Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta comunicação social. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta comunicação social. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"AMERICANAH" de Chimamanda Ngozi Adichie


"Americanah" da escritora da Nigéria Chimamanda Adichie, de quem já li este livro e do qual muito gostara, é um romance que mostra não apenas as dificuldades de vida da população daquele País, como também os problemas que a sua juventude enfrenta ao emigrar ou refugiar-se no Reino Unido ou nos Estados Unidos, mostrando muitos dos preconceitos raciais e culturais nos Países de acolhimento com sociedades multiétnicas e ainda os desajustamentos daqueles que regressam à origem. Aliás, o título "Americanah" é o termo com que os Nigerianos designam os seus emigrantes que vêm da América aculturados, à semelhança dos Açorianos quando falam dos "calafonas" e "amercas" e os Continentais denominam "francius" aos que passam pela França.
O romance centra-se numa relação amorosa que se iniciou na adolescência no ensino secundário, se prolongou no universitário e é interrompida pela emigração legal da jovem para a América e ilegal dele para Inglaterra sendo então afetada pelas vicissitudes que cada um enfrenta relatada em partes distintas ao longo do livro.
Os penteados africanos e as novas tecnologias tornam-se peças importantes para a caracterização do mundo atual, não só pelo uso destas nas comunicações à distância, mas também quando parte dos capítulos se passa num salão cabeleireiro que suporta reflexões sobre a importância do cabelo na integração social e, sobretudo, por a protagonista se tornar numa blogger famosa, onde, a partir das experiências do dia-a-dia, denuncia e caracteriza os vários tipos de racismo e os preconceitos e ideias feitas nos povos de acolhimento. Enquanto a estadia ilegal do protagonista servirá para mostrar vertentes diferentes das dificuldades dos imigrantes. Por sua vez, os momentos vividos na Nigéria evidenciam a corrupção política neste Estado, as ideias irrealistas do povo sobre os países de sonho, a estratificação social, económica e educacional e ainda a aculturação que sofrem os que saem e voltam transformados ao local de origem, em contraste com os que permaneceram sempre na terra natal.
Chimamanda utiliza escritas diferentes em função das necessidades de narração da estória, textos comunicacionais privados no e-mail ou públicos na blogosfera e redes sociais, nas caracterizações dos falares do inglês britânico, americano, nigeriano e da influência da língua nativa da escritora: o igbo, contudo sem nunca perder nem a coerência nem a uma grande fluência, o que torna a leitura muito agradável e diversificada, mas sempre fácil e a tradução tece a preocupação de respeitar minimamente essa riqueza estilística.
Assim, estamos perante uma obra magnífica que é ao mesmo tempo uma história de amor, um manifesto contra a injustiça e o preconceito e um retrato do mundo globalizado e informatizado atual visto pelo olhos de uma Nigeriana. Interessante também o recurso a encontros sociais em salão ou em festas que recordam técnicas da literatura do século XIX e de Proust no século XX, para mostrar a diversidade intrínseca das classes média e alta que se cruzava nas suas relações de vida.
Americanah é de facto uma grande obra literária e um tratado social que enriquece a literatura contemporânea e alarga os horizontes de quem lê. Apesar de grande (cerca de 700 páginas) vale a pena ler e recomendo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Stieg Larsson e a Trilogia Millennium



Conclui de rajada a dose fast food da trilogia Millennium de Stieg Larsson e não me arrependi.
Sabia que não seria uma obra-prima de arte literária, mas precisava de perceber o que motivara tão grande sucesso e claro percebi logo que a estratégia do thriller costuma dar bons frutos, mas este conjunto não é só isso. 
Além de ter sabido encadear acontecimento, Stieg Larsson mostrou um conjunto de personagens que apesar de parecerem amorais nos bons costumes estão cheios de princípios éticos e sedentos de uma justiça não atada pelas próprias regras que sustentam a liberdade e a democracia social na Suécia.
O primeiro volume é uma obra à parte, tecnicamente mais bem estruturada e com princípio meio o fim.
Apresentação dos protagonistas com uma heroína estilo punk vítima dum mundo preconceituoso que não a compreende e é sujo, a qual acompanha uma investigação jornalística, onde se descobre do pior que pode haver no ser humano e se desmascara esta sociedade corrupta em que vivemos. Uma escrita despretensiosa pouco interessante... mas que é uma denúncia cheia de emoções.
Devido à minha cooperação com jornais retenho o seguinte parágrafo já perto do final " Oh sim, os media tem uma enorme responsabilidade. Durante quase vinte anos, muitos jornalistas abstiveram-se de investigar... Se tivessem feito o seu trabalho como deve ser, não estaríamos hoje na situação em que estamos."


Os outros dois volumes são demasiado interdependentes e dificilmente podem ser lidos isoladamente e o enredo por vezes parece inverosímil, repetitivo e com excesso de pormenores, mas levantam uma série de questões no meio de um suspense de cortar por vezes a respiração e de alguma violência que dói só de imaginar.
Pode o edifício da democracia criar monstros dentro de si cujo objetivo é a sustentação desse mesmo edifício? Seria o Estado bem melhor se os jornalistas em vez de meros transmissores de notas e conferências de imprensa ou daquilo que veem fossem sobretudo investigadores a sério da realidade? Estará o Estado de direito maniatado pelas suas próprias leis que não consegue assegurar uma verdadeira justiça aos cidadãos vítimas de quem não respeita a normas? Não perdoaríamos o Estado que transgredisse a Lei para fazer justiça, mas perdoaremos que alguém de fora transgrida as regras para se conseguir o mesmo fim? Julian Assange não estará em parte retratado e justificado nesta trilogia?


Um fast food que tem em simultâneo a capacidade de nos distrair e de fazer pensar, se quisermos mesmo refletir as ideias constantes nas entrelinhas da escrita deste jornalista precocemente desaparecido.

terça-feira, 15 de julho de 2008

GEOMONUMENTOS DOS AÇORES: National Geographic

Reconhecidamente, a revista National Geographic, inclusive a sua versão portuguesa, não necessita de publicidade, mas mais uma vez chegou-me às mãos uma publicação para divulgação, precisamente a última edição desta revista, Julho de 2008, por apresentar um trabalho especial sobre a geologia do Açores.
Trata-se de um suplemento desdobrável entitulado "Geomonumentos dos Açores, descodificar e proteger a paisagem", onde são apresentadas e explicadas, de uma forma simples, várias estruturas geológicas que se podem encontrar nas várias ilhas deste arquipélago.
O folheto não é exaustivo, mas apresenta uma selecção significativa destes Geomonumentos, mostra a geodiversidade desta região de uma forma interessante e o enquadramento geotectónico dos Açores a nível planetário.

O destacável vai mais além dos geomonumentos. Procura caracterizar os vários tipos de erupções que formaram os Açores e o próprio aparecimento destas ilhas no contexto de "deriva" dos continentes.
Apresentando ainda publicamente, julgo que em primeira mão, a nova rede de áreas protegidas dos Açores, que neste momento já se encontra em aprovação no Parlamento da Região Autónoma dos Açores.
A aquisição desta edição com este suplemento é mais uma oportunidade de todos os interessados, no ambiente, na vulcanologia e na geologia dos Açores, conhecerem um pouco mais destas ilhas, bem como alguns modelos explicativos sobre a sua génese e enquadramento tectónico do arquipélago.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Construção do TRIBUNA DAS ILHAS on-line

Há vários anos que sou um dos elementos da Direcção da cooperativa IAIC, sem fins lucrativos, com objectivos de informação e animação cultural no Faial. Proprietária do semanário "Tribuna da Ilhas"(TI) que se publica na cidade Horta.
Face à necessidade de informar o que se passa nestas ilhas às comunidades residentes noutras ilhas, continente e no estrangeiro;
Tendo em conta as dificuldade de remeter a versão de papel do jornal para o exterior desta terra; e ainda as oportunidades criadas com as novas tecnologias; iniciei então um projecto de construção de uma página do TI na internet para o fazer chegar mais longe.


Neste momento a página encontra-se ainda em construção mas está on-line. Possui algumas lacunas, a versão pdf para eventuais assinantes não está disponível, mas o projecto está no ar.
Apesar da pequena equipa da redacção editorial, das dificuldades técnicas e financeiras, todos os que quiserem consultar sítio do "Tribuna da Ilhas", apresentar projectos de publicidade, divulgar a página e até num futuro assinar o TI em pdf ou dar o seu contributo, este blog é uma porta aberta, face ao meu envolvimento pessoal na mesma.

Desde já fica o meu agradecimento a todos os que até hoje já colaboraram comigo, com destaque para o meu colega da concepção e realização, que tornaram possível este primeiro passo do TI.
Se se encontra fora da ilha e é leitor deste blog aproveite para divulgar a página do Tribuna das Ilhas: http://tribunadasilhas.com.pt