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sexta-feira, 4 de julho de 2014

“De Amor também se Morre” (“The Constant Nymph”, 1943): será?


Quando a autora de “De Amor também se Morre”, Margaret Kennedy, deixou no seu testamento o desejo que o filme baseado no seu livro fosse apenas exibido em Universidades e Museus (quando sua carreira comercial terminasse), fomos, em consequencia, privados de assistir esta obra por quase 70 anos...

O filme só recebeu a autorização de ser apresentado em público em 2011, para um festival do “Turner Classic Movies”. Incrível...


Semana passada tive a chance de ver este filme pela primeira vez e, apesar de ter achado certas partes meio lentas e sem dinamica, fiquei encantado com o resultado final...
Mais uma vez volto a repetir: que fascinante descobrir “novas” coisas que me motivam à pesquisas, novas leituras, novos horizontes...

O “plot” é bastante simples:
A família Sanger vive longe das convenções da sociedade da época.
O patriaca, músico, morre, deixando suas filhas, acostumadas à uma vida no campo, na Suiça, aos cuidados dos tios em Londres.
Tessa (Fontaine), uma das filhas é secretamente apaixonada por um amigo da família, Lewis (Charles Boyer); que também é músico. Ele porém pensa estar apaixonado por uma prima das meninas, a lindíssima Florence (interpretada pela fascinante e "alluring" Alexis Smith).


Tessa e a irmã são enviadas para Englaterra, para estudar num internato mas sentindo-se presas e infelizes, fogem para a casa de Lewis (e Florence).
Ele, encontrando-se numa crise criativa, transforma Tessa na sua fonte de inspiração para a completa insatisfação de sua esposa, que na realidade não é capaz de compreendê-lo como Tessa.


Como o título sugere, Kennedy usou a mitologia grega como fonte: ao contrário dos deuses, ninfas são mortais e, geralmente, possuem espíritos felizes, considerados divinos.

Fontaine dá vida à essa “ninfa” (como faria alguns anos mais tarde com “Lisa” de “Carta de uma desconhecida) uma menina de 14 anos, que “morre” de amor...

Joan Fontaine, uma atriz que nunca foi realmente bela, é a perfeita incarnação para esta menina que, segundo as palavras do diretor Edmund Goulding, deveria ser „consumptive, flat-chested, anemic and fourteen!“ (tísica, sem peito, anemica e quatorze!”) dando-lhe uma magnífica dinamica corporal, como uma verdadeira criança – mesmo em cenas nas quais a pobre Tessa fica sem ar ou se sente mal por causa de sua condição cardíaca...
Quando Goulding, durante um jantar privado mencionou à Joan suas dificuldades em encontrar uma atriz adequada para fazer "Tessa" (e como a "via" - tísica, sem peito, anemica e com quatorze anos) ela disse: "Como eu" e ganhou o papel...


Fontaine (que na época já tinha 26 anos) transforma-se diante dos nossos olhos nessa menina de 14: ela é travessa, brincalhona, desorientada e patéticamente apaixonada por “aquele” homem mais velho interpretado por Boyer!
Não consigo imaginar as atrizes que foram cogitadas para este papel como Merle Oberon, Margaret Sullavan, Olivia deHavilland (irmã e “Nemesis” de Joan) e Joan Leslie nos “enganando” tão descaradamente como Joan o faz... Transfromando-se assim...
Detalhe: a "glamourosa" Joan do poster do filme não existe no filme...

Boyer, não se encontra muito à vontade, o que é compreensível. Seu papel, extremamente unidimensional, não lhe dá possibilidades...


Já Alexis Smith (linda) perde as suas por não saber usá-las apropriadamente... Seu ciúme nos dá a impressão de uma neurose pior, não sómente causada pela relação, que nunca é cristalizada, entre Tessa e Lewis (em resposta à uma tentativa de beijo, ela diz a Lewis: “Não, esta é a casa da minha prima e tenho que respeitá-la!”).
Mas Smith ainda estava em sua fase de “treino” na Warner (junto à ninguém menos do que Eleanor Parker) que esperava ter nela uma de suas futuras estrelas, estrelas de uma geração “pós” Bette Davis...


Smith foi bastante conhecida mas nunca teve, ao contrário de Parker, esta indescritível “qualidade estelar”.

Charles Coburn e Peter Lorre (assim como Dame May Whitty) estão "bem", adequados aos seus papéis mas não criam personagens novos... senti-me como revendo-os em vários papéis que já haviam criado antes...

Belos cenários e figurinos, as eternas “escadas da Warner” (sinonimo de seus filmes, principalmente dos de Bette Davis), uma bela trilha sonora de Korngold (que, porém, evoca muitos outros filmes da Warner)e uma ótima, sútil fotografia em preto-e-branco são fatores que muito enriquecem este esquecido trabalho...


Joan Fontaine foi nominada para um "Oscar" (haveia recebido um no ano anterior) mas perdeu para a magnífica Jennifer Jones em "The song of Bernadette".


Mas uma única pergunta perdura:

por que este título em portugues? Tessa não morre de amor e sim de sua condição cardíaca...
Se morre de amor?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

...e o tempo passou "na janela": The Boy next Door


Hollywood dos anos 40, 50 e até 60 nos presenteou com muitas cenas «de janela».
Nelas as atrizes e heroínas deixavam o interior de seus lares para olhar para o mundo lá fora. Mas sempre protegidas ao mesmo tempo pelo teto e segurança da sua casa, de seu lar.
Com um pé dentro e o outro fora…

A “janela” transformou-se assim num símbolo, na “fronteira” entre o lar, a vida familiar e a descoberta do amor…

Penso em tantas: Audrey Hepburn cantando “Moon River” em “Breakfast at Tiffany’s”, em Monroe flertando de sua janela em “The seven year’s Itch”, de June Allyson e Janet Leigh curiosas com o vizinho (Peter Lawford) em “Little Women”, em Bette Davis olhando a neve no trágico "All this and heaven too" e mais notávelmente na mudança que a “janela” exerce sobre o personagem de Grace Kelly em “Rear window”.
Sem a “janela” ela nao teria transformado-se numa mulher inteira…

Mas ainda é o personagem de Judy Garland, Esther, de “Meet me in St. Louis” (MGM, 1944) que tem todo o fascínio do, diga-se de passagem, «filme família» e do simbolismo da janela nos anos 40! Esther definitivamente me "cativou".


Jeanne Crain (acima) teve em “State Fair” (cinco anos depois de “Louis”) uma cena que foi óbviamente baseada na linguagem visual de Vincente Minnelli (diretor de «Louis»), no “sonho durante o dia”, no simbolismo da janela e de ver “o tempo passar nela” (no qual canta a linda “It might as well be Spring”), expressão aliás eternizada por Chico Buarque de Hollanda em sua romantica (e eterna) “Carolina”.
Mas Crain está "só" sonhando.
Está ausente do que se passa ao seu redor...


Definitivamente é a curiosidade de Garland sobre o “Boy next door” que me fascina…
Apesar de estar “day dreaming” ela está atenta, alerta, concentrada, interessada, se apaixonando…

Curiosa sobre o mundo lá fora…

Querendo ser parte dele...


Do início ao fim esta cena nos conquista: o olhar de Garland, seu indescritível magnetismo e charme, sua roupinha com a qual chegou em casa depis de jogar tenis (óbviamente sem estar suada e desarrumada!), a voz metálica, a linda música e o "Close-up" final.
Este sim, mais do que magnífico...

Viva a dupla “Minnelli/Garland” (no seu primeiro trabalho juntos) por nos dar momento tão fresco, romantico e poético!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A stolen Life (Warner 1946) ou "o roteiro original de " Mulheres de Areia" da TV Tupi"

Amazon na Inglaterra andou com umas ofertas „tão em conta“ que não pude resistir e em questão de 15 minutos gastei uns € 200… mas por quase 20 DVDs. Uma “pechincha”, if I may say so e se sou sincero…
Consegui filmes antiquíssimos da Fox com Alice Faye, Tyrone Power e Don Ameche… Clássicos do cinema britanico como “Genevieve” (com Kay Kendall – vide a postagem “Les Girls” de 28.06.2011), “The L-shaped room” (Leslie Caron), “The Pumpkin Eater” (Anne Bancroft) e “Blithe Spirit” (de Noel Coward) com (o marido de Kay Kendall) Rex Harrison e minha querida, amada Margaret Rutherford!

E comprei 5 DVDs de Bette Davis... como era o slogan?
"Nobody's good as Bette when she's bad".
Eu penso que se Bette Davis fosse uma bebida eu diria "Make it a double... or a tiny triple... and no ice, please!". Voces verão porque.


Me lembrava muito vagamente de “A stolen Life” (Warner, 1946) que já tinha visto alguma vez na minha vida am alguma “sessão das duas”. Alguns anos depois o mesmo tema foi desenvolvido para uma novela da TV TUPI, chamada "Mulheres de Areia", com Eva Wilma nos papéis principais como Ruth e Raquel.

Nesta suntuosa (e boníssima) versão a Warner prova mais uma ser um estúdio de „peso“. Além dos grandes dramas da Broadway que Hal Wallis comprava (a maioria para Bette Davis) vários outros filmes foram produzidos no que chamo de “os gloriosos anos 40 da Warner”. Tudo isso óbviamente contra a vontade de Jack Warner (“Quem quer assistir um filme sobre uma mulher morrendo de um tumor no cérebro?”. Toda a América quiz e “Dark Victory” tornou-se o maior sucesso de bilheteria de Davis até então)

Em “Vida roubada” Bette intrepreta as gemeas Kate, pessoa de ótimo caráter a quem falta um pouco de “sex-appeal” e Pat, mulher mais “sofisticada” a quem falta bastante moral.


Bette, danada e endiabrada como de costume, não optou por artifícios tal como usados por Olivia de Havilland em “Espelho d’alma” (Dark Mirror, International Pictures, também de 1946) para interpreter as gemeas. Refiro-me a “artíficios” como estilos de roupa opostos, penteados diferentes e até jóias penduradas em cordões com as (diferentes) iniciais dos nomes delas…
Bette usou só uma arma terrívelmente eficaz: seu talento como atriz.
Que “laboratório” deve ter feito.
Nao é à toa que esta mulher enlouquecia todos - dos camera men a Mr. Warner - no estúdio com seu perfeicionismo…

Escadarias nos famosos interiores da Warner (que adorava uma atmosfera, um “cheiro” de Boston, de New England – o que sempre foi infalível para dar classe a um filme), fabulosa fotografia, portos, gaivotas e barcos em New England, cheiro de mar, faróis, fog… Todos estes elementos dão ao filme uma atmosfera especial e envolvente no seu bem usado “preto-e-branco”.

Muitas cenas me impressionaram por serem de uma época em que a técnica era muito limitada… Principalmente quando as duas irmãs se encontram numa tempestade num pequeno barco no meio do oceano…
Interessante quando, sob este contexto, vemos a atriz filmando a cena só no barco… claro filmava ou Pat ou Kate… antes de serem unidas para sempre no reino do celulóide!


Como é bom sempre reencontrar Bette, aqueles olhos e aquele talento absurdamente grande…
E neste caso em dose dupla!!!!!!! Or let's make it a "tiny triple"?


Alguém já notou (e escreveu) que além de Kate e Pat existe uma terceira “mulher” interpretada por Davis neste filme: Kate, depois de assumir a vida de Pat, finge ser esta e confunde-se e machuca-se na vida atribulada de mentiras, traições, desamor, amantes e intrigas da irmã…


Além dessa „terceira“ encontrei a “metade“ de um quarta: relativamente no incío do filme, antes de Pat conquistar o „interesse romantico“ de sua irmã (um, deliciosamente jovem e bem apessoado Glenn Ford), ela passa-se por Kate… Mais uma faceta de Miss Davis!


Perdoe-me, Tio Walter (Clark) mas amo este "padrão Warner de qualidade"!

terça-feira, 1 de junho de 2010

The painted Veil: Um Cocktail de Adultério, Satie e Somerset Maughan ("avec" suas "pecadoras")

Sempre adorei os livros de Somerset Maughan… Tantas estórias maravilhosas ele nos contou. Quantos arquétipos nos fez reviver... Reencontro na minha estante o primeiro livro dele que li. “Histórias dos Mares do Sul”. Abrindo a primeira página encontro minha jovem assinatura datada de 1977. Somerset, amigo já de “quase uma vida”.

Lembro-me de minha primeira visita a Singapura e do Hotel Raffle’s no início dos anos 80. Lá, no bar principal, debaixo dos ventiladores de teto, bebi um “Singapore Sling” e disse um “Cheers” em sua homenagem, já que este Hotel foi por muito tempo seu “lar” na Ásia.

Talvez sejam todos estes acontecimentos motivos para eu ter apreciado tanto o (para mim novo) filme de um diretor que não conhecia. A nova versão de “The painted veil” do jovem americano (ele nasceu em 1960) John Curran.

Somerset e suas eternas “heroínas”. Muitas delas traidoras, pecadoras, adúlteras.

Entre elas algumas que conseguiram seu «final feliz», ou seja, as que foram perdoadas/ poupadas por Mr. Vaughan. Por exemplo Miss Sadie Thompson de “Rain”, a vulgar prostituta dos mares-do-sul que , sendo práticamente reformada por um missionário fanático, acaba "reformando-o". (Gloria Swanson deu vida à Sadie.

Alguns anos poucos depois Joan Crawford também)
Ou Julia Lambert de “Theatre” (Vide minha tertúlia de dezembro de 2008), um personagem amoral mas tão deliciosamente «humanamente errado», já que inteligente- e incansávelmente vingativo, para ser ignorado… Uma adúltera que nos conquista como leitores – e todos nós torcemos por ela no final da estória que nos é relatada. O que aconteceu depois do final que lemos é parte de nossa imaginação. E como Mr. Maughan nos dá “pano para manga”.

Outras não tiveram tal sorte – Existem aquelas que não só são punidas por muito tempo como também chegam a encontrar a morte…

Sua frustrada e infeliz Sophie de «The Razor’s Edge» (O Fio da Navalha), passa pelo inferno, vai e volta do purgatório não sei quantas vezes durante a vida. Drogada, alcóolatra, abandonada, aniquilada, decandente morre só. Assassinada por algum dos “seus homens”.
Anne Baxter deu uma boníssima interpretação à Sophie (aqui ao lado do Tyrone Power). Mais sobre «The Razor’s Edge», a estória de um homem procurando “outros caminhos”, uma outra vez!

Mildred, a maldita garçonete de «Of human Bondage» (Servidão humana) é tão baixa, tão horrívelmente suja e degradada que sua morte (de sífilis) não nos surpreende… Penso que Mildred seja talvez o personagem mais promíscuo, mais sórdido da literatura.
Tres vezes Mildred apareceu nas telas do cinema : primeiro via uma feroz Bette Davis que, com muita razão, viu neste personagem sua chance ao estrelato (apesar do fato de que todas as atrizes de Hollywood da época não aceitaram este papel). Mesmo assim acho-a caricata, exagerada. Lembro-me de ter suspirado depois de sua morte – pelo menos toda a gritaria num sotaque pseudo-cockney havia parado!

A segunda Mildred que assisti foi a magnífica Eleanor Parker. Atriz com A maiúsculo. Linda mulher que na época devia passar muito distante de qualquer espelho. Para mim a definitiva Mildred.


Sobre a terceira não vale muito a pena se escrever: uma terrível Kim Novak, completamente errada para o papel. Totally miscast!

Também Leslie Crosbie, a adúltera esposa de um dono de uma plantação em “The Letter” - a dramatização de 1927 de sua curta estória “The casuarina Tree”. Ela procura sua morte. Ela práticamente coloca-se nas mãos da mulher que amava verdadeiramente o homem que matou – seu amante. E agindo assim ela mesmo se “executa”. A única das “heroínas” de Somerset que não espera o destino e faz justiça consigo mesma. Uma adúltera que transforma-se - com ajuda - quase numa sacerdotisa. No filme mais uma vez uma feroz Bette Davis exercendo desesperadamente toda a gama de emoções de A a Z (Venetian Blind and all...), tão típica do seu trabalho dos anos na Warner e que lhe renderia muitas nominações ao “Oscar”.

Não sei exatamente o porque de Somerset Maughan ter-se ocupado tanto com o adultério. Algumo motivo deve ter tido.
Talvez, como um documentário sobre sua vida deve ser lançado no próximo ano, tenhamos brevemente uma explicação…

Uma de suas pecadoras sofre longamente, por um tempo que nos parece definitivamente eterno, num inferno que ela mesmo criou para si:
Na primeira versão de The painted Veil/ O Véu pintado, Kitty Fane, uma inglesa diga-se de passagem, tinha sido desempenhada estranhamente por uma Garbo desempenhando "Garbo" (e usando uma sucessão de estranhos turbantes "meio sulamericanos" e incrívelmente “chic”, limpa e sequinha para estar no interior da China durante uma epidemia de cólera no húmido verão!). Aqui o poster alemão – talvez a melhor coisa deste filme!

Esta “nova” versão (2006) de John Curran conta não só com uma excelente e sensível fotografia, eficazes cortes como também com um elenco que age perfeitamente “fiel” à esta esquecida obra. O “ícone” Diana Rigg como a Madre Superiora, Edward Norton como o traído marido e Naomi Watts como Kitty.
Mas não posso deixar de mencionar uma das coisas que povoou meus dias, minha noites, intensamennte depois de ter assistido este filme: o fabuloso uso das “Gnossienes” de Erik Satie e não das muito mais populares “Gymnopédies”.
Um efeito único. Sagaz. Perfeito. De uma “finesse” cenica tão inteligente e sugestiva que até agora, escrevendo sobre elas, acordes voltam vívida- e nítidamente à minha memória. Mais uma vez sensibilidade no Cinema. Num simples detalhe. Só este fato já é motivo suficiente para assistir este filme…

Ouçam…
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P.S. Não faz muito tempo estive na British Bookshop pois procurava alguns ítens. Qual não foi minha surpresa e tristeza ao descobrir que Somerset Maughan (que apesar de seu incrível sucesso NUNCA foi um “queridinho” dos críticos) não está mais “on print”. Sim. Nenhuma editora inglesa imprime mais seu trabalho. Mais um…

sábado, 27 de junho de 2009

REMEMBERING: Eleanor Parker (Happy Birthday!)


Uma das boas atrizes do cinema americano. Uma das mulheres mais elegantes de Hollywood. Uma que nunca deu realmente muito valor à papéis glamourosos (apesar de ter feito alguns) e que nunca usou esta “imagem” como um rótulo. Uma grande Dama do cinema. Atriz com A maiúsculo.

Eleanor Parker nasceu em 26 de junho de 1922 (ou seja, completou ontem 87 anos), debutou no cinema em 1941, foi nominada para tres Oscars e fez seu último filme em 1991, finalizando assim 50 anos de uma brilhante carreira!

É de certa forma bem difícil encontrar seus primeiros filmes, ou seja, os que foram feitos na década de 40. Eu só conheço na realidade tres da época em que estava sendo “treinada” pela Warner (junto à Alexis Smith) para eventualmente ser uma “nova” Bette Davis: “Between two Worlds” (1944), “Of human Bondage” / Servidão Humana (1946) e no papel duplo de “A Woman in White” (1948).

“Between” conta várias estórias entre elas a do casal "Bergner": ele, um pianista austríaco, sendo interpretado pelo austríaco Paul Henreid (Victor Lázlo de “Casablanca"), ela sua devota esposa. Depois de uma tentativa de suicídio “se encontram” num barco... só para descobrir que estão mortos, assim como todos os outros passageiros deste “cruzeiro”. Num papel secundário Alexis Smith. “Of Human Bondage” é a refilmagem do clássico de Somerset Maughan, que tinha já trazido fama à Bette Davis, e desta vez deu a chance à Eleanor de interpretar a sordida e barata garçonete, Mildred, que morre de sífilis. Muitas comparações foram feitas entre as duas atrizes e o filme nao levou a carreira de Eleanor a frente. “A Woman in White” é um daqueles horrorosos filmes “góticos” da Warner como “Dragonwick” (1946) que são tão confusos, tão cheios de informação que um sente-se até sufocado... Eleanor tem um papel duplo (ela é a “Woman in White”) mas o papel principal coube à Alexis Smith! (Vide minha postagem de 06.08.2008, “Follies”). Num papel secundário a fabulosa Agnes Moorehead!

O seu “Break” só veio em 1950 – mas valeu a pena esperar tanto. Marie Allen em “Caged” é um daqueles grandes papéis que aparecem raramente no cinema, tendo sido escrito especialmente para a tela . Marie é erroneamente envolvida num crime que seu marido comete acidentalmente ao querer roubar um posto de gasolina. Ele morre. Ela, uma mocinha de interior, muito inocente, vai presa. Ela ainda nao sabe que está grávida. O filme foi o primeiro a criticar o sistema penitenciário americano. Marie não só passa por terríveis momentos, torturas (mentais e físicas) como também dá a luz ao seu filho na prisão para ve-lo separado dela para sempre. Ela entra na prisão uma jovenzinha e transforma-se numa mulher sofrida, machucada, agressiva. Ela entra uma inocente e sai uma criminosa. A diretora da prisão (mais uma vez Agnes Moorehead) diz no final do filme ao ve-la sair pelo portão: “Don’t put her file away; she’ll be back” – e aí somos confrontados com sua foto, no dia em que chegou ali... Triste o que uma cadeia pode fazer, transformar...



Este filme rendeu-lhe sua primeira nominação a um Oscar ( e o premio de melhor atriz no Festival de Veneza!). A Warner não tinha conseguido criar uma segunda “Bette” mas conseguiu esta maravilhosa Eleanor Parker, única, que logo deixaria o estúdio... Devemos acrescentar aqui que as interpretações de Eleanor, até hoje, não envelheceram...

Suas outras nominações: “Detective Story” com Kirk Douglas (William Wyler, 1951) e como o soprano australiano Marjorie Lawrence em “The interrupted Melody” com Glenn Ford (MGM, 1955. Vide minha postagem de 03.03.2009), fime no qual esteve soberba.
Mulher talentosa e versátil, Eleanor nunca deixou-se rotular como “Deusa”.

Estava definitivamente muito glamourosa (e muito comica) com os cabelos vermelhos para o Technicolor de “Scaramouche” (ao lado de Stewart Granger, Janet Leigh e Mel Ferrer)


assim como em “Melodia Interrompida” (com a maravilhosa voz de Eilleen Farrel, como por exemplo como Dalillah na minha ária preferida: Mon coeur s'ouvre à la voix).


e em “The naked Jungle” (1954 ao lado de Charlton Heston no Amazonas!) mas em “Detective Story” (com Kirk Douglas), no famosíssimo “The Man with the golden Arm” (1955, ao lado de Frank Sinatra) e em “Lizzie” (1957) ela parece ter ficado bem distante, muito longe mesmo do espelho...

Lizzie” é um filme injustiçado, esquecido: um (outro) caso de múltiplas personalidades que foi completamente ofuscado por “The three Faces of Eve” com a (também) magnífica interpretação de Joanne Woodward.

Eleanor teve grande destaque como “The Baroness” em “The Sound of Music” (A Noviça Rebelde, Fox, 1965), que estava só lutando pelo que queria: o Barão Von Trapp!

Jamais esqueço sua linha final como Elsa (a Baronesa). Uma linha boba que ela transforma, com seu timbre, numa obra de arte. Sabendo que “perdeu-o”, aceita com delicadeza e nobreza esta “peça que o destino lhe pregou", não perde nunca a classe e depois de dar-lhe um beijo na face diz gravemente com um sorriso: “Auf Wiedersehen, Darling!”.

Aqui alguns momentos da inesquecível Miss Parker. Primeiro no realista “Caged”, depois no Trailer de "Interrupted Melody" - Disfrutem de duas interpretações bem diferentes de Parker (e da magnífica voz de Eillen Farrel como Marjorie Lawrence... Na ária de Dalillah, em "Over the Rainbow" etc. e tal...).
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Happy Birthday, Miss Parker!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Bette, Julie & Oscar

Bette Davis: a “malvada” par excellence (mesmo que no filme “A malvada”/ “All about Eve” de 1950 a personagem má pertencesse à Anne Baxter). Mesmo assim Bette representou personagens bons („Apple Annie“, Charlotte em „Now Voyager/A viagem“ ) até trágicos por causa de sua extrema honestidade e honra como a « Mademoiselle » de « All this and heaven too » (« Tudo isto e o céu também, Warner 1941). Mas em „Jezebel“ (1938) ela usa e abusa do direito de ter falta de caráter…

Mas como foi o „slogan“ uma vez usado para ela?

Nobody’s as good as Bette when she’s bad!

E com todas suas ruindades e patifarias sua “Julie” em Jezebel transformou-se numa linda mulher. Sim, Bette era tão atriz que até podia passar a ilusão da beleza (física). Aqui Bette com um jovem e bonito Henry Fonda, que deu muitas dores de cabeca à ela. No seu contrato havia uma cláusula que ele deveria terminar as filmagens num certo dia para voltar à New York para o nascimento de sua filha (que por acaso transformou-se em Jane Fonda). Fato este que deixou pobre Bette, no final das filmagens, fazendo todos os seus "close-ups" de amor, durante semanas, olhando para o vazio... Fonda já estava com sua esposa em New York. Pobre Bette!

Julie foi sua “vingança” por não ter conseguido o papel de Scarlett O’Hara (no filme que só seria acabado em 1939). Ela, como uma sulista, fez sua pequena versão de “GWTW” (…E o vento levou”) e ganhou o Oscar de melhor atriz 1938.
Apesar de eu achar que sua maior vingança foi ter tirado o papel de Julie de sua arqui-inimiga Miriam Hopkins, que tinha-o interpretado na Broadway (assim como o caso de amor que teve com Anatole Litvak, o famoso diretor – e marido de Hopkins!!!!!). Outra vez falaremos mais de Bette, seus cigarros e suas arqui-inimigas: Miriam Hopkins e Joan Crawford... (muito "pano para manga", muito "abacaxi para decascar"!)

Um “porém” muito interessante: até então a estátua da academia era só chamada de “Academy Award”. Bette ao recebê-lo achou-a parecida à imagem de seu então (atlético) marido: Oscar. Fez um comentário qualquer e pronto… “pegou” e até hoje falamos de “Oscar” (que, por sinal, virou uma marca registrada).

sábado, 18 de outubro de 2008

Supporting Actors/Actresses II : Gladys Cooper

Continuando a minha série sobre atores/atrizes coadjuvantes, repito o que escrevi no meu relato sôbre Mary Boland (Vide a primeira postagem desta série, Supporting Actors/Actresses I: Mary Boland, de 1 de agosto de 2008): Penso já há muito tempo em fazer uma série de postagens em homenagem a vários “Supporting actors and actresses” – aqueles que já vimos centenas de vezes nas telas e de quen nao sabemos mais os nomes ou exatamente aonde os vimos... Vamos agora também pensar na palavra "support" e em companhia de quem esta particular atriz esteve: Bette Davis, Laurence Olivier, Joan Fontaine, Ginger Rogers, Vivien Leigh, Deborah Kerr, Audrey Hepburn, Judy Garland, Gene Kelly, Kay Kendall, Cary Grant, Rex Harrison, Jennifer Jones, David Niven, Burt Lancaster, Loretta Young, Wendy Hiller, Rita Hayworth, George Cukor, Vincente Minelli, Somerset Maughan ... e isto só para citar alguns... quase um "Who's who?" das "performing arts", nao é verdade?

Bem vinda a "Tertúlias", Gladys Cooper!!!!!


Filha de um famoso jornalista, Cooper (1888, Inglaterra - 1971, U.S.A.) começou sua carreira teatral em 1905 no teatro musical em peças como “Bluebell in Fairyland” e “The Belle of Myfair”, em 1907 virou uma corista no famôso Gaiety Theatre em Londres e durante a Primeira Guerra Mundial foi a “paixão” (em termos de II Guerra Mundial comparável à "pin up" Betty Grable) dos soldados inglêses. Trabalhou numa produção de “The importance of being Earnest” de Oscar Wilde, assim como, em 1919, em “Home and Beauty” de Somerset Maughan. Nesta foi criticadíssima por Aldous Huxley que a encontrou “estática, demasiadamente estatuesca, atuando todo o tempo como se fôsse Galatéa, recentemente desempetrificada e ainda não à vontade, nao acostumada à forma de viver dos sêres humanos”.

A partir de 1922 ela encontrou o estrelato no palco (já tendo também trabalhado no cinema mudo na Inglaterra desde 1913) na peça “The second Mrs. Tanqueray”. Entre seus grandes êxitos nos anos 20 a peça “The letter” (A carta, 1927) também de Somerset Maughan por quem foi extremamente elogiada e que a aclamou dizendo: “Gladys Cooper transformou-se de uma atriz indiferente numa atriz extremamente competente!”. “The Letter”, uma estória de traições, infidelidade e mentiras passada numa plantação fora de Singapura (na mais incrível tradição Maughanesca!!!!!! ) foi filmada em 1940 e trouxe muito prestígio e indicacao ao Oscar para Bette Davis).


Só a partir de 1940 Gladys Cooper entrou realmente em nossas vidas quando interpretou Beatrice Lacy a simpatissíssima irmã de Max DeWinter (Laurence Olivier) em "Rebecca" (Hitchcock, 1940 e no Brasil "Rebecca, a mulher inesquecível", título com o qual brincávamos dizendo "Rebível, a mulher inesquebeca"... lembram? ) que é um apoio para “ela” (Será que alguém aqui já tinha se dado conta que o nome do personagem principal feminino em “Rebecca”, no caso Joan Fontaine – vide minha postagem “Carta de uma mulher desconhecida, Stefan zweig” de 13 de agosto de 2008 – nunca tem seu nome mencionado???????? Nem no filme, nem no livro... ).


A partir deste momento Gladys nao parou de trabalhar nos papéis mais variados possíveis que eram óbvios para uma atriz de tamanha versatilidade. E para citar só alguns: a snob e finíssima mãe do “noivo” que não aceita a menina classe média/baixa Ginger Rogers para seu filho de Philadelphia em “Kitty Foyle” (RKO 1940),
A sexualmente desprezada, mal amada, amarga mulher de Nelson (mais uma vez Laurence Olivier) que o perde para “That Hamilton Woman” (MGM 1941), que nao é nada mais nada menos do que Emma Hamilton no corpo de uma deslumbrante Vivien Leigh no auge de sua beleza (e que num grande "tour de force" como Emma acaba bêbada, velha e feia na sarjeta e depois até presa... ) e, num grande desempenho, bem caracterizada, como a tirânica e possessiva Mrs. Vale, mãe velha da solteirona, complicada e doente mental “Charlotte”(Bette Davis em “Now, Voyager” - A viagem, Warner 1942). Gladys recebeu uma indicação ao Oscar. Perdeu.

Também não podemos esquecer de invejosa, angustiada freira que, torturada por seus própios demônios, nao podia aceitar que Deus tivesse elegido uma garôta pobre, burrinha, práticamente analfabeta como Bernadette para “presenciar o aparecimento de Maria" em “The Song of Bernadette” (A canção de Bernadette, MGM 1943) ao lado de Jennifer Jones. Esta coitada, que é digna de pena, é colocada cara-a-cara com a revelação da divindade do caráter de Bernadette, que já havia sido injustamente transformada em “Irmã Maria Bernarda” por uma insegura igreja que não sabia o que fazer com ela, e se arrepende... Nada pior na vida do que o remorso... Mais uma indicação ao Oscar para Gladys. Perdeu uma segunda vêz.


Versátil como sempre foi a boa Beatrice Hamimgtons que “une” Joseph Cotten à linda Jennifer Jones (as duas mais uma vez trabalhando juntas) em “Love Letters” de 1945 (foto abaixo), uma mulher de altíssima sociedade em “The bishop’s Wife” (1947 ao lado de Cary Grant, Loretta Young e David Niven), a tia de Judy Garland, a “Manuela” da Comédia-Musical “The Pirate” (O pirata, MGM 1948 também com Gene Kelly) de Vincente Minelli e a mãe preocupada de um rapaz que está apaixonado por Emma... a fútil, sonhadora Emma Bovary... sim, mais uma vêz ela com Jennifer Jones em “Madame Bovary” (MGM 1949) também de Vincente Minelli.


Seu complexo personagem em “Separate Tables” que desempenhou nao só na Broadway (primeira foto abaixo) mas também em Hollywood (segunda foto abaixo) em 1958 ( com "minha querida" Deborah Kerr, sua oprimida e recalcada filha... ), atuação sua muito aclamada ao lado também de Burt Lancaster, David Niven, Rita Hayworth, Wendy Hiller e outros...


...e como também “The bright one” na Broadway em 1959 ao lado da encantadora, mágica e inesquecível Kay Kendall, na época casada com Rex Harrison e no auge de sua curta carreira, que logo depois sucumbiria à uma terrível leucemia...


... e, para finalizar esta lista (que é realmente curta em relação aos trinta e poucos filmes que fez) a encantadora, jovial, descomplicada mas também finíssima, aguda e retóricamente precisa Mrs. Higgins, mãe do professor e grande suporte à Eliza no grandioso “My fair Lady” (Minha bela Dama, Warner 1964, dirigido pelo grande George Cukor). Mrs. Higgins trouxe-lhe uma terceira indicação ao Oscar e também uma terceira perda. Aqui Cooper ao lado de Audrey Hepburn e de Wilfrid Hyde-White...



Seu ínico premio foi um Golden Globe em 1965 pela séria “The Rogues” com David Niven, Charles Boyer, Gig Young e Larry Hagman.

Até o final de sua vida Gladys Cooper continuou entre o West-End, a Broadway e Hollywood.
Ela foi casada três vezes, teve duas filhas (no primeiro e segundo casamento) e não existem quase relatos sôbre sua vida como pessoa privada. Melhor assim.
Ela morreu em 1971 aos 82 anos de idade.
Deixou uma grande heranca para todos nós: Muitos momentos brilhantes nas telas do cinema com muito talento e técnica usados precisamente para nos dar esta grande satisfação em vê-la... assistí-la....
Por todo este legado, por todos estes momentos: Obrigado GRANDE Gladys!!!!