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terça-feira, 23 de março de 2010

PRAIA DA VITÓRIA e a Falha das Fontinhas

Escarpa de Falha das Fontinhas destaca-se perfeitamente na paisagem a sul da Praia da Vitória

Tal como acontece em Pedro Miguel do Faial, existem falhas simétricas a sul e a norte das Lajes na Terceira. Assim, nas Fontinhas surge uma estrutura em tudo semelhante à Falha das Lajes, diferindo apenas no facto de que agora esta falha mais meridional inclina para o quadrante norte.
Também ao contrário da falha das Lajes, agora é o bloco a sul que sobe em relação ao bloco norte que desce.
Muitos elementos, nomeadamente a perfeição da cicatriz deste acidente tectónico, indiciam que a Falha das Fontinhas é também sismicamente activa, com todos os riscos inerentes a essa situação, logo tanto a sul como a norte da cidade duas ameaças com aparências simétricas, mas com efeitos semelhantes, espreitam a Praia da Vitória.
Estas falhas formam uma estrutura única, mas isso será tratado em outro post.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

FOTO DE FALHAS NORMAIS

Além dos vários posts publicados sobre as principais falhas geológicas do Faial com expressão no relevo da ilha, tinha também mostrado aqui um corte geológico numa frente de exploração de escórias vulcânicas no Pico onde a fractura das falhas e o movimento entre os dois blocos separados era muito evidente.

Foto de Carlos Campos realizada na ilha de São Miguel (clique para ampliar).

Agora um colega de trabalho forneceu-me um exemplo muito didáctico de duas falhas geológicas normais, observadas num corte geológico em material de composição pomítica (do tipo das pedra-pomes).
As duas fracturas, que ao serem geradas causam sismo e onde ocorrem deslizamentos ao longo dos tremores-de-terra, formaram-se num mesmo campo de forças e os seus movimentos combinam-se como resposta conjunta aos esforços que as rochas em causa sofrem e por isso se chamam falhas conjugadas, normalmente fazem um ângulo agudo entre si.
Pode-se igualmente verificar que do movimento destas falhas conjugadas, o bloco entre elas subiu, quer em relação à esquerda quer do que está à direita das falhas, formando uma estrutura mais elevada designada por Horst, quando estrutura entre as falhas abate, designa-se por Graben, que já falei pormenorizamente neste post.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A PAISAGEM DO GRABEN DE PEDRO MIGUEL

As lombas paralelas, semelhantes a serras no Continente, geradas pelas falhas do graben de Pedro Miguel, marcam fortemente a paisagem da metade oriental do Faial, quer quando se observa junto à costa, mais para o interior, do mar ou mesmo do centro da ilha. Por isso esta zona do Faial, geomorfologicamente é conhecida como a Região das Lombas.
Zona costeira oriental da ilha, observada da Lomba da Espalamaca, vendo-se em baixo a freguesia da Praia do Almoxarife, seguida da Lomba dos Frades ao centro, a partir da qual se vê parte de Pedro Miguel e vendo-se ao fundo as Lombas Grande e da Ribeirinha.
A área abatida na parte central da zona oriental da ilha, bem marcada pela Lomba da Espalamaca em primeiro plano e a Lomba grande ao fundo.
As Lombas da Ribeira do Rato, Grande e da Ribeirinha, vistas do canal Faial - Pico, para os mais atentos é possível observar mais duas falhas de menores dimensões, uma entre cada uma das lombas maiores.
As lombas observadas do centro da ilha, a partir da região da Caldeira. No extremo direito da foto a lomba dos Flamengos, seguindo-se a da Espalmaca/Facho, Frades e no limite esquerdo a da Ribeira do Rato. As elevações no Faial ao fundo e à direita correspondem aos vulcões monogenéticos da zona da Horta... a fundo da foto a ilha do Pico, com o topo do seu grande vulcão poligenético coberto de nuvens.

Infelizmente, a beleza destas lombas esconde um lado muito mais negro que em breve também aqui apresentarei.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O GRABEN DE PEDRO MIGUEL

Tal como já referi, as falhas normais estão associadas a movimentos de distensão, ou seja, a locais onde a superfície da Terra está estender-se ou, como alguns dizem, a ser esticada.
Quando falhas normais, aproximadamente paralelas, inclinam em sentidos opostos para o espaço entre elas formado, cria-se uma espécie de vale, de fundo mais ou menos largo, e gera-se um bloco abatido entre as falhas. A esta estrutura chama-se em geologia Graben, uma palavra de origem alemã que significa fosso ou trincheira.
Todos os post com a designação de "O Faial cortado à faca" e com a etiqueta "graben" mostram partes de uma das mais importantes estruturas geomorfológicas ou tectónicas do Faial, muito evidente na metade oriental da ilha, cujo eixo central se situa na freguesia de Pedro Miguel e designada por: Graben de Pedro Miguel.
(clique nas fotos para as ampliar e ler as anotações)
A zona central do Graben de Pedro Miguel e a freguesia que lhe deu o nome. Foto tirada da Lomba dos Frades, que inclina para norte, vendo-se ao fundo, com menor evidência, a falha da Ribeira do Rato (mais à direita) e a escarpa da falha da Lomba Grande, que inclinam ambas para sul.
Quando se faz uma modelação do relevo do Faial, o Graben de Pedro Miguel destaca-se imediatamente como uma grande depressão ou vale a leste da Caldeira localizada no centro da ilha (imagem proveniente do Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores).

Visto do canal Faial-Pico é muito evidente o Graben de Pedro Miguel, embora possa parecer que a zona central seja mais larga, devido às lombas da Espalamaca e Grande se destacarem mais na paisagem do que as falhas da Lomba dos Frades e da Ribeira do Rato, que são as mais interiores do graben e definem o eixo desta importante estrutura geológica.

Existem algumas pequenas falhas geológicas além das que mencionei nesta imagem e visíveis na foto, mas seleccionei apenas as mais evidentes, com melhor expressão no relevo e já referidas anteriomente neste blog.

Todas estas falhas geológicas são sinais evidentes de que a superfície do Faial está sempre a ser alterada, tal como a da Terra através as tectónica de placas, mas esses são assuntos para outros post.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Faial Cortado à Faca VIII - A FALHA DA LOMBA DA RIBEIRINHA

A lomba mais setentrional desta série é a Lomba da Ribeirinha ou dos Espalhafatos e tal como as duas anteriores, possui uma vertente muito abrupta virada a sul e outra mais suave a inclinar para norte, embora esta última seja pouca extensa por estar cortada pela arriba litoral que forma a costa norte de Faial. Na foto acima, além de desenhado o contorno da escarpa de falha a vermelho, estão ainda assinalados dois pontos a amarelo (clique na foto se quiser ampliar): A - uma elevação no cimo da Lomba da Ribeirinha, e B - a extremidade nordeste da ilha do Faial, designada por Ponta da Ribeirinha. Estes locais, quando observados do sítio da presente foto não mostram nada de especial... mas quando a observação é feita de uma zona onde os nossos olhos vêem a lomba na perpendicular, de modo a anular o erro de paralaxe, tudo muda de figura e observa-se um pormenor muito interessante.

A partir desta perpectiva, de sul para norte, é possível verificar que o cone vulcânico da Ribeirinha foi cortado pela falha, ficando uma parte no bloco sul (a maioria do monte mais próximo do observador), enquanto uma pequena parte ficou no bloco norte. Assim a elevação A corresponde ao contorno do cone cortado e deste perfil, não só se observa que a zona norte subiu em relação ao sul (seta a vermelho), como também se deslocou para a nossa direita (seta a amarelo), resultando dos dois movimentos a seta laranja. No ponto B, é visivel também os mesmo movimento na escarpa em relação à costa, onde o contorno desta a norte da falha está de novo levantado e deslocado para a direita, embora a erosão marinha não torne tão evidente este movimento.

No post Falhas Geológicas -Tipos de movimentos, de Outubro último, mostram-se desenhos onde se evidencia que se está perante uma falha onde o bloco que sobe não se sobrepõe ao inferior e que existe um movimento horizontal do tipo direito, pelo que esta é uma Falha Normal com desligamento Direito.
Na foto acima, na Ponta da Ribeirinha e tirada para norte, existem mais indícios que a zona norte está subida e deslocada para a direita, todavia a erosão do mar dificulta a conservação deste tipo de evidências.
Todas as falhas da série "O Faial Cortado à Faca", fazem parte de uma estrutura tectónica muito importante e impressionante na ilha, a mostrar brevemente, mas são todas falhas normais direitas, embora seja na Ribeirinha onde existem evidências tão nítidas (depois de explicadas) e observáveis a qualquer pessoas, mesmo não especialista na área.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Faial cortado à faca VII - A FALHA DA LOMBA GRANDE

Falha da Lomba Grande, tal como o nome indica, é a que tem maior expressão morfológica em toda a ilha do Faial e separa as freguesias de Pedro Miguel e de Ribeirinha. Vista à distância parece uma serra típica, pois este degrau tem mais de 8 km de comprimento, bem visíveis à superfície, e forma um degrau cujo desnível chega a ser superior a 170 m de altura.
Falha da Lomba Grande vista do lado sul, na freguesia de Pedro Miguel (foto tirada de Sul para Norte).

Tal como a falha da Ribeira do Rato, esta também tem uma escarpa muito inclinada para sul, assinalada a vermelho na foto acima, e, novamente, os terrenos que se situam a sul desta falha estão abatidos em relação aos do bloco norte, ao contrário das falhas a sul da freguesia de Pedro Miguel.
A escarpa de falha é tão inclinada que na sequência do sismo de 9 de Julho de 1998 grandes escorregamentos ocorreram nesta escarpa, ainda visíveis presentemente, contudo, se nos deslocarmos ao ponto I assinalado no cimo da escarpa (clique na foto para ampliar), obtemos a morfologia da foto abaixo.

Onde se verifica que a vertene norte da Lomba Grande é muito menos inclinada, o que permite o desenvolvimento das pastagens típicas das zonas altas do Faial, cujos minifundios são separados por hortências que florescem de Junho a Agosto. Nota: A linha vermelha à direita dos terrenos (mais evidente se clicar na imagem) é o topo do degrau e aproximandamente coincidente com o ponto I da foto anterior.


Na vertente sul apenas as árvores conseguem suportar tão grande inclinação, pelo que, naturalmente o solo se encontra sem uso humano, contrariamente ao que acontece aos terrenos horizontais situados no bloco abatido da falha, novamente com pastagens.

Escarpa da Lomba Grande vista numa zona mais para o interior da ilha na freguesia de Pedro Miguel

A freguesia de Pedro Miguel desenvolve-se no bloco abatido a sul das escarpas da Ribeira do Rato e da Lomba Grande assinalada na foto.

A norte desta lomba outra interessante ocorre, a última desta série a tratar aqui, mas que tem uma particularidade que depois de mostrada é tão evidente aos olhos de qualquer um, embora seja uma característica comum a todas as seis falhas até agora mostradas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA VI - A falha da Ribeira do Rato

Enquanto a sul da Pedro Miguel as lombas estão associadas a falhas geológicas que provocam uma vertente sul pouco inclinada e outra a norte muito abrupta, o que indica que as zonas a norte abateram em relação a sul, depois de se atravessar o "vale" desta freguesia, ocorre uma situação simétrica face à parte meridional da ilha.
Pequena lomba a norte da Ribeira do Rato, altamente inclinada para sul, indicando que agora é o bloco sul que se encontra abatido e que a falha da Ribeira do Rato inclina para sul.
Agora, é a vertente norte da lomba que apresenta um declive mais suave, contrariamente às lombas a sul de Pedro Miguel.


Aproveitando perturbações no plano da falha da Ribeira do Rato, instalou-se nesta vertente sul uma antiga rua, que sobe quase na perpendicular à lomba, daí resultou uma via muito íngreme, que devido à sua inclinação se chama "rua do Calvário", para lembrar a dificuldade da subida, à semelhança do relato bíblico da paixão. Um efeito da geologia na toponímia da ilha.

Ao chegar ao plano de falha a estrada muda de direcção quase 90 graus, neste caso para a esquerda, situação semelhante ocorre em todas as vertentes inclinadas das lombas do Faial.

Na parte leste do Faial, onde se situam as lombas, a principal via que circunda o Faial, por vezes desenvolve-se quase na perpendicular à costa, sobretudo nas vertentes mais inclinadas onde se situam as falhas geológicas. Assim, estas implicaram uma mudança brusca nas direcções da Estrada Regional para contornar os degrau dos acidentes geológicos e de modo a se obterem declives mais adequados à circulação automóvel. Um elemento que mostra como a geologia a interfere com o ordenamento do território, mesmo que os homens não tenham consciência do facto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA V - Falha da Lomba dos Frades

Na Lomba da Espalamaca, referida no anterior post desta série (ver mapa) ao olhar para norte, vê-se, a partir da base da escarpa em degraus, um vale assimétrico no qual se instalou a freguesia da Praia do Almoxarife. O outro lado da vertente é largo, sobe suave e progressivamente para norte e culmina na crista da Lomba dos Frades, assinalada com um traço vermelho. (clique nas fotos se pretender a sua ampliação)
Freguesia da Praia do Almoxarife, vista do cimo da escarpa e lomba da Espalamaca

Todavia se prosseguirmos viagem, depois de subirmos a suave Lomba dos Frades, deparamo-nos com outro degrau abrupto para o lado norte, o que é resultado de mais uma importante falha geológica, a terceira desta série acidentes geológicos, paralelos e responsáveis pela formação destas lombas com forte inclinação da vertente norte mas mais suaves do lado sul. Na base desta última estrutura existe um outro vale largo, sem qualquer declive lateral específico e onde se instalou a freguesia de Pedro Miguel.
A escarpa da Lomba dos Frades, vista da Estrada Regional em direcção ao mar, onde se observa a grande inclinação deste lado quando comparado com o lado sul. Ao fundo a ilha do Pico e os ilhéus da Madalena.

Pormenor da grande inclinação do lado norte da Lomba dos Frades, observada da Estrada Regional, junto à base da escarpa e já na freguesia de Pedro Miguel.

O lado norte da Lomba dos Frades, vista a partir da Estrada Regional em direcção do interior da ilha (Leste), nalguns locais esta escarpa de falha parece mesmo ter sido cortada à faca .

A partir da falha da Lomba dos Frades uma mudança significativa ocorre, mas isso fica para outros momentos, contudo essa modificação colocou, definitivamente, o nome de Pedro Miguel na geologia do Faial.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA IV- Falhas da Espalamaca e do Facho

Prosseguindo para norte nesta cobertura das falhas na metade oriental do Faial, depois da falha responsável pela Lomba do Cruz do Bravo, encontramos a Lomba da Espalamaca, a qual tem a particularidade da sua escarpa continuar inclinada para norte, mas ser composta por dois degraus, devido à existência de duas falhas geológicas na sua zona mais próxima da costa: a Falha do Facho, que forma o degrau inferior e de maior dimensões e a Falha da Espalamaca, na parte superior e com menor desnível. (clique nas fotos para as ampliar)Na sua zona mais litoral, esta estrutura apresenta uma grande imponência na paisagem, e os dois degraus dão uma aparência de suavisar a inclinação para norte destas duas escarpas de falha sobrepostas. Junto ao litoral encontra-se a Praia do Almoxarife que dá o nome à freguesia mostrada na foto e já no mar situa-se a zona de desgaseificação submarina cujo vídeo de Marco Santos foi aqui mostrado em Agosto, já no extremo da foto vê-se parte da costa a ilha do Pico.

Depois do segundo degrau deixar de ser visível mais para o interior da ilha sobre a vertente norte, a falha do Facho marca de forma abrupta a paisagem e a zona é uma das que parece cortada à faca, sinal de que estamos perante uma falha que sofreu rupturas geológicas recentes, onde a erosão pouco afectou a cicatriz e um indicador de ser uma estrutura geológica potenciamente geradora de sismos.
Agora do topo da Lomba da Espalamaca, na zona do Miradouro da Horta, os dois degraus são muito evidentes... ao fundo as vertentes do vulcão da Caldeira e a localidade de Chão Frio, parte integrante da freguesia da Praia do Almoxarife.
Para quem teve dificuldade em distinguir os dois degraus, na foto acima, o degrau inferior, formado pela escarpa da falha do Facho, está grosseiramente indicado por traços a vermelho, enquanto a escarpa da falha da Espalamaca está indicada a rosa. O ponto amarelo corresponde ao local da foto abaixo.
Na foto imediatamente acima, está indicado a rosa o topo da escarpa da Espalamaca. A vermelho a vertente abrupta e muito inclinada para norte da falha do Facho. A amarelo mostra-se vertente suave para sul resultante do relevo natural não afectado pelos dois acidentes tectónicos descritos neste post.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

O FAIAL CORTADO À FACA II - Falha da Espalamaca

Apesar do Faial ser, no território português e no conjunto das ilhas dos Açores, um dos locais onde a paisagem é mais intensamente moldada por falhas geológicas e estas cortarem a ilha por vezes de costa a costa, devido a várias particularidades, estes acidentes tectónicos raramente se observam bem nas arribas costeiras.
Todavia, quem atravessa o Canal do Faial, que une esta ilha à do Pico, logo à saída da Horta é presenteado com um dos casos mais evidentes de falha geológica a cortar as camadas de basalto.

Falha da Lomba da Espalamaca junto ao mar (para localização geográfica ver post: O Faial Cortado à Faca )




Se teve dificuldade em visualizar esta estrutura tectónica na imagem, uma potencial fonte de sismos, clique na foto acima para a ampliar, a cicatriz da mesma encontra-se desenhada a vermelho.

A Lomba da Espalamaca e a falha representada na foto anterior vista da lancha que une ao Faial ao Pico já perto desta segunda ilha, à esquerda a cidade da Horta.

Na foto anterior é visível a dimensão da Lomba da Espalamaca, formada a partir de duas filhas importantes, curiosamente a responsável limite norte desta tem uma grande expressão paisagistica em terra mas não é observável na arriba costeira.
A falha Espalamaca, de comportamento normal e inclinada para norte (ver post: tipo de falhas), torna as rochas a sul mais elevadas e faz parte de uma estrutura geológica muito importante da ilha que irá sendo apresentada ao longo do próximo ano aos poucos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

FALHAS GEOLÓGICAS DO FAIAL II - as incertezas

Tal como no post anterior, na imagem vê-se o Faial cortado à faca pela mesma falha geológica e de uma forma muito evidente, mas nem sempre é assim, basta deslocarmo-nos para junto do aqueduto que está na foto e...... encontra-se um cenário diferente. O pequeno degrau do terreno para os olhos mais treinados é uma falha geológica, mas para outros pode parecer a cicatriz de uma antiga divisão de propriedade que o emparcelamento agrário eliminou... todavia é uma curvatura na falha geológica e até desvia a ribeira que a jusante era tão rectilínea!


Devido aos Açores estarem junto a uma estrutura por onde o Atlântico cresce, as falhas inversas são raras e pouco extensas no Faial, tal como referi no post "Falhas Geológicas - tipos de movimentos", todavia existem indícios que o degrau e a elevação à esquerda resultam de um comportamento de falha inversa deste troço, mas o geólogo que por lá se aventurou em escavações não teve a ajuda da natureza e a dúvida persiste...
É na tentativa isenta de comprovar hipóteses que se atinge novas certezas, por vezes autênticas surpresas, e a ciência vai avançando... até lá, sem demonstração, fica a dúvida, mas esta faz parte da vida da Geologia.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

FALHAS GEOLÓGICAS VS RIBEIRAS - uniões de conveniência I

Não é o único caso, mas a foto mostra porque o primeiro post sobre falhas teve o título de "O Faial cortado à faca".

Embora mais evidentes na parte leste do Faial, algumas falhas também cortam, de forma muito marcada, a superfície da zona ocidental da ilha, como nas imagens abaixo de uma falha a sul da Lomba do Meio. (Clique nas fotos para as aumentar)

As falhas, porque alteram o relevo, influenciam no terreno a orientação das ribeiras.
Nos Açores as linhas de água tendem a ser aproximadamente radiais em torno dos vulcões centrais, só que, por vezes, as falhas provocam desvios desta distribuição regular, como é o caso da Ribeira das Águas Claras que nesta zona quase corre paralela à linha de costa.
Uma outra forma de detectar uma falha geológica associada a um ribeira consiste em verificar que as duas margem não são simétricas, que um lado é muito mais inclinado ou com maior desnível de altitude do que o outro, que a ribeira tem extensos troços rectilíneos, e tudo isto acontece na foto acima.

Esta associação água/ falhas não é apenas em ribeiras e nos Açores, é possível ver situações semelhantes em lagoas (Lagoa do Capitão no Pico) e em rios: foz do Tejo junto ao Cristo Rei, e rio Jordão, entre muitos outros exemplos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

FALHAS GEOLÓGICA NO FAIAL I - Escarpa de falha

Quando uma falha sofre movimentos verticais, o plano à superfície, mais ou menos inclinado, que mostra a ruptura e os deslocamentos ocorridos chama-se escarpa de falha.
Na zona central da foto é visível uma pequena escarpa de falha que deve ser muito recente, provavelmente associada a algum sismo desde o início do povoamento da ilha. Devido à sua juventude, a escarpa não sofreu efeitos significativos da erosão, nem a deposição de produtos de desmoronamentos na sua base que em conjunto tendem respectivamente a disfarçar ou soterrar a cicatriz deixada pelo movimento.
Para os olhos menos treinados, assinalo abaixo a escarpa recente a vermelho e informo que existiram nos Açores tremores-de-terra históricos, que criaram escarpas com desníveis verticais superiores a um metro num único sismo.
Para os que defendem que não nos devemos preocupar com a localização das nossas casas devido a falhas geológicas, com o argumento da construção anti-sísmica, fica aqui uma pequena demonstração da força associada a uma ruptura geológica deste tipo e que poderá ocorrer sobre uma casa situada sobre a faixa onde podem ocorrer os deslocamentos geológicos.
Após o post sobre os vários tipos de falhas da última semana, penso que já são capazes de concluir que o ângulo da foto mostra uma componente normal da falha. Não!?

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

FALHAS GEOLÓGICAS - Tipos de movimentos

Os açorianos habituaram-se a ouvir falar de "falhas geológicas" em todos os órgãos de comunicação social e os faialenses em especial durante o processo de reconstrução do sismo de 9 de Julho de 1998.

FALHAS - São fracturas que as rochas sofrem em resultado das forças que comprimem ou distendem as camadas superiores da Terra e ao longo das quais ocorrem movimentos de um dos lado em relação ao outro.
(Importa salientar que as camadas podem nalguns locais atingir espessuras de largas dezenas de quilómetros.)

Em função do tipo de forças que envolvido, as fracturas podem sofrer vários tipos de movimentos, que se podem dividir em quatro tipos básicos principais, o que procurarei esquematizar abaixo apesar das minhas fracas capacidades em desenho:

1º FALHA NORMAL: O bloco superior sobe sem se sobrepor ao bloco inferior, ocorrem devido a forças de distenção e provocam o aumento da área horizontal da zona afectada.

Falhas normais com igual direcção mas com sentidos inclinação diferentes.

Nota: a setas indicam as forças sobre a falha ou o sentido do movimentos dos blocos de ambos os lados desta.

2º FALHA INVERSA - O bloco superior sobe e sobrepõe-se parcialmente ao inferior, formam-se devido a forças de compressão e provocam a redução da área da superfície horizontal. (são raras e pequenas nos Açores e frequentemente tendem a dobrar as rochas antes de as fracturar).
Falhas inversas com direcções e sentidos diferentes

3º DESLIGAMENTO ESQUERDO - O movimento dá-se na horizontal e quando o olhamos ao longo da direcção da falha, independentemente do sentido, o bloco esquerdo aproxima-se de nós. Ocorrem quando existem campos de forças horizontais com sentidos opostos dos dois lados da fractura (forças de cisalhamento com binário esquerdo).
Desligamento esquerdo.

4º DESLIGAMENTO DIREITO - O movimento dá-se na horizontal e quando o olhamos ao longo da direcção da falha, independentemente do sentido, o lado direito aproxima-se de nós. Formam-se em campos de forças horizontais com sentidos opostos dos dois lados da fractura (forças de cisalhamento com binário direito).
Desligamento direito

Por fim importa informar que o primeiro tipo de falhas se pode combinar com o 3.º e o 4.º, surgindo assim falhas que, em função da predominância do movimento, podem ser falhas normais com componente esquerda ou direita ou então desligamentos esquerdos ou direitos com componente normal.
Também as falhas inversas podem combinar-se com os desligamentos, dando origem a nomes nomes equivalentes aos anteriores.
Todavia, embora possam haver alterações ao longo do tempo geológico, logicamente não há movimentos em simultâneo normais e inversos ou esquerdos e direitos.

Nos próximos tempos iremos ver que tipo de movimentos em falhas existentes no Faial, mais tarde poderei ir a outras ilhas.

domingo, 7 de outubro de 2007

FALHAS GEOLÓGICAS

Falha geológica é uma estrutura que os Açorianos em geral os Faialenses em especial estão habituados a ouvir falar e que associam a sismos. Sobretudo desde Julho de 1998, quando do reordenamento associado ao processo de reconstrução na procura de lugares mais estáveis para autorizar as novas habitações.
Na foto abaixo, tirada no Pico, é possível distinguir no seio das camadas de bagacina cor de tijolo uma falha geológica...
Para quem a foto nada lhe mostra, abaixo a falha está traçada a vermelho e, para a evidenciar, foi sinalizado uma mesma camada de bagacina à esquerda da falha e à direita, mas há outros estrados onde o mesmo tipo de deslocação é também visível nos dois lados. Coloquei ainda setas indicadoras do movimento relativo entre os dois lados da falha.
Julgo agora que a falha se torna evidente a todos, geólogos ou não...
Todavia dada a diversidade de tipos de falhas, a quantidade existente nos Açores e o grau de evidência com que as mesma marcam a paisagem do Faial, estas estruturas geológicas permitem uma nova série de posts onde se irá explicar o que são falhas, qual o seu significado, tipologias e ainda mostrar um conjunto de imagens sobre estas estruturas tão abundantes no Faial como se pode ver no post "O Faial cortado à faca".

segunda-feira, 18 de junho de 2007

O FAIAL CORTADO À FACA

Muito se tem discutido no Faial sobre a existência e a quantidade de Falhas Geológicas. Embora muitos não gostem de reconhecer os riscos a elas associados, o Faial parece um laboratório de falhas tectónicas, tal é o número das falhas evidentes, menos evidentes ou ocultas, cuja interpretação é indirecta, para já não contarmos com aquelas que ainda não foram descobertas.

Assim, de uma forma não exaustiva, eis uma carta, adaptada de um mapa da minha tese, onde se encontram representadas as principais falhas do Esboço Tectono-Vulcânico da Ilha do Faial, da autoria de José Madeira (meu professor e amigo da Faculdade de Ciências de Lisboa) em resultado da sua tese de doutoramento "Estudo Tectónico das Ilhas do Faial, Pico e S. Jorge (Arquipélago dos Açores), U.L. 1996. Uma das fontes consultadas para muitos dos posts neste blog.

Clique no mapa para o ampliar se pretender uma melhor leitura.

Aproveito para colocar na carta os nomes que vulgarmente denomino aos vários acidentes tectónicos (não são iguais entre todos os geólogos), bem como os locais que falei ou penso falar em posts neste blog.