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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A linha por sí só é poética. A construção plástica, a ocupação dos espaços, os suportes, os desenhos formulados, agrupados e preenchidos com cores, saltam aos meus olhos como tentativas de me entender e vai definindo um acréscimo interessante nas paredes do meu viver.

O tempo, por outro lado, vai deixando suas marcas na minha pele cada vez mais seca, nos meus cabelos cada vez mais brancos em minha silhueta cada vez mais arredondada e sobretudo nas memórias, que a contragosto, ficam mais seletivas, como uma inexorável, perceptível e tirana aproximação com a finitude.

De outro modo, ou por outro ângulo desse mesmo lado, o cenário atual violento, disperso e egoísta, desenvolve em mim um manifesto processo de distanciamento que me confere, pela própria situação, a possibilidade de expressar meus movimentos apenas pela arte.

Dentro das minhas limitações, de conhecimento inclusive, componho o que me seduz, do ponto de vista da liberdade artística.



Trabalho e foto I.Moniz Pacheco





sábado, 26 de fevereiro de 2011




A capacidade de transformar os símbolos que me rodeiam é apenas uma questão de organizar o que representa meu mundo. É um processo que resulta da prática, do conhecimento, da experiência, a forjar novos conceitos. Conceitos de beleza que tento transformar em marca profunda do meu fazer.
Encontrar novos espaços, desmistificar a imagem, inundar os sentidos com os conflitos a elucidar, libertar-me do jugo estético alheio usando outras formas de expressão. Um estilo estranho até, às vezes, a minha personalidade, transforma o olhar do outro em tabu e objetivo. A capacidade de existir pelo olhar do outro me transforma em elemento ativo.
Desprezando rótulos ou padrões, introduzo na criação aspectos/representações próximas do universo abstrato, mas o ritmo marcante, as linhas que induzem possibilidades, manifestam na escolha, meu profundo interesse pelo irreal.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Para Chorik

Há algum tempo atrás, Chorik me perguntou sobre meu processo de criação, meus modos. Não sei se era bem isso que ele queria saber, mas aí vai.
Trabalho com arte por necessidade interior.Não tenho formação acadêmica e só comecei a pintar regularmente há cerca de dez anos. Por mais ou menos 28 anos tive que viver numa cadeira giratória, luz fria acesa o dia inteiro em cima da cabeça, engolindo sapos e digerindo aquele trabalho que não me dava nenhum prazer. A indiferença era tão genuína que ninguém se dava conta do que se passava comigo. Foi a necessidade de sobreviver.
Quando garota andava a rabiscar coisas e cheguei a "cometer" tres telas, atividade abandonada pela ciranda da vida e que voltou há alguns anos quando conhecí um artista e professor, mestre Edson Calmon, que destrancou meus dedos, minha cabeça e meu coração, liberando a criatividade que, talvez por tantos anos aprisionada, hoje faz com que a atividade de criar não faça pausa.
Tenho um quarto nos fundos da casa onde botei duas janelas frontais para entrada da luz e é lá onde passo a maior parte da minha vida. Sem horários, sem compromissos. Geralmente acompanhada de um enorme copo com água e gelo, a bebericar como se uísque fosse, e que é trocado (quando algum trabalho me empolga) por uma cerveja gelada. Também me acompanham nessa jornada meu grande companheiro Thomé de Souza e música, muita música.
Isso geralmente à tarde pois de manhã sou muito preguiçosa. Depois da soneca do almoço é só atravessar o quintal e trabalhar, criar. Desenhos, projetos, colagens, executo algum projeto pronto e só entro em casa feliz, prá jantar, seja lá que horas sejam. Quando ainda dá vou bloguear. Esse é meu ritmo. Fim de semana quando não aparece ninguém, trabalho aos domingos, pois o sábado é dia de praia, encontrar os parceiros de cervejas, peixes e pequenas mentiras que fazem rir e me deixam mais leve, com a sensação de que resolvemos alguns problemas do mundo.
Meu processo de criação não tem mistério: sento e faço. Não sei bem criar por encomenda.
Meu traço é apenas geométrico. Ainda estou aprendendo a desenferrujar os dedos e os neurônios prá criar mais livremente, como acredito que eu seja. Invejo quem cria lindas figuras humanas, quem desenha conversando, sou profundamente apaixonada pelos traços de Carybé. Meus gênios são Amilcar de Castro, Thomie Othake, Emanuel Araújo, Eduardo Sued, Lygia Clark, Mondrian, Picasso, Alexander Calder, Lygia Eluf, Antonio Lizárraga, etc. etc. etc.
Não me considero artista. Tenho muito que aprender, fazer. Sou apenas uma alma errante cujo grande prazer é criar.
Se voces gostam, ótimo.
Se não gostam, pelo menos boto prá fora uma linhas cercadas de emoções por todos os lados.
Trabalho e foto I.Moniz Pacheco