Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 meses

Categoria

📺
TV
Transcrição
00:00Dois aviões rumo a um desastre impensado.
00:06O pior acidente aéreo da história do Brasil.
00:10Como duas aeronaves conseguem colidir no ar num espaço tão grande desse?
00:15A aeronave se desintegrou.
00:18O que poderia ter causado essa colisão?
00:20Com a sucessão de erros.
00:24Coincidências inacreditáveis.
00:27O Discovery Channel reúne todas as peças deste quebra-cabeça assustador.
00:33Na cabine, junto aos investigadores e dentro do mundo secreto do controle de tráfego aéreo.
00:40Onde está o Gol?
00:41Gol 1907.
00:44Descubra a história real.
00:46Por trás da tragédia do voo 1907.
00:57São José dos Campos, próximo a São Paulo.
01:00Aqui fica a sede da gigante aeroespacial brasileira Embraer, a terceira maior fabricante de aviões do mundo.
01:07O Legacy 600, de 25 milhões de dólares, é a estrela da linha de jatos executivos da empresa.
01:13Este acaba de ser entregue para a empresa de táxi aéreo Exel Air dos Estados Unidos.
01:17Os pilotos americanos se preparam para voar até Nova York na viagem inaugural do aparelho.
01:23Eles contam com cinco passageiros a bordo.
01:25Dois executivos da Exel Air, dois da Embraer e um convidado.
01:29O repórter do New York Times, Joe Sharkey.
01:32Novembro 6.00, Ex-Ray Lima.
01:35Climb inicialmente nível 2.40, inicialmente 2.40.
01:38São 2.51 da tarde.
01:41Sexta-feira, 29 de setembro de 2006.
01:44Um dia que será marcado como o pior da história da aviação brasileira.
01:51No aeroporto internacional Eduardo Gomes, em Manaus, a cerca de 3.000 quilômetros de distância,
01:57um grupo de passageiros faz o embarque de um voo até Brasília com continuação até o Rio de Janeiro.
02:03Este é o voo 1907, operado pela Gol.
02:07Eles voarão em um aparelho novo, um Boeing 737-800 de fabricação americana,
02:13que entrou para a frota da Gol há apenas duas semanas.
02:16O voo conta com 148 passageiros, além da tripulação de seis pessoas.
02:21Entre os passageiros está Valdomiro Machado, de 61 anos,
02:25um engenheiro que acaba de completar uma série de projetos do setor de energia na Amazônia.
02:30Ele ligou para a esposa do próprio aeroporto.
02:33Eu estava tão contente que eu disse, puxa vida, né?
02:35Você conseguiu ligar quatro usinas termoelétricas?
02:40Meus parabéns, você...
02:41Poxa, está no...
02:43Merecia um prêmio, merecia uma comemoração.
02:48Foi as últimas palavras que eu falei com ele.
02:52Mariana Rezende aguardava a volta do filho, no voo 1907.
02:57É a Atila Antônio Assade Rezende, 24 anos.
03:03Estudante de medicina.
03:06Estava vindo para as férias e também anunciar o seu casamento.
03:12O Boeing levanta voo às 13h30 da tarde rumo à Brasília.
03:24Partindo de Sudeste, o Legacy irá sobrevoar Brasília a caminho de Manaus
03:28e cruzará com o Boeing em algum ponto sobre a floresta amazônica.
03:32A tripulação planeja passar a noite em Manaus antes de seguir viagem para Nova York.
03:37O piloto Joe Lepore entra na altitude de cruzeiro de 37 mil pés.
03:44O copiloto John Paladino avisa o controle de tráfego aéreo.
03:48November 600, X-Ray Lima checking in and climbing flight level 370.
03:55November 600, X-Ray Lima, Brasília Center.
03:58Assim que uma aeronave entra na rota do seu destino,
04:01ela deixa de ser controlada pela torre do aeroporto.
04:04O voo passa a ser observado pelos radares das equipes de controladores em centros como este.
04:101, 2, 7, 0.
04:11O centro de Brasília, também conhecido como Sindacta 1,
04:15é o mais movimentado das quatro estações que monitoram o espaço aéreo brasileiro.
04:20Cada aeronave é identificada na tela por seu código específico.
04:24November 600, X-Ray Lima.
04:27November 600, X-Ray Lima, é o Legacy 600, que parte de São José dos Campos.
04:32Os controladores de Brasília informam aos pilotos que estão acompanhando o voo.
04:37Scott Ident, under radar surveillance, sir.
04:41O espaço aéreo brasileiro é controlado por uma rede de 50 estações de radares espalhadas pelo país.
04:47Comandado pela Força Aérea Brasileira, o sistema monitora tanto a aviação civil como a militar.
04:53O governo brasileiro investiu 1,4 bilhões de dólares para melhorar a segurança aérea
04:58e acredita que o sistema nacional está entre os melhores do mundo.
05:01E toda a decisão brasileira hoje é de fazer com que ela cresça
05:05e cresça com respeito, com, digamos assim, a credibilidade de todos os que tomam um avião.
05:14Em breve, a credibilidade do sistema passará por um duro teste.
05:19São quase quatro horas da tarde, quando o Legacy sobrevoa Brasília a uma altitude de 37 mil pés.
05:25Na mesma hora, o voo 1907 da Gol entra em sua altitude de cruzeiro, também a 37 mil pés.
05:33Neste momento, um erro gravíssimo está sendo cometido.
05:37Aprolizado nível 4, 0.
05:38Enquanto sobrevoam a floresta amazônica, as duas aeronaves entram agora em rota de colisão.
05:46Mas nem os pilotos, nem os passageiros e nem os controladores de tráfego aéreo fazem ideia do desastre que se aproxima.
05:55O dia estava lindo para voar.
06:00O tempo estava ótimo e o voo tranquilo.
06:02E eu disse, melhor impossível.
06:06Há mais de uma hora, a tripulação não recebe instruções do controle de tráfego aéreo.
06:11Jean Paladino tenta fazer contato pelo rádio.
06:17Estava trabalhando no meu laptop e, do nada, eu ouço esse barulho tremendo.
06:22Um tremendo bando.
06:25Nós sentimos uma sacudida incrível.
06:34Nunca tinha ouvido uma coisa assim antes.
06:38Fiquei espantado.
06:39Este não é o tipo de barulho que você quer ouvir num avião.
06:50Fiquei horrorizado ao ver que a ponta da asa tinha sido arrancada.
06:53Havia apenas uma parte denteada da asa.
06:57Tudo bem, estamos indo.
06:58Declarando uma emergência.
07:00Da cabine, os pilotos não têm condições de avaliar completamente os danos.
07:04A situação é pior do que eles conseguem ver.
07:06Não é só a asa esquerda que está danificada.
07:09Na cauda, o estabilizador também foi atingido e isso dificulta o controle do avião.
07:13Ainda assim, o avião continua voando.
07:16Eu pensei no pior.
07:18Isso não é nada bom.
07:19Vamos cair.
07:21Assim que ficamos mais perto do solo, minha dúvida foi saber onde iríamos pousar.
07:25Parecia que estávamos no meio do nada.
07:27Havia um avião 747 de carga nas proximidades.
07:33Ele avisou aos pilotos sobre uma antiga base militar em algum ponto daquela área.
07:38Eu não sei onde está.
07:40Havia uma pista de pouso com tamanho bom.
07:42Tínhamos que procurar por ela.
07:43Strap in, it's going to be a rough landing.
07:51I'm going to have to go in fast.
07:55Brasilia, Brasilia, November 600, X-Ray Lima, do you copy?
08:08I see the runway.
08:09Runway in sight.
08:11Every minute of them.
08:11Cada minuto passado no ar significava mais tempo para ter medo.
08:16Estávamos pouco acima das árvores.
08:19Nossa salvação estava próxima, mas ainda não tínhamos certeza.
08:33Ficamos sentados pensando, tomara que essa coisa pare.
08:38De repente surge uma comemoração.
08:41Olhamos um para o outro.
08:48Meu Deus, sobrevivemos.
08:51Foi um alívio incrível.
08:54Não dá para descrever.
08:56Ninguém a bordo ainda tem ideia sobre o que aconteceu.
08:59Eliminamos algumas possibilidades, como um choque com uma ave, já que não é possível naquela altitude.
09:07Outro avião poderia ter explodido acima de nós e teríamos atravessado os destroços.
09:13No Sindacta 1, em Brasília, os controladores ainda não se deram conta do que aconteceu.
09:19O dia 29 de setembro, ele tinha tudo para ser um dia normal.
09:23A operação estava tranquila.
09:25Mas o cenário muda.
09:27Assim que chega a informação do pouso de emergência na Amazônia.
09:31O alarme que foi dado no dia, a frase que mais marcou todos os controladores é, onde está o gol?
09:38Cadê o gol que até agora não chamou?
09:40Brasília entra em contato com o centro de controle da Amazônia, em Manaus, para saber se eles acompanham o voo da gol na tela do radar.
09:47Ué, que gol no 907 é esse?
09:50Cara, rapaz, não tem um gol.
09:53Não tem nenhum gol aqui com a gente, não.
09:54Tem que ter, Mané.
09:56Gol Eduardo Gomes, Brasília.
09:57Gol 1-907.
09:59Os controladores começaram a sentir que algo de errado havia acontecido.
10:05Infelizmente, ele se tornou o maior pesadelo.
10:07O maior pesadelo de um controlador é uma colisão aérea.
10:11Acidentes aéreos, eles geralmente acontecem, a maior parte, a maioria esmagadora acontecem na decolagem ou no pouso.
10:23E esse era um acidente entre duas aeronaves no ar.
10:26Poxa, como duas aeronaves conseguem colidir no ar, num espaço tão grande desses?
10:33Que é um mundo, se olha pra cima, é um mundo, não tem fim.
10:37Como duas aeronaves conseguem bater?
10:50A longa espera por respostas começou pouco depois das seis da tarde.
10:54No aeroporto de Brasília, parentes e amigos aguardam notícias do voo 1-907 com muita ansiedade.
11:01Último contato do avião da Gol com a torre de...
11:03Neuza Machado preferiu esperar em casa, enquanto acompanhava as notícias.
11:08Segundo a empresa...
11:09Eu sentei naquele chão ali daquela sala, na frente da televisão, vendo notícia.
11:14É, avião desaparecido, voo 1-907 desaparecido.
11:21Quando eu liguei a televisão, eu entrei em pânico.
11:24Eu entrei em pânico.
11:26Era 10 horas da noite.
11:29Ai, foi triste, foi terrível.
11:30As operações da Força Aérea Brasileira de Busca Aeronave Desaparecida atravessam a noite.
11:37Ao amanhecer, eles encontram os destroços do avião espalhados por uma área de quase 4 quilômetros na selva.
11:45Passava das 9 da manhã, quando as famílias receberam a notícia.
11:50Começava outra agonia.
11:52Alguém sobreviveu?
11:53Tenha certeza absoluta que todo mundo não sobreviveu.
11:58De repente, ele conseguiu sair no meio da mata, encontrou um índio, encontrou alguém.
12:03Eu imaginei que ele estaria com vida.
12:08Orei, Deus o cobriu de bênçãos e reservou um lugarzinho para ele.
12:12E o momento que eles disseram que o corpo dele havia sido localizado, para mim foi muito pior.
12:21Porque eu tinha muitas esperanças que ele estaria com vida.
12:26Não há sobreviventes.
12:29Nós só ficamos sabendo do quadro completo do acidente no dia seguinte.
12:34Foi muito triste.
12:36Todos nós choramos, ficamos com a cabeça baixa e rezamos.
12:42Ninguém sai vivo de uma colisão no ar a 37 mil pés num avião comercial.
12:48É um milagre estarmos aqui.
12:51O foco principal, inicial, era o resgate das 154 vítimas.
12:57E no decorrer disso, nós estávamos querendo respostas para os fatos.
13:01Nós não entendíamos, nós queríamos saber o que tinha acontecido.
13:05Os destroços foram encontrados, o padrão demonstra que eles caíram.
13:11Eles caíram como se fosse uma chuva.
13:13Se viam partes da aeronave no solo e não havia dano na maioria das árvores à volta.
13:26Mostrando que realmente eles caíram numa trajetória totalmente vertical.
13:30Então, a queda do Boeing, o tempo de queda foi muito rápido.
13:33E o avião entrou numa espiral descendente.
13:38E na realidade, conforme se viu nos destroços, a aeronave se desintegrou.
13:43Desintegrou, desintegrou, desintegrou no ar.
13:46Então, ou seja, começamos a ter um conforto de que nossos parentes, eles seriam morridos instantaneamente.
13:52Uma colisão no ar em altitude de cruzeiro é um dos mais raros tipos de acidentes aéreos.
14:02Apenas 20 casos foram registrados nos últimos 70 anos no mundo todo.
14:08No Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos,
14:12o Coronel Rufino Ferreira foi encarregado de encontrar as causas
14:15e recomendar medidas para prevenir que um acidente como este volte a acontecer.
14:19Uma outra investigação foi comandada pelo delegado da Polícia Federal, Rubens Malenner.
14:26A nós da Polícia Federal, o foco é distinto.
14:29Se concentra mais na conduta das pessoas
14:31que podem ser identificadas como responsáveis, como vetores causais do acidente.
14:37Seria este um caso de erro do piloto?
14:39Ou o resultado de algum tipo de falha nos equipamentos?
14:42O controle de tráfego aéreo teria cometido um erro?
14:45Se foi isso, como o sistema de ratares não conseguiu detectar o problema aterro?
14:49E por que a colisão aconteceu sem nenhum tipo de aviso nas duas aeronaves?
14:55Aviões comerciais modernos são equipados com sistemas anticolisão,
14:58conhecidos como TICAS, que alertam os pilotos sobre qualquer risco de choque.
15:02O sistema instrui cada piloto sobre a manobra apropriada para evitar colisões.
15:06Então, por que os pilotos do Boeing e do Legacy não receberam alerta dos TICAS?
15:11O gravador de voz da cabine do Legacy revelou que a mesma questão
15:14pode ter sido levantada pelos pilotos americanos imediatamente após a colisão.
15:18Dois minutos e dezessete segundos após o choque, há o seguinte diálogo entre os pilotos.
15:26Um dos pilotos pergunta ao outro.
15:27Você tem o TICAS?
15:31E o outro piloto responde.
15:34Sim, o TICAS está fechado.
15:35Houve uma percepção por parte dos pilotos que não tinha ocorrido durante todo o voo
15:42que aquele equipamento não estaria funcionando.
15:48Se o TICAS estiver desligado em qualquer um dos aviões,
15:51o sistema de alerta anticolisão falha nas duas aeronaves.
15:55Isso acontece porque o TICAS depende de que cada avião transmita e receba os sinais do transponder da outra aeronave.
16:01Se um dos transponders não estiver funcionando, o sistema anticolisão também deixa de operar.
16:07Novembro 600, X-Ray Lima.
16:09O sinal do transponder do Legacy foi detectado pelo controle de tráfego aéreo como voo N600XL
16:15quando a aeronave se aproximava de Brasília.
16:18Squawk Ident, under radar surveillance, sir.
16:20Squawk Ident é um procedimento aéreo internacional utilizado para confirmar se o transponder está operando de forma correta.
16:27Mas os registros do radar revelaram aos investigadores que sete minutos após passar por Brasília,
16:32o sinal do transponder do Legacy desapareceu da tela.
16:35O sinal sumiu durante uma hora e só reapareceu depois que os pilotos parecem ter percebido que o TICAS estava desligado.
16:41O órgão de controle passa a receber o sinal de transponder, voltar a receber o sinal de transponder dessa aeronave,
16:47indicando que o equipamento foi acionado novamente, foi ligado após esse diálogo de percepção de que o equipamento estava desligado.
16:57Esse espaço de tempo aqui, de quase uma hora, que está desligado, o piloto não viu?
17:04Se o transponder da aeronave estivesse ligado, o acidente não teria acontecido.
17:09Então, por que o transponder do Legacy parou de transmitir?
17:12As equipes de investigação voltam agora suas atenções para o Legacy, em especial, sua cabine e seu painel de instrumentos.
17:22Há várias possibilidades que podem levar o transponder a parar de transmitir a informação.
17:28Desde um programa técnico a um desligamento involuntário.
17:33Uma ação involuntária pode acontecer.
17:36Nós procuraremos explorar essa possibilidade, que é uma possibilidade real.
17:43O instrumento que controla o transponder de uma aeronave é chamado de Unidade de Comunicação Rádio.
17:48Ao apertar seus botões para realizar outras funções, a equipe de investigação descobriu que é possível trocar involuntariamente o transponder para Standby.
17:57Seria o transponder Standby, que seria a mesma coisa de dizer que o transponder estaria desligado ou em off, porque ele não está em funcionamento.
18:06Ele está desligado.
18:08E como é que eu sei...
18:09Quando isso acontece, uma tela separada indica que o sistema T-Cast anti-colisão também é desligado.
18:15Como a gente estava vendo lá?
18:16Essa.
18:17Ele passaria Standby e o T-Cast passaria para off.
18:21Lebor e Paladino não quiseram dar entrevistas para este programa, mas conversaram com a colunista Eliane Cantanhede, da Folha de São Paulo.
18:30Primeiro, eles dizem, não desligamos o transponder.
18:33Segundo, não percebemos que ele estava inoperante.
18:39Eles garantem isso o tempo inteiro.
18:42É uma parte muito firme da defesa deles.
18:46Se houve um desligamento, que tipo de informação é transmitida aos pilotos?
18:52Já chegamos a uma verificação de que esses tipos de alarmes são bastante discretos.
18:58Nós não temos um alarme sonoro.
19:02Nós não temos uma indicação que seja muito chamativa.
19:07Como pode um equipamento de tamanha importância, um transponder, não ter um sinal de alerta?
19:14Ele deveria ter um alerta.
19:15Certamente, se houvesse um sistema de alerta sonoro ou visual, haveria uma grande chance, sem dúvida, de que um acidente como esse não ocorresse.
19:27Mas o mistério do transponder acabaria sendo apenas uma parte da história.
19:32Como todo cenário de acidente, ele é normalmente o resultado de vários fatores.
19:41Nunca de um fator isolado.
19:43Eu não tenho religião e não sou mística, mas a história desse acidente, ela é cheia de coincidências inacreditáveis.
19:58Um instrumento desconectado significa que não houve um aviso na hora do choque no ar entre o voo 1907 e o jato executivo.
20:06Mas isso não explica outra questão importante.
20:10Por que, afinal de contas, as aeronaves estavam na rota de colisão?
20:14Para os investigadores, a resposta parece óbvia.
20:17Pelo menos um dos aviões devia estar na rota errada ou na altitude incorreta.
20:22Para descobrir quando e onde os erros foram cometidos, os investigadores estudaram o registro de cada voo do começo ao fim.
20:29Toda aeronave deve dar entrada de seu plano de voo junto ao controle de tráfego aéreo antes da decolagem.
20:34Os investigadores examinaram os planos de voo dos dois aviões e descobriram que o Legacy não seguiu seu plano original.
20:41O tráfego aéreo é organizado em um sistema de aerovias virtuais no céu.
20:48Aviões que utilizam a mesma aerovia são separados verticalmente.
20:52A separação exigida para aviões comerciais era de 2 mil pés, até há poucos anos.
20:58Hoje, a separação é de mil pés em alguns países, incluindo o Brasil, graças à maior precisão da navegação moderna.
21:05Na aerovia UZ-6, entre Brasília e Manaus, as altitudes pares são reservadas para os aviões rumo ao norte.
21:13As altitudes ímpares ficam com os voos com destino ao sul.
21:17O plano de voo do Legacy previa voar até Brasília a 37 mil pés, para depois descer até 36 mil pés quando tomasse a direção de Manaus na aerovia UZ-6.
21:26No ponto virtual conhecido como Teres, o aparelho deveria subir para 38 mil pés até o final da viagem.
21:33Mas os dados recolhidos na caixa preta do voo registram o Legacy a 37 mil pés durante todo o voo, até chegar ao ponto de colisão.
21:43Por que o plano de voo não foi obedecido? Por quê?
21:48Os pilotos dizem que a resposta é simples. Não foram eles que mudaram o plano de voo.
21:53Foram as autoridades brasileiras de tráfego aéreo.
21:58Neste ponto, muda o foco das investigações.
22:01Será possível que os controladores tenham cometido um erro que colocou o Legacy na rota de colisão com o Boeing?
22:08A Polícia Federal ouviu durante várias horas os controladores que acompanharam o voo do Legacy no dia do acidente.
22:14As transcrições dos depoimentos não apontam para um único erro, mas para uma longa série de passes errados.
22:20Os problemas começaram em São José dos Campos, antes mesmo do voo N600 LX decolar.
22:26O plano de voo do Legacy foi acertado com a torre de controle de São José dos Campos.
22:31Mas os controladores locais não têm autorização para aprovar planos de voo por conta própria.
22:37Eles precisam solicitar a autorização do Sindacta 1 em Brasília.
22:40Fala, São José.
22:42O Brasília, o novembro meia zero.
22:43O Ex-Ray Lima para Eduardo Gomes.
22:45São José, Eduardo Gomes.
22:47Solicitando o nível 370.
22:49Controladores de tráfego aéreo abreviam os níveis dos voos em suas comunicações.
22:54370 significa 37 mil pés.
22:57Neste depoimento para a Polícia Federal, o controlador de Brasília que conversou com São José
23:02disse que não teve intenção de autorizar o Legacy a voar a 37 mil pés até o aeroporto Eduardo Gomes em Manaus.
23:08O controlador de São José diz, eu passei a orientação exatamente como eu recebi de Brasília.
23:19Como quem diz, lavo as minhas mãos.
23:22Brasília mandou, eu passei.
23:23A transmissão dessa autorização, a forma como ela foi verbalizada e repassada, não deixou claro isso.
23:33Que era uma autorização só até Brasília.
23:35E os pilotos receberam essa informação e aparentemente passaram então a considerar como nível único.
23:43Um plano de voo, mesmo quando ele é aprovado por um sistema de controle de tráfego aéreo, ele pode sofrer modificações ao longo da progressão do voo.
23:57Então existe o plano de voo apresentado, existe o plano de voo em vigor, que é exatamente após a decolagem da aeronave.
24:04Os pilotos dizem ter entendido que o plano de voo em vigor era de 37 mil pés durante todo o trajeto até Manaus.
24:12Desde o início do voo, eles entraram em uma rota potencial de colisão.
24:16Mas com 3 mil quilômetros pela frente, haveria tempo de sobra e diversas chances para corrigir o mal entendido.
24:22Afinal, o controle de tráfego aéreo estaria acompanhando o voo e manteria contato com os pilotos durante toda a viagem.
24:28Pelo menos, isso é o que deveria acontecer.
24:45Os controladores de Brasília deram instruções ao Legacy enquanto o aparelho subia para a altitude de cruzeiro autorizada.
24:53Certamente, eles teriam chance para perceber o erro.
24:55Aos 40 minutos de voo, o Legacy para de subir e mantém o nível.
25:02O número 370 à esquerda indica a altitude real do Legacy, 37 mil pés.
25:08O número à direita confirma que 370 cumpre com as determinações do plano de voo, pelo menos até o momento.
25:15Uma cruz indica a posição precisa do Legacy.
25:17O círculo em volta mostra ao controlador que o transponder do aparelho transmite sinais corretamente, como faz o sinal de igual entre as indicações de altitude.
25:26O controlador de tráfego aéreo confirmou à aeronave que, a partir daquele momento, estaria prestando o serviço de vigilância radar.
25:44A partir deste momento, os pilotos do Legacy devem seguir as rígidas regras aéreas internacionais estabelecidas em níveis reduzidos de separação vertical.
25:54Estas regras determinam que eles não podem trocar de altitude sem autorização prévia do controle de tráfego aéreo, mesmo se o plano original de voo pedir uma mudança.
26:03Eles não iriam poder trocar de nível sem coordenar com o controle.
26:08Durante o voo, não haverá nenhuma instrução do Sindacta 1 para troca de altitude e os pilotos também não irão solicitar troca de nível.
26:17A aeronave não mudou de nível de voo, nem foi alertada para mudar.
26:23Deveria haver uma mudança de nível.
26:26Ou, se não fosse modificado, que o controle fizesse uma nova autorização, dizendo, ok, está autorizado a partir deste ponto a continuar a voar no nível 370.
26:36Então não ocorreu nenhuma coisa, nem outra.
26:39O Legacy ainda voa a 37 mil pés e entra em uma aerovia em altitude normalmente reservada para o tráfego que vem na direção oposta.
26:49Agora, certamente, o controle de tráfego aéreo verá o perigo.
26:52O Legacy voa neste momento contra o fluxo do tráfego rumo ao sul, mas os pilotos desconhecem que estão na rota de outro problema que tornará a situação infinitamente pior.
27:03Eles se aproximam da área conhecida pelos controladores como Buraco Negro.
27:11Com uma hora e quatro minutos de voo, o Jato Legacy, com sete pessoas a bordo, sobrevoa Brasília a caminho de Manaus.
27:18Os pilotos acreditam, equivocadamente, que estão autorizados a permanecer a 37 mil pés.
27:25Minutos depois, o voo 1907 da Gol, entre Manaus e Brasília, entra na sua altitude de cruzeiro, também a 37 mil pés.
27:34154 pessoas estão a bordo.
27:36Os dois aviões estão a uma hora de um choque no ar, a menos que alguém perceba o erro fatal.
27:45Na tela do radar do Sindacta 1, os dados eletrônicos transmitidos pelo transponder do Legacy mostram claramente que o voo N600XL não está no nível correto.
27:55370 indica sua altitude real, 360 diz ao controlador em qual altitude o aparelho deveria estar voando.
28:03Essa informação permanece na tela do controlador pelos próximos sete minutos.
28:08Durante sete minutos, ele realmente tinha uma informação de que, a partir daquele ponto, o plano de voo estava deixando de ser cumprido.
28:18Sete minutos para avisar, sete minutos em aviação é muito tempo.
28:22Não é sete minutos você tomando um sorvete. É muito tempo.
28:27Questionado pela Polícia Federal, o controlador de plantão afirma não ter visto a diferença.
28:32Naquela hora, ele tinha a atenção dividida entre cinco voos na sua tela.
28:37Sete minutos depois de Brasília, a oportunidade é perdida.
28:41A informação visual do controlador é trocada, porque é neste ponto que o transponder do Legacy para de transmitir.
28:47A tela do controlador exibe o sinal perdido de duas formas.
28:53O círculo em volta da cruz desaparece, e o sinal de igual muda para a letra Z.
28:59Mas o registro da altitude não desaparece.
29:02O sinal perdido do transponder é substituído instantaneamente pelo registro de altitude de outro sistema de radar.
29:08E naquele momento, o controlador perdeu aquela visualização e passou a ter uma informação errada do sistema.
29:16O sistema começou a mostrar para ele que a aeronave estava no 360.
29:19Como isso pôde acontecer?
29:21Isso foi possível porque no Brasil existem dois sistemas diferentes de radares que enviam informações para o centro de controle.
29:27Um sistema detecta o avião ao emitir sinais e aguardar a recepção do seu eco.
29:34Esse é o chamado radar primário.
29:36Ele calcula com precisão a posição da aeronave e a direção do voo, mas só consegue fornecer uma estimativa aproximada de sua altitude.
29:44O outro sistema é o chamado radar secundário.
29:47Ele é capaz de captar os sinais do transponder do aparelho, que envia informações precisas sobre a altitude, além de outros dados.
29:54O sistema brasileiro tem normas e procedimentos.
29:58O radar primário, ele não é, ele não deve ser utilizado para separação de tráfego.
30:05Quando o transponder deixa de funcionar, apresenta mau funcionamento, o controle de tráfego aéreo deve estabelecer contato com a aeronave para se certificar do que está acontecendo.
30:14Entretanto, não houve a adoção de procedimentos imediatos para checar o funcionamento do transponder.
30:25O erro foi reforçado por outro fator nesta cadeia de eventos.
30:29No meio da confusão, acontece uma transferência de controladores no Sindactam.
30:33A transferência de serviço, de informações de tráfego de um controlador para o outro, é sempre um momento bastante sensível.
30:42Já foi identificada em outros acidentes mundialmente conhecidos como um fator contribuinte.
30:50Quando eu assumi a posição e efetivei o cheque do tráfego com o meu companheiro,
30:55eu questionei o meu antecessor quanto ao nível da aeronave novembro 600 X-Ray Lima.
31:00E obtive como resposta que a aeronave mantinha o nível 360.
31:05Eu entendi, portanto, que era um voo normal, um tráfego comum rotineiro.
31:10O controlador que assumiu recebeu a informação de que a aeronave estaria a 36 mil pés, acreditando nessa informação.
31:17Para a informação que ele tinha naquele momento é que tudo estava ok.
31:22Outros 15 minutos valiosos seriam perdidos até que o novo controlador fizesse algo com relação à ausência de sinal do transponder do Legacy.
31:30O sinal estava perdido há meia hora. E pior, não houve comunicação via rádio com o aparelho por mais de 40 minutos.
31:38Ele agora começa a tentar algum contato.
31:41November 600. X-Ray Lima, Brasília.
31:44Tentou estabelecer contato com a aeronave e não conseguiu.
31:47A aeronave já tinha se inserido numa área, já tinha evoluído para uma área que a cobertura radar e rádio é deficiente.
31:56Naquela região da... a área da região amazônica, nós temos muita dificuldade de comunicação.
32:03É uma área de floresta e às vezes a comunicação está boa e às vezes não.
32:09Tem aeronave que fala muito bem e tem aeronave que não.
32:12E no caso do Legacy, nós não conseguimos falar com ele.
32:15Agora a situação fica ainda mais complicada.
32:18O sinal do radar primário também desaparece e reaparece intermitentemente.
32:24Esta área é conhecida como buraco negro.
32:27Uma vasta região em que os controladores afirmam que os sinais dos aviões costumam desaparecer do radar.
32:32Nós temos uma visualização radar até em torno de 300 milhas após Brasília.
32:40E depois para o centro Brasília perde a visualização radar.
32:43A aeronáutica brasileira que está muito preocupada em defender o sistema,
32:49a versão deles é de que os controladores usam muito essa versão do buraco negro
32:55para escamotear, para disfarçar as próprias culpas no acidente.
33:02Se o radar falha, se a comunicação falha, as aeronaves ainda assim, elas devem estar voando separadas em nível.
33:12Ele é feito de uma forma, para que na falta de outros recursos, ainda assim, seja feita uma efetiva separação de tráfego.
33:20Na ausência de informações de um radar secundário, as regras aéreas determinam que os controladores aumentem a separação vertical
33:27para a distância do antigo padrão, 2 mil pés, ou que simplesmente desviem a outra aeronave lateralmente para uma distância segura.
33:34Os controladores não tomaram nenhuma dessas medidas.
33:37A aeronáutica é tão sofisticada, tem tantos mecanismos para você ir corrigindo erros e vão falhando todas as instâncias para evitar aquele erro.
33:50Houve uma conjunção mesmo de erros, de falhas, erros de procedimentos que vieram a causar o acidente.
33:59Então, realmente, foi uma cadeia.
34:02O Boeing e o Legacy estão agora a apenas 10 minutos de distância e se aproximam rapidamente.
34:16O Boeing 737 e o Legacy estão agora a menos de 10 minutos de uma colisão sobre a Amazônia.
34:23Comunicações por rádio e radar com o controle de tráfego aéreo apresentam falhas.
34:28Sem ter ideia do perigo, o piloto Joe Leport deixa a cabine e passa o controle para o copiloto John Paladino.
34:36Seu último contato com o controle de tráfego aéreo aconteceu a 57 minutos.
34:41Brasília, novembro 6,00 X-ray, Lima.
34:4457 minutos entre o último contato e a primeira tentativa de estabelecer contato com o controle de tráfego aéreo.
34:52Nos parece muito tempo.
34:54Brasília, novembro 6,00 X-ray, Lima.
34:56O Aladino fará 20 tentativas de contato pelo rádio.
35:01De acordo com a legislação, ela deveria ter acionado também um código 7,600 que era de falha de comunicações.
35:09E o piloto também não acionou esse código de falha de comunicações para dizer que ele não estava conseguindo falar conosco.
35:16Brasília, novembro 6,00 X-ray, Lima.
35:19Eles garantem isso, que o rádio estava funcionando o tempo inteiro.
35:27Novembro 6,00 X-ray, Lima.
35:28Enquanto o Paladino tenta fazer contato, Brasília chama Manaus para checar a altitude do Boeing na direção contrária.
35:35Oi, Amazônico. Aqui é Brasília. Nível e hora do gol.
35:38Ok. 3,70 ou 59.
35:41Beleza? Copiado?
35:43Valeu.
35:44Falou.
35:44Cinco minutos até o choque.
35:49O Legacy deixa a área de comando de Brasília e entra no espaço aéreo controlado por Manaus.
35:55Novembro 6,00 X-ray, Lima. Brasília in blind.
35:59O controlador de Brasília faz a última tentativa para entrar em contato com o Legacy.
36:03Ele envia uma chamada a cegas, na esperança de que os pilotos ouçam o sinal e mudem para uma frequência melhor.
36:09Neste momento, o Paladino ouve o chamado.
36:12Mas surge outro problema. Ele não consegue entender todos os dígitos.
36:18O controlador não ouve nada. Ele não tem condições de saber se a sua chamada a cegas foi recebida.
36:31Mesmo assim, o controlador que trabalha ao lado entra em contato com Manaus para passar o controle do voo do Legacy.
36:37Em Brasília.
36:38Novembro 6,00 X-ray, Lima. Tem?
36:41Tem aqui.
36:42Ele está entrando na tua área já aí, ó.
36:44Tem sim, eu já tenho sim.
36:47Manaus vê a mesma informação de altitude errada do radar primário.
36:52Beleza, 360. Está te chamando aí.
36:54A confirmação verbal 360 completa a série de erros.
36:59A batida foi exatamente no momento em que o Boeing estava saindo do controle de Manaus para entrar no espaço aéreo controlado pelo Sindacta 1 em Brasília.
37:13E o Legacy estava saindo do espaço de Brasília para encontrar o de Manaus naquele momento.
37:20Falta um minuto para o choque.
37:25Leopold volta para a cabine e encontra Paladino tentando fazer contato urgente pelo rádio.
37:32Tarde demais.
37:34Eu acho que o outro controle nos deu. Ele está nos chamando.
37:36O voo 1907 leva alguns segundos para sumir da tela, enquanto a aeronave se desintegra no ar e o sinal desaparece.
37:52O voo 1907 leva alguns segundos para sumir da tela, enquanto a aeronave se desintegra no ar e o sinal desaparece.
38:06Os controladores demorarão um tempo para perceber que esta não é apenas mais uma falha no radar.
38:14Ninguém sabe onde está o voo 1907.
38:17Não tem um gol. Não tem nenhum gol aqui com a gente, não.
38:20Tu tem como ver onde ele está?
38:22O acidente acontece sim.
38:25Mas era um acidente que podia ter sido evitado sim.
38:28Existem várias falhas, vários erros cometidos por várias pessoas.
38:33Com a sucessão de erros.
38:37Na teoria do dominó, mas infelizmente nesse acidente, todos os dominós que poderiam ter sido retirados, eles não foram retirados.
38:47Imagine se engarrafamento.
38:49O acidente é o pior da história da aviação brasileira.
38:54Os controladores dizem que a tragédia poderia ter sido evitada se as autoridades no comando da operação
39:00tivessem ouvido os alertas sobre as falhas no sistema.
39:03Os controladores alertavam de falhas, de problemas.
39:10No entanto, a solução não vinha como deveria vir ao seu tempo.
39:15Os militares brasileiros, eles são muito orgulhosos dos nossos sistemas de aviação.
39:25Eles sempre dizem, há muitos anos, que é equiparável aos sistemas mais modernos, como, por exemplo, os sistemas dos Estados Unidos e da Europa.
39:35Então, eles tiveram uma posição, assim, muito de defesa do que eles fazem.
39:42Não creio que seja alguma coisa decorrente essencialmente do sistema de controle.
39:51Não terá sido. Não terá sido.
39:53É evidente que, por conta desse acidente, nós, no Brasil, estamos trabalhando e revisando muitos modelos.
40:04Esses modelos, pelo simples fato de estarem sendo revisados, não significa que eles estejam errados ou estavam errados.
40:12Eles podem evoluir.
40:14Além das falhas graves no sistema, os controladores afirmam que contam com equipes muito reduzidas.
40:20Após o acidente, eles fizeram uma operação padrão como forma de protesto e se recusaram a orientar mais do que um número limitado de voos simultaneamente.
40:31Centenas de voos foram cancelados nos meses seguintes ao desastre.
40:35O caos tomou conta dos aeroportos do país e provocou revolta entre os viajantes.
40:41Muitos passageiros tiveram que esperar alguns dias para embarcar nos voos atrasados.
40:46A aviação civil, para nós, é uma coisa muito importante.
40:50E, por exemplo, nós estamos preocupados com todas as eventuais deficiências que elas sejam corrigidas.
40:56E esperemos que elas, essas instituições, corrijam e arrumem os erros cometidos por eles.
41:04Para que nunca mais aconteça um fato igual a esse.
41:08Porque eu não quero, gostaria de deixar morrer dessa forma.
41:11Eu espero que haja justiça.
41:20Mas, se vai acontecer, se vai punir os culpados, se vai descobrir realmente que eles são culpados, eu espero que sim.
41:28Por que pode ser feita justiça? Para não acontecer mais, gente.
41:31Precisa haver uma correção, uma punição, para que outros acidentes não venham ocorrer e abalar tanto as famílias como nos abalou.
41:46A colisão enviou sinais de alerta para o setor aéreo mundial.
41:52Na medida em que aumenta o volume de voos, o espaço aéreo no mundo todo fica cada vez mais congestionado.
41:57O espaço aéreo no mundo todo, e assim também no Brasil, ele está cada vez mais disputado.
42:04Cada vez nós estamos voando mais próximo.
42:06Ironicamente, a mesma tecnologia precisa de navegação que permite que os aviões voem mais próximos também reduz as margens de erro.
42:15Existe um fato curioso em que, por incrível que pareça, a tecnologia nessa situação, ela acaba contribuindo.
42:24Se eles não fossem tão precisos, eles poderiam passar muito próximos e nada aconteceria.
42:31A diferença foi tão pequena que foi de alguns metros, onde caprichosamente a ponta da asa de uma aeronave colidiu com a ponta da asa esquerda da outra.
42:42Após a tragédia brasileira, a Associação Internacional de Pilotos passou a defender novas normas para evitar que dois aviões jamais voltem a voar no mesmo ponto de uma aerovia.
42:54A esperança é que no futuro, as lições da tragédia do voo 1907 tornem colisões aéreas como esta na Amazônia virtualmente impossíveis.
43:24Legenda Adriana Zanotto
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado