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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A linha por sí só é poética. A construção plástica, a ocupação dos espaços, os suportes, os desenhos formulados, agrupados e preenchidos com cores, saltam aos meus olhos como tentativas de me entender e vai definindo um acréscimo interessante nas paredes do meu viver.

O tempo, por outro lado, vai deixando suas marcas na minha pele cada vez mais seca, nos meus cabelos cada vez mais brancos em minha silhueta cada vez mais arredondada e sobretudo nas memórias, que a contragosto, ficam mais seletivas, como uma inexorável, perceptível e tirana aproximação com a finitude.

De outro modo, ou por outro ângulo desse mesmo lado, o cenário atual violento, disperso e egoísta, desenvolve em mim um manifesto processo de distanciamento que me confere, pela própria situação, a possibilidade de expressar meus movimentos apenas pela arte.

Dentro das minhas limitações, de conhecimento inclusive, componho o que me seduz, do ponto de vista da liberdade artística.



Trabalho e foto I.Moniz Pacheco





quinta-feira, 10 de março de 2011




Dessa vigília incansável, dessa sentinela dolorida, meus olhos secos e minhas mãos hirtas são testemunhas.
O dia chega, claro, luminoso, trazendo a evidência de um corpo sem som, sem brilho, ao meu lado.
Daqui a pouco levantará.
Um último olhar quase me trai: o soluço fica suspenso, uma gota no ar.
Saio antes que o sol queime minha pele e exponha a dor subjacente que lateja minhas têmporas bradando aos quatro ventos minha agonia eterna.
Estudo Moniz Fiappo

terça-feira, 23 de março de 2010

Os dias seguem e é como se o mundo não se movesse. Nos últimos dias, nem meus pincéis. Imóveis, calados.
As bocas se abrem e se fecham e eu não ouço nada.
Meus ouvidos estão surdos.
Meus olhos, abertos, nada querem ver.
Os lábios cerrados/encerrados num sorriso tumular.
A cabeça gira por dentro, incontrolável. Sensações nítidas se misturam a fantasias e nuvens.
Parece droga pesada.
Não sei onde estou e duvido quem sou.
A efervescência do mundo todo derrama lágrimas secretas que me alimentam nessa viagem.
Cada um tem seu vulcão de mistérios: sou além do que cabe em mim.

Escultura de Amélia Cabral.
Foto I.Moniz Pacheco