o problema seguinte na sequência de eventos.
11:04Com a comunicação via rádio suspensa, o controle de tráfego aéreo depende do radar.
11:12Mas transferências perdidas não são exatamente incomuns.
11:16A gente pode estar no meio de uma conversa sobre a navegação, alguma outra coisa e perceber que esqueceu de fazer contato.
11:24Acontece.
11:25Obviamente não deveria, mas acontece.
11:27Mas o chamado buraco negro entre controles de tráfego aéreo internacionais fornece uma oportunidade perfeita para quem tem intenções sinistras.
11:37Se o seu plano é fazer o avião desaparecer, esse pode ser um bom ponto de partida.
11:42Você tem uns cinco minutos de vantagem antes que uma investigação séria comece a acontecer.
11:48Mais preocupação.
11:52Dois minutos após as últimas palavras do voo 370, o dispositivo de monitoramento de radar do avião, seu transponder, para de funcionar.
12:01Com 20 mil aviões no ar a qualquer momento, os transponders são a principal ferramenta de rastreamento do controle de tráfego aéreo.
12:14Um transponder é um dispositivo na aeronave que funciona por estímulo.
12:22Assim que ele recebe certas ondas de radar, de um radar em terra, ele acorda.
12:29O radar transmite uma pergunta que diz, basicamente, quem é você?
12:36E o transponder responde com uma mensagem digital dizendo, sou eu, estou aqui.
12:41E dependendo da complexidade do sistema no avião, ele pode enviar mais informações sobre a aeronave, sua altitude e posição.
12:51Sem o transponder, o voo 370 corre sério risco de colidir com outra aeronave.
12:59A principal razão por que nós fazemos esse controle é por causa do tráfego aéreo, para evitar uma colisão entre aeronaves e garantir que cada uma ocupe seu espaço.
13:08Sobrevoando o mar da China meridional, a aeronave não envia sinais de rádio e seu transponder não aparece nas telas de radar.
13:16O controle de tráfego aéreo vietnamita aguarda a entrada do avião em seu espaço aéreo.
13:21Quando um avião desaparece da tela do radar e cessa a comunicação, o controle de tráfego aéreo fica inconformado.
13:39Cego, sem o transponder, o controle de tráfego aéreo não faz ideia de que o Boeing 777 saiu de curso, indo para o oeste na direção totalmente oposta.
13:56A frequência de desaparecimentos de aeronaves é realmente muito baixa.
14:03Mas isso já aconteceu com consequências devastadoras no 11 de setembro, quando os sequestradores assumiram o controle.
14:11A primeira coisa que fizeram foi silenciar a aeronave. Eles desligaram o transponder e cessaram a comunicação via rádio.
14:18Ninguém sabia exatamente onde estavam os aviões.
14:22A tragédia motivou uma alteração de protocolo global.
14:25Quando eles entendem o que está acontecendo, uma das medidas é contatar os serviços de segurança.
14:36Se eu entro no espaço aéreo de Londres, e você sabe como a frequência muda várias vezes em um período muito curto,
14:43basta eu perder um contato que sem mais nada acontecer, mais caças aparecem ao meu lado.
14:49É preciso revolucionar urgentemente o sistema de controle de tráfego aéreo mais uma vez?
14:55Talvez seja a hora de trocar a transferência manual por um sistema automático.
15:00Eu acho que uma transferência automática seria benéfica.
15:05Mas sempre que aumentamos a automatização, aumentamos o possível...
15:11Risco.
15:12Isso, risco.
15:13É uma escolha entre a tecnologia que nos dá mais certeza e o fator humano que nos dá um pouco mais de controle, mas gera um ponto de ruptura.
15:23Mas o transponder não é o único sistema que mantém os aviões em contato com o solo.
15:29Existe outro.
15:31O sistema de comunicação e relatórios de aeronaves ou ACARS.
15:35As aeronaves podem automaticamente enviar dados sobre o seu desempenho ao fabricante,
15:45incluindo o desempenho do motor, consumo de combustível e talvez até a velocidade da aeronave.
15:52Mas no caso do voo 370, o sistema via satélite parou de transmitir mais ou menos ao mesmo tempo em que o avião se desviou da rota e o transponder parou de funcionar.
16:03É nessa janela de 10 a 15 minutos que nós precisamos entender o que estava acontecendo na cabine de comando.
16:17O fato de tanto o transponder quanto o sistema ACARS terem sido desligados levanta uma questão crucial.
16:26O transponder tornou-se inoperante.
16:29Como ele se tornou inoperante?
16:32No momento parte do sistema ACARS foi desativado.
16:36Pode ter sido uma desativação proposital ou uma falha de sistema muito específica.
16:42A pessoa em melhores condições de desligar o sistema é o piloto.
16:47Se o piloto tiver que desligar o transponder, ele não vai ter nenhum problema,
16:51porque ele fica aqui no controle central e é só uma questão de localizar a chave e então virar.
16:57Outro jeito de fazer isso, ou por exemplo de desligar o ACARS,
17:01é mexer aqui em cima nos disjuntores e puxar os disjuntores correspondentes.
17:07E isso faz tudo parar de funcionar.
17:10Um piloto pode desligar um transponder por motivos legítimos.
17:15Eu tive que desligar um transponder durante o voo uma vez,
17:18e no meu caso foi por causa de uma pane elétrica.
17:21Eu não consigo imaginar uma situação em que eu desligaria o transponder
17:24e não informaria o controle de tráfego aéreo sobre a minha decisão.
17:29Acidental ou propositalmente,
17:31os pilotos devem ter a opção de desligá-lo sem o consentimento da torre de controle?
17:36Nós temos que aceitar que o capitão de uma aeronave tem e deve ter o controle total
17:42sobretudo naquela aeronave, incluindo o desligamento dos sistemas elétricos,
17:47com exceção dos absolutamente necessários para o controle de voo,
17:50para combater, por exemplo, incêndios.
17:55A ideia de a torre poder assumir o controle, eu acho aterrorizante.
18:01Como a torre pode tomar as decisões que nós tomamos no ar?
18:09Encontrar o equilíbrio entre a autonomia dos pilotos
18:12e a importância de um monitoramento adequado
18:15continuará sendo um desafio.
18:17A ação humana não é a única causa possível
18:22por trás do colapso dos sistemas de rastreamento.
18:26Uma falha mecânica também pode ter desativado os componentes elétricos.
18:31Isso pode explicar por que o voo não pôde ser monitorado
18:34e a tripulação não conseguiu pedir socorro.
18:37O Boeing 777 está em operação há 20 anos
18:45e tem um dos melhores históricos de segurança
18:48entre as aeronaves comerciais.
18:51O 777 é uma aeronave muito segura.
18:54Existem mais de mil em operação
18:57e o número de acidentes é baixíssimo.
19:00Mas existem precedentes de falhas mecânicas.
19:03Em 2008, combustível congelado levou ao pouso forçado
19:08de um 777 no aeroporto de Heathrow, em Londres.
19:16Mas a hipótese de falha mecânica mais provável
19:20no caso do voo 370
19:21é um incêndio na cabine de comando,
19:24como o do Egypt Air 667.
19:27Um curto circuito atingiu o duto de oxigênio
19:30da cabine de comando.
19:31Em 30 segundos, o fogo abriu um buraco
19:35do tamanho de uma mala na fuselagem.
19:40Uma falha mecânica explicaria
19:42por que o voo 370 virou inesperadamente para o oeste.
19:47Em caso de fumaça, fogo, qualquer coisa do tipo,
19:50a prioridade é aterrissar o mais rápido possível.
19:54Se algo similar aconteceu no voo 370,
19:57isso explicaria a curva.
19:58pilotar, navegar, comunicar.
20:02Não me surpreende
20:04que eles não tenham enviado uma mensagem de emergência.
20:10Porque se o incêndio na cabine de comando foi grave,
20:15estamos falando de 20, 30 segundos,
20:17não é muito tempo.
20:18Mas não há tentativa de aterrissagem.
20:22O voo 370 segue na direção errada, rumo ao mar.
20:28Embora os dispositivos de rastreamento estejam desativados,
20:33um link de comunicação vital continua ativo.
20:36Os pings, ou sinais de dados da antena de satélite.
20:39Os pings são uma resposta automática da aeronave,
20:44dizendo, sim, ainda estou aqui.
20:46Os pings continuam sendo transmitidos mais de seis horas após o avião sair da rota.
20:51Esse fato se torna vital na busca pelo voo 370.
20:57Embora os pings não forneçam nenhum tipo de dados sobre a localização da aeronave,
21:03nós sabemos, graças a eles, que a aeronave continuou voando por diversas horas
21:09após a perda de contato.
21:12Hoje nós sabemos que o avião seguiu em direção à latitude 40 graus
21:16que concentra os ventos mais hostis do Oceano Índico Sul.
21:21Mas quem estava no comando?
21:23Homem ou máquina?
21:26Se o piloto para de comandar o avião,
21:28normalmente o piloto automático assume e continua no comando
21:32até o avião pousar em seu destino
21:35ou até acabar o combustível ou alguma outra coisa dar errado.
21:41Como um avião fantasma.
21:43Estaria o piloto automático levando o voo 370 ao lugar do seu descanso final
21:48e obrigando o mundo a conviver com o mistério?
21:58O voo 370 sai de curso e parte rumo à vastidão do Oceano Índico.
22:04Um mistério que expõe uma série de lacunas na segurança aeronáutica.
22:10Em terra firme, o mundo acorda com a notícia urgente
22:13de que há um avião desaparecido.
22:17Parentes e amigos em Pequim chegam para receber o voo 370,
22:22mas ele nunca aparece.
22:23Com o nível de combustível perigosamente baixo,
22:42às 8 e 11 da manhã,
22:44o avião envia seu último sinal de satélite automático ou PING.
22:48O transponder foi desativado há mais de 7 horas.
22:51E o controle de tráfego aéreo malaio ouviu o copiloto pela última vez, 6 horas atrás.
22:59Um avião passar um período tão grande sem um monitoramento
23:05é algo muito raro.
23:12É incrível. Nós temos muita tecnologia inteligente.
23:16Telefones celulares, GPS.
23:17Nós podemos encontrar qualquer coisa em qualquer lugar do mundo
23:21e realmente perdemos um avião com tanta gente a bordo?
23:25Como encontrar um avião desaparecido?
23:28O primeiro método é rastrear a partir do solo, através de radar.
23:33Uma lacuna fundamental é a nossa dependência de tecnologias limitadas.
23:38O radar existe desde a Segunda Guerra Mundial.
23:43Ele exige uma estação em terra por perto
23:45e sai de alcance a algumas centenas de quilômetros da costa.
23:48O voo 370 desaparece das telas de radar do controle de tráfego aéreo
23:53quando o seu transponder é desativado,
23:55menos de uma hora após a decolagem.
23:58E apenas dois minutos após o copiloto dar boa noite.
24:02Os radares primários das Forças Armadas,
24:04que não dependem de transponders,
24:06ainda conseguem monitorar o avião.
24:08Mas depois de 90 minutos, eles também o perdem.
24:12O radar primário tem limitações.
24:16Ele deve ter um alcance de 150, 200 quilômetros
24:19na altitude em que o avião estava.
24:21Então, ele tem um valor limitado.
24:25O radar da aeronáutica malaia
24:27registra um objeto não identificado,
24:29provavelmente o voo MH370
24:32em um ponto ao sul de Puquê.
24:34Os registros do radar também confirmam
24:36que o avião virou para o oeste.
24:39O maior obstáculo é a falta de estações terrestres.
24:43Então, nós cobrimos algumas centenas de quilômetros
24:45a partir da costa,
24:46mas, na verdade, não cobrimos vastas áreas do mar
24:49para onde esse avião parece ter ido.
24:51Então, quando o voo 370 desaparece de todos os radares,
24:56alguém continua observando?
24:58Nesse caso, quem?
25:06Mais de mil satélites orbitam a Terra.
25:09As Forças Armadas e empresas particulares
25:12investiram trilhões de dólares
25:13na tecnologia de satélites.
25:15Alguns deles registram imagens
25:18a centenas de quilômetros
25:19distinguindo objetos com meio metro de comprimento.
25:23Sem dúvida, o avião deve ter sido avistado.
25:28A grande maioria dos satélites de imagem
25:31é de órbita baixa,
25:32a poucas centenas de quilômetros de altitude.
25:35E se move muito rápido.
25:37Então, capturar a imagem
25:38a partir de um satélite
25:40de algo na superfície da Terra
25:42é como passar por uma rua de carro
25:45olhando através de binóculos
25:46e tentar ler os números
25:47de todas as casas.
25:50Nações como a Rússia e os Estados Unidos
25:52podem ter escolhido
25:53não divulgar dados confidenciais de satélite
25:56que poderiam revelar
25:57suas capacidades militares.
26:02Uma questão interessante é
26:04em que fase das buscas
26:07as capacidades militares nacionais
26:09passaram a ser utilizadas.
26:11Quando um satélite é encarregado
26:13de ajudar na busca
26:15ao voo 370,
26:18pode significar que as capacidades dele
26:19não estarão disponíveis
26:20para outros assuntos de alta prioridade.
26:23A Malásia pediu que outros países
26:25compartilhassem dados de radar e satélite
26:28potencialmente sensíveis.
26:30As Forças Armadas Americanas
26:33têm alguns satélites
26:34dedicados ao monitoramento de mísseis.
26:36mas eles se baseiam
26:39em padrões de calor.
26:41E uma aeronave em pleno voo
26:42não gera calor o bastante.
26:45Se houvesse uma grande explosão,
26:48esses satélites
26:48provavelmente teriam identificado.
26:51Mas os oficiais americanos
26:52dizem que esses sistemas
26:54não detectaram nada
26:55que indicasse algo
26:57como uma grande explosão.
26:59O que leva ao mistério
27:00do que pode ter acontecido.
27:02O exército pode estar ajudando
27:04nos bastidores.
27:06Mas a questão da segurança nacional
27:08sempre vai deixar
27:09lacunas na inteligência
27:11que é compartilhada.
27:14Com poucos fatos sólidos à mão,
27:16os malaios precisam
27:17desesperadamente de informações
27:19e da colaboração
27:20de seus vizinhos
27:21e da comunidade internacional.
27:23Nas primeiras etapas
27:24da investigação,
27:26tivemos muitas informações,
27:28informações conflitantes.
27:29E a mudança da área de busca
27:32levou a uma grande perda de tempo.
27:35A operação de busca
27:36em terra firme
27:37é prejudicada
27:38pela falta de informações.
27:40Não há um diálogo eficaz
27:41entre países
27:42e autoridades aeronáuticas
27:44impedindo que surja
27:45uma visão geral do incidente.
27:49Foi crise,
27:52atrás de crise,
27:53atrás de crise.
27:55E sem nenhum gerenciamento
27:56dessa crise.
27:57As informações sobre
27:58o paradeiro da aeronave
28:01nos estágios iniciais
28:03talvez devessem ter sido
28:04filtradas em um nível
28:06bem mais alto
28:07por uma autoridade
28:08bem maior.
28:10Uma informação vem à tona
28:11graças à operadora
28:13de satélites britânica
28:14em Marsat.
28:15Os dados de satélite
28:17dos pingues da aeronave.
28:19Mas eles são ignorados,
28:20talvez até ser tarde demais.
28:23Na perda deste avião,
28:24vimos que os países
28:26não se comunicaram direito
28:28e tempo foi perdido.
28:30Existem protocolos
28:31para desastres internacionais,
28:34mas as circunstâncias
28:35do desaparecimento
28:36do voo 370
28:37são únicas.
28:39Para uma busca
28:39em águas internacionais,
28:41a nação afetada
28:42pode invocar
28:43a Carta Internacional
28:44sobre o Espaço
28:45e as Grandes Catástrofes,
28:47que prevê a ajuda
28:48de países como a China
28:49e os Estados Unidos.
28:50Os membros disponibilizam
28:54um ou mais
28:55de seus satélites
28:55para coletar imagens
28:58da área especificada
29:00e as fornecem
29:01ao país que invocou
29:01a Carta.
29:03No entanto,
29:03a Carta
29:04não estipula
29:06exatamente como
29:08darão a assistência.
29:10E cabe aos países
29:11fazer todo esse trabalho.
29:14É provável
29:14que possamos melhorar
29:16muito
29:16a colaboração
29:18entre diversas organizações
29:20e países
29:20que possuem
29:21capacidades diferentes,
29:23especialmente
29:24em termos de imagem
29:25de satélite
29:25e telecomunicações.
29:27Os protocolos existem,
29:29mas as nações
29:30envolvidas
29:31precisam se comunicar
29:32com mais rapidez
29:33e eficiência.
29:35Parece que o mistério
29:36não resolvido
29:37do voo 370
29:39pode levar os países
29:41a buscar
29:42uma abordagem
29:43padronizada
29:44e talvez
29:44uma entidade
29:46superior
29:47realmente global
29:48possa começar
29:49a surgir
29:50e nós
29:50precisamos dela.
29:53Enquanto o mundo
29:54vasculhava
29:55o mar da China
29:56meridional
29:56em busca
29:57do voo 370,
29:59em Londres,
30:00os técnicos
30:00da Inmarsat
30:01decidiram tentar
30:02localizar o avião
30:03analisando os pins
30:04ou dados
30:05enviados ao satélite.
30:07O sistema
30:08continuou emitindo
30:09os pins
30:10para a rede.
30:12Os sinais
30:12enviados pela
30:13estação terrestre
30:14perguntavam
30:14para a aeronave
30:15você está aí?
30:17E a aeronave
30:18respondia
30:18sim,
30:19estou aqui.
30:20E isso
30:20ocorria
30:21de hora em hora
30:22com uma
30:23frequência
30:24previamente
30:25determinada.
30:27Mas os
30:27pins de satélite
30:28emitidos para
30:29e pela aeronave
30:31não informam
30:32a localização
30:32do avião.
30:34No entanto,
30:35apesar da falta
30:35de dados,
30:36a equipe
30:36enfrenta o desafio.
30:38Programadores
30:39usam os oito
30:40pins enviados
30:41pelo avião
30:42para determinar
30:43sua possível
30:43trajetória.
30:45Análises
30:45isolam
30:46dois possíveis
30:47corredores
30:48que o avião
30:48pode ter usado.
30:51Um rumo
30:52ao norte
30:52entre a Tailândia
30:53e o Cazaquistão.
30:54O outro,
30:55o rumo ao sul
30:56entre a Indonésia
30:57e o Oceano Índico Sul.
30:58Nós usamos
31:00a diferença
31:00de velocidade
31:01com que o sinal
31:02foi da aeronave
31:03até o ponto fixo,
31:05o satélite no espaço.
31:06É o chamado
31:07efeito Doppler.
31:08Imagine um
31:09apito de trem
31:10ficando mais alto
31:11ao se aproximar
31:12de você
31:13e mais baixo
31:13ao se afastar.
31:14Nós usamos
31:15esses sinais
31:15para determinar
31:16em que ponto
31:17daquela rota específica
31:19o avião
31:19poderia estar.
31:21A equipe
31:21foi um passo além,
31:23criando algoritmos
31:24complexos
31:24para analisar
31:25as trajetórias
31:26de diversos voos
31:27de 777s
31:29da Malaysia Airlines
31:30rumo a Pequim.
31:32Ao fazer isso,
31:33eles puderam deduzir
31:34a rota mais provável
31:35para o avião,
31:36o corredor sul.
31:39Eles tinham
31:39um palpite bem sólido
31:40de para onde
31:41a aeronave foi.
31:44Então,
31:44eles compararam
31:45com outros
31:46seis aviões
31:48que decolaram
31:48no mesmo dia.
31:51E deu certo.
31:52Ao aplicar
31:53esse modelo
31:53ao caso
31:54do voo 370,
31:55eles conseguiram
31:57mostrar
31:58de forma
31:58bastante convincente
31:59que ele deve
32:00ter seguido
32:01rumo ao sul.
32:02A área de busca
32:03se resume
32:04a um corredor
32:04de 160 quilômetros
32:06no Oceano Índico
32:07a oeste de Perth.
32:09O primeiro-ministro
32:10malayo
32:11dá a notícia.
32:12Agora os investigadores
32:31sabem o lugar
32:32mais provável
32:33da queda.
32:34E uma operação
32:35internacional de busca
32:36está em andamento.
32:37não existe
32:39certeza
32:40sobre o que
32:41aconteceu
32:41e isso é
32:42impensável.
32:43Nós temos
32:43que saber
32:44o que houve
32:45para evitarmos
32:46no futuro.
32:46Mas ainda
32:47há duas evidências
32:48vitais
32:49que precisam
32:49ser encontradas.
32:51O gravador
32:51de dados
32:52de voo
32:52e o gravador
32:53de voz
32:54da cabine.
32:55As caixas
32:55pretas.
32:56Essas duas
32:57unidades
32:57sobreviveriam
32:59a um impacto
33:00considerável
33:01e, sem dúvida,
33:02sobreviveriam
33:02embaixo d'água.
33:03E caso
33:04os investigadores
33:05encontrem
33:06as caixas
33:07pretas,
33:07elas podem
33:08ironicamente
33:08se tornar
33:09o maior
33:10mistério
33:10de todos.
33:15Com o passar
33:16das semanas
33:17e sem
33:17nenhuma resposta
33:18sobre o que
33:19aconteceu
33:19com o voo
33:20MH370,
33:22a dor
33:22e a raiva
33:22dos parentes
33:23aumentam.
33:24Finalmente,
33:25os investigadores
33:26conseguem isolar
33:27uma área
33:27onde a aeronave
33:28pode ter caído.
33:30Ela cobre
33:31254 mil
33:32quilômetros
33:33quadrados
33:34nas profundezas
33:35do oceano
33:35Índico Sul.
33:37Mas é preciso
33:38encontrar uma parte
33:39crucial do avião.
33:40Outro mistério,
33:42as caixas pretas.
33:51Depois de
33:52identificar um campo
33:53de destroços,
33:54temos que encontrar
33:55as caixas pretas,
33:57os dois dispositivos
33:58de gravação.
33:59A questão é
34:00o que eles podem
34:01nos dizer.
34:02Uma caixa preta
34:07tem duas partes,
34:08ambas localizadas
34:09na traseira
34:10da aeronave.
34:11O gravador
34:12de voz
34:13da cabine
34:13registra
34:14vozes
34:15e sons
34:15de quatro microfones
34:17espalhados
34:17pelo painel.
34:18Já o gravador
34:19de dados
34:19de voo
34:20registra
34:20dados
34:21de vários
34:21sensores
34:22ao longo
34:22da aeronave.
34:23Em algo
34:23como o Boeing
34:24777,
34:25cerca de
34:251.500
34:26parâmetros
34:26seriam registrados.
34:27Ele grava
34:28velocidade,
34:29altitude,
34:30despressurização
34:31da cabine,
34:32uma vasta
34:32gama de parâmetros.
34:33As caixas pretas
34:34são equipadas
34:35com um sinalizador
34:36submarino
34:37que é ativado
34:38pelo contato
34:38com a água salgada.
34:42Ele emite
34:42um ping,
34:43um sinal parecido
34:44com uma batida cardíaca
34:46para dizer
34:46eu estou aqui.
34:48A equipe de busca
34:49então precisa
34:50localizar este sinal
34:52e ele tem um alcance
34:53bem curto,
34:54apenas alguns quilômetros.
34:55mas o voo
34:57370
34:57expôs uma falha
34:59no projeto
34:59da caixa preta.
35:02A fraqueza
35:03é que elas
35:03são difíceis
35:04de encontrar,
35:05especialmente
35:05em uma queda
35:06no mar.
35:06Foi uma das coisas
35:07que nós vimos
35:08no voo
35:08370.
35:09No momento,
35:10a lei só exige
35:11que a bateria
35:11do localizador
35:12submarino
35:13dure 30 dias.
35:14Foi aprovada
35:15uma mudança
35:15para que ela
35:16dure 90 dias
35:17e isso está
35:18ocorrendo lentamente.
35:20Outra falha
35:20fatal da caixa
35:21preta
35:21é que mesmo
35:22que seja encontrado,
35:23o gravador de voz
35:24não deve revelar
35:26o que aconteceu
35:26na cabine de comando
35:27quando o avião
35:28mudou de curso.
35:30Uma das desvantagens
35:31do gravador de voz
35:32é que ele só tem
35:33uma duração
35:34de duas horas
35:34e isso não é o suficiente.
35:37Nós podemos ter perdido
35:38o evento
35:39que causou o problema
35:41porque depois
35:42ele grava por cima.
35:44Com o tempo
35:45se esgotando,
35:46a busca pelo voo
35:47370 continua.
35:49Ela se torna
35:50a maior busca
35:50multinacional aérea
35:51e marítima da história
35:53envolvendo 26 países.
35:57Eu acho
35:58que o comandante
35:58da marinha australiana
36:00fez o melhor comentário
36:01sobre isso.
36:02Alguém perguntou
36:03se era como
36:04procurar uma agulha
36:05no palheiro.
36:05Ele disse
36:06ainda estamos
36:07procurando palheiro
36:08e imagina a agulha.
36:10É.
36:10Com a esperança
36:11diminuindo,
36:13quatro semanas
36:13após o desaparecimento
36:15do voo 370,
36:16surge a notícia
36:17de que barcos chineses
36:18e australianos
36:19detectaram sinais
36:20que podem estar
36:21vindo da caixa preta.
36:22A busca
36:31se intensifica
36:32a 1.600 quilômetros
36:33ao noroeste de Perth,
36:35mas localizar
36:36e recuperar
36:36a caixa preta
36:37no leito oceânico
36:38montanhoso
36:38será a tarefa
36:39mais difícil
36:40até agora.
36:41mesmo que eles encontrem
36:51a caixa preta,
36:52ela nunca revelará
36:54todos os detalhes
36:55sobre o que aconteceu
36:56com o voo 370.
36:57Este caso pode mudar
37:01essa abordagem
37:02e forçar a indústria
37:04a registrar mais dados
37:05ao longo de um intervalo
37:07maior
37:08nas caixas pretas.
37:09A perda trágica
37:11de 239 passageiros
37:13e tripulantes
37:14expôs as limitações
37:15da tecnologia
37:16usada na aviação.
37:18Em um mundo
37:19onde podemos transmitir
37:20dados em tempo real
37:22para smartphones
37:22com mais memória
37:23do que uma caixa preta,
37:25está na hora
37:25de essa tecnologia
37:26ser aplicada
37:27a aeronaves?
37:28Eu acho que a prioridade
37:34é, a curto prazo,
37:36tentar encontrar
37:37alguma solução
37:38para podermos transmitir
37:40dados em tempo real
37:42de uma aeronave
37:43durante o voo
37:44para sistemas em som.
37:45E essa tecnologia
37:47não está tão distante.
37:49E algumas inovações
37:50podem ser aceleradas
37:52como resultado
37:53do voo 370.
37:55A Universidade de Cranfield
37:57líder em pesquisa
37:58aeronáutica
37:59está desenvolvendo
38:00um sistema
38:01de informação revolucionário
38:02a transmissão seletiva
38:04que utiliza dados
38:05em tempo real
38:06da aeronave.
38:07Em vez de fazer
38:08a aeronave transmitir
38:10dados o tempo todo
38:11nós esperamos
38:12que ela entre
38:12em uma situação
38:13incomum
38:14talvez no meio
38:15de um acidente
38:16e só aí
38:17ela passa
38:17a fornecer informações
38:18altitude, velocidade,
38:20nível, inclinação
38:21parâmetros como estes
38:22para tentarmos entender
38:23se algo incomum
38:24está acontecendo.
38:25A transmissão seletiva
38:26enviará dados
38:27vitais em tempo real
38:28ao fabricante
38:29e será mais fácil
38:30localizar a aeronave
38:31em caso de acidente
38:32como o do voo 370.
38:35Mas sua aprovação
38:36e instalação
38:37em aviões de passageiros
38:38pode levar anos.
38:41Já existe tecnologia
38:42disponível
38:43para companhias aéreas
38:44dispostas a instalá-las
38:46que fornecem feedback
38:47de performance
38:48em tempo real.
38:50Novos motores
38:51aeronáuticos
38:51de empresas
38:52como a Rolls-Royce
38:53AGE
38:54tem a capacidade
38:56de automaticamente
38:58enviar dados
38:59sobre o seu desempenho
39:01para os fabricantes.
39:04Não se sabe
39:05se o voo 370
39:06possuía esta capacidade.
39:08Se a transmissão
39:09automática
39:09de dados
39:10estivesse ativada
39:11nós poderíamos
39:12reduzir muito
39:13a área de busca
39:14do paradeiro
39:16da aeronave.
39:17E se a aeronave
39:18do futuro
39:19transmitindo dados
39:20em tempo real
39:21fosse um passo além
39:22com um piloto virtual
39:23eliminaria a possibilidade
39:25de erro humano?
39:28A Universidade de Tóquio
39:30está desenvolvendo
39:30um sistema de controle
39:32de voo inteligente
39:33usando inteligência artificial.
39:36O principal motivo
39:37para a queda
39:38de aeronaves
39:39é o fator humano
39:40o erro humano
39:41e acho
39:42que precisamos
39:43desenvolver
39:44um sistema
39:45totalmente automático
39:46sem a intervenção
39:47de um piloto.
39:48Quando o piloto
39:49não pode controlar
39:52a aeronave
39:53totalmente
39:54em caso
39:55de falta
39:55de oxigênio
39:57ou de terrorismo
39:58por exemplo
39:59a torre pode
40:00assumir o comando
40:01para uma aeronave
40:02descontrolada
40:03ou desgovernada
40:05aterrissar em segurança.
40:07Enquanto os cientistas
40:08buscam respostas
40:09inovadoras
40:09para as questões
40:10levantadas pelo voo 370
40:12podem surgir
40:13soluções de tecnologia
40:14sendo desenvolvidas
40:16para atender
40:16a demanda
40:17dos passageiros
40:17pelo mesmo acesso
40:19à internet
40:19que eles possuem
40:20em terra.
40:21A hiperconectividade
40:22nos céus
40:23está prestes
40:24a se tornar
40:24realidade
40:25com a Global Express.
40:27Nós estamos
40:28preparando o lançamento
40:29de três satélites
40:30de órbita
40:31geoestacionária
40:32que vão orbitar
40:33a Terra
40:34a 38 mil quilômetros
40:36e fornecerão
40:38cobertura
40:39em todo
40:40o planeta.
40:42Isso promete
40:43revolucionar
40:43a viagem aérea
40:44e tudo o que sabemos
40:46sobre a conexão
40:47com a rede.
40:47Você vai poder
40:49levar o seu próprio
40:50dispositivo
40:51a bordo do avião
40:52seja ele
40:53um laptop
40:53um tablet
40:55ou um smartphone
40:56e se conectar
40:57a uma rede
40:58sem fio
40:58instalada na aeronave
41:00e assistir TV
41:02e se conectar
41:02à internet
41:03com a mesma velocidade
41:05que consegue
41:06ter no solo.
41:07Eu acho que
41:08com o voo 370
41:09estamos vendo
41:11que vivemos
41:12num mundo
41:13voltado
41:13para o conforto
41:14dos passageiros
41:15para os sistemas
41:16de entretenimento
41:17para a satisfação
41:17das empresas
41:18e isso deixa
41:19claro que estamos
41:20priorizando
41:21todas essas coisas
41:23em detrimento
41:24da segurança
41:24de todos
41:25a bordo.
41:26Embora a hiperconectividade
41:28e a transmissão
41:29de dados
41:29em tempo real
41:30possam fechar
41:31algumas das lacunas
41:32tecnológicas atuais
41:33os cientistas
41:34já estão pensando
41:35no futuro.
41:37A sexta geração
41:37de satélites
41:38só vai ser lançada
41:40na década
41:41de 2020
41:41mas ela já está
41:43sendo planejada.
41:44A cabine de comando
41:45os serviços
41:46de segurança
41:47a comunicação
41:48com os pilotos
41:49a comunicação
41:49com o solo
41:50o monitoramento
41:51da saúde
41:52da aeronave
41:52tudo isso
41:53vai contribuir
41:54para atingir
41:55um novo patamar.
41:57Enquanto o mundo
41:58continua acompanhando
41:59os eventos trágicos
42:00do voo 370
42:01os investigadores
42:02precisam encontrar
42:03os destroços
42:04e recuperar
42:05a caixa preta
42:06para solucionar
42:07algumas dúvidas
42:08chave
42:09mas podemos nunca
42:11ter todas
42:12as respostas.
42:14O que nós descobrimos
42:15é que esta
42:16não é apenas
42:16a história
42:17de um avião
42:17desaparecido
42:18é também
42:19a história
42:20de problemas
42:21na comunicação
42:22e na tecnologia
42:23aeronáutica.
42:25Os passageiros
42:26precisam ter certeza
42:27de que a segurança
42:29é a grande prioridade
42:30tanto no aeroporto
42:32quanto no ambiente
42:33da aeronave
42:33porque sem os passageiros
42:35não temos
42:36uma indústria
42:38para proteger.
42:39A tecnologia
42:40aeronáutica
42:41por mais sofisticada
42:42que seja
42:42ainda é vulnerável
42:44a erros
42:45e sabotagens.
42:48Temos que descobrir
42:49nós temos que saber
42:50o que aconteceu
42:51e nós temos que aprender
42:52as lições
42:53para impedir
42:53que aconteça de novo.
42:55Estas falhas
42:56permitiram que um voo
42:57de rotina
42:58se tornasse
42:59um dos maiores
42:59mistérios
43:00na história
43:01da aviação.
43:03No fim das contas
43:04a questão é
43:05qual vai ser
43:06o custo
43:07de implementação
43:08de toda essa tecnologia
43:10e dessas melhorias
43:11e quem vai estar
43:13preparado
43:13para arcar
43:14com esse custo
43:15os governos
43:16as companhias aéreas
43:18ou os passageiros.
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