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sábado, 10 de abril de 2021

Amor de Mãe

Assisti a novela Amor de Mãe (2019-2020-2021) de Manuela Dias na TV Globo. A direção foi de José Luiz Villamarim. Que belíssimo trabalho, que roteiro! Essa novela foi atropelada pela pandemia, pararam as gravações. Fizeram um esforço de guerra pra retomar e fechar a história da forma que fosse possível e infelizmente algumas tramas ficaram sufocadas, mas nada tirou a maravilha que foi essa novela. Inesquecível! A trama entrelaça a história de três mulheres, incrível no final que entendemos a relação delas desde que foram mães. Vitória (Taís Araújo), uma famosa advogada, tinha sido uma jovem estudante grávida que dá o seu filho. Lurdes (Regina Casé) que tem seu filho vendido pelo marido para a mesma mulher que recebe o filho da Vitória. E Thelma (Adriana Esteves) que compra o filho dessa mesma mulher. Todas maravilhosas, que atrizes. Gostei de falar de co-responsabilidade. O quanto nossos atos podem interferir ou promover crimes, o quanto cada um de nós é responsável pelo todo.

Eu fiquei muito brava com um programa de fofoca de televisão que antes da novela começar já contou quem seria o filho de Lurdes (Chay Suede) e de sopetão, não deu nem ao trabalho de avisar que ia dar spoiler, quem não quisesse ouvir que zapeasse, bom, TVs não fazem isso, pedir pra pessoa sair do canal, então não dê spoilers. Sim, minhas amigas disseram que a novela deu várias pistas, mas antes da novela começar? Achei um desrespeito com o trabalho de todos os envolvidos. Um gosto por furo muito grosseiro. A cena da revelação foi emocionante! Pra novela poder ser realizada, todos tinham protocolos de segurança muito severos e eram testados periodicamente. Infelizmente todos os núcleos não poderiam voltar. Quanto menos elenco, cenas, equipes, mais seguro, mas valeu o esforço, foi lindo! Pena que alguns envolvidos não entendiam nada de protocolos. Acho que viviam em uma bolha porque em agosto já se sabia que não se sabia se a pessoa que tinha ficado contaminada não se contaminaria de novo. Achavam que poderia durar uns 5 meses, mas nada era certeza mesmo em agosto quando já se sabia também que dentro de casa não podem todos tirar as máscaras se vierem das ruas. A Lurdes poderia ter ficado na casa do Magno, e ter pouco contado com os jovens da casa e quando tivesse só por máscaras. Tirar as máscaras pra falar era muito assustador. Quando Sandro (Humberto Carrão) tira a máscara no hospital, local de contaminados, nem higienizando as mãos seria seguro, imagine sem higienizar como ele fez. Vitória também, depois de ficar com uma pessoa sem máscaras no carro, não ficou isolada em casa e nem fez teste pra se reaproximar da família. Já se sabia em agosto desses protocolos. E pior, foi na pior época de disseminação do vírus no Brasil. Colocaram em texto no final, mas eu acho que teria sido melhor em intervalos diferentes, uma pessoa, podia ser a ex-BBB Thelma, que é médica, explicar esses detalhes, já que há negacionista demais no Brasil. 
Lindo o amor de Penha (Clarissa Ribeiro) e Leila (Arieta Correa). A vida das duas foi se transformando na trama. Penha era a doméstica maltratada pela ricaça Lídia (Malu Galli). E Leila começou a novela em coma. Várias reviravoltas fazem as duas se unirem, se tornarem grandes bandidas e conseguiram fugir como no filme Thelma e Louíse, mas com final feliz. Por incrível que pareça eu torcia por elas.

Outro grande valor de Amor de Mãe foi ter chamado grandes atores não tão conhecidos da televisão. Como a talentosa Magali Biff como Nicette. Sua personagem acaba se misturando em quase todos os núcleos e tendo papel fundamental. Primeiro ela é mãe do homem (Paulo Gomes) que o Magno acha que matou. Magno namora sua filha Betina (Isís Valverde) que não sabe da história. Depois Nicette mora em Guapori, a região contaminada pela indústria de Álvaro, que depois descobrimos que Betina é irmã de Álvaro porque o pai dele abusou de sua mãe. Mas a teia continua, ela é avó do filho da mulher do Álvaro, que engravidou do filho dela. E Álvaro, um dos grandes vilões da trama, aceita o filho de outro homem da esposa, surpreendente. Outros personagens marcantes com atores pouco conhecidos da televisão foram interpretados por Démick Lopes, Dida Camero, Rodolfo Vaz, MC Cabelinho, WJ, Nando Brandão, Rodrigo Garcia, Isabel Teixeira, Giulio Lopes,  Aldene Abreu, Antonio Negrini, Stella Rabello e Mariana Nunes
A trilha sonora também era maravilhosa: Gal Costa, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Cartola, Olodum, Chico Buarque, Clara Nunes, Elza Soares, Caetano Veloso, Elis Regina, Nina Simone, Jorge Benjor e Madredeus. Tem no spotify.
Amor de Mãe falou muito sobre questões sociais. Educação inclusive na personagem da Camila, da incrível Jessica Ellen. Professora de uma escola pública em lugar de vulnerabilidade, ela procura ajudar seus alunos a procurar um futuro diferente para as suas vidas. Inclusive vários de seus alunos tornam-se personagens importantes na trama como Cacá Ottoni, Dan Ferreira, Jennifer Dias, Dora Friend e Aisha Moura.
Foi uma novela de muitas perdas, estranhamente não por covid. E atores jovens como o belíssimo português Filipe Duarte e Léo Rosa que fez uma pequena participação como um jornalista.

E Durval, ai o Durval, que personagem carismático do Enrique Diaz e todo errado, todo não, mas sim, foi um pai ausente. Eu me incomodei da filha (Duda Batsow) exigir muito dinheiro na pandemia pondo o pai em risco. Ele vai trabalhar de entregador de aplicativo, correndo o risco de morrer de covid. Se a filha e e a mãe (Clarissa Kiste) estivessem passando necessidade, é certo, mas não era o caso, ela poderia esperar a pandemia passar pra exigir a responsabilidade financeira do pai. E principalmente quando o reencontrou. Acho que na pandemia nós precisamos muito mais lidar com a empatia e com a compaixão. E quem trabalha com artes ficou totalmente sem emprego, devia ter exigido antes quando ele tinha como correr atrás. Foi bem mais inteligente quando ofereceram moradia pra ele que não tinha dinheiro nem pra alugar uma vaga em pensão. Atrapalhado como sempre foi, teria grande chance de ir morar nas ruas como muitos nesse período escuro. E apesar de todos os defeitos, Durval era um bom dono de casa, bem bagunceiro, mas cozinhava, cuidava da filha, seria uma forma de ajudar no orçamento tendo funções domésticas. Mas a autora reserva um respiro pra ele, e a trama promove momentos deliciosos com a Dona Unicórnia.

Gostei demais da atriz e cantora que interpretou a Verena, a Maria. Linda e talentosa. Fez par romântico com o personagem do gigante Irandhir Santos. Pena que foi bem pequena a parte da mãe biológica (Olívia Araújo) do Tiago. Muitas tramas pareciam já ter sido pensadas desde o começo, mas a pandemia encurtou as abordagens, mesmo assim foi uma linda cena. Uma pena também que não puderam definir o destino amoroso de Lurdes disputada pelos personagens dos grandes Luiz Carlos Vasconcelos e Nanego Lira. As crianças eram demais, já bem grandinhos um ano depois quando voltaram a gravar. E foram mais poupados, pouco apareciam. A bebê da Vitória então nem apareceu, mais seguro assim. Eram interpretadas por Clara Galinari e Pedro Guilherme. A lista de grandes atores é imensa: Vladimir Britcha, Murilo Benício, Erika Januzza, Tuca Andrada, Débora Lamm, Milhem Cortaz, Letícia Lima, Douglas Silva, Vera Holtz, Ana Flávia Cavalcanti, Camilla Márdila, Lucy Alves, Júlio Andrade, Alejandro Claveaux, Dan Ferreira, Eliane Giardini  e Fabrício Boliveira.

E a família da Dona Lurdes? Que personagens ricos, complexos, só grandes atores, que saudade já! Juliano Cazarré, Nanda Costa e Thiago Martins. Foi esperançoso no final todos sem máscaras falando que a vacina chegou pra todos, pena que não é realidade. Triste!




Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 13 de maio de 2020

A Fera na Selva

Assisti A Fera na Selva (2019) de Paulo Betti e Eliane Giardini no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme, tentei inclusive ver nos cinemas. É baseada em uma história do Henry James. Quando eu assisti a peça Autobiografia Autorizada com Paulo Betti, o ator comentou desse filme.

Eu tive uma dificuldade monumental de gostar do protagonista, mimado e egoísta, ele acredita piamente que algo mágico e extraordinário acontecerá em sua vida e passa a vida aguardando esse momento. Ele divide esse segredo com uma mulher que cumpre o papel de muita mulher que é abandonar a sua própria pra viver a vida do outro. Ela resolve acompanhá-lo nessa busca. Ela ao menos consegue se realizar mais, já que recebe uma herança e monta uma livraria simpática que recebe eventos culturais.
Ele tem uma enorme incapacidade de ser feliz com o que tem e de viver intensamente cada minuto. De ver que o fato mais extraordinário que aconteceu em sua vida foi conhecer essa mulher. Eles passam anos e anos compartilhando momentos inesquecíveis, indo a teatros, fazendo passeios. Os dois são professores universitários, então ainda dividem conhecimentos, livros, e um lindo cotidiano. Uma vida riquíssima. Ele ainda tem a sorte de viver bastante e saudável, podendo desfrutar cada minuto de sua rica vida, que ele é incapaz de perceber. Adoro esses atores Eliane Giardini e Paulo Betti. A filha deles, Juliana Betti canta em um espetáculo que eles vão assistir. A narração é de José Mayer. Participa a Orquestra Sinfônica de Sorocaba. As locações maravilhosas são em Sorocaba, cidade de nascença de Paulo Betti. O Prelúdio nº 1 de Villa-Lobos que aparece no filme é interpretado pelo maravilhoso Duo Assad.

Beijos,
Pedrita

sábado, 28 de setembro de 2019

Orfãos da Terra

Assisti Órfãos da Terra (2018-2019) de Thelma Guedes e Duca Rachid na TV Globo. Eu adoro essas autoras. Fiquei bem chateada quando tiraram essa novela que iria estrear às 21h. Era, desde que começou, a melhor novela no ar.

A novela começou muito forte e com um tema muito espinhoso, a imigração. Povos que precisam sair do seu país pela violência, pela guerra, pela destruição. A casa da família de Laila é bombardeada na Síria. Eles andaram quilômetros atrás de algum campo de refugiados. Nessa longa e dolorosa caminhada, carregavam no colo o filho doente. Cenas de cinema e de cortar o coração. Impressionantes Julia Dalavia, Ana Cecília Costa e Marco Ricca.

Um sheik se encanta com Laila, promete pagar o tratamento do irmão dela. Todo esse núcleo com interpretações impactantes: Herson Capri (Sheik Aziz), Letícia Sabatella (Soraia), Alice Wegmann, Bruno Cabrerizo (Hussein) e Renato Góes (Jamil). Laila foge com a família para o Brasil. Assustadoras as cenas no bote inflável que atravessaria o oceano.

O núcleo da Síria passa a ser desativado. Com a morte de Aziz, começou a vingança de sua filha Dalila. Muitos críticos e público disseram que a novela ficou cansativa com essa "brincadeira" de gato e rato da Dalila, não sei, essas autoras trabalham como nunca as tramas paralelas. Novelas mais recentes e menos conservadoras são mais amplas de conteúdo. Talvez a pressão do script fizeram elas alongarem essa trama, mas as outras eram tão fascinantes, que novela, quantos temas profundos foram abordados. Primeiro sobre a força das mulheres. Soraia já era uma mulher com uma história trágica, forte e determinada, que foge com o seu amado que era o seu amante e é morta pelo Sheik. A própria Dalila, que mulher forte, e estudada, tinha feito faculdade na Inglaterra. E as vinganças permitiram falar de muitos temas como o tráfico de pessoas e a incapacidade de Dalila de se permitir de ser feliz. Mesmo amando Paul (Carmo Dalla Vecchia), ela não desistia da vingança e ainda o mata.
O centro de refugiados em São Paulo abriga a família da Laila. Nesse espaço então foi possível falar de inclusão, culturas diferentes, povos que fogem da guerra, fome. Além dos personagens volte e meia tinham depoimentos de refugiados que vieram ao Brasil. Tiveram atores falando do Congo, da Venezuela. Do Congo estava a família da Marie (Eli Ferreira). Seu namorado no começo da novela era interpretado pelo congolês Blaise Musipere. Seu personagem não administra a chegada do filho da namorada, Martin (Max Lima). Ele se separa e se apaixona pela cantora Teresa (Leona Cavalli). Ela segue carreira internacional e a novela debate várias questões, realmente ia ser difícil conseguir que espaços europeus fechassem show com um imigrante. Desiludido ele tenta fugir do Brasil, não consegue, o dinheiro acaba e vai viver nas ruas. O cuidado com que trataram do tema, o acolhimento de todos com a dificuldade do rapaz com a bebida e questões sociais.
Lindo o amor de Davi (Vitor Thiré) e Cibele (Guilhermina Libanio), fiquei muito triste que ele morreu, mas permitiu abordar tantos temas. Primeiro o ódio que o avô (Osmar Prado) incutiu no rapaz fazendo ele se alistar no exército judeu para defender o seu povo. Falou muito da projeção de pais, nesse caso do avô, no filho, para que ele realize os seus sonhos. Davi acaba se apaixonando exatamente por uma pacifista, a descendente de árabe, Cibele. Foi delicada a explicação da morte, para não projetar mais ódio por um tema tão espinhoso, ele teria morrido em treinamento, assim nenhum lado foi culpado. Mas mostrou a inutilidade da guerra. Achei que Davi ficou fantasminha por tempo demais e forçado o novo romance da Cibele.
Davi estava em um núcleo apaixonante. Duas famílias vizinhas, uma árabe e outra judia, tiveram que lidar com suas diferenças. Sara (Verônica Debom) e Ali (Mohamed Harfouc) se apaixonam. Seus avôs em pé de guerra. O grupo alternava em cômico e dramático: Mamede (Flávio Migliaccio), Eva (Betty Gofman) e Mona (Lola Fanucchi). Se uniu a esse núcleo depois Abner (Marcelo Médici), Latifa (Luana Martau) e Ester (Nicetti Bruno). Abner era muito mau caráter, mas ficou engraçado quando se apaixonou pela Latifa. Achei engraçado no twitter uma participante dizer que era muito surreal que, em plena crise de desemprego, o Abner conseguisse tanto trabalho. Achei essa repetição de perder emprego demasiada.

Gosto muito como as autoras trabalham com atores que não são conhecidos da televisão. Elas apostam mesmo em seus personagens. Foi assim com o grande Faruq (Edu Mossri). Médico, ele não podia exercer a profissão no Brasil, conservador, de cultura antiquada, tinha muita dificuldade de aceitar o acolhimento da namorada (Paula Burlamaqui). Ela era médica também. As mulheres eram fortes e determinadas. Ótimos diálogos. Lembro de um com a psicóloga (Carol Castro), que também namorou um sírio, da dificuldade delas de lidar com o machismo deles.
Muito bem feitas as amizades masculinas, mesmo as machistas como de Norberto (Guilherme Fontes) e Gabriel (Anderson Mello). Os conselhos pessoais do advogado para o empresário eram absurdas e conservadoras, mas muito realistas. Eram muitas amizades de confidência entre personagens como Elias e Caetano (Glicério Rosário), Zoran (Angelo Coimbra) e Rogério (Luciano Salles). Fiquei triste que Missade não assumiu o amor com o Zoran e seguiu com o marido para a Síria, mas foi coerente. De criação conservadora, mesmo eles sendo cristãos, seria muito difícil para ela ter outro relacionamento. Eram muitas histórias maravilhosas, tramas com grandes atores: Eliane Giardini, Paulo Betti, Rodrigo Simas, Filipe Bragança, Danton Mello, Emmanuelle Araújo, Simone Gutierrez, Gabriela Munhoz e Yasmin Garcez.

Eu e minhas amigas não ligamos quando Kaysar Dadour foi cotado para o elenco. Não era um participante que gostávamos. Mas ficamos impressionadas com o desempenho dele. Chegamos a esquecer que ele era o Kaysar e só lembrávamos do personagem, o Fauze. No começo ele interpretava o capanga do Aziz, quase não abria a boca, a internet delirava a cada frase que ele dizia. Quando o personagem veio para o Brasil integrou o núcleo cômico com a Santinha (Cristiane Amorim) e passamos a torcer pelo casal.
Foi uma grata surpresa o romance da Valéria (Bia Arantes) com a Camila (Anaju Dorigon). Duas trambiqueiras que queriam se dar bem, a amizade delas floresceu. Aos poucos elas foram se regenerando enquanto curtiam a vida e se apaixonavam. A direção da emissora vetou o beijo em uma data que não poderia ser pior, quando o prefeito do Rio de Janeiro enviou agentes de censura a Bienal do Livro para vetar um livro de quadrinhos juvenil que tinha um beijo entre pessoas do mesmo sexo. O público esperneou o que pode nas redes sociais e a emissora resolveu permitir vários beijos entre pessoas do mesmo sexo em várias novelas na semana que terminou a novela. Viva o amor!

Beijos,
Pedrita

domingo, 13 de agosto de 2017

Autobiografia Autorizada com Paulo Betti

Assisti Autobiografia Autorizada com Paulo Betti no Teatro Vivo. Eu já tinha visto várias entrevistas do Paulo Betti falando desse espetáculo que já viajou por várias cidades. A direção é do próprio Paulo Betti com o Rafael Ponzi. O texto é dele. Amei os cenários de Mana Bernardes, a iluminação de Daniela Sanchez e Luiz Paulo Nenem e os figurinos de Letícia Ponzi. Nossa, gostei demais! Não tinha ideia que o Paulo Betti vinha da roça, que sua mãe teve 15 filhos, isso mesmo, 15 filhos. Ele foi o temporão, nasceu quando sua mãe tinha mais de 40 anos.

Também não sabia que o Paulo Betti era da região de Sorocaba. Inicialmente ele viveu na roça, depois foram para a cidade, quando conseguiu estudar em escola pública. Sua irmã trabalhou na Votorantim e com isso conseguiu ajudar a família. Interessante que é o Paulo Betti que foi considerado arrimo de família na adolescência. São lindas as histórias da família. Há algumas fotos dos familiares, da casa que são projetadas ao fundo. Sua mãe tornou-se uma benzedeira. Paulo Betti conhece várias rezas que seguiram da tradição oral. É uma peça que antropólogo vai amar, ainda mais se estudar a área rural paulista. Gostei muito de conhecer a vida desse ator. Muitas vezes achamos que atores que ganham expressividade vieram de lares abastados, esquecemos que as trajetórias são sempre ricas e diversificadas e não-necessariamente ricas financeiramente. A peça fala mais desse período familiar, mas no final, Paulo Betti mostra fotos de sua carreira, as primeiras peças e Eliane Giardini logo aparece. Também há fotos de seus personagens em novelas, pinceladas para contextualizar o futuro. Paulo Betti contou que ele e a Eliane Giardini estão produzindo um filme, ansiosa pra estrear.

A trilha sonora  de Pedro Bernardes também é maravilhosa. Há várias canções que estiveram na estrada de Paulo Betti como a linda Índia composta por José Assuncion Flores e M. Ortiz Guerrero que ouviu com Cascatinha & Inhana e tantas outras que ele canta trechos e depois a música incide. A forma como a música entra no espetáculo é tão mágica. Tudo na verdade flui majestosamente. É um desses espetáculos que tudo se encaixa com delicadeza e precisão. Autobiografia Autorizada fica em cartaz até 1º de outubro.

As fotos são de Mauro Kury.

Ah, amei que a a Andreia Inoue do Papeando também viu e postou sobre a peça. Curiosa pra saber se fomos no mesmo dia.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um Homem Só

Assisti Um Homem Só (2016) de Cláudia Jovin no TelecinePlay. Eu quis muito ver esse filme quando estreou nos cinemas, fiquei muito feliz quando vi no Now e é incrível. Em uma entrevista o Vladimir Brichta havia dito que apesar de uma comédia tinha uma trama complexa.

O protagonista trabalha em um escritório burocrático, é casado com uma mulher que faz quadros tenebrosos e o atormenta. Dentro da cabine do banheiro ouve um colega falando com outro sobre um médico que faz uma cópia dele mesmo. Que no dia seguinte será a cópia que passará a vir no lugar dele e ele estará livre para ser e fazer o que quiser. Nosso protagonista vai ao médico. A cópia é igual, mas com um temperamento um pouco mais calmo para lidar com as adversidades.

Livre ele vai viver em um cemitério de animais onde se apaixonou pela sobrinha da dona. Claro que muita confusão acontece. Gostei demais do roteiro. Além da complexidade de abordar vidas medíocres, pessoas aprisionadas em vidas medíocres, fala sutilmente da péssima forma como muitos lidam com animais. Eu adoro o elenco e todos estão ótimos. O amigo fiel de nosso protagonista é interpretado pelo Otávio Muller. A sobrinha da dona do cemitério de animais por Mariana Ximenez, a tia por Eliane Giardini.

A esposa por Ingrid Guimarães. O vizinho por Milhem Cortaz. O capanga do médico por Aramis Trindade. E vários outros atores: Letícia Isnard, Débora Lamm, Murilo Grossi, Mabel Cezar, Luiza Mariani,  Sandro Rocha, Paulinho Serra, Mary Scheyla e Natalia Lage. A trilha sonora do Plínio Profeta é ótima.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Eta Mundo Bom!

Assisti a novela Eta Mundo Bom! (2016) de Walcyr Carrasco na TV Globo. Eu adoro esse autor, mas não gostei do começo da novela. A direção é de outro incansável, o Jorge Fernando. Eu e minhas amigas achamos que eram muitos personagens mau caráter, até mesmo os que diziam ser bons. Mas com o tempo passei a amar, estou com saudade da novela. Nós passamos a gostar quando entrou a parte urbana da novela, quando apareceu o dancing e os personagens urbanos.

Foi na parte urbana que surgiu a maravilhosa Maria, interpretada lindamente por Bianca Bin. Ela está noiva, vai apresentar ao pai austero, mas o moço morre em um acidente de carro. E ela está grávida. O pai, interpretado incrivelmente por Tarcísio Filho, expulsa a filha de casa. A integridade dessa personagem em toda a trama é emocionante. Lindo o amor dela com Celso, interpretado brilhantemente por Rainer Cadete. O quanto passa a proteger a sua protetora.

Outros personagens preferidos eram a doce Eponina, da incrível Rosi Campos, e sua sobrinha Mafalda, pela jovem e talentosa Camila Queiroz. A história do cegonho é uma graça. Em novelas de Walcyr Carrasco sabemos que muitos casamentos não vão acontecer, em geral na igreja, regados a muito pastelão. Muitos vão ser jogados no chiqueiro. Mas que delícia! Como me divirto nessas cenas mesmo sabendo o que vão acontecer. Quero sempre mais!
Adorava as mulheres mais velhas empreendedoras. Várias e com personalidades diferentes. Camélia, interpretada pela incrível Ana Lúcia Torre, era a dona da pensão e exímia costureira, criava a neta muito doente. Paulina, com a ótima Suely Franco, de caráter duvidoso, era dona do Dancing, que cantava de vez quando, excelentes números.  Gostei que ela encontra um antigo amor do passado, interpretado por Flávio Migliaccio e eles vivem uma linda história de amor com casamento de vestido branco e tudo, mesmo ela tendo sido mãe no passado e continuar bem fogosa. Emma, interpretada por outra atriz que adoro, a Maria Zilda Bethlem, moderna, dona de uma loja de roupas prontas. A novela mostra essa mudança de comportamento, quando as mulheres ricas passaram a preferir roupas prontas a comprar tecidos e mandar fazer. Emma usa roupas muito modernas. E por último, Anastácia, com a incrível Eliane Giardini, que assumiu a fábrica de sabonetes da marido. Tudo bem que essa tinha um responsável pela fábrica. Amava as cenas na fábrica de sabonetes, sonhava com uma caixa de sabonetes como aquelas.

Muito triste a trama da Gerusa, interpretada docemente pela linda Giovanna Grigio. Amada incondicionalmente por Osório, interpretado pelo excelente Arthur Aguiar. Ele contracenava no núcleo cômico também, era vendedor de loja, mas sincero demais, amava as pérolas que ele soltava. Excelente texto! Tinham duas histórias difíceis. A da Gerusa com leucemia e de desfecho trágico.

E a do Claudinho, interpretado brilhantemente por Xande Valois. Trama esperançosa. Cadeirante, ele faz uma cirurgia e volta a andar. Gostei desse equilíbrio, onde nem tudo sai perfeitamente na vida. O personagem do pai, Araújo, pelo lindo Flávio Tolezani, também foi incrível. Os textos eram incríveis, já que ele com a desculpa de salvar o filho rouba mais do que precisava. Ele tem muitos discursos tentando justificar o injustificável. Textos sobre moral, que são incríveis. Amei o discurso de Olga, personagem da Maria Carol, que vai cuidar do menino. Ela tinha sido dançarina do Dancing e diz ao pai do menino que viu muitas pessoas indo aos poucos fazendo coisas erradas, e não conseguindo mais voltar ao caminho certo. Belo texto! Passei a gostar muito dessa atriz.
As crianças eram demais. Amava a fadinha interpretada pela lindinha Nathália Costa. E JP Rufino que fazia o Pirulito. Linda a história dele. Ele chique, era uma graça. E cresceu tanto no período da novela que quase passou a Eliane Giardini em tamanho. Mistérios misteriosos eram os bebês, o da Maria nunca crescia. Fofo demais o filho da Dita, interpretada pela Jeniffer Nascimento com o Quincas, por Miguel Rômulo, esse casal que vivia fazendo respiração boca a boca era uma graça.
E os figurinos de Sandra, que sonho. Eram vestidos, detalhes, lindos demais. Adorava os detalhes verdes escuros nos figurinos. Falaram que a personagem da Flávia Alessandra era parecido com o de Alma Gêmea, não concordo. As duas eram vilãs, mas a de Alma Gêmea era amarga. Vivia em um pequeno quarto com a mãe, amava platonicamente. Era amarga, recalcada e infeliz. Sandra era mais solar. O que estragava Sandra era a ambição desenfreada. Mas ela curtia e vivia bem no luxo, no lindo quarto, sempre comprando vestidos que a tia nunca negava. Era muito unida ao irmão. E amou e foi amada profundamente pelo Ernesto, interpretado muito bem pelo Eriberto Leão. Sandra queria sempre mais, mas vivia intensamente. Inclusive era uma mulher liberada sexualmente. Sim, ela seduziu o Araújo para que ele participasse de um plano, mas parecia realmente seduzida por ele. Sandra vivia intensamente. Comprou o carro que queria, as roupas que queria. Era a falta de limites que estragava, mas era uma mulher feliz ao seu modo, diferente da frustrada de Alma Gêmea. Além dos lindíssimos vestidos e acessórios, Sandra teve mais de um vestido de casamento.

Adorei o desfecho da Clarice. Ela era dessas amigas incríveis, que podemos contar sempre. E sua lealdade foi compensada. Ela ganhou da Filomena as joias, deu entrada no dancing e passou a gerenciá-lo. Também o Ferrugem passou a cortejá-la. Muito merecido. Adoro essa atriz, Mariana Armellinni. Filomena foi interpretada por Débora Nascimento e Candinho por Sérgio Guizé, esse personagem parecia que tinha problemas mentais.
Muito engraçado o Romualdo, ele enlouquecia com os personagens do Pancrácio. Romualdo foi interpretado por Marcio Tadeu de Lima e Pancrácio por Marco Nanini. Uma vez quando os dois estavam no quarto,anini de mulher e Romualdo se declarando e Nanini que era homem, divertido Romualdo dizer que não tinha importância. Eu não gostava das explicações para os personagens estelionatários do Nanini.

Eu adorava o detetive interpretado divertidamente por David Lucas. Ele só aparecia na trama para ser enviado pelos vilões para um lugar mais distante e exótico que o outro. Eram tantas loucuras que vivia, que quando voltava achavam que ele tinha ficado maluco. Fiquei triste que a trama dele não teve um desfecho. 

Eu gostei muito do desfecho da Diana com o Pato. Os dois não valiam nada, praticamente impossível eles ficarem bons daquele jeito, mas não importa, ficou lindo na ficção. E que personagem para a Priscila Fantim. Ela arrasou. Tarcísio Filho também estava incrível. Rômulo Neto também estava muito bem como o filho que no início parecia bom, mas vai ficando mal e gostando de ser mal. Gostei da complexidade do personagem. 

Eram muitos atores do elenco: Elisabete Savala, Ary Fontoura, Dhu Moraes, Anderson di Rizzi, Kleber Toledo, Claudio Tovar, Mauro Mendonça, Guilhermina Guinle, Marcelo Argenta, Rosane Gofman, Kenya Costa e Debora Olivieri. Ai que saudade!

Beijos,
Pedrita