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sábado, 19 de março de 2011

Passageiro de última hora, pulou no meu barco e seu sorriso iluminou a viagem como a lua dos amantes. Sua pequena bagagem foi acomodada sem sustos, afinal não eram esperados temporais nessa época. Sem cerimônias, enrosquei-me como sereia (será que foi a mãe-d'água que me mandou?) e deixei o rumo à deriva.
No decorrer do navegar, as coisas foram mudando: a pequena mala começou a pesar demais, fedia. Seus movimentos eram muito bruscos e desequilibrava a embarcação. Sua presença virou a maré, o vento cessou, o leme partiu, o horizonte se apequenou. O barco já não cabia nós dois. Cada um sabia e antes que a tempestade anunciada se estabelecesse, fiz o que era de lei: devolví à mãe d'água aquele falso presente, como ela faz de vez em quando no dia 2 de fevereiro.
Sereia - Obra de Americo Azevedo
Foto I.Moniz Pacheco

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Minha vida
é um barco
com velas sempre enfunadas
rumo ao próximo
horizonte
onde nada me espera
nem cá!
Foto I.Moniz Pacheco
Barra Grande - Baía de Camamu

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Porto e cais. Mastros e velas. Cordas e nós. Correntes. Âncoras. Dominando tudo o forte cheiro de óleo e maresia. Restos.
Ouve-se longe os sons de risadas, gritos, gargalhadas. Paira no ar misturado a tudo o cheiro de perfume barato, suor, cachaça e fumo daqueles que pagam para se divertir.
No fundo de um barco, deitado na pôpa, um homem fita o céu estrelado. Insone, pita seu cigarrinho, alheio , sente dominando tudo o aroma de sua mulher, ouve o murmúrio das roupas rescendendo a suor doce, lembra seu vulto pelo barco como um elegante fantasma. Seu amor. Foi-se. Levou com ela sua alegria. Fugiu num outro barco, sem leme, sem âncora. Fugiu com outro pirata sem perna de pau, sem olho de vidro, sem cara de mau.
Trabalho e foto I.Moniz Pacheco
Acrílica sobre tela 0,50x0,90
Doada.