Assisti A Hora e a Vez de Augusto Matraga (2012) de Vinícius Coimbra no Telecine Action. Eu não consegui ver esse filme quando estreou nos cinemas, depois esqueci dele. Qual não foi a surpresa em ver ele nesse canal. Tinha muito mais a ver com o Telecine Cult. Que filme incrível! Impressionante!
O filme é baseado no conto de JoãoGuimarães Rosa. Teve outra adaptação de 1965 que agora quero ver. João Miguel está incrível como Augusto Matraga. Um homem violento, que vive de crimes, mulheres.
Ele é casado. Sua esposa é outra atriz que adoro, a Vanessa Gerbelli e tem uma filha. Em meio a desavenças com um coronel, Matraga pede que a esposa vá ficar em outra propriedade. No caminho ela resolve seguir com a filha com outro homem (Werner Schünemann). Os atores são incríveis, alguns em pequenas participações, um elenco maravilhoso.
Irandhir Santos também tem um grande personagem. Ele é funcionário do Matraga, fiel, mas medroso.
O coronel é vivido por ChicoAnízio. Ele manda matar Augusto Matraga, seus capangas o espancam muito, Matraga cai de uma grande altura em pedras e todos acham que está morto.
Um casal o encontra, vai buscá-lo, e os dois começam a cuidar dele. Adoro esses atores: Ivan de Almeida e Teca Pereira. O padre (José Dumont) é chamado para a extrema-unção, Mas Matraga sobrevive, o padre diz para ele ir com quem cuidou dele para bem longe, trabalhar por três e viver sem mulheres.
João Miguel passa a ser outra pessoa, incrível a modificação de interpretação. Até o jeito de andar é outro. Ele constrói uma casa para eles, ajuda todos na região incansavelmente, trabalha duro. Até que João Bem Bem (José Wilker) aparece, Matraga oferece abrigo e comida para o bando e se encanta com as histórias das aventuras. Wilker também está excelente.
O elenco é excelente: Júlio Andrade, Glicério do Rosário e Gorete Milagres. A Hora e a Vez de Augusto Matraga ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival do Rio pela crítica e pelo público. João Miguel, Melhor Ator, José Wilker, Melhor Ator Coadjuvante. João Miguel também ganhou APCA de Melhor Ator.
Assisti em DVD a minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003) de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão. Direção de Jayme Monjardim e Marcos Schetman. A Casa das Sete Mulheres é inspirado no livro de Letícia Wiezchowski. Essa minissérie foi exibida na TV Globo e novamente por coincidência começou a ser exibida no Canal Viva. Outra minissérie que vi aconteceu o mesmo enquanto assistia. Eu gostei bastante e acho muito criativa a criação de um enredo pelas mulheres que ficavam aguardando em casa seus homens na guerra. E também gosto que a minissérie conte um pouco do que foi a triste Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul.
Mas eu me incomodo com a licença poética de algumas pessoas que realmente viveram nesse período. Gosto de personagens ficcionais entre os reais, mas que os reais tenham uma história muito diferente da real eu não gosto. O elenco é enorme e incrível. As mulheres dessa foto são atrizes incríveis: Camila Morgado, Mariana Ximenez, Daniela Escobar, Eliane Giardini, Bete Mendes, Nívea Maria e Samara Felippo.
O elenco masculino também é incrível: Werner Schünemann, Murilo Rosa, Rodrigo Faro, Antônio Pompeo, Tarcísio Filho, Thiago Fragoso, Marcello Novaes, José de Abreu, Bukassa Kabengele, Zé Victor Castiel, Luís Melo, Theodoro Cochrane, Dado Donabella, Bruno Gagliasso, Zé Carlos Machado, Douglas Simon, Carmo Dalla Vecchia e Maurício Gonçalves.
A Casa das Sete Mulheres tem uma fotografia belíssima. São incríveis as cenas de guerra, são muitas cenas de batalhas, imagino a exaustão que deve ter sido realizá-las. A quantidade de figurantes é monumental. Os figurinos são impecáveis e belíssimos. No núcleo italiano, chegam para incorporar a luta o lendário Giuseppe Garibaldi interpretado pelo Thiago Lacerda e seu companheiro interpretado por Dalton Vigh. Giuseppe Garibaldi se apaixona por Anita, que se torna outra figura lendária, a Anita Garibaldi interpretada por Giovanna Antonelli. Imagino que algumas histórias sobre essas figuras lendárias nos deixem na dúvida de sua veracidade já que ídolos e lendas ampliam os fatos. Giuseppe Garibaldi era um herói da liberdade.
Me incomodei muito com as histórias ficcionais das personagens Rosário e Manuela. A da Manuela me incomodou mais porque é baseada em uma pessoa real. As duas atrizes estão ótimas, mas as personagens são muito chatas. Enquanto a família toda sofria com as agruras da guerra e muitas mortes na família as duas só sabiam chorar e suspirar por suas mesquinharias. Essa minissérie precisou ser muito longa e se arrasta em alguns momentos.
O elenco é extenso e com muitas participações. Alguns destaques do elenco são: Rosi Campos, Christiane Triceri, Viviane Porto, Ana Beatriz Nogueira, Jandira Martini, Amandha Lee, Carla Diaz, Heitor Martinez, Arieta Correa, Mary Sheila e Carla Regina. Fazem participações: Sabrina Greve, Ney Latorraca, Ariclê Perez, Tarciana Saad, Juliana Paes e Roberto Bomtempo.
Assisti Lado a Lado (2012) de Claudia Lage e João Ximenez Braga na TV Globo. A direção é de Cristina Marques e André Câmara. Está entre as minhas novelas preferidas. Como vem acontecendo há um tempo, as novelas das seis vem se inovando muito mais. Em geral poucos que comentam assistem realmente pelo horário, então verificam só os aspectos tradicionais e esquecem de olhar com mais profundidade. Lado a Lado inovou em várias questões. Em geral como a mocinha engravida de outro rapaz, costuma perder o bebê, apesar do bebê ter sido roubado, quando a mãe descobre ela quer educar o filho e quer casar com o mocinho, que precisa lidar com o filho de outro homem e ainda conviver com as visitas do pai biológico. E não é só um casal de mocinhos, são dois, interpretados incrivelmente por Camilla Pitanga e Lázaro Ramos, Marjore Estiano e Thiago Fragoso.
Lado a Lado debateu várias questões históricas, integrando os personagens nos fatos. A novela falou de um período pouco retratado, 1910 e 1920. Dez anos após o fim da escravidão, quando os negros foram soltos a própria sorte, sem perspectivas e tiveram que viver na marginalidade. O primeiro fato histórico retratado foi o Bota Abaixo, quando os governantes quiseram transformar o Rio de Janeiro em algo parecido com Paris, alargando as ruas, destruindo os cortiços onde a maioria que morava era negra. Os negros passar a se instalar nos morros, sem saneamento básico. Depois retrataram a Revolta da Chibata. Dez anos após a escravidão, os negros tentando trabalho e melhores perspectivas, se inscreveram pra trabalhar na Marinha, mas eram tratados na maioria das vezes como escravos, sendo açoitados. O Governo fingiu aceitar o fim da chibata para os negros pararem de se rebelar. Mas um pouco depois mandaram embora todos os que se rebelaram. O futebol foi retratado, veio da Inglaterra e era um esporte só para ricos. O jornalismo é um forte em Lado a Lado, para ajudar a contar vários fatos históricos do período, dois jornais, e vários jornalistas, fazem matérias dos temas. E era uma época que a leitura era uma diversão, então vários personagens leem e mencionam livros importantes.
O preconceito a mulher também foi muito bem debatido. Uma personagem engravida de um homem, a mãe viaja com a filha, finge que está grávida e assume o neto como filho para a filha ser preservada. Ela é interpretada pela Priscila Sol. E a questão do divórcio. A mocinha se divorcia, para poder mostrar o que uma divorciada passa, não fizeram ela se entender com o marido. Então ela passa a sofrer todo o tipo de punição, a família a renega, só a aceita se ela ficar na fazenda escondida. Ela não consegue emprego, amigas, é colocada a margem da sociedade.
O respeito as religiões e tradições afro também foram tema. A capoeira era proibida, muito bem feita as cenas quando todos queriam conhecer o mestre do Jiu Jitsu, em um país que proibia uma luta similar, mas de tradições afro. O desrespeito a outros credos foi debatido. Dona Jurema foi presa por ler búzios e a sociedade foi pedir que ela fosse solta. Gostei demais que o casamento final foi no Cadomblé.
Eu adorava o personagem da solteirona Celinha, interpretada brilhantemente pela Isabela Garcia. Ela se apaixona pelo jornalista falido interpretado pelo ótimo Emílio de Mello. Ele é dono de um jornal revolucionário que vai muito mal das contas. Amei que quem resolve as finanças, negocia com anunciantes, é o personagem do Lázaro Ramos. Celinha é toda atrapalhada e assim continua. Ele é um solteirão convicto que adora a Celinha, mas ama também a sua liberdade. O romance atrapalhado deles é uma graça.
Outro casal que adorei foi o da Alice e Jonas, os dois atores estão ótimos Juliane Araújo e George Sauma. Ela uma moça reprimida pela mãe e ele um pobretão jornalista. Eu adorei também a personagem Esther, que foi muito bem interpretada pela bela Rhaisa Batista. Outra jovem e bela atriz que encantou em um personagem complexo foi Gilda, interpretada também muito bem pela jovem atriz Jurema Reis. A ambientação de época estava incrível. A direção de arte é de Mário Monteiro. Vários assinaram a cenografia e os figurinos maravilhosos eram de Beth Filipeck e Reinaldo Machado.
O elenco é e está incrível. Vários vilões excelentes: Patrícia Pillar, Sheron Menezes, Cássio Gabus Mendes, Marcello Melo Jr. e Caio Blat. Ótimos os rapazes janotas: Rafael Cardoso, Daniel Dalcin e Klebber Toledo. No morro viviam os personagens de Milton Gonçalves, Zezeh Barbosa, Tião D´Ávila, César Mello, Ana Carbatti, Rui Ricardo Diaz e Laís Vieira. Outros atores que gosto muito faziam papéis importantes: Bia Siedl, Alessandra Negrini, Guilherme Piva, Débora Duarte, Cláudio Tovar, Susana Ribeiro, Christiana Guinle e Romis Ferreira. Werner Schünemann, apesar de estar no núcleo principal, aparece pouco. No teatro estavam os atores: Maria Padilha, Paulo Betti, Álamo Facó, Tuca Andrada, Maria Clara Gueiros e André Arteche. As empregadas tem participações determinantes: Luisa Friese e Ana Paula Lopes.
São muitas crianças no elenco e estão ótimas. Adorei o ator que interpreta o filho da Isabel, Cauê Campos. A delicada menina que faz a filha do Edgar, Eliz David. E ótimos também os atores que fazem as crianças no morro: Marcio Rangel, Jorge Amorim, Ana Luiza Abreu e Zeca Gurgel. Fizeram pequenas participações: Beatriz Segall, Maria Fernanda Cândido, Maria Eduarda, Elisa Lucinda, Anna Sophia Folch e Thiago Amaral. Essas últimas novelas inovadoras, Cordel Encantado, Lado e Lado e alguns incluem A Vida da Gente, fica difícil se animar em novelas tradicionais. Estou muito emocionada que a novela Lado a Lado ganhou Emmy Internacional.
Assisti Quase Dois Irmãos (2005) de Lúcia Murat no Cinemax. Quis muito ver esse filme nos cinemas, mas não consegui. É excelente! Fala da trajetória de dois grandes amigos que começa na infância e segue até os dias de hoje. Mostra a complexidade dos seres humanos, das questões políticas e financeiras no Brasil. De pobreza, ditadura, projetos políticos e vidas divergentes.
O pai do negro era um grande sambista do morro. O pai do outro vivia nos bares tocando samba e a família vivia em dificuldade. O branco se torna um líder revolucionário e por um acaso os dois vão parar na prisão juntos. A edição de Mair Tavares é toda entrecortada. Caco Ciocler narra que há duas vidas, a que vivemos e a que sonhamos, portanto não sabemos o quanto a infância é romanceada na lembrança dele.
Nos dias de hoje o branco se torna um rico deputado e o negro um líder do tráfico na favela, que comanda em Bangu pelo celular. E seus filhos acabam se envolvendo na favela. É uma trama bastante complexa.
Na cadeia, após alguns anos, como presos políticos, começam a chegar os bandidos, desinformados, pela decadência do ensino no Brasil, com outro discurso. Os grupos se dividem e entre os bandidos a liderança é pela força, por espancamentos e morte. Matar para dominar. Mas o discurso dos presos políticos também começa a mudar. Para garantir a sobrevivência, eles se dividem de forma elitista, os presos comuns dos políticos. E há fortes debates sobre essas determinações.
Caco Ciocler está maravilhoso como o branco e Flávio Bauraqui arrasa como o negro. Nos dias de hoje eles são interpretados por Werner Shünemann e Antônio Pompeo. O elenco é extenso por passar em vários anos: Marieta Severo, Fernando Alves Pinto, Maria Flor, Renato de Souza, Babu Santana, Luís Melodia, Cristina Aché, Fernando Eiras, entre muitos outros.
Quase Dois Irmãos ganhou Melhor Edição Melhor Trilha Sonora no Festival de Havana, Melhor filme do público e Prêmio especial do Júri no Festival de Marseille, Melhor filme do Público no Festival Brasileiro de Paris, Melhor roteiro – Lucia Murat e Paulo Lins pela Associação Paulista dos críticos de Arte e Melhor Diretor, Lúcia Murat e Melhor Ator, Flávio Bauraqui, no Festival do Rio.
Assisti a novela Eterna Magia de Elizabeth Jhin na TV Globo. Eu adoro novelas das seis e com essa não foi diferente. Está certo que começou difícil, precisou de alguns ajustes, mas eu amei! Acho que o 007 faria um tópico bem mais divertido que eu meu. Até o fim da novela ele fazia comentários sarcásticos sobre a participação do Paulo Coelho. Ele disse que o fracasso no ibope se deve ao azar que esse mago traz a televisão. E sua participação no início foi patético. Recentemente revi um Vídeo Show e ele chegou a ir para a Irlanda fazer umas cenas. Que desperdício! Ele não tinha dicção nenhuma e não se entendi nada do que ele dizia. Tanto que ele nunca mais voltou na novela, até seu quadro foi destruído.
Eu adorava o casal principal e ficava torcendo para que eles acabassem juntos. Sofrimento para essa pobre moça não faltou. O rapaz a largou no altar, disse não na hora do sim e fugiu com sua irmã grávida para a Irlanda. Gostei demais das transformações dessa personagem. Assim que ela vê que todos têm pena dela, ela se fortalece, vai para a capital estudar e se torna uma grande empresária no segmento das pedras preciosas. Ela é a excelente Maria Flor, eu adoro essa atriz e acompanho a sua carreira há um tempo. Principalmente desde que ela me emocionou em Cabocla. Ele foi interpretado por Thiago Lacerda. Sua irmã voluntariosa e mimada foi interpretada por Malu Mader.
Outro casal que eu amava era do Max e da Pérola. Eles também sofreram um bocado para conseguirem viver o seu amor. Eliane Giardini estava maravilhosa e eu gosto muito do Werner Schünemann. A trama de Eterna Magia tinha muitos segredos. Muitas histórias traziam segredos demais. Era muito interessante.
Em Eterna Magia apareceram ótimos atores. Eu e minha mãe delirávamos com a Suzana, interpretada divinamente por Daniela Fontan. Adorava quando ela tentava explicar o sumiço do "bibelau". Ou as desculpas quando ela dormia no sofá da patroa. Outros atores que gostei muito foram: o estrangeiro Pierre Kiwitt, os divertidos Eduardo Mancini e Nica Bonfim, que tiveram um final emocionante e lindo, a bela Milena Toscano que o 007 é fã, o gato do Vinicius Manne, minha mãe também suspirava por ele.
Eu adorava as famílias principalmente porque muitas eram pouco ortodoxas. A do Joaquim, interpretada maravilhosamente pelo Osmar Prado era a mais complexa. Ele largara a mulher porque se envolvera com outra. Só que ele descobre depois que ela morre que a maioria dos filhos que ele acha que teve com ela não eram dele, mesmo assim ele cria todos, claro, ele teve tem dificuldade de aceitar os "filhos", mas nunca deixou de amá-los. E ele ainda se casa de novo. A história deles era linda e os atores desse núcleo eram excelentes: Ana Carolina Godoy, Rafaela Victor, Guillermo Hundadze, Rita Guedes, Isabelle Drummond e Lara Rodrigues. Adorava também a família da Loretta, interpretada pela Irene Ravache e sua afilhada Marcella Valente.
Outra família maravilhosa era encabeçada pela incrível Cleyde Yáconis, com Aracy Balabanian, Isaac Bardavid, Thiago de Los Reyes, Cauâ Reymond e Marco Pigossi. Adorava ainda a família cômica dos donos do hotel e padaria da cidade, interpretados pela a doce Lívia Falcão, o simpático Carl Schumacher.
A trilha sonora também era muito bonita, tanto que minha mãe pediu que eu comprasse os dois CDs, nacional e internacional, para ela.