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domingo, 6 de novembro de 2016

Curiosidades geológicas: Efeito colateral do último sismo no centro de Itália - erupção de vulcões de lama

Voltando novamente ao tema geologia há muito arredado deste blogue que se tem dedicado sobretudo a livros, mas o principal que esteve na origem de Geocrusoe, apresento hoje uma curiosidade recente de que não ouvi falar nos noticiários nacionais, um efeito colateral dos tremores de terra no centro de Itália da passada semana: estes desencadearam a entrada em erupção de seis vulcões de lama, os quais podem ocorrer na sequência de chuvas muitos intensas, sismos com magnitude superior a 6 graus Richter e furos para a exploração de recursos geológicos, nomeadamente hidrocarbonetos.



Sobre esta tipologia de fenómeno geológico, pouco divulgado pelas populações em geral, já falei neste post, bem como aqui, aqui e aqui há quase 6 anos atrás.

Outro vídeo sobre o mesmo fenómeno ocorrido agora na Itália.


Embora sem a regularidade de há uns anos atrás, espero voltar novamente aos temas geológicos neste blogue, nem que seja para honrar a razão inicial da sua criação e do seu nome.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cavidades Vulcânicas dos Açores - Vídeo

Magnífico vídeo sobre as grutas vulcânicas dos Açores, a sua diversidade tipológica e morfológica, génese e biodiversidade cavernícola.


Um vídeo que não só promove os Açores em termos turísticos, mas que é também um instrumento de divulgação científica da geodiversidade e biodiversidade destas ilhas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Parque Natural do Faial principal representante de Portugal ao Prémio EDEN


Integram este parque várias estruturas geológicas que foram intensamente apresentadas e descritas ao longo deste blog: O Vulcão dos Capelinhos com o seu Centro de Interpretação, o Graben de Pedro Miguel, a Caldeira do Faial e o Monte da Guia.
Assim, além da sua importância científica e da minha paixão pelas belezas do Faial, fica agora provado que a qualidade estética destas estruturas é reconhecida pelas mais importantes instituições na área do turismo de Portugal.
Importa igualmente referir que logo em segundo lugar ficou o Parque Natural do Pico, com o seu grande estratovulcão, grutas vulcânicas e outras estruturas geológicas, evidenciando a importância destas duas ilhas vizinhas geologicamente interessantes e complementares.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A origem da areia marinha

Quem olhar para as fotos deste post, verá que a primeira e terceira correspondem a uma praia litoral de calhau, enquanto a segunda e quarta, obtidas no mesmo local, já existe uma grande quantidade de areia.

Tal situação ficou a dever-se ao facto de nas proximidades, em meados do Verão, ter ocorrido um volumoso desabamento de arriba costeira. Depois, já no início do Outono e por erosão marinha, este transformou-se numa importante fonte de areia para o litoral nas imediações. Esta situação permite explicar alguns fenómenos associados à dinâmica costeira, nomeadamente:


A principal fonte de areia marinha não é o próprio oceano, mas sim a terra emersa. Sobretudo, a erosão que o mar faz sobre a linha de costa e o material transportado (carga sólida) pelos cursos de água (rios ou ribeiras) nas ilhas e nos continentes.

Nem sempre a deposição de areia ocorre nos períodos de mar calmo. Neste caso, foram as maresias que permitiram galgar o escorregamento, retirar maiores volumes de grãos de rocha da dimensão das areias, transportá-los pela agitação das ondas e correntes e depositá-los em locais costeiros mais elevados, relativamente protegidos das zonas de maior hidrodinamismo costeiro

Por último, embora a maioria das pessoas associem o termo "praia" aos depósitos costeiros de areia. As acumulações no litoral de materiais mais grosseiros também se chamam "praias". Assim, existem praias de areia, praias de areão, praias de cascalho, praias de blocos ou calhaus, constituídas por rochas sedimentares desagregadas e provam que nos Açores nem todas as rochas são vulcânicas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

UM TESOURO LISBOETA NUM HINO À GEODIVERSIDADE

No seio de um templo de Lisboa, com um exterior muito simples e austero, esconde-se aquele que para mim é o mais belo tesouro artístico e com o melhor aproveitamento da geodiversidade em termos decorativos das igrejas da capital. (clique nas imagens para as ampliar)
Além das numerosas pinturas que cobrem todas as paredes e o tecto, vários altares laterais apresentam uma magnífica talha dourada que se situa ao nível do melhor que há nesta cidade.
Mas o requinte máximo deste templo está no aproveitamento da diversidade de rochas ornamentais e de minerais semipreciosos vindos do Brasil para a execução de uma decoração magnífica, com um nível artístico ímpar e difícil de encontrar mesmo nas maiores capitais europeias, tanto no que se refere ao pormenor, como à qualidade artística dos trabalhos.

Fora das telas e da talha, a diversidade de cores e texturas é conseguida, sobretudo, pelo recurso a rochas e minerais, pelo que este é também o expoente máximo do uso da geodiversidade litológica e mineralógica do país em termos artísticos.
Isto tudo num imóvel que nem é um monumento de grandes dimensões que chame à atenção dos transeúntes, nem é reconhecido por muitos como um dos ex-libris de Lisboa e nem é muito divulgado dentro de Portugal.

Neste post uma pergunta fica no ar: quantos são capazes de identificar este tesouro nacional e já o visitaram?

domingo, 4 de outubro de 2009

PORTÃO DE PORTO PIM

(clique nas imagens para as ampliar)

Recordações do passeio na baía do Porto Pim integrado nas comemorações no Faial das Jornadas Europeias do Património com o lema "Conhecer para Proteger".

Paragem junto ao Portão de Porto Pim onde foi debatida a reabilitação/recuperação de imóveis históricos.
No Portão de Porto Pim, o alçado exposto ao mar é essencialmente constituído de tufo vulcânico, esta rocha é o material de construção de vários edifícios (sobretudo militares na Horta), como já falei aqui, mas, provavelmente por questões de maior resistência e consistência do basalto (quase preto), é esta última rocha que forma o arco do portão. e a rampa de acesso dos barcos ao mar. Dois produtos vulcânicos abundantes na Baía de Porto Pim.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ESCULTURAS SUBTERRÂNEAS

Já há muito tempo que não falava de grutas vulcânicas, apesar de ter desenvolvido alguma exploração no domínio da vulcanoespeleologia no início da década de 1990, que me deixou algumas saudades, embora não fosse um génio nas escaladas. O Geocrusoe dedicou um post às Cavidades Vulcânicas e outros dois à génese dos Tubos de Lava e dos Algares Vulcânicos, sem esquecer as ONG que conheço que desenvolvem este tipo de explorações: Os Montanheiros, Gespea e Amigos dos Açores.

Estalagmite de lava bifurcada, o relevo na superfície da estrutura resulta do acumular de pingos de lava caída sem se misturarem entre si, a bifurcação indicia dois pontos de queda do tecto.

Recentemente, o visitante deste blog, Valter Medeiros, autor do Ilha do Pico ao Natural, enviou-me fotos com estruturas típicas das grutas vulcânicas, que tenho o prazer de divulgar com a sua autorização.
As estalagmites de lava, desenvolvem-se no chão a partir da acumulação da queda de pingos deste material vulcânico ainda quente e parcialmente fundido, sobretudo, durante a formação de tubos de lava.

Estalactites de Lava e Pingos de Lava, as formas alongadas resultou da distensão provocada pela gravidade quando o material ainda estava ligeiramente fluido mas que não atingiu a rotura e posterior queda.

As Estalactites de lava, quando pouco desenvolvidas são designadas apenas por Pingos de Lava, correspondem à escorrência do tecto de lava ainda com alguma fluidez, mas já com consistência e viscosidade suficiente, devido à solidificação parcial com oarrefecimento, que impede que as "gotas" caiam no chão, ficando assim penduradas no tecto da gruta.

PS: Penso que há problemas de segurança no link do Gespea, motivo porque não o coloquei no post .

domingo, 16 de agosto de 2009

DISJUNÇÃO ESFEROIDAL EM LAVA

Um visitante regular deste blog recentemente deslocou-se à ilha da Madeira e fotografou um afloramento rochoso que considerou singular, enviou-me a foto a solicitar a informação. Conclui tratar-se de um afloramento de lava com um avançado estado de Disjunção Esferoidal. Esclareci que tal também ocorria nos Açores, aqui vão duas fotos do mesmo fenómeno em São Miguel. (clique nas fotos para as ampliar)

Disjunção Esferoidal em rochas junto à orla costeira. Foto enviada por Solange Cabeças

A lava depois de arrefecer à superfície e ao sofrer a acção dos agentes de geodinâmica externa, pode sofrer um tipo de erosão que origina uma espécie de esferas concêntricas com camadas que se apresentam cada vez menos alteradas para o interior e um núcleo bem conservado. A rocha original entre estas esferam apresenta-se por norma também muito alterada quimicamente e desagregada fisicamente, ou seja, apodrecida.

Disjunção esferoidal exposta durante trabalhos de escavação no interior de São Miguel

Existe uma outra forma de disjunção em lava designada por disjunção prismática, muitas vezes desenvolvida em rochas ácidas, embora também surja em lavas básicas. Podem ver exemplares magníficos deste outro tipo de disjunção na ilha de Santa Maria neste post do blog Geodiversidade e o caso mais famoso mundialmente é a Calçada de Gigantes ou Giant Causeway na Irlanda do Norte.

No Faial existe alguma disjunção prismática no Altar da Caldeira que já foi alvo de um post no Geocrusoe.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

FILÕES CRUZADOS DE COOPERANTES

Já falei várias vezes vezes de filões neste blog, desde o modo como se formam, como podem ficar salientes na paisagem devido à erosão diferencial e estes têm sido uma das estruturas geológicas de que maior número de visitantes do Geocrusoe têm enviado fotos como modo de cooperação com esta página.

Foto de Trilobite de filões entrecruzados sendo evidente um filão camada.

Recentemente um geólogo visitante habitual deste blog, com o nickname Trilobite (um dos tipos de animais macroscópicos mais antigos da história da vida e que desapareceram antes do mundo ser dominado pelos dinossaurios, aqui um bom post sobre estes seres vivos tão antigos) enviou-me fotos recolhidas em São Miguel.
Na primeira foto vêm-se um conjunto de filões lávicos que cortam segundo um ângulo (discordância angular) todas as restantes camadas, aproximadamente paralelas entre si, sendo que uma delas parece corresponder igualmente a um outro filão com o mesmo tipo de composição. Por isso se pode dizer que é uma região onde ocorrem filões cruzados ou entrecruzados, precisamente na área onde está inserido a autoria da foto através do seu nickname.

Foto de Trilobite, onde no centro é visível um filão dique

Quando a composição das rochas encaixantes é do mesmo tipo do filão e a erosão não criou um relevo diferencial, por vezes torna-se difícil detectar o filão, mas novamente nesta foto uma observação atenta e a discordância angular permitem identificar vários filões, um deles possui igualmente o nickname do seu autor.
Quando os filões são paralelos aos estratos das rochas encaixantes diz-se que se está perante um filão camada. Quando as rochas se estendem com ligeiras ou nenhumas inclinações e são cortadas por um filão aproximadamente vertical, este é denominado dique.

Ao Trilobite fica aqui o meu obrigado e coopere sempre que desejar, o blog está aberto à boa cooperação

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CALDEIRINHAS DA ERUPÇÃO DA URZELINA

A pressão do magma em profundidade e a existência de zonas fissuradas na parte superior da crosta, permite não só a instalação de filões, como também o escoamento da lava longo de fissuras durante uma erupção: Vulcanismo Fissural.

Uma fissura com um jacto de lava contínuo. Imagem daqui

No vulcanismo fissural muitas vezes não existe definida à superfície uma simples fenda por onde sai lava livremente. Frequentemente, esta fissura é testemunhada por um alinhamento de bocas eruptivas que formam repuxos de lava que à noite permitem imagens espectaculares.

Repuxos de lava alinhados do vulcão Eldfell na Islândia. Imagem daqui

O alinhamento de 7 bocas (em forma de crateras, sendo 5 mais evidentes na foto) do vulcão da Urzelina nas Caldeirinhas (clique para ampliar)

Fenómenos destes tipo também já aconteceram nos Açores, inclusive em épocas históricas. Em São Jorge a erupção de 1808, Vulcão da Urzelina, uma fissura permitiu o alinhamento de sete bocas eruptivas que hoje ainda são bem evidentes na paisagem na zona das Caldeirinhas, junto ao entroncamento da estrada Urzelina - Santo António com o caminho para o Pico da Esperança.
Nesta foto é bem evidente duas despressões de relevo de duas bocas eruptivas (clique para ampliar)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

PSEUDOCRATERA DA FERRARIA

A zona da Ponta da Ferraria, junto ao extremo sudoeste da ilha de São Miguel, concentra várias estruturas vulcânicas de grande valor paisagístico e científico.
Na foto efectuada do cimo da arriba fóssil, da autoria de Carlos Campos, vê-se a plataforma do delta lávico, onde se encontra à esquerda a Pseudocratera e à direita o imóvel das termas.

Nesta zona litoral, antes do povoamento ocorreu uma erupção estromboliana que edificou um cone de escórias e originou uma escoada de lava que caíu pela arriba e construíu uma fajã lávica ou delta lávico.
O avanço da lava pelo mar gerou uma explosão freática que criou uma estrutura vulcânica em forma de cone encimada por uma cratera, mas sem estar associada a uma chaminé vulcânica para fornecimento de magma de profundidade, por isso se chama Pseudocratera, considerada pela sua raridade e beleza como um Geomonumento.
Ainda devido ao vulcanismo, existem na área duas nascentes termais que levaram à construção de termas e na costa são possíveis banhos quentes. Tudo isto levou a classificação desta zona como Monumento Natural Regional do Pico das Camarinhas e Ponta da Ferraria.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MAIS FILÕES E COOPERAÇÕES

A continuar com as cooperações, cá vão mais duas fotos de Carlos Campos, enviadas por correio electrónico e que retratam dois aspectos resultantes da erosão diferencial sobre um filão lávico de aspecto basáltico. Parecem-se ser ângulos diferentes do mesmo filão, mas como não conheço o local, nem tenho outras informações, ficam aqui apenas as imagens e algumas notas.

O filão "desnudado" das rochas encaixantes devido à maior resistência daquele à erosão marinha

Os filões vulcânicos são, por norma, constituídos de material consolidado muito coeso, enquanto as escoadas lávicas sobrepostas, frequentemente, apresentam uma estratificação horizontal com uma alternância de camadas escoriáceas desagregadas com outras maciças, tal como evidenciado neste post e a diferença de resistência ainda é maior se o encaixante for todo ele constituído de materiais desagregados.
Assim, a acção do mar e da gravidade tende a erodir mais rapidamente o empilhamento de lavas poucos espessas do que um filão inclinado e mais resistente de cima a baixo. Por isso podem forma-se este tipo de "molhes" ou "pontões naturais" a entrar pelo oceano em resultado da erosão diferencial.

O filão neste local da arriba costeira tem o efeito de muro de protecção contra a erosão

Quando acção do mar não é igual para ambos os lados do filão, devido às ondas mais energéticas terem uma direcção preferencial, outra especificidade local ou o filão não ser pertendicular à linha de costa, este pode mesmo servir de barreira ao próprio recuo da arriba, comportando-se como se fosse um muro de protecção natural dessa mesma arriba.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Tipos de actividade vulcânica submarina I - SERRETIANO

As erupções vulcânicas tanto podem ocorrer com o topo da sua chaminé em terra (subaéreas) ou no mar (submarinas), estas últimas são menos bem observadas, porque muita da sua actividade se situa abaixo do nível das águas, logo impossível de ser vista directamente pelos vulcanólogos.

Nos Açores duas importantes erupções vulcânicas do século XX situaram-se no mar e a profundidades diferentes, a última, situada a noroeste da ponta da Serreta da ilha Terceira, com evidências de actividade desde do final de 1998 até ao início de 2000: o Vulcão Submarino da Serreta.

Manifestações vulcânicas da Serreta à superfície do mar, foto de (Forjaz, et al., 2000, ver nota 1)

O vulcão da Serreta tinha o topo da sua chaminé a uma profundidade entre 400 e os 600 m abaixo do nível do mar, deste modo a pressão da coluna de água (o peso da própria água) impedia o desenvolvimento de vários fenómenos eruptivos típicos das erupções submarinas pouco profundas, como os jactos de piroclastos e lava, colunas de vapor e algumas explosões típicas .
Esquema de formação dos Balões de Lava, desenho de (Forjaz, et al., 2000, ver nota 1)

Todavia, detectou-se a ocorrência de um fenómeno nunca descrito antes pelos cientistas: a projecção, a partir de certa profundidade, de blocos de lava quente, cujo exterior solidificava, enquanto o interior permanecia parcialmente fundido, estes insuflavam ao subir, surgindo internamente espaços ocos e com gases vulcânicos. Estas características reduziam a densidade global dos blocos e tornava-os temporariamente flutuantes. Depois à superfície, estes esfriavam, perdiam os seus gases sob a forma de fumos brancos, por vezes explodiam e, por fim, afundavam-se. Tais blocos estão a ser designados por balões de lava.
Cortes esquemáticos e foto de balões de lava proveniente de (Forjaz, et al., 2000, ver nota 1)

O nome dado pelos cientistas a um tipo de actividade vulcânica baseia-se em modelos de erupções que foram bem estudados, descritos pela primeira vez com grande pormenor e com características específicas.

Assim, tendo sido a primeira descrição científica deste fenómeno vulcânico, vários geólogos portugueses propuseram que se passe a chamar às erupções submarinas, basálticas, relativamente profundas e onde se formem balões de lava como tendo ACTIVIDADE ERUPTIVA DO TIPO SERRETIANO (Serretyan activity).
Bibliografia e origem das fotos

(1) Forjaz, V. H.; Rocha, F. M.; Medeiros, J. M.; Meneses, L. F. & Sousa, C. (2000) "Notícias sobre o Vulcão Oceânico da Serreta, Ilha Terceira dos Açores" Ed. OGVA

(2) http://serreta-creminer.fc.ul.pt/index3ced.html?sectionid=3&menuid=3

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DAS ILHAS VULCÂNICAS III: o Recuo da Linha de Costa 3

Raramente uma arriba é constituída apenas por um único tipo de material, consolidado rígido ou brando, normalmente estas intercalam rochas com características diferentes, inclusive, as escoadas basálticas apresentam, frequentemente, um topo e uma base desagregada, denominada clinker, assim quando estas se sobrepõem, na arriba alternam camadas coesas com soltas.
Escoada típica de lava escoriácia, pouco espessa com uma zona central consolidada mas com o topo e a base constituidos de material desagregado (clinker)

Esta variabilidade faz com que o mar comece a erodir os materiais desigualmente, em função do grau de resistência destes, erosão diferencial, originando, por vezes, grutas litorais - algumas de grande beleza -, mas responsáveis por recuos bruscos da arriba, devido à possibilidade de colapso dos respectivos tectos. Esta situação pode colocar casas litorais sob ameaça de destruição e aconselha a que se planeie convenientemente as zonas de construção urbana junto à costa, de modo a se evitarem zonas de risco.
Aspectos da erosão diferencial por resistência diversificada das camadas sobrepostas, à direita uma plataforma de abrasão de material resistente ao nível do mar e ao centro grutas de material mais brando à mesma cota.

Esta diversidade de materiais é responsável, além das grutas, pela criação de arcos, enseadas (onde saltamos para o mar), poças (que transformamos em piscinas naturais) e uma grande geodiversidade de aspectos que dão grande beleza do nosso litoral.
A evolução natural duma arriba com sobreposição de materiais diferentes, grandes desnível e inclinações...

Mas, mais lenta ou rapidamente, em função das proporções de materiais brandos ou consolidados e da intensidade dos agentes erosivos externos, o mar vence sempre a longo-prazo, o recuo progressivo do litoral é um facto. Assim, as ilhas vulcânicas com o tempo, além de ficarem mais baixas, também se tornam mais pequenas e todos os post desta série se encaminham para a desfecho final desta luta, que para o caso dos Açores mostrará uma hipótese que corresponde a uma surpresa para alguns.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DAS ILHAS VULCÂNICAS III: o Recuo da Linha de Costa 2

Quando os materiais vulcânicos que formam a linha de costa são brandos ou desagregados, como cinzas e bagacinas, então a erosão marinha é muito intensa, o recuo do litoral faz-se rapidamente e em muito pouco tempo surge uma arriba costeira com um perfil altamente instável.
Materiais brandos de escoadas piroclásticas desagregadas (ignimbrito) expostos à erosão intensa do mar.

Os homens lá procuram descobrir técnicas de engenharia para reduzir a velocidade do recuo da arriba, muitas vezes porque se esqueceram do contínuo avançar do mar sobre a ilha e construíram em zonas onde o risco de desabamentos é muito elevado a curto-prazo. Infelizmente, as intervenções de protecção, mesmo quando bem sucedidas, apenas atrasam o processo, mas nunca eliminam o avanço do mar sobre a ilha a longo-prazo.

Quebra-mar artificial para reduzir a grande velocidade de recuo da arriba de ignimbritos provocada pela erosão marinha.

Bastaram 50 anos para que o mar sobre os materiais brandos do vulcão do Capelinhos escavasse arribas costeiras elevadas e os mais de 2 quilómetros quadrados de terra emersa criados por esta erupção estão hoje reduzidos a menos de metade e o recuo desta arriba de materiais brandos e desagregados continua....
Arriba em material brando nos Capelinhos, todavia à direita da foto está um ilhéu anterior a 1957 e relíquia de uma antiga erupção, o qual protegeu e reduziu a intensidade da erosão.


Raramente o mar encontra numa zona de costa apenas um tipo de material -consolidado rígido, desagregado ou brando - a mistura destes é o mais comum. Nos Açores, tais situações dão origem a formas que retratam a luta pela sobrevivência das ilhas vulcânicas na redução da sua área emersa devido à acção marinha, diversidade a tratar em parte em próximo post.

domingo, 11 de janeiro de 2009

A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA DAS ILHAS VULCÂNICAS III: o Recuo da Linha de Costa 1

As escoadas de lava que saem dos vulcões espraiam-se ao chegar ao mar, formando muitas vezes deltas lávicos, mas esta lava arrefecida, que parecia constituída de material consolidado, rígido e compacto, vai sofrer uma alteração química contínua, provocada pelos sais dissolvidos na água e pelos seres vivos que se fixam nestas rochas, bem como erodida pela persistente rebentação das ondas.
Pequenos deltas lávicos e plataformas de abrasão marinha em São Jorge (Manadas), com o Pico e o Faial ao fundo.

Como para auxiliar o efeito da acção do mar, associa-se a este processo a movimentação dos grãos de areia e dos blocos de calhau, em virtude da energia da ondas. Este chocar contínuo tem um efeito abrasivo sobre estas lavas, que assim vão sendo destruídas lenta e progressivamente, formando-se superfícies planas que o mar vai galgando cada vez mais e denominadas de plataformas de abrasão.
Uma fase muito inicial de formação de arriba costeira sobre uma escoada lávica.

A erosão e a abrasão marinha conduzem ao recuo da linha de costa e à destruição da própria plataforma, submergindo-a, pois os grãos arrancados à lava são transportados e sedimentados no fundo do mar. Então, como para o interior da ilha a altura da escoada de lava é maior, surge um pequeno degrau, a arriba costeira (vulgarmente designada nas ilhas apenas por rocha) que marca a zona onde a superfície da escoada já não é tão frequentemente galgada pelo mar. Só que o oceano não desiste...
Um estado mais avançado de uma arriba costeira sobre lava consolidada e rígida, vendo-se um recife à direita como testemunho do recuo da linha de costa.

O degrau continua a ser agredido pelo mar, a linha de costa lenta e progressivamente recua sempre mais, enquanto a altura da arriba costeira se torna cada maior. Por vezes, em zonas onde a lava resistiu, formam-se pequenos ilhéus ou recifes em torno da ilha, entre os quais a passagem de pequenas embarcações faz parte das aventuras dos passeios litorais no Verão açoriano.
Mas nem sempre o litoral vulcânico é constituído de lava consolidada e rígida, alguns dos materiais expelidos pelos vulcões são suaves, mas o mar não tem compaixão das rochas brandas, só que isso fica para um próximo post.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DEPÓSITOS DE VERTENTE COMO FAJÃS

Os vulcões não são os únicos construtores das fajãs nas ilhas do Atlântico Nordeste - a Macaronésia. Um outro fenómeno, por vezes catastrófico, também origina fajãs: movimentos de massa. Estes ocorrem por acção da gravidade sobre materiais pouco consolidados em vertentes muito inclinadas e, frequentemente, são desencadeados por chuvas diluvianas, terramotos ou explosões vulcânicas.
Estes movimentos de massa, conhecidos popularmente por escorregamentos ou deslizamentos de  terras, bem como por derrocadas, por vezes são responsáveis pela deslocação de grandes volumes de rocha e solo que se acumulam na base de taludes ou escarpados e designados por depósitos de vertente.

Fajã dos Cúberes, S Jorge, contorno convexo regular e circundada por calhau rolado e uma laguna

Nos Açores, as arribas costeiras são constituídas pela sobreposição de escoadas de lavas, mais ou menos fracturadas e por piroclastos desagregados (bagacinas, cinzas vulcânicas ou pedra-pomes), muitas vezes com grandes desníveis altimétricos, expostas na base à erosão marinha e sujeitas a chuvas intensas e às vibrações das explosões vulcânicas e sismos; factores propícios a ocorrência de grandes movimentos de massa, cujos materiais, ao se depositarem na sua base, dão origem a fajãs não relacionadas com deltas lávicos.

Laguna da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, S. Jorge,  vê-se ainda outros depósitos de vertente dispersos

As fajãs associadas as movimentos de massa, frequentemente, têm um perfil costeiro semelhante a uma língua de terra de contorno convexo para o lado do mar, com curvatura suave e, por norma, bordejadas por uma cordão de calhau rolado. A sua superfície é relativamente baixa e plana, o que origina, nalguns casos, lagunas litorais, muitas vezes de águas salobras.

Três fajãs com origem semelhante sendo a central de menores dimensões, Sanguinal

A coalescência de várias fajãs próximas formadas por depósitos de vertente, pode originar uma única fajã alongada pela base da arriba, com contorno curvilíneo suave. As partes convexas para o mar correspondem aos locais alimentados mais intensamente por escorregamentos e as baías abertas ao mar são os intervalos de união entre as várias fajãs.

A Fajã dos Vimes, é evidente a coalescência de depósitos de vertente de diferentes escorregamentos próximos (foto de Wikipédia)

Apesar da sua grande beleza e independentemente da sua génese, as fajãs a longo ou médio prazo estão sempre expostas a elevados riscos de serem atingidas por novos movimentos de massa, vindos de terra, ou a serem galgadas pelo mar, em momentos de grandes tempestades ou maremotos, por isso são consideradas zonas de risco para se viver em permanência.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

DELTAS LÁVICOS COMO FAJÃS

Já referi aqui os dois principais modos de formação de fajãs: superfícies, relativamente aplanadas e pouco inclinadas, situadas na base dos escarpados de antigas linhas de costa.
Hoje as imagens pretendem exemplificar a origem das fajãs em resultado de escoadas de lava que caíram pela arriba costeira, à semelhança de cascatas que, se tiveram grande caudal, mesmo depois da queda, conseguem avançar pelo mar ao nível da costa: delta lávico.

Parede lateral de escoada lávica que desceu a arriba costeira até entrar no mar (Calheta de São Jorge).

Escoada lávica que após a queda pela arriba conseguiu avançar ligeiramente mar adentro, formando um pequeno delta lávico (Queimada, São Jorge).

Fajã formada pelo avanço da escoada de lava, delta lávico,  na base da antiga arriba costeira, agora arriba fóssil (Queimada).

Pequeno delta lávico, como fajã, na base de uma arriba costeira com grande desnível de altitude (Fajã da Ribeira da Areia, S. Jorge).

Uma bela fajã instalada  sobre um delta lávico (Fajã do Ouvidor, S. Jorge).

Nos Açores, devido às fajãs formadas de um delta lávico ainda serem juvenis, frequentemente, estas apresentam um recorte costeiro anguloso e irregular. Muitas vezes possuem uma "parede" de lava pouco espessa ou com disjunção colunar a entrar directamente na água, noutras casos observam-se estruturas de erosão marinha directamente sobre a lava como: grutas, arcos ou superfícies de abrasão. Raramente existem extensos e espessos depósitos de calhau rolado junto ao mar.

terça-feira, 15 de julho de 2008

GEOMONUMENTOS DOS AÇORES: National Geographic

Reconhecidamente, a revista National Geographic, inclusive a sua versão portuguesa, não necessita de publicidade, mas mais uma vez chegou-me às mãos uma publicação para divulgação, precisamente a última edição desta revista, Julho de 2008, por apresentar um trabalho especial sobre a geologia do Açores.
Trata-se de um suplemento desdobrável entitulado "Geomonumentos dos Açores, descodificar e proteger a paisagem", onde são apresentadas e explicadas, de uma forma simples, várias estruturas geológicas que se podem encontrar nas várias ilhas deste arquipélago.
O folheto não é exaustivo, mas apresenta uma selecção significativa destes Geomonumentos, mostra a geodiversidade desta região de uma forma interessante e o enquadramento geotectónico dos Açores a nível planetário.

O destacável vai mais além dos geomonumentos. Procura caracterizar os vários tipos de erupções que formaram os Açores e o próprio aparecimento destas ilhas no contexto de "deriva" dos continentes.
Apresentando ainda publicamente, julgo que em primeira mão, a nova rede de áreas protegidas dos Açores, que neste momento já se encontra em aprovação no Parlamento da Região Autónoma dos Açores.
A aquisição desta edição com este suplemento é mais uma oportunidade de todos os interessados, no ambiente, na vulcanologia e na geologia dos Açores, conhecerem um pouco mais destas ilhas, bem como alguns modelos explicativos sobre a sua génese e enquadramento tectónico do arquipélago.

sábado, 12 de julho de 2008

CAVIDADES VULCÂNICAS DOS AÇORES

Após o lançamento de cartões postais conjuntamento pelo Gespea, Os Montanheiros e Amigos dos Açores, com o patrocínio da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, aqui divulgados, eis que a mesma equipa lança agora um guia, bilingue (português e inglês), entitulado "Cavidades Vulcânicas dos Açores" e com grande qualidade estética e informativa.

Como o próprio guia informa: "Cavidades Vulcânicas dos Açores" é uma viagem ilustrada pelo espectacular património vulcanoespeleológico deste arquipélago, dando a conhecer a geodiversidade e biodiversidade escondidas no seu mundo subterrâneo.

Efectivamente, este guia, de 48 páginas a negro, com excelentes fotografias, bons esquemas interpretativos sobre a génese destas estruturas, desenhos da fauna cavernícola, cartas de localização de grutas e um texto de divulgação científica apelativo e didático, é, simultaneamente, um excelente documento técnico e um óptimo folheto de promoção.
Uma aposta bem conseguida na publicitação da vulcanoespeleogia e do seu potencial turístico.


Segundo informação de um membro do Gespea, o guia estará disponível nas grutas abertas ao público e com infraestruturas adequadas para o acolhimento do visitante.

Obter este guia é mais um motivo para visitar este belo património geológico nos Açores, onde saliento, pelas condições de acessibilidade e beleza: a grutas das Torres, no Pico; a Furna do Enxofre, na Graciosa; o Algar do Carvão, na Terceira; e a gruta do Carvão, em São Miguel. Todas convenientemente apresentadas no guia, embora haja mais cavidades nestas e noutras ilhas dos Açores.