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terça-feira, 30 de julho de 2013

De Marx a Darwin, a desconfiança das Ideologias - Onésimo Teotónio de Almeida

Não tem é muito comum dissertar aqui sobre livros do género ensaio, algo que também gosto de ler em simultâneo com literatura e ciências.
Onésimo Teotónio Almeida é um Açoriano, formado em filosofia, que leciona em universidades na Nova Inglaterra temas relacionados com a sua área, mas também escreve ficção e tem vários livros de contos.
"De Marx a Darwin" reflete sobre o aproveitamento da teoria científica da evolução das espécies e sobrevivência dos mais aptos no suporte de determinadas ideologias neoliberais, como se a ciência validasse ideologias e modelasse a ética, bem como o esforço de uma ideologia, baseada na razão e em princípios éticos e morais por si só tivesse valor científico sem a validação do método experimental.
Entre o ser assim e o deve ser  ou como deve ser e querer que a realidade se submeta, vai uma grande diferença e uma dose de humildade nos partidários da ideologia e nas ciências é preciso para reconhecer a impertinência de se impôr ao outro face à ignorância que ainda domina o conhecimento alcançado.
Por fim os reflexos de Darwin sobre três Açorianos: Sena Freitas, um padre que procurou desmontar o evolucionimo com a humildade de sentir mais faltas de provas na época do que argumentos religiosos; Nogueira Sampaio cauteloso e vítima da intolerância religiosa contra teorias científicas; e Arruda Furtado, um discípulo de Darwin com quem teve uma correspondência profícua para a sua curta longevidade.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A antiga e a nova Matriz da Horta

 Arruinada por sismos, intempéries e problemas de construção, a antiga Matriz do Santíssimo Salvador foi abandonada e progressivamente degradou-se, sobrou a sua torre que depois se tornou num dos ícones mais conhecidos da cidade da Horta
Mais de duzentos anos depois, quantos se lembram ainda que a nova Matriz, aqui observada da anterior, mais não é do que o aproveitamento da igreja de um colégio e convento jesuíta depois desta ordem ter sido expulsa de Portugal por Marquês de Pombal que assim passou a ser a casa mãe do catolicismo na Horta.
As volta que o mundo dá...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

OCEAN EYE - Uma nova forma de conhecer a mar açoriano

Neste artigo ficou prometida a publicação de um novo a relatar a viagem realizada na embarcação "Ana G" da empresa de actividade marítimo-turística Ocean Eye, também em rede social, a qual possui um fundo transparente que permite observar de uma forma ímpar os fundos marinhos por onde se navega...

Uma perspectiva do fundo e da proa do Ana G

Há momentos onde as fotos são uma sombra da realidade e esta reportagem enferma desse problema, pois se a visão dos olhos é capaz de atravessar perfeitamente o vidro, as lentes da câmera deixam-se perturbar pelo reflexo da luz do dia em prejuízo da beleza retratada.

Cardume de vejas a dormir

Trata-se de uma viagem onde a biodiversidade oceânica da zona costeira do Faial é exposta de uma forma única e ao vivo, explicada em directo por biólogos marinhos, alguns com interessantes curricula científicos e por isso conhecedores plenos do que mostram.

Uma estrela-do-mar num fundo rochoso

Peixes bentónicos como solhas, raias, moreias (pintada e a endémica preta); moluscos como os polvos; equinodermes; crustáceos como caranguejos subaquáticos e outros, uma fauna que varia em função dos fundos serem lodosos, arenosos ou rochosos. Peixes pelágicos de coloração variada, como vejas, sargos, garoupas, salmonetes, etc. Mais nteressante é sem dúvida a explicação ao vivo de alguns comportamentos que observamos, que vão desde posições de dormir, hábitos oportunistas, vivências em simbiose até rituais de acasalamento...

Marcas de dissolução em tufo por ouriços-do-mar para alimentação

Não nos podemos esquecer ainda da flora marinha, como algas verdes, vermelhas, outras construtoras de estruturas calcárias e inclusive algumas infestantes como a Caulerpa webbiana ou ainda os efeitos dos seres litófagos (comedores de rocha) sobre os estratos geológicos como as escavações dos ouriços no tufo vulcânico submerso.

Uma gruta costeira em tufo vulcânico com belíssimos contrastes de cor

Claro que não podia ficar para trás a geologia submarina. São os fundos da plataforma de abrasão resultante da erosão marinha do Faial, esta pode estar coberta por blocos rolados (restos da ilha), escoadas costeiras subaéreas que ficaram submersas aos longo dos últimos milhares de anos e ainda lavas em almofada formadas debaixo de água (testemunho de um edifício vulcânico que teima em crescer e emergir). Na zona costeira temos o testemunho da luta terra-mar, onde as grutas são sem dúvida um dos aspectos de maior beleza. Mas talvez a maior atracção seja mesmo a desgaseificação submarina da ponta da Espalamaca sobre a qual já expliquei e apresentei em filme aqui feito por um dos guias e sócio da Ocean Eye.

Moreia Pintada muito comum na zona de desgaseificação

Sem dúvida que para conhecer os fundos marinhos em torno do Faial, a fauna e flora oceânica e a geologia que nos cerca de uma forma acessível, muito confortável e sobretudo convenientemente interpretada por quem conhece a biologia, uma viagem na embarcação Ana G da Ocean Eye é uma oportunidade a não desperdiçar e que recomendo vivamente.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PRIMAVERA E NEVES DE ABRIL NO PICO


Estamos em plena Primavera e a montanha do Pico continua a exibir o seu manto de neve entre as nuvens justificando o frio que persiste ficar, apesar do muito apregoado aquecimento global.

Na verdade estamos formatados por livros escolares e mídia do Continente, que divulgam ideias climáticas diferentes da realidade destas ilhas em pleno Atlântico Norte.

Em virtude das variações térmicas dos oceanos serem mais lentas que as do ar e terra, o clima dos Açores sofre um efeito moderador das águas marinhas.

Assim, além das amplitudes térmicas anuais e diárias serem menores que no Continente, há mesma latitude, também há um atraso nos meses com as médias das temperaturas mais altas e mais baixas do ano. O aumento do número de horas diurnas e o seu efeito no aquecimento apenas se começa a sentir quando a Primavera já vai avançada e os calores extremos que acompanham os santos populares em Lisboa, os Açorianos sentem-nos lá mais para Agosto, quando da maioria das festas municipais de Verão.

Devido ao mesmo efeito regulador do oceano, o provável aquecimento global verificar-se-á nos Açores mais pela subida das águas do que por uma significativa variação térmica, outra especificidade da nossa Região.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CURIOSIDADES: Motos na Horta

Clique na foto para ampliar

Não sou um motard, mas achei interessante observar num dia de festa do Verão passado tantas motos concentradas e estacionadas com uma disposição que me fazia lembrar o gado em torno da sua manjedoura num estábulo moderno.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Experimentar Na M'Incomoda


Em todas as épocas houve artistas que pegaram no património cultural herdado, recriaram-no, deram-lhe uma roupagem moderna para altura e muitas vezes chocaram com o seu arrojo a sociedade do seu tempo. Tem sido assim na literatura, na pintura, na escultura, na arquitectura e também na música.
"Experimentar Na M'Incomoda" resultou de jovens faialenses que tomaram músicas tradicionais dos Açores e sem se incomodar experimentaram. Foram recentemente premiados a nível nacional pelo seu projecto..., tal como no passado, alguns sentir-se-ão incomodados pelo arrojo.


Parabéns! Ontem deram-se a conhecer mais profundamente na sua ilha, na Casa.
Boa Sorte!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

HORTA DOS CABOS SUBMARINOS

O aparecimento das telecomunicações no século XIX tornou a Horta no maior nós de cabos submarinos entre as várias potências da Europa, os Estados Unidos, o Canadá e países da América do Sul.
Um aspecto da sala com expositores e paineis explicativos


Esta realidade não só trouxe para o Faial numerosos trabalhores especializados das empresas de telecomunicações dos vários países com estações na Horta, com a suas línguas e tradições culturais, como ainda deu emprego e formação a muitos habitantes locais, com o consequente intercâmbio.


Equipamentos de uma época onde o telégrafo e o código morse eram reis

Tal dinamismo socio-cultura e económico levou à construção de vários edifícios residenciais, de apoio técnico, de serviços e infraestruturas sociais e lazer para criar condições dignas a tão grande número de pessoas envolvidas nesta revolução do século XIX. A Horta tornou-se um centro de actividades desportistas das elites europeias: futebol, ténis, remo, hipismo, vela, etc., pois de tudo um pouco fervilhava nesta cidade cosmopolita.

Vários tipos de cabos submarinos que uniam o Atlântico pela Horta

Esta realidada modificou-se a partir da década de 1960 com os novos avanços tecnológicos, mas o legado deixado pela posição geoestratégica da Horta no apoio às telecomunicações no hemisfério ocidental é enorme, está em exposição na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça e merece ser visitado por todos os que cá hoje residem ou que por aqui passem. Tudo repleto de explicações, para melhor conhecerem e perceber este período áureo da economia e vida social desta cidade que por isso ficou tão aberta ao mundo.

A não perder!

sábado, 25 de julho de 2009

TRONQUEIRA - VALE DA RIBEIRA DO GUILHERME

(clique nas imagens para as ampliar)
Picos que formam a Serra da Tronqueira

Prometi um post com imagens do trabalho de reconhecimento na Serra da Tronqueira, mais especificamente pelo vale da Ribeira do Guilherme ou dos Moinhos, apesar de ter sido no Verão, não foi numa tarde ensolarada, aliás, em conformidade com o que se tem passado no presente mês de Julho.


O Vale da Ribeira do Guilherme alvo da nossa expedição

No trabalho pretendeu-se apenas verificar as condições de realização de uma intervenção manual num espaço ocupado por uma importante e densa cobertura florística natural da Macaronésia - a província biogeográfica de que os Açores faz parte, um tipo de floresta denominado por Laurissilva, tendo em conta a necessidade de assegurar a protecção deste património natural.

As explicações do trabalhador conhecedor da obra e do terreno

Como muitas vezes acontece, são os trabalhadores de campo que melhor conhecem o espaço e o nome popular das espécies da flora alvo do nosso estudo. Aprender com eles é sempre uma momento inesquecível pela forma como passam o saber acumulado da sua experiência do diária.

A Laurissilva que nos cercava e fonte de alimentação do priolo

O percurso não foi fácil, além de um chão por vezes naturalmente armadilhado, noutros casos escorregadio e, frequentemente, com a vegetação densa típica de zonas húmidas, requer alguma coragem e destreza, mas a meta era uma nascente captada para consumo o humano e no fim esta apresentou-se aos nossos olhos com o seu caudal puro e natural.

O alvo, uma importante nascente usada para o abastecimento humano

Referi antes que um particular interesse de preservação desta área residia na necessidade de conservação de uma das espécies de aves mais raras da Europa. Esta não se dignou surgir aos nossos olhos, mas se quiserem conhecer o priolo, com o nome científico Pyrrhula murina, visitem a página do Projecto Life Priolo ou a do Centro Ambiental do Priolo que contém boa informação e imagens deste exemplar endémico de São Miguel.

Oportunamente mostrarei algumas imagens de flora endémica encontrada aqui e nos Açores em geral.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O PEQUENO GRANDE PICO

O coração da vila de São Roque do Pico, o Cais do Pico, é o único centro das sedes de municípios das ilhas do Triângulo onde a imponência da Montanha do Pico se esconde na paisagem.

Todavia, este cone vulcânico torna-se visível nalguns locais desta vila e parece mesmo espreitar por detrás da vertente norte da ilha. Mas aqui, o imponente e longínquo alto Pico surge pequenino, quando comparado com as próximas "grandes" araucárias de São Roque do Pico.
Mesmo assim, a beleza do ponto mais alto de Portugal e da paisagem envolvente permanece...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

AUDIÊNCIA SINGULAR

Visitas de trabalho ao campo, nos Açores, têm as suas particularidades. Recentemente, num trabalho em equipa, para avaliação da implantação de um projecto, decidimos subir a um local mais alto para observar a envolvente e apreciarmos o contexto de inserção do empreendimento na paisagem, a troca de opiniões não foi muito intensa, mas rapidamente tínhamos uma audiência inesperada e interessada em se informar e participar na discussão.


Numa época em que se fala do défice de discussão pública nas decisões, talvez, à semelhança do sermão de Santo António aos peixes, a solução seja mesmo encontrar um público interessado em participar.