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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Banquete

Assisti O Banquete (2018) de Daniela Thomas no Canal Brasil. Eu tinha ouvido elogios a esse filme, mas não tinha ideia que é tão bom.

Já começa instigante nos minutos iniciais. O personagem do Chay Suede é um garçom, ele vê uma marca de batom em um copo, molha o dedo na boca, tira a marca com o dedo molhado, passa o pano e põe o copo na mesa. Quem gosta de receber, mesa posta, gastronomia, vai adorar. 

O Banquete tem muitas vertentes, é profundo instigante e absolutamente surpreendente. Nada é o que realmente parece ser. O elenco também é maravilhoso. Só grandes atores! A personagem da Drica Moraes é a anfitriã. Ela vai se arrumar e o seu marido, Caco Ciocler, chega bêbado. O garçom informa que o jantar é em comemoração ao aniversário de casamento, o marido não sabe. Depois ficamos sabendo que não é o casamento desse casal, mas sim de outro, que completa 10 anos de casamento.
O casal que ganha o Banquete ainda não chegou porque a esposa, Mariana Lima, é atriz, e está em uma peça ali perto. O marido, Rodrigo Bolzan, ficou de buscá-la ao final do espetáculo, só que ele esquece e vai direto ao jantar. Tudo no filme é milimétrico! Tudo é tenso, todos parecem se odiar, ou se amar, se envolver, todos parecem ter relações abusivas uns com os outros. Alguns outros convidados são interpretados por Fabiana Guglielmetti, Gustavo Machado, Bruna Linzmeyer e Georgette Fadel. Belíssima a sala da casa que serve de cenário, o único cenário, é de uma casa de arquitetura moderna, vou tentar descobrir de quem.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Comédia Latino-Americana

Assisti a peça A Comédia Latino-Americana de Felipe Hirsch no SESC Vila Mariana. Esse espetáculo é a continuação de A Tragédia Latino-Americana que infelizmente não vi. Um grupo pesquisa textos e escolhem alguns para a encenação. O elenco é incrível: Caco Ciocler, Caio Blat, Camila Mardila, Georgette Fadel, Javier Drolas, Júlia Lemmertz, Magali Biff, Manuela Martelli e Rodrigo Bolzan.

Incrível o espetáculo, excelentes os textos. Há um inédito de  Reinaldo Moraes sobre Hans Staden. Interpretações de Catatau de Paulo Leminski. Poemas do chileno Nicanor Parra e o texto do argentino Martin Caparrós sobre militante anarquista Soledad Rosas. Em um momento todos os atores se unem para contar a história de Rosa Egipcíaca, uma negra escrava, que chegou bebê em um navio negreiro, com uma história enorme. Quando foi para Minas Gerais foi entregue a negros que utilizavam o seu corpo. Foi o Padre Xota que a abrigou. Ele e ela foram acusados pela Inquisição. Foi a primeira negra a ler e escrever no Brasil. Há vários relatos, livros, um ficcional.
As fotos são de Patrícia Cividanes

Incrível a execução do texto Dupla e Única Mulher do equatoriano Pablo Palacio. Duas mulheres juntas, parecem grudadas, falam um texto sincopado, coordenado. Os isopores fazem um efeito incrível mudando completamente o cenário que tem a direção de arte de Daniela Thomas e Felipe Tassara. A iluminação de Beto Bruel é crucial para dar todo o tom da peça. Amei os figurinos de Veronica Julian. Gostei que os atores usam microfones, fica bem mais confortável para nós e eles. E no fato de ter legendas, já que são textos complexos, a legenda tornou-se fundamental. Há música ao vivo criada por Arthur de Faria que fica ao piano, acordeom e sintetizadores, ainda Adolfo Almeida Jr. no Fagote e Efeitos, Mariá Portugal na bateria, percussão e tímpanos. Gustavo Breier no Processamento Eletrônico, Georgette Fadel no trompete e Pedro Sodré nas guitarras e overdrives. A Comédia Latino-Americana muda a cada espetáculo. Os textos mudam ou a ordem porque o grupo está sempre experimentando. Eu vi um peça de 2h30 de duração. Antes era mais de 3 horas com um intervalo, eu vi sem intervalo. A Comédia Latino-Americana fica em cartaz até 13 de novembro.
Vou colocar uma entrevista da primeira montagem, não dessa que vi que foi a continuação dessa.


Beijos,
Pedrita

terça-feira, 27 de maio de 2008

Não Sobre o Amor

Assisti a peça Não Sobre o Amor de Felipe Hirsch no Centro Cultural Banco do Brasil. Minha amiga tinha comentado no blog dela sobre essa peça. Quando vi a foto já tinha ficado instigada sobre o espetáculo, mas quando li o texto e vi todos os envolvidos enlouqueci. Estavam no projetos profissionais que adoro e quis muito ver. Não Sobre o Amor entrou para a lista dos espetáculos inexquecíveis que vi, é simplesmente maravilhoso! Tudo é perfeito! Eu gosto demais da Daniela Thomas que assina a cenografia e fiquei impressionada com a disposição das peças no palco. Tudo é ao contrário. A cama como podem ver é na nossa frente, inclusive o ator está deitado nela. A mesa também é invertida e o ator senta de costas para o chão. Com a direção o ator senta em tudo quanto é lugar estranho, de uma genialidade surpreendente. Eu sou muito fã do ator principal, Leonardo Medeiros e ele está maravilhoso!

São somente dois atores no palco, mas na verdade eles não estão juntos já que o roteiro é baseado nas cartas entre o russo Victor Shklovsky (1893-1984) com a franco-russa Elsa Triolet, mais um texto anotado que gostaria de ler, é um texto de uma beleza imensa. Ela pede que ele escreva Não Sobre o Amor, portanto as cartas falam de outros assuntos, mas sempre de forma metafórica falam do amor que ele sente por ela. Além dessa correspondência colocaram outras cartas entre os textos. A atriz estréia nessa peça e gostei muito, é Arieta Corrêa. A iluminação é de Beto Bruel. No palco são projetadas imagens, com outras estruturas do mesmo cenário. Tem horas que nos confundimos se a atriz está realmente lá ou se é a projeção. Belíssimo! Nessas projeções estão trechos das cartas, comentários sobre o que estamos ouvindo, de uma genialidade incrível. Realmente, só assistindo. Essa peça custa pouco, R$ 15,00, há meia entrada e fica em cartaz até julho. É absolutamente inexquecível, me emocionei muito!
Música do post: 1st mvt Nocturne - Shostakovich Violin Concerto No. 1






Beijos, Pedrita